Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Deslumbramento


Deslumbramento


Música é a rede
Que sacia a sede
Por pouco tempo,
Vem e vai ao vento

Sem ter parede,
Mas ao eco pede
Mais um momento
De entrançamento

Posto que é rede
Que se sucede;
Fome e alimento.
Deslumbramento.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Assim Assim

Assim Assim


Nem vontade,
Nem saudade;
É calor,


Saciedade
Em cidade
De louvor;


Brevidade

De sabor.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Aprendizado

Aprendizado



Sem régua não rola,
A escola sem cola
Ensina a estudar,
Saber pesquisar.

Quem cuida da bola
Que pula e que é mola
De muito anotar,
Faz-se por notar.

Estudo não é esmola
Que a muitos consola,
Mas saber gostar
De um saber e amar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Viabilidade

Viabilidade


Segue a verdade
Porque ela é amiga.
A seriedade
Hoje convida

À essa amizade;
Que se prossiga
À novidade
Desconhecida.

Curiosidade
É uma cantiga;
Viabilidade
P'ra toda a vida.

domingo, 16 de setembro de 2018

Distanciamento

Distanciamento



A chuva e o tempo,
Distanciamento
De rua afora
Com esse agora,

E até sem vento.
Se é meio alimento,
É algo que aflora
E se demora,

Um complemento
Desse momento
Sem contar hora,
Sem ir embora.



sábado, 15 de setembro de 2018

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Crônica Enigmática


Crônica Enigmática


     As frases bem ditas criam suposições e argumentos não imaginados anteriormente.
     Numa fila, a senhora disse:
     _Aqui não volto mais.
     Olhei para ela com algum tipo de sorriso, talvez com aquele sorriso enigmático do famoso quadro de Da Vinci: Monalisa.
     Porque sabia que a frase era verdadeira, havia sido dita com a sinceridade mais pura e bela que se pode ouvir.
     Aos oitenta anos conserva a frase dita enquanto adulta.
     Esta frase mostrou-me a lucidez conservada ao longo dos anos.
     Aos oitenta anos conserva a ferida da alma, a qual jamais fora conversada, mas observada.
     Ela também me olhou, enigmática.
     Não dissemos sequer um boa dia, mas não pareceu necessário.
     Visível era a visão da infância sobre o que talvez fosse a fase adulta.
     Visível era o olhar maduro para aquela menina de outrora.
     Sim, não é possível que volte.
      Mas fez, conseguiu uma maneira de dizer como se sentia. Ainda conseguiu me fornecer uma resposta pronta, entranhada na frase.
     Resposta esta que usarei, caso seja necessária.
     Dessa maneira não nos aborrecemos.
     Mas com a sinceridade, coisa que nos é peculiar.
     Como se uma frase resolvesse todos os problemas. Não resolve, mas alivia.
     Porque conhecemos os ardis dos eufemismos e das hipocrisias e o quanto esconder-se em palavras que não são capazes de traduzir as verdadeiras intenções e pensamentos prejudica a quem as profere.
     Por certo pacificou-se ao dizer essa frase e por certo me fez enxergar que os problemas da alma podem ser contínuos e, simplesmente em não tendo solução plausível, aprende-se a conviver com eles.
     O caixa, curioso como ele só, observando a troca de olhares do gênero Monalisa,perguntou se a minha frase seria a mesma que a dela.
     Respondi, igualmente com toda a sinceridade:
     _Não, eu estou aqui.
     Ele ficou me olhando como se estivesse a ser enganado.
     Não foi.