Celular
Fico à paisagem,
Distensionar
Sem ler mensagem;
Celular é pajem
De se guardar
Numa embalagem,
E essa é a vantagem,
Se desligar.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Celular
Fico à paisagem,
Distensionar
Sem ler mensagem;
Celular é pajem
De se guardar
Numa embalagem,
E essa é a vantagem,
Se desligar.
Garrafa de Água
Refletir sobre o espaço
Nessa vã introspecção,
Experiência e cansaço
No andar de passo em passo,
E, nele a convicão
De que nele a água é o escasso,
Desnecessário é o laço
A ser feito à mão.
Dispersiva
Quando tiver algum tempo,
Tempo que não sei que falta,
Porque não há planejamento,
E se crio este pensamento,
Pratico toda uma pauta
E não paro o movimento,
E nisso fica o momento
Desse tempo que me falta.
Friozinho
Meu casaco que diga
Que a blusa de lã é amiga
Nesses dias nem tão frios,
E a gente que prossiga
Sem saber se desliga
O tempo desses fios
Quentes que nos abriga
Se o sol for fugidio.
Ter Propósito
Como dizer
Superação,
Se vem do doer,
Mas é vencer
A dor, ser são
E não sofrer,
E compreender
Que isso é missão.
A Linguagem da Constatação
Uma constatação
Pode ser expressada
Na voz de uma canção,
Essa realização
Que fica sublinhada
É uma história, a noção
Da época, a geração
No tempo conversada.
Fábula O Gatinho
Aquele é o gato cujo nome é Miu. Vive naquele lugar há 80 anos.
Para Miu não importa quem seja o proprietário do lugar, pois para ele, mesmo sendo um gato miúdo, o dono é ele.
Miu chegou ao lugar pelo porão da despensa, aonde eram guardados os cereais.
Com medo que houvesse infestação de roedores, os donos mandaram verificar o porão, e não havia roedores. Havia Miu, o gato que zelava pelo porão, que também protegia o lugar quando a chuva era intensa e os alagamentos eram possíveis.
Miu conquistou uma das moradoras do lugar, que mesmo se arriscando a ter alergias, e também arranhões, se encantou pelo bichinho.
Ele saía e entrava no porão como e quando queria, e, às vezes ganhava com um pulo o peixe frito na cozinha.
Quando o observavam com irritação, ele, esperto, corria para o porão.
Miu cresceu, e nunca se soube como, formou uma ninhada, todos nascidos no porão da despensa.
Os donos do lugar, aos poucos, se dispersaram, foram para outros lugares, ou se mudaram para outros lugares.
Miu ficou, e ainda hoje o Miu está por ali. Dizem que gato tem muitas vidas e o Miu tem.
Miu agora conta história. Miu agora faz pose pra foto, parece celebridade.
As histórias de Miu são histórias de gato, nem sempre se gosta de ouvir.
Suas afirmações são fabulosas quando diz que está naquele lugar desde o tempo em que usar guarda-chuva num dia igual era um charme para o homem vaidoso.
Ele confirma que não gosta de ser gato de estimação, ele gosta é do lugar que conquistou em treliças.
E antes que Miu continue com conversas, a conersa acaba por aqui.
Quem quiser que conte outra.