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domingo, 30 de janeiro de 2011

Um Cavalheiro

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Era um homem de setenta anos. Apesar da idade, não era aposentado e continuava exercendo a medicina. Ele era clínico-geral. A sua mulher recebeu um convite de aniversário. Não podia comparecer. Naquele dia acompanhava a filha que ia fazer uma videolaparoscopia para o tratamento da endometriose do útero.

Genésio disse para Filomena não se preocupar. Levava o Arnaldinho para o colégio, o seu primeiro neto, filho da Hortênsia, que é a sua filha.

Apesar de ser médico, no seu consultório aguardava o telefonema da sua mulher dizendo que tudo estava bem, que a Hortênsia já estava em casa.

O telefone toca:

_Fi, como foi o procedimento?

_Ainda não foi. A Hortênsia está fazendo os procedimentos necessários para a realização da videolaparoscopia. Estou ligando para te pedir um favor: você manda flores para a Sibila. Ela foi tão gentil em me convidar. E depois, os filhos moram fora, o marido morreu e ela continua tão doce. Ela poderia ter se transformado em amargor, mas continua do jeitinho dela.

_Pode deixar que eu já ligo para a floricultura. O Tomio é meu amigo, depois eu pago para ele. Por favor me ligue para contar que está tudo bem.

_Está bem. Um beijo. Tchau.

Ele mal desligou e ligou para a floricultura:

_Alô. Tomio? Eu preciso que você mande flores para uma senhora. Ela é muito delicada, doce como jabuticaba madura.

_Pode deixar comigo doutor. As flores estarão lá às três horas da tarde.

Sibila recebeu as flores com surpresa. Trinta e seis rosas na cor champagne sem espinhos. A casa estava com convidadas para o café da tarde. Ela admirou as flores de longe. As convidadas ao verem os vasos com violetas e margaridas que elas trouxeram de presente ao lado daquela enorme cesta de vime cheia de flores sentiram-se enciumadas. Sibila tratou com o mesmo carinho todas as flores recebidas e até comentou com as amigas que a floricultura podia ter se enganado.

Enquanto isso, no consultório, o doutor Genésio recebia o telefonema da mulher dizendo que a cirurgia saíra conforme fora planejada. Arnaldinho estava com ele no consultório e deu vivas ao sorriso do avô.

_Vamos para casa. Está tudo bem. Abraçou o neto e foi com ele até o estacionamento pegar o carro para irem embora.

No dia seguinte, antes de ir ao consultório, ele passou na floricultura para pagar o Tomio.

_Quanto eu te devo com as flores?

_Um salário mínimo.

_Repita, que eu não ouvi direito.

_Um salário mínimo.

Ele pagou as flores e perguntou o porquê do Tomio enviar flores tão caras. Tomio disse que ele havia falado em jabuticaba, uma fruta que causa mal estar a ele, se comida em excesso.

_O que a jabuticaba tem a ver com as flores Tomio?

_Nada doutor. Tomio ria muito da zanga do médico.

_Não é engraçado, mas dessa vez passa, hoje eu estou feliz.

Passam-se quarenta e dois dias. A filha está bem, a mulher e o neto estão bem. É chegada a hora de contar sobre as flores enviadas à Sibila.

_Conte que foi um engano. Eu gosto da Sibila e não quero pensar que você, aos setenta anos está me traindo. Disse Filomena.

Genésio pensou e ligou para a Sibila da sala de casa para que a Fi pudesse ouvir.

_Sibila, amiga de minha esposa. Você mereceu as flores que eu jamais dei à minha esposa.

_Quando eu as vi, eu adivinhei que havia um engano.

_Sibila, quero que saiba que sou um homem espiritualizado. Paguei um salário mínimo pelas flores. Creio que você foi merecedora das flores que recebeu. Um carinho de algum sistema. O Shakespeare falou em breves palavras sobre os mistérios dessa terra em que vivemos. Eu pude pagar e vou perturbar o Tomio, mas a afeição e a coincidência foi o que me surpreendeu. Estou feliz pelas flores que você recebeu. Um abraço meu e um beijo da Fi.

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