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domingo, 30 de janeiro de 2011

De como a personagem Albina Sobreviveu ao Fim do Mundo

De como a personagem Albina sobreviveu ao fim do mundo.

Fiz um pedido para que a Albina fizesse um depoimento sobre o fato e ela não se fez de rogada e enviou-me esta carta:

“Prezada e gentil senhora, é com prazer que falo deste assunto.

Estava eu ali, dentro da autora, e, ela, pensava que não saberia contar histórias. Eu mostrava fatos pitorescos, cenas tristes das ruas e confesso que até mesmo apelei naquele dia em que eu mostrei um homem de 60 anos saindo de uma caixa azul, vestindo um turbante para se cobrir e com uma lâmpada na mão. Na verdade, a aparência dele era um tanto quanto bizarra, mas um fato desses a duas quadras de um quartel daria uma boa história. Em verdade, ela saiu correndo com medo de ficar ali e ser encantada pelo homem; ou ser apontada como cúmplice do homem pelos moradores do quartel, ou do homem mesmo. Qual é a intenção de um homem que sai de dentro de uma caixa azul fazendo surpresa a todos? Próximo a um quartel? Já comecei a inventar histórias e esse não é o meu objetivo nesta carta.

Um dia, enquanto líamos o jornal e verificávamos a programação cultural. Eu digo “nós”, mas ela ainda não sabia da minha existência. Lemos a propaganda sobre uma palestra. Percebi que ela se interessou porque ela ergueu o olhar para o nada, para uma parede sem quadros. Ah, se dependesse dela, não iríamos aquele lugar. Eu tive que dar uma mãozinha para convencê-la. Ela optou pela ida ao cinema, fui junto. Depois de assistir o filme, ela foi comprar pão para o lanche da tarde. Aquele dia estava realmente quente, o que era a minha sorte. Ela se concentrou no volante e no caminho de casa, que passava naquela rua, que tanto poderia ir ao local da palestra como levá-la para casa. O sol veio de encontro ao vidro da frente do carro. Sem enxergar muito bem, ela colocou os óculos de sol que estavam no console. Ela não sabia que eu tinha escondido os óculos de lente cinza no porta-luvas e havia deixado os óculos de lentes amarelo- escuras, quase marrom, mágicos, ao alcance das suas mãos. Eu estava dentro dela e acompanhei o olhar maravilhado dirigido à árvore florida, que estava na direção do local da palestra. Daquele lado da rua o colorido da paisagem mudou, os idosos ficaram mais belos e usavam as suas rugas para sorrir, as crianças mais rosadas e mais doces do que costumeiramente o são, o jornal que estava no chão tinha um aspecto nobre e envelhecido nas suas páginas amareladas pelo tempo. Ela se apaixonou pelo que viu naquele caminho das palestras. Consegui a minha primeira vitória, ela foi assistir a palestra de um escritor. Uma, duas três...sete. Um ano depois eu estava aqui, nascida de mim mesma, disposta a insistir com ela, caso seja necessário. Nós vivemos bem, eu, dentro dela e ela, escrevendo por mim. Você não imagina o que eu ainda quero contar para que ela escreva. O fim do mundo,ou, o meu fim dentro dela seria se eu não chegasse a ter aparecido, logo eu, que sou tão comunicativa. Hoje eu brinco: o fim do mundo? Deixe para outro dia.

Prezada senhora, espero que goste deste meu depoimento e o guarde em uma garrafa para ser encontrado muitos anos depois.

Respeitosamente, Albina.

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