A Filosofia do Preço / Crônica do Cotidiano
Vocês certamente já ouviram falar dos livros deixados por aí, em qualquer lugar. São livros lidos, e deixados para que outros peguem e depois deixem por aí.
Foi o que aconteceu no ônibus.
O livro "A Filosofia do Preço", de autor desconhecido, e como não o trouxe para ler, não lembro o nome do autor.
No entanto, curiosa que sou, folheei algumas páginas para ter uma ideia dessa filosofia.
Vou explicitar o pouco que li, pois parecia um livro para o comércio.
Tem um produto para a venda? Faça o preço e o coloque à venda.
A partir daí, ele, o escritor, coloca duas continuações.
A primeira é que o vendedor vende e o consumidor não tem a oportunidade de usar o produto, não por defeito de fabricação, mas por qualquer acaso, ele comprou e percebeu a inutilidade do produto na sua vida prática.
O vendedor lucra e o consumidor tem prejuízo.
Lembrei de uma máquina de costura overloque, com fios de nylon, que acabei doando para uma malharia. Não sabia lidar e não tinha aonde usar, pois as minhas blusas de malha são mais baratas compradas do que feitas por gente inábil, como eu.
O vendedor me convenceu que tinha bom preço. Ele lucrou e não me enganou. O preço estava excelente. Eu não tinha habilidade sequer para colocar o óleo no motor.
A segunda continuação é a que o vendedor vende e tem prejuízo.
Nessa segunda opção ele diz que o produto é vendido, e o consumidor fica milionário com o produto comprado.
Pensei numa senhora conhecida, que fazia muitas peças de algodão, montou uma fábrica, abriu lojas e se transformou numa empresária de sucesso.
Nesse caso, o escritor diz que o vendedor teve prejuízo, porque com uma indústria fabril a mais, ele venderá menos máquinas de overloque.
Nesse ponto é que o autor tece uma filosofia sobre o preço, algo muito necessário para os comerciantes, porque a partir desse preço é que ele mantém o seu negócio.
Fazer um preço para um produto é o começo do negócio, e o risco não está exatamente no lucro com o volume das vendas, mas sim no que acontecerá ao consumidor que compra o produto ao decorrer da sua utilização.
O preço é o risco do comerciante, que antes de fazer o preço, deve verificar mais do que a matemática do produto diz, pois ele precisa verificar a filosofia que o produto terá após a venda, e saber que a venda de um produto, melhor utilizado pelo consumidor do que pelo vendedor, pode acarretar a falência do comerciante.
Ele aconselha ao comerciante se questionar antes de colocar um produto à venda, com algumas perguntas: O que se vende? Por que se vende um produto? Qual é a configuração de compradores que ele deseja receber no seu comércio? Está preparado para saber que o consumidor utiliza de forma excepcional o produto e consegue um resultado infinitamente maior que o dele que o vendeu?
E antes de chegar até a páguna seguinte, ele diz que o produto não é o vendedor. O produto é alguma coisa que segue o seu próprio caminho para chegar na sua melhor utilização, sem se importar com lucro ou prejuízo, com vendedor e consumidor e suas negociações.
Para concluir: deixei o livro exatamente onde estava, abandonado para ser lido pelo leitor, leitora, adequados ao seu conteúdo.
Eu não sabia da existência desse livro, agora que sei, divido a busca dele por quem se interessar.
Grata pela leitura.
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