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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Filha Da Mãe - Crime

A Filha da Mãe.

A mãe, já na casa dos sessenta anos, olha a filha. Patrícia tem trinta e cinco anos e percebe o olhar da mãe a observando:

_Deixa de me olhar mãe. Daqui a pouco passa.

A mãe sabe do que a filha está falando. É do trauma. Ela mesma, Simone, não acredita no que uma das suas irmãs e um dos seus cunhados fizeram à filha naquele dia. Ela se separou do marido. Alguns anos depois encontrou o Omar. Namorava com ele a um ano no dia da festa de aniversário dele. A filha tinha dezesseis anos e ficou em casa assistindo televisão naquela noite. A vizinha invadiu o apartamento. Ela era alta e loira e forte sem ser gorda. Toda a vizinhança sabia da vida devassa que ela levava. Ela conseguiu a chave do apartamento com a empregada em troca de alguns reais a mais no bolso. Naquela noite a empregada disse à menina que ia visitar a mãe que estava com pneumonia.

Eram nove horas da noite quando Patrícia aproveitou o intervalo para os comerciais na televisão e foi ao banheiro. A vizinha estava no banheiro. Tapou a boca da moça e prendeu o nariz da moça e a molestou sexualmente. Ao terminar o seu breve prazer foi embora. Simone ficou tonta com a falta de ar e sem reação tomada pelo susto e pelo medo. Quando Simone retornou para a casa encontrou a moça com a cabeça enterrada nos joelhos e os seus braços abraçavam os seus joelhos. Ao saber o ocorrido, desesperada e sem saber como reagir, ela abraçou a menina e chorou junto com ela. “Que mulher ordinária aquela que fizera mal à menina”, pensava a mãe. Mãe e filha não registraram queixa na polícia contra a vizinha devassa porque ela não havia deixado nenhuma marca ou cicatriz no corpo da filha. Naquele tempo não existiam exames de DNA que pudessem comprovar a moléstia feita por uma mulher contra a outra.

A vida continuou e aos poucos a Patrícia foi retornando à sua vida normal. O Omar soube no dia seguinte e mostrou que era um homem bom. Ajudou, arrumou passeios e estudos para ajudarem a moça a superar o trauma. A vizinha continuava morando no edifício e Simone não tinha dinheiro guardado para comprar outro apartamento. Até vender aquele e comprar outro levaria tempo. Pensou em alugar um, mas desistiu. Ela queria esse tempo para cuidar da filha e não da imobiliária, da mudança e dos possíveis compradores. Foram anos difíceis, doloridos para a Simone. Ela estava refazendo a sua vida. Montava uma família nova a partir dos cacos que haviam restado do seu primeiro casamento que agora se juntavam aos cacos da moral arrasada e da baixa auto-estima da filha.

A vizinha, Brígida desejava não a morte das duas, mas o desemprego da mãe. Levava uma vida sem parâmetros. Insistente e perversa não se esqueciam de perguntar ao porteiro sobre a saúde financeira das duas e qualquer gripe era motivo de festa no seu apartamento. Mãe e filha sabiam do ódio vindo da culpa daquela mulher. As duas pensavam que a culpa quando não gera o arrependimento pode gerar o ódio do malfeitor contra as suas vítimas. O sofrimento das vítimas faz o criminoso se sentir forte, ameaçador, ele se transforma em uma ameaça viva, um super-herói do mal. Simone estava convicta que a vizinha era uma ninfomaníaca que queria cooptar a filha. As conversas entre os outros vizinhos na portaria não deixavam dúvidas a esse respeito. A partir daquele momento Simone era a guarda-costas da Patrícia.

Aos vinte e um anos Patrícia arranja um namorado. Parece decidida e resolvida a enfrentar os seus traumas, os seus medos e seguir a sua vida em frente. Simone e Omar estão tão felizes que no dia do aniversário da Patrícia, dia em que ela completa vinte e dois anos, eles reúnem toda a família para a festa. A família do Omar, a família da Simone e a família do Roberto, o namorado da Patrícia.

O casal compra salgadinhos, os docinhos preferidos da filha, um bolo grande que dê e sobre para que os convidados possam comer quantas fatias desejarem.

Dia três de setembro. Dia da festa. Chegam os convidados. É hora de cantar os parabéns. Apagam as luzes. Na parede da sala, atrás do bolo e da aniversariante, ao invés do filme do seu primeiro aniversário, um filme daquela noite horrenda é exibido para todos os convidados. Simone grita para que acendam as luzes da sala.

A família do Roberto se retira dizendo que diante dos fatos não há argumentos. A família do Omar também vai embora e diz que a sorte dele foi ter se apaixonado pela mãe e não pela filha.

As irmãs da Simone se dizem envergonhadas por tudo aquilo e vão embora. A sala fica vazia com duas velas derretendo sobre o bolo esquecido sobre a mesa.

Naquele instante Simone tem vontade de acabar com a vizinha e entregar a fita à polícia. Pede ao Omar que faça isso. O Omar corre em direção ao projetor, pega o filme e sai.

Passam algumas horas e elas se questionam sobre o fato desse filme estar no projetor. A vizinha tinha viajado há um mês e não tinha voltado ainda. A empregada agora era outra.

Omar chega a casa e diz que a justiça será feita. Ele tomou todas as providências que podiam ser tomadas junto ao delegado, que se prontificou a fazer um inquérito policial rigoroso em busca de mais provas contra aquela mulher.

Toca o telefone. É um cunhado da Simone que estava na festa. Ele diz que está preocupado com a Patrícia e pede para falar com ela. A mãe se acalma ao ver que alguém da família dela conversará com a moça que não pára de chorar.

Para evitar mais confusão a moça atende ao telefone.

_ Gostou do que eu fiz com você? Amei sua mãe e ela não me amou. O mal está feito, irremediavelmente feito. Os inocentes é que pagam. Boa noite.

Ele estava certo. Omar chega do jogo de futebol. Simone pede que ele a abrace.

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