Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ossos do Ofício

Ossos do Ofício


Ah, esse dever ser,
O ser responsável,
E ter que fazer
E ser criticável,


Mas se convencer
E se fazer viável
Em todo afazer,
O que é memorável


Mesmo sem querer.
Esse ser confiável
 Tem que se valer,
Que desagradável!



sábado, 15 de fevereiro de 2020

Estrela Cadente


Aquela estrela cadente,
Quando caiu deixou contente
Uma criança que sorria
Sem saber porquê pedia

Algo muito diferente:
A esperança a quem não sente,
Porque a sorte lhe sorria,
Porque a vida era um bom dia
Estrela Cadente


Que se dava alegremente,
Desse jeito, simplesmente.
Mas imaginar podia
Que essa luz a alcançaria

No lugar dessa nascente
Onde a luz se fez dormente,
Mesmo que fosse tardia
Para dizer que corria

Naquele céu incandescente.
Numa noite transparente,
E ela se fez de luz guia
Ao futuro que surgia

Sem que fosse condizente,
Trouxe a infância de presente
Sem perceber que chovia,
E o que diria a cotovia

A esse ser todo coerente,
Que a luz se faz num pingente
E que se torna alegria
No lugar onde se via.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O Fato e o Balão

O Fato e o Balão


O que a gente não entende
Pode ter uma razão,
E no entanto surpreende
Pela motivação,


A qual nunca pretende
Ser mais que uma ilação,
Mas que, no entanto, tende
A ser realização.


E esse fato compreende
Porque nele há tensão,
Atenção ao que suspende;
Pensa logo num balão.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Memórias de Dona Sinhá com Seu Sinhô / Outras Questões

Memórias de Dona Sinhá com Seu Sinhô / Outras Questões


     Um menino pergunta ao pai sobre a Segunda Guerra Mundial:
     _Como foi que começou essa guerra?
     _Eu tinha seis anos de idade à época, pois nós éramos um país de mestiços e todos estavam apavorados. Miscigenados desde a origem do país, o que seria de nós se a raça pura ganhasse a guerra? Temíamos pelo pior.
     Ao responder, uma lágrima escorre no rosto do homem de mais de cinquenta anos. Olhou para o garoto e disse:
     _Viu o que você fez?! Eu não choro desde os trinta anos, quando perdi o meu pai.
     Havia uma senhora ao lado desse homem, e era a Dona sinhá, que interrompeu a conversa:
     _Eu tinha também seis anos de i9dade quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Toda a cidade se reuniu e meus pais foram à reunião. Muitas medidas foram tomadas para proteger a cidade, e decidiram que seria preparado um teatro para toda a população, e era dedicado em especial às crianças, que deveriam assistir as peças obrigatoriamente.
     Dona Sinhá continua a explanação:
     _A peça tratava de uma menina que passava a frequentar os locais para levar informações . Ela fazia intrigas, destruía as coisas e se arriscava para obter informações. Nós torcíamos por ela para que escapasse das encrencas em que ela se metia, mas ela era má e eu era uma boa menina e não queria agir como ela, afinal eu não queria e não era educada para enfrentar uma invasão à cidade.
     Naquele momento o Brasil se perguntava quem eram e o que eram os brasileiros. Isso é uma longa história, e por enquanto ficam os fragmentos de duas memórias de duas crianças de seis anos de idade quando estourou a Segunda Guerra Mundial.


     Esse miniconto não é um plágio do conto Memórias de Dona Sinha, é uma intervenção literária de outro ponto de vista, tão válido que até se torna essencial publicá-lo.

     Grata, Toninho.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Brevidade

Brevidade


Importa o que ficou
E o que há por se fazer
Se o que era se acabou,
E há algo a permanecer,


E é o que se ressaltou,
O que há a se enaltecer,
Portanto se guardou
Para sobreviver


Ao tempo que passou.
Porque há que se entender
Que um sabiá sobrevoou
O céu sem o saber.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Significados

Significados


Como são ousados
Significados
De espelhamento
Ao pensamento,


Sutis e acuados,
Ou recusados,
Mas sentimento
De um novo tempo,


Quando são usados
E repicados
A seu contento
E ensinamento.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Foco

Foco


Como exigir o que não posso,
Se com o sal eu nada adoço,
O que é um maltrato à sensação
Quando todo o sabor é vão,


Mesmo se for feito o tremoço
Na louça, salmoura do insosso
Sem vontade e satisfação,
Pois não passa de proibição.


E um desperdício de alvoroço
Seria fazer do que não posso
Uma tola desatenção
Ao que pede a realização.