Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 3 de março de 2020

Poema Descomum

Poema Descomum


Tudo pode acontecer,
Oh, natureza selvagem,
Desumana só por ser
Natural, sem a linguagem


Que diz do sobreviver.
É impossível essa imagem
De chuva,vento e o adoecer
Quando aos tempos interagem


Em conjunto e sem querer,
Por serem uma engrenagem
Normal que se há de entender,
E mudam toda a paisagem.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Flores

Flores


As flores
São as cores
De um jardim,


E os frescores
Sombreadores
De um jasmim;


Pormenores


De um sem fim.

domingo, 1 de março de 2020

Autoconhecimento

Autoconhecimento


Do que não sei,
Não vou dizer,
Mas meditei
Sobre o querer.
Fiz mais, orei
Até escrever,
E precisei
Me conhecer.


sábado, 29 de fevereiro de 2020

Paloma / Conto


Paloma / Conto

     Paloma, moça de bom espírito, vinte e um anos, planejando o futuro, pega uma gripe.
     Quinze dias depois e estaria pronta para a próxima. Enganou-se. Passado um mês e uma espécie de recaída aconteceu.
     Caiu de cama, mas sem febre. A tosse a atormentava, a ponto de sentir enjoos. Naquele tempo não havia a multiplicidade de diagnósticos que existem hoje, assim as coisas ficavam como eram.
     Passaram mais quinze dias, e a fraqueza não diminuía.
     A resposta médica foi de que sem febre não haveria de ser nada de grave.
     Compraram xaropes para a tosse, não passava. Fizeram exames e o pulmão estava limpo.
     Paloma começou a emagrecer.
     Não conseguia se alimentar direito e não estava doente.
     As pessoas em volta começaram a dizer que poderia ser uso de substâncias exógenas. Pediu à família que verificasse se Paloma não estava aprontando algo feio.
     Paloma comia o que conseguia e deitava.
     A família de Paloma reclamou com ela:
     _Se você tiver algum mal de amor recolhido, o seu lado traseiro vai esquentar.
     Paloma ria. Não tinha amor nenhum. Era fraqueza mesmo.
     Quando Paloma chegou aos quarenta e nove quilos, disseram que seria bom verificar a tuberculose. Mas a carteira de vacinas estava em dia e não poderia ser tuberculose.
     Então ela decidiu por tomar sulfadiazina e vitamina B. Aproveitou uma saída com um parente e, enquanto ele tratava de negócios, ela foi a farmácia e se automedicou, mas com o consentimento do parente,  porque não tinha diagnóstico.
     Passada uma semana, engordou meio quilo e mais uma semana mais meio quilo e conseguiu chegar aos cinquenta quilos.
     Começou a se alimentar e a ter fome de biscoito. Um pacote de biscoito por dia.
     _Se o biscoito cura, compremos biscoitos.
     À medida que se sentia melhor, às vezes tomava e às vezes não tomava a sulfadiazina. Não tinha médico porque não tinha doença, diziam que eram fraqueza de espírito, e por conta disso ela ía à igreja todos os domingos, o que era útil para mostrar para os comentadores de plantão que a substância exógena só poderia ser Deus.
     Seis meses depois se sentiu curada. A família se alegrava pelo ganho de peso e pela animação da jovem.
     Agora, com seus setenta anos, após um exame de rotina:
     _Verificamos que a senhora teve cisticercose há muitos anos, pois da doença sobraram cicatrizes antigas.
     Deus escreve certo por linhas tortas, assim como Paloma poderia ter morrido, não morreu. A sulfadiazina é remédio taxado de antibiótico e a venda é com prescrição médica. Os jovens que saem, hoje em dia, estão realmente expostos à todo tipo de substâncias, mas naquele tempo, não.
     Paloma está viva porque naquele tempo os pais conheciam os filhos e não dependiam da opinião alheia para confiarem na educação que davam.
     A relatividade da medicina é esta: não existe tratamento para o que não é doença.
       

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A História de um Homem e a Sua Discussão Póstuma / Miniconto

A História de um Homem e a Discussão Póstuma

     Clarice disse que queria discutir a vida daquele homem mesmo após passados anos da sua morte.
     Raimunda, com seu jeito simples perguntou se estava tudo bem, porque o sol voltava depois da chuva e o lanche de queijo minas com broa estava delicioso.
     Clarice, mulher bonita e disposta a enfrentar o mundo por aquela discussão.
     _Eu quero conversar sobre a vida daquele homem sim. Eu posso, porque poucos acreditam em santos como eu.
     Raimunda, Testemunha de Jeová, não criou polêmica e disse:
     _Fale Clarice, que eu a ouvirei.
     Clarice ergueu o nariz e disse:
     _Pois bem, falarei. Ter nome de santo não obriga ninguém a ser santo.
     Raimunda disse:
     _Ah, bom. Pode dizer o que quiser. Eu até gosto de ouvir biografia, ou seja história que não seja minha.
     Clarice estava com olhos agudos e continuou:
     _Como é que um homem que tem dinheiro resolve viver em acordo com o nome do santo e esquece que tem dinheiro? Morreu num sofrimento espiritual muito maior do que teria se tivesse gasto o dinheiro que tinha.
     Raimunda arregalou os olhos e disse:
     _O que foi que aconteceu que eu não estou sabendo?
     Clarice amarrou os lábios nos dentes, mas disse:
     _Pois o santo foi cercado por gente que pensava no dinheiro dele enquanto ele mesmo levava uma vida humilde, a qual fora convencido a viver pelo nome do santo que inspirou o nome dele. Chegou ao fim sem realizar nada do que tinha vontade porque era incentivado e aplaudido por levar a vida de santo.
      Raimunda olhava e olhava para Clarice, que estava bastante irritada e disse:
     _Calma, mulher de Deus.
     Clarice se destemperou no mesmo instante:
     _Sim, a minha fé é imensa, mas garanto que se aquele homem tivesse tido um filho com qualquer mulher, e digo qualquer no sentido em que você queira entender, pois bem, digo que se aquele homem tivesse tido um filho teria tido um fim melhor.
     Raimunda disse que não havia entendido.
     _Aquele homem contrariou a Deus quando levou uma vida de santo quando o que Deus queria dele é que levasse uma vida melhor, com mais conforto, com mais sorrisos, com mais carinho. Ele errou e muito, porque a ele não foi concedido ter uma vida de religioso, e sim a conquista de ser apreciado enquanto profissional e conseguir alguns milhões em torno dos quarenta anos de vida. Após conseguir os milhões, ele achou que poderia levar a vida do santo a qual o seu nome inspirava.
     Raimunda achou que Clarice estava falando em excesso, e perguntou:
     _Por que isso, Clarice. Por que esse desespero todo?
     Clarice, visivelmente emocionada, disse:
     _Por que? Porque colocaram o nome dele no meu neto e eu amo o meu neto, ele é lindo, fofo, mas cada vez que eu brinco com o meu neto, eu lembro dele.   
  

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Cantinho

Cantinho


Lá fora o vento
Que muda o tempo
E me ensurdece,


Mas aqui dentro
Há movimento,
Enquanto aquece


 Esse meio-tempo


Que já aparece.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Corona Vírus no Brasil / Comentário

Corona Vírus no Brasil / Comentário

     Calma que o caso é um, por enquanto. No entanto, pode ser que aconteçam mais casos.
     Além do álcool gel, é preciso evitar aglomerações, principalmente as de público flutuante.
     Na época da gripe H1N1, lembro de tomar conhecimento de uma criança infectada. O local ficou fechado por um período de tempo até que não houvesse risco de contaminação.
     Pelo que assisto na televisão, é um vírus gripal, e ainda estamos no verão. Quando chegar o inverno é que a situação pode piorar, porque no inverno é mais fácil pegar um resfriado.
     Nos lugares quentes o problema é o consumo de alimentos gelados como sucos, iogurtes congelados e sorvetes, ou água gelada.
     Sem ser exagerada, e, ao mesmo tempo verificando que tinha um álcool gel do tempo da H1N1, comprei outra bisnaga de álcool gel.
     Naquele tempo da H1N1 era proibido se tocar num piano sem antes esfregar as mãos com álcool.
     Talvez ainda seja uma boa estratégia: lavar as mãos, enxugar com papel toalha e esfregar as mãos com álcool gel.
     Sem ser pessimista, imagino aqueles dias de geada com pontos de ônibus com filas imensas como nas praças da cidade e o transporte coletivo lotado. O corona vírus exerce o contágio pelo ar.
     Em filas de supermercado, não é raro ter contato com mais de vinte pessoas próximas umas das outras.
     Sem ser alarmista, o corona vírus se alastra rapidamente pelos países.
     Sinceramente, continuarei assistindo os cultos online, até porque foi assim que aprendi a gostar dos cultos.
     Daqui a algum tempo talvez seja preciso pensar em como evitar aglomerações.
     Há tempos se sabe que os vírus gripais são mutantes, mas dessa vez a situação é assustadora, com tantas mortes mundo afora.
     Exagero seria não pensar nessas possibilidades.