Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 18 de agosto de 2019

Ornamentos

Ornamentos


Palavras mudadas
Pelo pensamento
São favas contadas
De algum sofrimento,

Teletransportadas
Pelo amigo vento,
Sem essas caminhadas
Que estão a esse relento

Das somas regradas
Pelo contratempo;
Jornadas faladas
São bons ornamentos.

sábado, 17 de agosto de 2019

Projeção

Projeção


Projeta-se esse tempo,
Mas com desprendimento,
Porque é um desconhecer
Que a gente tenta ver

Como um descabimento,
Onde ele insiste isento,
Indiferente ao ser,
A quem se está a prever.

No entanto, é norteamento
E fortalecimento
A quem queira saber
Sem que o queira reter.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Momento Significante

Momento Significante


A busca se faz incessante,
Por isso e mais, interessante
Nesse ínterim determinado,
Quando é palavra e não fraseado

Contínuo, que permite o instante,
E instiga o ser dessemelhante
A estar consonante ao ideado,
E lado a lado ao inconformado

Querendo ser o confortante,
Não a mínima razão faltante,
Descrente, estando compassado
Ao que é  esse real significado.


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A Luz Enquanto Verdade

A Luz Enquanto Verdade


Quando uma história é séria,
Não muda e se repete,
Um ritmo não é pilhéria,
E o respeito é o tapete

Que discute a miséria,
E empresta o patinete:
Espírito e matéria
Formam um só verbete.

Jamais a despautéria
À luz que se compete,
Pode causar a impérvia,
Pois dela não carece.





quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Nesse Caso, Não É A Ingenuidade

Nesse Caso, Não É A Ingenuidade

     Clara Clarice faz coisas que ninguém faz.
     Pobre da moça do estacionamento:
     _Quem te sustenta sou eu que trago o meu carro para estacionar aqui. Se é de luxo, problema meu. É bom que você baixe a cabeça mesmo, do contrário, eu falo com o dono e te mando embora. Não duvide da minha influência npo seu emprego.
     Hoje é a segunda vez. O primeiro foi um homem, bem apanhado:
     _Doze reais de estacionamento? Um roubo. Mas eu posso, entendeu?
     Ela olhou para ele assustada.
     _Não me olhe com essa cara de assustada, que eu devia era esfregar uma nota de cem reais. Pelo menos para você ter a oportunidade de ver uma nota de cem reais uma vez na vida.
     Ela ficou séria.
     _Não me olhe com seriedade! A tua obrigação é calar a boca e me ouvir. Você é paga para isso! Escute, cale a boca e não faça cara nenhuma, porque do contrário eu digo que você afronta os fregueses do estacionamento.
     Clara Clarice ficou triste, mas continuou o dia no estacionamento.
     _Fica sentada o dia inteiro na folga? Na hora em que eu puder eu tiro essa sua folga de tratar com cliente bem de vida o dia inteiro. O que você pensa que é? 
     O sorriso de cordialidade é obrigação da função.
     O telefone toca.
     _Quer um carro novo?
     Ela diz que não e se despede.
     O telefone toca:
     _Tem seguro de vida?
     Ela diz que a empresa paga um seguro de vida para ela.
     O telefone toca:
     _Quem é o responsável pela linha telefônica?
     Ela diz que não é ela.
     Uma parente aparece no estacionamento para vê-la.
     _Como é que eu, que paguei o preço para ter tudo o que eu tenho, não tenho essa boa disposição com os meus clientes?
     Clara Clarice perde a paciência:
     _O preço que você pagou é o preço que você pagou. Ninguém tem que pagar o preço que você pagou para não ter o que você tem porque não quer ter o que você tem. Siga bem com o seu preço e as suas conquistas, os seus planos são seus e não meus. Porque, se você tivesse o que eu tenho, você teria que ter muita paciência. Mas algo eu posso te dizer: Não iria te procurar porque sofri uma frustração, eu me resolvo. Resolva-se e viva como quiser.
     A parente saiu aborrecida com a resposta.
     Dali a pouco, chega o chefe:
     _Clara Clarice, acabo de ser assaltado, tenho que dar queixa à poilícia, e você cuida de tudo enquanto eu estiver fora.
     _Deixa comigo, chefe.
     O dia acabou e Clara Clarice voltou para casa. Ao ir ao banheiro para lavar as mãos, ela se olha no espelho e diz para si mesma:
     _Por hoje acabou? O que está acontecendo? Será que eu não sei o que está acontecendo na cidade? Pensou em Erasmo Carlos, precisa lembrar que existe. 
        

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Tecido Próprio

Tecido Próprio


De novo, o frio,
Quieto e arredio,
Querendo rede


E algo macio
Longe ao arrepio,
Sem que segrede


Ao casario,


 À colcha e o suede.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Serafim de Bom Humor

Serafim de Bom Humor


Serafim enganou o diabo,
Que anda mais que o próprio rabo,
E mal não fez o voador,
Antes a tirou; cultor


Da fé aprazada aqui e à cabo
Contra os males que são o diabo.
Enganado, o causador
De grande e grave temor


Busca a falta com o rabo,
Busca a Serafim e ao quiabo,
Cão de dente rangedor,
 Algo assim constrangedor.


Serafim não fica brabo,
Engana com seu sucuabo;
Bem enganou o enganador,
E diverte o historiador.