Intenção
Compreensão relativa
É toda boa intenção,
Ao saber proibitiva
Por não ser pensativa,
Generosa emoção
Que nasce e se motiva
Quando de si se ativa
E se faz em doação.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Intenção
Compreensão relativa
É toda boa intenção,
Ao saber proibitiva
Por não ser pensativa,
Generosa emoção
Que nasce e se motiva
Quando de si se ativa
E se faz em doação.
Uma Discussão Interessante / Conto
Não foi uma discussão acalorada, um debate, ao contrário foi polida e com definições ditas em voz calma e pausada.
Era um plano com idas e vindas e repleto de reviravoltas, com a certeza de que era um bom plano.
Ouviu em tom metódico e plácido, como resposta:
_Não vai dar certo.
O dono do plano pediu um único argumento, ou que fosse apontada uma falha, um detalhe que pudesse estar errado, que ele corrigiria, e pronto, o plano daria certo.
A resposta foi simplíssima:
_Não consta em nenhum detalhe das escrituras coisa semelhante.
O outro se irritou:
_Não são as escrituras um livro repleto de crimes bem sucedidos?
O homem calmo ficou mais calmo do que costumava ser, e disse:
_Faça como quiser, siga o seu plano, que não vai dar certo, e fique bem.
_Ah, disse o dono do plano. Por acaso não são seus todos os que envolvi no plano?
_Alguns sim, outros nem tanto, mas sou capaz de entender a todos. Não vai dar certo.
Passa o tempo da execução do plano e o plano não deu certo.
O dono do plano quis reverter o plano anterior, mas o homem calmo o advertiu que não iria dar certo de novo, e perseverou:
_Até o mais simples dos humanos conhece a amizade de infância da sua esposa, brincaram juntas, viajaram juntas, cresceram juntas. A amizade é um valor espiritual, e o senhor respeita e muito a história das amizades.
O dono do plano ficou com cara de bobo e disse: E daí?
O homem plácido respondeu: Decifre essa frase e obterá a sua resposta.
O dono do plano era fanático, e fanáticos não decifram frases metafóricas.
_A amizade delas vai acabar?
_Não. Continue tentando descobrir.
O dono do plano pediu para que ele dissesse mais uma frase.
Veio a segunda frase, mais difícil que a primeira:
_O plano termina em dízima periódica.
O dono do plano, de novo, com cara de bobo, resmungou: Ham, hum.
O outro concluiu: Exatamente. Essa é a resposta. Retirou-se estimando proveito ao dono do plano naquela conversa.
E o plano diferente de tudo o que constava das escrituras fracassou.
Não é Problema Meu / Minirônica de Supermercado
Estava eu com o roteiro do supermercado, pães e adjacências, quando parei para olhar um produto, enquanto as repositoras colocavam mais na prateleira, e enquanto isso, conversavam e faziam planos.
Planos de beleza, preenchimento facial.
Mostravam uma e outra as fotos de preenchimentos com aparência natural.
Conversavam sobre o preço do preenchimento facial com o conteúdo de um mililitro do famoso botox, mas esse prometia durar dez anos, ou seja, até os trinta e cinco ou quarenta anos elas ficariam do jeito que imaginavam.
O preço seria parcelado, porque elas não tinham disponibilidade financeira para pagamento à vista.
Escutei toda a conversa, pois elas olhavam para o celular com as fotos, e eu aguardava a liberação da prateleira para pegar o que precisava comprar.
Aproveitei para pensar. Sei que fiquei com vontade de conversar, mas não era problema meu.
Uma série de questões vieram na minha cabeça, como por exemplo, a de uma conhecida que fez plástica pós-parto para ficar com a barriga de solteira. Naquela época, há quarenta anos atrás, fazer plástica significava fazer dieta, pois se ganhasse peso após a plástica abdominal, os pontos ficariam abertos e haveria cicatriz feia naquela barriga linda. Na época, não disse nada.
Desconheço a necessidade de cuidados pós preenchimento facial em clínicas de estética.
Difícil não dizer nada.
Estamos num tempo em que a imagem pessoal é bem vista na internet, é uma nova realidade.
Comecei a repetir para mim mesma diversas vezes que o problema não era meu, que qualquer imprevisto o problema seria delas.
Foi auto-sugestão, não convicção.
O problema está na sociedade e na imagem que fazemos dela todos os dias através das inúmeras fotos que carregamos no celular, nas redes sociais, na consideração que se tem pela estética da tecnologia.
O problema não é meu, mas o pensamento é.
Grata pela leitura.
Manhãs Mornas
Sem espaço
De cansaço,
Madrugar
Nesse passo,
Num mormaço
Caminhar,
Passo a passo
Devagar,
Turista
Espero que exista,
Tenha quem insista
E leia devagar,
E ao tempo persista,
Mas depois invista
No seu divagar
Livro é ser turista
Sem sair do lugar.
Relevante
Cada caminho,
Se edificado,
Vai celebrado
Num pergaminho
Bem conservado
E bem guardado
Num escaninho
Desconcertado.
Edição
Esta folha amarelada,
Pelo tempo desgastada,
Traz a luz certo saber,
Numa capa encadernada,
D'uma edição que é esgotada,
Se folheada, há o que ler;
Nesta edição já esgotada,
O poeta mostra seu ser.