Perseverança
Brincadeira
É ladeira
Por subir,
E à ladeira,
Sol, viseira
E água a instruir
Da canseira
Que há de vir.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Perseverança
Brincadeira
É ladeira
Por subir,
E à ladeira,
Sol, viseira
E água a instruir
Da canseira
Que há de vir.
Prestar Atenção
Novelo de Lã
Perceber a cultura,
Com cuidado e com zelo,
Nessa arte uma loucura
Conforme se afigura,
Um doce pesadelo
Contido na mistura
Sem Deus ou diabo, a pura
Intenção de um novelo.
Prioridade
Agilidade
Pouca, vaidade
Deixada ao lado,
Que a chuva invade
O chão e a cidade
Do sol cantado;
A prioridade
Sabe o molhado.
Do Que Não Se Sabe
Matematicamente,
Importa ser gerente
Do destino aleatório,
Propósito na mente,
E um foco consistente
A seguir, não alheatório
Da intenção, referente
Ao seu óbvio provisório.
Significação
Significação:
Alma não é brinquedo,
Alma é louvação;
Alma é inspiração
De Deus, um rochedo,
Fortificação,
Cuidado e atenção,
Deus sem arremedo.
Muita Música
Não seria diferente
Se continuasse igual
Nesse óbvio irreverente,
No entanto referente
À trilha musical
Que estaciona coerente
E se torna regente,
E mudada, é normal.
A Prioridade Pensada
A prioridade
Não é decisão,
E a condição
É a ociosidade
Da prioridade,
Sua ideação
Como caução
Da liberdade
Além da idade,
Preparação
D'uma intenção,
Pura verdade.
Bem Estar
Sala de estar,
Espaço ideal
De se espaçar,
Sentir soprar
O "eu" natural,
Deixar ficar,
E assim orar,
A um Deus total.
.
Ponto
Como um ponto,
Como encontro
Do futuro
Como um conto,
Como pronto,
Decidido;
Lume-pronto,
Resolvido.
Ambientação / Minicrônica
A tendência é a própria natureza no lugar para o qual foi idealizada.
Meio de semana, e este pensamento me ocorreu diversas vezes.
Foi o estudo de música que me ensinou a conviver com passarinhos, mas por duas vezes, eles fizeram balbúrdia.
Na primeira vez, ouvia rádio quando uma andorinha entrou pela janela.
Abriram-se portas e janelas, palmas e métodos diversos como a rude vassoura evoluindo para cá e para lá, e até mesmo assobios chamando a andorinha do lado de fora da porta, mas andorinha não é cachorro e não obedeceu.
Toda a casa se animou e a espantou, e ela fugiu da confusão pela janela.
A segunda vez, fou um sabiá que estragou o almoço, que estava servido e, com o calor que fazia, as janelas estavam abertas.
O sabiá entrou pela sala e foi direto para a sala de refeições. Inesquecível foi a tigela de feijão recém cozido com algumas penas do sabiá, que fora abanado para longe da travessa.
Assustado, o sabiá voltou à sala e se escondeu atrás do sofá. Arrastado o sofá, ele voou, mas ainda dentro da sala.
Todas as janelas da sala foram totalmente abertas, e com acenos de mãos ao vento, o sabiá conseguiu sair.
Fechamos as janelas, e ele, no parapeito da janela, parecia discordar.
Pelo menos não morreu.
Feijão com pena de passarinho ninguém comeu. Almoço, só no dia seguinte.
Quem Fala Gíria, Com Ela Fica.
Mudando de gato pra mala,
A gíria que fica faz sala,
Escreve prosa e, quando versa,
Conversa quando o sono embala
Junto a um casaco cor marsala,
Cor que, não usual, se desconversa
Sozinha, e num quadro se instala
Muitas vezes, e se dispersa.
Não é Questão de Não Acreditar em Macumba ou Feitiço, É Questão de Acreditar em Deus / Crônica Obrigatória
O título é longo porque a frase declarada, é sem sentido:
_Você tem que passar por maldades no exato dia em que o seu pai e a sua mãe se casaram.
Sério? Sério, contado pela segunda vez.
Eu tenho culpa do meu pai ter se aconselhado com evangélicos. O que ele fez? Alugou uma quitinete, comprou móveis de cama e cozinha, quando o noivado tomou ares de casamento.
Seguindo o regulamento, deveriam ficar uma semana sem aparecer na casa dos pais. Não tinham dinheiro para viajar, e passariama Lua de Mel na quitinete alugada.
A minha avó materna pegou a chave deles emprestada antes do casamento para levar os presentes e verificar se cabiam dentro da quitinete.
O meu pai e a minha mãe se casaram e foram para a quitinete.
Dentre os presentes de casamento, os tios da minha mãe levaram mimos:
1 - Sinos amarrados no estrado da cama;
2 - Laços de fita sobre os travesseiros;
3 - Uma cesta enorme com produtos alimentícios, com pães, biscoitos, enlatados úteis, etc.
4 - Escreveram no espelho do banheiro Recém-Casados;
5 - Penduraram na porta um aviso de hotel "Não Perturbe".
Ah, faltou o dia:
"Dia 28 de julho de 1955"
Sob o meu ponto de vista, eles fizeram tudo direitinho, como um casal em Lua de Mel, incluindo o que combinaram com as respectivas famílias, de não visitá-los por uma semana.
Vou de orações, porque isso seria macumba se eu não fosse evangélica, mas Deus é mais!
Ambos já se foram para junto de Deus, e respeito é bom!
Grata pela paciência de leitura, desta vez não foram os Beatles, foram "As Abelhudas"
O Problema do Bumerangue / Reflexão
Era uma aula de Física, a mais fascinante, a de que a velocidade no espaço pode modificar a realidade.
A questão era jogar um bumerangue no Polo Norte, e até hoje não entendi porquê no Polo Norte, no círculo ártico.
Criava-se uma velocidade maior do que a da rotação da Terra e calculava-se aonde o bumerangue iria cair.
Por mim, o bumerangue podia cair aonde quisesse, porque tal cálculo dependia de outros fatores como da velocidade do vento, da distância, do cálculo exato da curva que o bumerangue faria durante o percurso.
Enfim, seria mais fácil criar uma nave espacial que fosse até a Lua do que prever o local exato da parada do bumerangue.
Se a velocidade fosse maior que a rotação da Terra, o bumerangue seria encontrado alguns passos à frente de quem o atirou, mas o bumerangue volta e assim cairia alguns passos atrás de quem o jogou, mas a pior coincidência seria atirar o bumerangue e ele cair aonde o jogador estava.
O bumerangue era considerado um dos brinquedos ou jogos mais perigosos que existia para as famílias.
Hoje em dia existem locais próprios para a prática desse esporte. Naquele tempo, não.
Quando os jovens saíam aos parques jogar bumerangue, era recomendado se retirar do ambiente.
Houve uma época em que o bumerangue se transformou numa moda, e era comum haver acidentes de toda a espécie com bumerangues, ao ponto de haver recomendações por parte das autoridades.
Tivemos um, de material leve, que prometia uma volta com baixo risco. No entanto, os bumerangues profissionais dos atletas eram de alto risco.
Os problemas da física matemática com bumerangues eram comuns nas escolas, ou na minha.
O fato é que a volta do bumerangue era relativo à força com que era jogado ao vento, cuja velocidade era imaginária, mas cuja curva de elipse era plausível.
Com aquela ideia de Ártico, velocidade de rotação, força de partida, vento e tempo de volta relativo, pois dependendo da velocidade, ele já poderia ter retornado, criava tantos pensamentos falsamente matemáticos, pois nenhum jovem tem esse conhecimento, que era melhor deixar o bumerangue guardado junto aos brinquedos velhos.
Aquele quadro-negro cheio de giz, era convincente, e a possível prova com o fator bumerangue apavorava aqueles jovens.
Guardados os bumerangues, aprendemos que estamos sujeitos a inúmeros fatores aleatórios, dos quais não sabemos, ou não conseguimos lidar satisfatoriamente.
Ou seja, mesmo os físicos experientes não podem calcular todas as variáveis aleatórias existentes, como no caso de um parque com um número entre cinquenta a cem pessoas jogando bumerangues ao mesmo tempo e em vários sentidos de direção, por diversão.
O que se podia fazer à época era imaginar essas possibilidades dentro de um cálculo relativo.
Agora, imaginar que cada pensamento é um bumerangue que volta, pode ser para que se calcule o bem, porque é o que todos querem para si mesmos.
Boa semana para todos.
Grata pela leitura.
Pastel de Vento
Se observo uma fatia,
Acabou-se este tempo
Na fila, padaria
Lotada neste dia,
Vitrine em movimento
Que em pacotes abria;
Se reparo, meio-dia
E um pastel. Era vento.
Vibração
Texto longo,
Pernilongo
E zumbido
Que um mi longo
Faz no gongo
Seu sonido,
Um milongo
Tem sentido.
Crescimento
A palavra
Interessa,
Diz sem pressa
Do que abraça,
É uma peça
Que diz cresça
E faz graça
E não cessa.
A Utilidade da Oração / Crônica do Cotidiano
Completamente "sui generis" esta crônica de hoje.
Em todo caso, é um contentamento que ainda algo me surpreenda o espírito.
A oração foi o melhor desta semana. Fiz algumas orações, não por mim, mas também por mim, porque ela fez bem à minha alma.
Leiam e fiquem estupefatos como eu fiquei.
Noite passada acordei e estava tendo um pesadelo. Levantei, tomei água, e iria voltar a dormir, quando ao longe escutei contar de mim no velório de um conhecido.
Pensei e, de fato, naquele dia fiquei triste.
Ouvi a conversa porque à noite, ouvidos sensibilizados pela música, ouvem até com mais afinação que de costume.
A turminha conversava sobre alimentação e vida saudável, e os riscos que se corre quando não se tem uma alimentação balanceada. Tudo bem, mas até hoje não soube se foi uma má alimentação a causa do enfarte do casal, mas em anos diferentes.
Se tivesse netos, talvez dissesse algo, mas não é o caso, e é uma geração nova e distante do meu jeito de ser.
Não voltei para a cama sem antes orar pela alma daqueles dois.
Fiz uma oração pela turminha jovem, pedindo para que Deus desse vontade a eles de irem para a casa deles e dormir, e com pensamentos melhores, já era madrugada.
Orei igualmente por mim, para que tivesse uma boa noite de sono.
Adormeci pensando na fé, e quão bom é orar, quando a situação é estranha e sem culpa.
Pensaram em mim, falaram razoavelmente do meu comportamento, mas precisavam de uma oração.
Passados alguns minutos, e eles saíram, foram para a casa deles.
A oração é uma utilidade nesses momentos.
Fiquei bem, dormi bem, e acordei bem por ter sido acordada para orar.
Feliz por me surpreender com Deus.
Grata pela leitura.
Caricatura
Caricatura,
Essa pintura
Que é enfeitada
Criação e criatura
Numa mistura
Que é desenhada,
Mas com lisura,
Mas encantada.
Certezas / Reflexão
Um turbilhão de pensamentos diversos pedindo uma certeza.
A única certeza que tenho é a de que ontem não surgiu uma linha escrita na mente.
São dias onde muita gente precisa, e a resposta é pouca, porque tudo pode vir a ser.
Não sei se alguém é capaz de imaginar um jardim pintado de grama artificial, agora perguntar sobre um jardim pintado de grama artificial é o mais estranho que pode parecer.
Senhor, que dia é este de verdades, perguntas e profecias?
Bons conselhos tem que ser compatíveis com quem ouve. Por exemplo dizer que é bom caminhar ao amanhecer a quem está sob uma nevasca é péssimo. O conselho deveria ser para se agasalhar e brincar com a neve. Mas até mesmo a neve teria que parar para que se pudesse dar tal conselho.
Outra divagação é sobre o fracasso das boas intenções. Oras, se as intenções foram realmente boas não há tanto fracasso, pois houve um bom propósito.
O propósito tem um tempo diferente e um espaço desigual. Seria interessante considerar um propósito com hora e local para ser realizado, mas tal acontecimento não se chama propósito, mas planejamento.
Uma vez que um bom propósito é meditado, ele paira no tempo e no espaço, e pode acontecer.
A profecia impacta. Trata-se de uma meditação conclusiva, e chegada a uma ideia de futuro é transmitida a um ouvinte, que ouve e sabe que a pessoa que se dignou a compartilhar a sua ideia tem uma certeza. Não é propósito nem pensamento, é um ensaio sobre o futuro. É uma possibilidade, remota ou próxima que pode acontecer de fato, se tiver lógica no raciocínio.
Perguntas merecem respostas sinceras.
Conforme aprendi, quando a pergunta é inconveniente, a resposta deve ser cordial: _Não é da sua conta! Pronto, respondida a pergunta inconveniente.
No entanto, quando a pergunta traz a oportunidade de elaborar uma teoria, ou uma tese, não deve ser perdida. A exposição de uma conjuntura, seja qual for, é produtiva. Cria ideias nos outros, busca soluções, ajuda a resolver questões difíceis, dialoga com um problema comum aos demais.
Quando, por questões várias, a pessoa fica exposta a tais situações, ela cria um posicionamento, ou vários, dependendo do número de pessoas e situações diversas.
Quando se cria um posicionamento para diversas questões, sejam elas afirmações, questionamentos e profecias, a preparação para essas questões é benéfica, pois não será mais uma questão, mas o que já está sendo conversado hoje.
Espera-se que o texto seja útil.
Grata pela leitura.
Momento Precioso
Quem escolheu foi o tempo,
E quis o recolhimento,
Neste sábado chuvoso,
Neste seu temperamento
Livre na chuva, momento
Em que se torna precioso,
Guia lido ao contentamento,
Mas ocupado e atencioso.
Criações Matemáticas
Estas linhas geométricas
Com movimentações,
Criando cenas estéticas
Com cores, dimensões
E médias aritméticas,
Verbos em condições
Próprias destas poéticas
Figuras e ficções
Das retas assimétricas,
Lápis e angulações,
Suas artes cinéticas
São belas, criam padrões.
Ouvidos Atentos
Musical,
Nada igual,
É essa audiência
Da geral,
Tanta e tal
Com paciência,
Que o ritual
É a experiência.
Pescaria na Biblioteca / Reflexão
Esta ideia minha é a amizade que sinto pelos leitores, hoje sobre as minhas pescarias literárias, que tanto fazem sentir bem a alma.
Na hora do lanche pensei em como o meu pensamento é moldado pelos livros e pelas experiências, nem sempre más, mas sempre positivas para as próximas vezes.
E de pronto, vieram os últimos livros utilizados. Segue a lista desordenada e útil: Cícero, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Ernest Hemingway, Guy de Maupassant, e por aí seguem os livros e a fila é longa.
A fidelidade na leitura dos sessenta e muitos livros da Bíblia são de boa lembrança junto a doutrina Católica e Evangélica específica da denominação Batista.
Os livros mal lidos, mas considerados Best Sellers.
Os livros básicos que me obrigaram a ler numa semana cultural que terminou com um enorme teste psicológico, e do teste lembro dos três tipos de pessoas: as voltadas ao poder, as voltadas a autorrealização, as pessoas voltadas para a afetividade. As linhas de comando: triangular e a Em linha. Os melhores caminhos para uma vida feliz a partir desses testes. Experiência inesquecível e válida para todos.
Uma vida refletida em teoria, que na prática nos ajudam a lidar com as brumas das praias vazias, mas não ajudam ao sucesso se não for essa a sua alma interior.
A arte enquanto estado de espírito, sem vontade dentro da alma, a arte é um passeio com hora para acabar, e depois elogiar ou criticar. Leia-se ensaios sobre a arte e a necessidade dela igual a qualquer outra necessidade básica, como um prato cheio na hora do almoço, para nós, brasileiros.
Chega a ser engraçado dizer que passei dez dias com Guy da Maupassant, quando em trânsito, cada rua tinha uma página e uma descrição. Ele me ajudou tanto, que apelidei o livro de Guia do Mau Passante, mas eram contos. Um verdadeiro Manual de Instruções, inclusive com dois textos que se referem a nossa cultura, válidos para hoje.
Muito está em qualquer livro, guardado ou já deixado para que outros leiam.
O texto não quer dar conselho, não quer convencer ninguém a ler, pois a leitura por quilo não leva a lugar nenhum, tem que ser degustada, experimentada e apreciada, no tempo de ler do leitor.
Falo das minhas pescarias literárias, mas até isso, a leitura, é individual.
Essa reflexão me perturbou até ser escrita. Ler é bom.
Grata pela leitura.
Bela Geada
Sugestão congelada
Desconheço, e seria
Essa repaginada
Da grama ressecada
De gelo desse dia;
Como foi bela a geada
Em verde envidraçada
Que ao sol evanescia.
Dia Interessante
A fenomenologia,
Até encontrar a teoria
Torna-se busca incessante,
Já o mistério, e não se ria,
É o jeito de ser do dia
Louvável e interessante,
Mas Deus sabe todo dia,
E louvado é a cada instante.
Mar de Gente
Refrigerante e saudade
D'uma oração à beira-mar;
E essa multidão que invade
Tão perto de um caminhar.
Mansuetude e habilidade
De recolher-se a observar
A multidão na cidade,
As filas e a conversar,
E a particularidade
De cada um a se expressar
Nos olhares que, à vontade,
Refleti que orava ao mar.
Indescritível / Crônica do Cotidiano
Um shopping da cidade oferece a imersão em espelhos coloridos e música ambiente, para que haja sensações em duplicidade.
São quatro minutos e meio. existe uma única regra, a de não tocar nos espelhos, e se houver alguma tontura, sair do local.
A brincadeira é em homenagem às mães, e no cartaz a foto de mãe e filha entrando no lugar.
No entanto, é para qualquer pessoa que tiver vontade de brincar com as sensações do espelhamento múltiplo e a música especial para tais minutos.
As sensações emocionais são diversas, e gostei de ir até lá.
Cada uma, ou cada um, que experimente essa experiência sensorial.
Comigo aconteceu algo interessantíssimo, o ver pilares, até mesmo colocar a mão para me apoiar, e ter que me virar na direção oposta, pois não havia pilar nenhum, e quando tentava colocar a mão no pilar, girava para encontrá-lo, e encontrava os espelhos do outro lado da montagem dos espelhos.
Foram tantas as emoções, que, ao fim, sozinha no local, ensaiei alguma dança, e apareceu o logotipo do shopping.
Saí, e as moças que recepcionavam, me convidaram para entrar novamente, e sentir mais emoções.
Não tinha tempo, estava lá para repor o que havia posto fora, inverno e mofo.
Um passeio muito rápido, mas que foi capaz de me tirar completamente dos afazeres.
Tirei algumas fotos, e é hora de me divertir com elas.
Para quem tiver quatro minutos e meio sobrando, além da possível fila e outros tempos necessários, é uma boa experiência de si mesma, ou de mães, pais, filhos, toda essa turma que lota o shopping.
As regras no que tange aos espelhos devem ser cumpridas, e a sensação de bem estar deve ficar junto.
Grata pela leitura.
Ideias Selecionadas
Um congestionamento
De ideias, e algum "nonsense"
Pede o seu esvaziamento.
Pensar é movimento,
E há o que nem se pense
Além do entendimento
Necessário do tempo,
É que nisso há talento.
Dia Intenso
Falta de tempo,
Pausa sem tempo,
E o sono chega
Com gosto ao tempo,
Piscando e lento
Vem e aconchega;
A esse alimento
Ninguém se nega.
Sempre o Tempo
Tempo que é devagar,
Demora a se arrumar,
Mesmo sem ter vaidade.
De tanto se ajeitar,
Imperfeito ao se dar,
Vira necessidade
E começa a faltar;
É a imaterialidade.
Melhoramento
Depois de ler,
Há outro ser
A se pensar,
Esse saber
Vem aquecer
E acrescentar,
E aparecer
P'ra aconchegar.
Os amigos conversaram, mais ou menos como a história de Chapeuzinho Vermelho.
_Pensa num lugar mau, ali o capeta fez morada, tudo que é ruim passa por ali.
O outro deles disse que parecia opinião de simplórios, porque ele saberia lidar com o problema.
O avisado, desavisado da prudência, foi, foi bem tratado, considerado e gostou.
Passado o tempo que a todos traz ensinamentos, encontrou com o amigo do aviso.
_Amigo, guarda contigo essa história: Deram para a minha filha única um curso espetacular, com formação para o resto da vida, mas ela tinha que morar longe da gente, o curso era fora da cidade.
O avisador ficou preocupado com o começo da história e perguntou se a moça estava bem, se já havia voltado para a cidade, e como o amigo estava se sentindo.
_Ela foi e ficou fora alguns anos. Voltou formada e preparada, está bem.
O avisador agradeceu a Deus em silêncio.
_Temos um único problema. Embora mora na cidade, ela liga para a casa uma vez por mês.
O avisador perguntou o motivo desse comportamento.
_Ela disse que provavelmente havia incomodado até aos dezoito anos quando fora, segundo ela, mandada ao próprio rumo. Ela havia encontrado o próprio rumo de forma séria e com bom comportamento.
O avisador perguntou, numa exclamação de espanto: E?!
_E nada. O capeta conseguiu. Fui enganado. É isso. Queria te contar.
Uma ou duas lágrimas caíram da sua face, ele quis dar um curso, deu e perdeu a confiança dela nele.
Erro não é pecado, é o engano do mal.
Insensível
Na imersão,
Essa ausência
De ilusão,
Água ao chão
Na aquiescência
Da intuição,
Um verão
De indolência.
Personalização
Personalização,
Decoração e cuidado
Com toda essa razão
De breve animação
De não se estar parado
Na calma agitação
Que se sente criação,
Pensamento rimado.
Doce de Goiaba
O que se quer
É tempo, é ser
Humanizado,
Sopa e colher,
Calma ao comer,
Humanizado
E algo a querer
Não planejado.
Atrevimento
A alma que escreve
E se descreve,
Sou eu e o meu lugar,
É a brisa leve
Paisagem, breve
Nesse seu idear
Quando se atreve
A poetizar.
A Outra Pandemia / Crônica
Não sei quantos sabem, mas a gripe aviária, foi uma pandemia que chegou a fechar a escola de música, na qual recebia aulas, por uma semana.
Quando a pandemia chegou ao ponto de fechar a escola, ouvi sobre a tragédia da Gripe Espanhola, e ficamos em casa uma semana inteira, até que surgiu o medicamento (_______), sobre o qual não escrevo para não dar ideias ou sugestões, mas o fato foi que a ciência descobriu a cura em uma semana.
Na semana seguinte, ao chegar na escola, a diretora da escola saudava a cada aluno que entrava, e desejava uma boa aula, porque ninguém chegou a contrair aquele vírus, que havia feito muitas vítimas na Inglaterra, embora por aqui fosse apenas uma notícia estrangeira antes da escola ser obrigada a fechar as portas.
O modo como ela enfrentou a situação merece ser lembrado, pois além da saúde dos alunos, a vida dela enquanto diretora e sócia-proprietária da escola ficou em suspense.
As pandemias não se comparam, pois se aquela alterou a rotina da cidade durante uma semana, a outra durou dois anos e trouxe consequências severas para todos.
Tem pessoas ainda deveras preocupadas com um possível retorno de uma pandemia, e observa-se isso no comportamento, e não é para menos, a situação foi muito difícil para todos.
Dito isso, também digo que não é possível a comparação do que se viveu em termos culturais nos anos 80 e a sua reedição nos anos 2020.
Mesmo com a reedição, tudo o que resta são algumas melodias, e a certeza de que o filtro do tempo as peneirou.
Fica anotada aqui a outra pandemia, tão devastadora quanto a da Covid, não fosse a sorte da ciência.
Grata pela leitura.
Autogestão na Internet
É muita gente,
A conexão
Nessa frequente
Palavra à mente
Com edição,
Que é algo premente,
Nesse presente
A autogestão.
Quando Não é Possível Inventar / Reflexão
Gostando ou não gostando, não é possível inventar o que já foi escrito.
Mesmo com a interpretação pessoal, a pessoa interpreta o que está escrito.
É possível discordar da teoria com a qual um autor escreve o seu texto.
Começa a diversão quando o livro é a Bíblia.
Dentro ao que os setenta sábios escreveram e compuseram a coletânea nominada de Bíblia, o problema começa quando se diz que é uma invenção a setenta vozes, e que não faz sentido.
Não são poucas as vezes que escuto que o que ali está escrito não funciona na vida prática.
As tantas vezes que funcionam comigo e que ouço que é truque meu, trazem bom humor, quando possível.
Não tem truque, planeja-se sem contrariar o que está escrito, e tudo acontece.
O problema está em se planejar contrariando o que está escrito.
Outro problema muito comum é, pelo menos sob o cristianismo, querer controlar o que Deus faz.
Deus pode precisar da minha ajuda, mas não precisa que mandem Nele, do contrário não seria Deus.
Tem uma frase que não esqueço:
"_Enquanto você faz uma oração, eu faço a cabeça de Deus."
Aquela gargalhada ecoa até hoje nos meus ouvidos, mas me chamando atenção para não mais parar para ouvir tais coisas.
Quando um pessoa diz:
_Eu faço diferente do que está escrito.
A minha resposta é que o problema é da pessoa que faz diferente, porque o que faz a diferença é respeitar o que está escrito e não fazer diferente do que está escrito.
Tal fato é recorrente.
Admitem-se as doutrinas cristâs, uma com Deus dentro da igreja, outra com Deus acima da igreja, e outra com Deus abaixo da igreja, quando adorado somente depois de morto.
Numa igreja gótica, que é o caso do terceiro exemplo, aconteceu que não gostei e fui comprar água mineral no pátio. Era um passeio turístico e uma turista ficou lá para ver o interior gótico, se perdeu da excursão, ficou na estrada, e depois soube-se que teve que contratar um táxi para voltar a cidade destino do turismo.
Na entrega dos hóspedes nas hospedagens, a guia turística estava com medo de perder a condução dos próximos passeios. O casal adentrou na igreja e suniu. Por mais de uma hora o ônibus ficou esperando do lado de fora da igreja antes de partir. Passada outra hora, a guia recebeu um telefonema da companhia de turismo para voltar, o que não seria possível, pois tinha anoitecido.
Sei que dei o número de telefone para a guia caso ela precisasse se justificar perante a companhia, posto que não havia como adentrar na igreja, no seu subterrâneo, para buscar o casal, e nem ela tinha obrigação de ir ao subsolo da igreja, junto aos túmulos, para buscar um casal atrasado.
A doutrina que escolhi é a de que Deus está acima da igreja e que pode intervir quando quiser através da palavra.
Cada um é cada um.
Em termos de religião, aquele passeio foi o limite.
O que me diverte é saber que têm interessados em provar que a Bíblia não funciona, questão de ponto de vista.
Talvez o texto não tenha muito sentido, a não ser pela proposição de pensar Deus em qualquer lugar e circunstância.
Grata pela leitura.
Veranico
A noite é de verão,
Essa restauração
Que vem antes do inverno,
Suco da hidratação
Precisa a intuição,
Intuição do inverno
Que é certo, que é a estação
Bonita até ao caderno.
Habilidade
A boa vontade
Não se esconde,
Não tem metade,
Cordialidade
Que surge de onde
Da alma, deidade
De nós num bonde
É a habilidade.
Evolução
Aprende-se sem querer,
É a experiência, que excelente,
Motiva um novo saber,
O que não se tinha em mente
E nem pensava em fazer,
Mas se faz toda prudente
Num novo meio de aprender,
Do nada e constantemente;
Se fazendo se faz crer
Possível, porque coerente
A cada instante é crescer
Num problema diferente.
Tempo de Google
O tempo feito,
Bonito e feio,
É permanente;
Afeito ao jeito
De ser, confeito
Que enfeita a mente,
Feito ao conceito,
Segue o presente.
Liga/Desliga
Tecnologia,
O aprendizado
De todo dia
Que desafia,
Não fica ao lado
E é companhia,
Obriga o dia
A ser ligado.
Impressão
Desenha-se um local
Na alma nunca tão igual
Porque em seu crescimento
O ser é algo pessoal;
Ser longe e presencial
Se move, é movimento,
Diz-se que é exponencial,
Na gente, o acampamento.
Senso Comum
"Água contaminada".
Um risco é a caminhada
Molhada e prazerosa
Do calor, compensada;
Pedra solta enlameada
Perto à árvore frondosa,
De tão antiga, e lembrada
À seca, vem saudosa.
Intenção / Microcrônica
Difícil será decifrar este filme que dez minutos antes do final, interrompeu a tela, e mostrou um aviso: Atenção: este filme é um erro. Depois do aviso o filme teve mais dez minutos de duração. Era comédia, deve ser arte pop.
Poluição
As abelhas têm o seu lugar,
E os porquinhos sempre estão a fuçar,
Existem e convivem no sítio;
Não somos animais, quando a orar,
Ou pensar, sentir, raciocinar,
Reciclamos bateria de lítio;
Quando tudo está a se misturar,
A poluição inventa um rumor cício.
Intuição
Preciso descobrir,
De mim, do que há de vir,
Pois o que sei, curiosa
A pesquisar, vou intuir,
E a intuição ao refletir,
Faz crer, se faz preciosa,
É verbo de ir e vir,
Faz verso e conta a prosa.
Um Som
Acreditar,
Fazer, se doar
Com bom motivo,
E realizar;
Por musicar
O dia criativo,
Ouvir, cantar,
Ser expressivo.
Vontade de Livro
O que faz entender
Que uma contra-cultura
Não é ser contra a cultura;
Esse livro p'ra ler
Lendo que a boa leitura
Se faz na razão pura
De nos fazer mover
A mente, que gastura.
Gratidão
É diferente
Como pão quente
A gratidão,
Ajuda a mente,
Ajuda a gente,
É um calorão,
Mas aquiescente,
Estende a mão.
Sugestão de Dicionário
Busco a palavra,
E o dicionário
Sugere a lavra,
Mas também trava
Onde o cenário
Não diz nem crava,
Sugere a praia,
É involuntário.
Continuação
Bem estar
Renovado,
Abençoado
Descansar
Ao louvado
Livre e ao lado.
Continuar,
Ser moldado.
A Natureza que Deus Deu ao Ser Humano / Crônica
A impressão que se tem é que Deus, mesmo porque não há explicação racional, nos fez a todos especiais e diferentes.
Comentava eu da minha natureza imprópria para exercícios outros que não os de pausadamente seguir por até doze horas em atividades físicas moderadamente.
Disse que achava a minha natureza fora dos padrões.
Disse e ouvi a história do homem:
"Pois eu vou lhe contar de mim. Eu sou negro, com antepassados negros, e os negros foram escravizados, e posso dizer que alguns mercadores de negros tem os seus nomes em logradouros desta cidade como benfeitores.
Existe um morro para onde os negros fugiam da escravidão no Rio de Janeiro. Lá no topo do morro houve um líder que lutava pela libertação dos escravos.
Contaram que existia uma escada que fica quase no topo do morro, e que valeria a caminhada para se entender a bravura dos homens negros que queriam o fim da escravidão no país.
Eu não perderia a oportunidade de conhecer um lugar assim e homenagear um dos negros que combatia as senzalas, o que era comum no Brasil colônia.
Organizamos um grupo de homens negros para fazer a trilha, subir a escada e avistar a cidade sob o ponto de vista do passado.
Organizamos e partimos para a escalada com uma garrafa de água cada um e alguns sanduíches.
Na metade da escada, a escada parecia pender para um lado, e eu olhava para baixo e me ajoelhei na hora. Eu subi o final da escada engatinhando. Foi engatinhando que cheguei no topo do morro e vi a cidade distante.
Como fazia calor a minha garrafa de dois litros d'água acabou.
Era chegada a hora da descida.
Disse aos outros que passassem na minha frente porque estava feliz demais e desceria devagar.
Eles começaram a descida.
Quando me certifiquei que eles não olhariam para cima, preocupados com a própria descida, foi que comecei a descida.
Desci com os quadris apoiados na escada, os braços se agarrando na escada degrau por degrau, e as pernas descendo um degrau na frente dos quadris.
Estava com sede, mas a necessidade de sobreviver àquela homenagem era maior.
O grupo foi solidário. Quando terminei de descer as escadas degrau por degrau com os quadris, eles esperavam por mim para terminar a trilha e sair dali para voltar para casa.
Posso lhe garantir que não subo lá, mesmo que seja considerado fraco."
O homem era um guerreiro disse eu.
_Mas eu passei mal, e sobreviver é a minha medida para ser eu mesmo.
Disse que era a natureza que Deus tinha dado a ele, e que a gente não explica a natureza que Deus deu a cada um de nós.
_Temos que respeitar as forças e fraquezas da natureza com que Deus nos fez. Disse ele.
Concordei, pois jamais faria trilhas em matas.
-E também não se pode culpar a todos os portugueses pelo tráfico de escravos, pois o tráfico humano, pelo que sabemos, ou fomos trazidos da àfrica foi praticado por Fulano de Tal, nome de rua, e tido como benfeitor na época dele.
Para ele, o comerciante de escravos tinha nome, sobrenome, endereço, e se fosse possível email e celular com whatsapp, e se fosse vivo, ele iria perturbar a todos para que o fato, a escravidão, não tivesse acontecido.
Trocamos cultura, e isso nos faz melhores, disse eu.
A boa conversa é de graça, e que Deus nos abençoe.
A conversa culta é um excelente caminho para as relações interpessoais, pensei eu.
Grata pela leitura.
Dia de Festa
Dia de festa
E seresta
Pela vida;
A palestra
D'alma em festa
Nos convida;
A fé, fresta
Do dia, ouvida.
Por Falar em Reclamar / Crônica
Dificilmente reclamo, mas dessa vez não tem como.
Final do ano passado comprei um par de sandálias que chegou com uma fivela quebrada. Muito confortável, fui arrumar porque gostei muito das sandálias.
Diante das outras compras, não resta dúvida, o controle de qualidade da indústria de calçados precisa dar um jeito nessa situação.
Mês passado comprei um tamanco de marca conhecida. O tamanco descolou da sola flatform.
Comprei chinelos de borracha, esses vou jogar fora. Anabela, com as tranças sobre os pés do mesmo lado.
Este, também de marca conhecida muito embora não prometa não soltar as tiras.
A essa altura já são quatro pares de calçados.
Comprar calçados para mandar arrumar é prejuízo.
Nenhum calçado é da mesma marca, portanto não é esta ou aquela fábrica de calçados, é o controle de qualidade das empresas fabricantes que está deixando a desejar.
Chinelos são baratos, mas nem por isso merecem descaso dos fabricantes.
Quando a sandália veio com a fivela quebrada, pensei que a minha preguiça de ir até a loja de calçados é que tinha sido o problema.
Com o tamanco descolado, até mando colar novamente.
Os chinelos com as tranças viradas para o mesmo lado vou deixar de lado, embora possa ser arrumado, mas nesse caso pagaria dois pares de chinelos, e caso alguém aproveite os chinelos novos, pagará um par de chinelos no conserto.
A indústria calçadista é um fator de exportação, não pode deixar cair a qualidade.
Ontem mesmo verifiquei a compra de vários pares de chinelos, daqueles que não soltam as tiras, por uma turista latinoamericana.
É preciso ressaltar o quanto as nossas marcas são amadas pelo mundo inteiro.
A turista pagou, pasmem "R$180,00" em cada par de chinelos de borracha.
Pensei que deveria ter comprado daquela marca, e o que paguei menos de quarenta reais, ela pagou duzentos cada, mas levou em dúzia.
Vale a pena ter qualidade. Os fabricantes devem pensar no controle de qualidade como fator de vendas.
Descalça não estou, mas um bem estar imenso por haver locais para descalços.
E para terminar, uma piada de crente:
_Ele já ressuscitou. Estou feliz com a esposa, mamãe!
A mãe ligou para o crente em viagem com a esposa.
Sob as bênçãos Dele estamos bem.
Canções populares faziam a espera na representação da via sacra, à noite, com o palco montado e decorado na pracinha da cidade.
Amém. Tudo bem.
Feliz Páscoa!
Trinca
Meio copo d´água que brinca,
Copo de papel vincado,
E a água molha quando trinca
O copo de papel, lado
De chuva, jeito que brinda
A qualquer um, descuidado
Da trinca, que incolor pinta
De molhado, que o vazado
Mergulhado d´água pinga,
Desfaz seu configurado
Mais cheio ou menos cheio que ginga
Nesse papel frio e esvaziado.
Interpretação
Propósito e missão,
Questão de comunhão,
Tempo de renascer.
Cumpre-se a salvação,
Vive-se a gratidão
Do que se está a reler,
E tal ressurreição
É a palavra do ser.
Pergunta pra Deus Crônica
O bom do lugar com câmeras de segurança é que em se estar corretamente, aumenta a liberdade.
E assim foi que passei a noite olhando para o mar, agradecendo a Deus, não por estar em frente ao mar, mas por estar em liberdade junto ao infinito.
Não dá para esquecer as palavras que, embora cheias de conceitos, pareciam mais de generosidade do que estar de joelhos em oração.
Era duas da manhã e eu revisava tudo o que havia dito em meio àquele paraíso latino, depois me recolhi, dormi umas três horas, e às cinco da manhã me postei defronte ao mar, fosse nos bancos de ladrilhos, fosse nas cadeiras de tomar sol.
Continuamente agradecendo a Deus por poder ficar ali em segurança, por poder fazer orações livremente e em silêncio.
Era um dia festivo. Caminhei poucos metros até a beira do mar e a praia contava com algumas mulheres em oração. A idosa, junto com alguém que zelava por ela, ajoelhou-se defronte ao mar e orava em espanhol, a moça cantava seguidamente hinos de louvor e adoração que eu conhecia.
Pergunta pea Deus como é a sensação de comunhão às cinco e meia da manhã, quando o sol não passa de uma claridade distante vindo na direção da gente.
Qualquer lugar é lugar para que isso aconteça, mas porque eu estava naquela paisagem infinita próxima a outras mulheres que também oravam, é que não encontro resposta.
A sensação agora é que há uma impossibilidade de que tal fato possa ocorrer.
Faz dois anos, mas o universo é outro, há guerra, os problemas da humanidade são outros.
À tarde saí, mas lacrimejei de emoção diversas vezes até que o passeio foi interrompido por questões de segurança, todos os caminhos foram bloqueados e voltamos para fazer um lanche.
_É o que tememos, que isto se torne normal.
No inconsciente coletivo daqueles minutos, o paraíso iria dar vez ao jeito em que o mundo vive hoje.
Todos ficaram na memória daqueles momentos inimagináveis.
Pra quem participou daqueles momentos e sabe da impossibilidade real de que se repitam, tudo fica, as pessoas ficam, as palavras ficam, as orações ficam, as previsões ficam, o melhor de todos fica como um cristal de coleção.
Questão para Deus, algo que somente Ele pode responder.
Pergunta pra Deus.
Aos leitores, grata pela leitura.
Observação: Estávamos num barco quando caças de guerra militares passaram sobre as nossas cabeças. Do nada. Muito longe daqui, né Alice?!
Pitoreso
Pitoresco de excesso,
Quando tudo está perto,
É o som, este travesso
Permitido, de acesso
Às mãos, nesse concerto
Maestro do tempo avesso
Do bilhete não impresso,
Que se diverte esperto.
Intervalo Obrigatório
Intervalo a se fazer,
Prioridade que é organizada,
E porque não é uma, vem contada,
Pensada antes de acontecer;
Teórico é o livro, não o afazer,
Pelo manual facilitada,
E o saber não nasce do nada,
Vem de um contexto a se obter.
Sem descanso, todo saber,
Exausto anula-se, cansada
A mente dá uma cochilada
Sem se mostrar ou acontecer.
Consideração
O tempo da compreensão
Da equação do que é impossível,
Racional, mas também crível,
Quando o poema é a inspiração
Fora d'uma decisão,
Feito a seu tempo sensível,
Sem porquê a não ser factível
Numa inútil ideação,
Que é sem tempo ou avaliação
Desse tempo incompreensível,
Simbólico ser plausível
É essa consideração.
Mormaço
Criar espaço
De um cansaço
Organizado,
Um regaço
No terraço
Arejado.
Vem mormaço,
Compensado.
Aquele Tempo
Até parece geral,
Efeito-pandemia
Nesse atraso geral,
Nada se sente tão igual
Quanto nessa correria,
Onde chegar é casual,
Esse tempo conceitual
É o que fica, se diria.
Vontade de Deus
Fazia tempo,
Muito tempo,
De vontade
E momento,
Clima lento
Da bondade;
Passou o tempo,
Não a vontade.
Escrito À Mão
Pensamento de verso,
Essa desconexão
Nesse tempo diverso,
Tema que desconverso,
Essa iluminação
Nesse seu metaverso,
Lápis de um universo
D'uma alma escrita à mão.
Luz Artificial
Não é o caso daquele livro,
Semelhante e desigual,
E assim se bendiz o vidro
Quando não é um espelho igual,
É só vidro, mas sem crivo,
A janela é individual
Feita para ser abrigo,
E a esquadria a consegue igual
À noite, luz sem perigo,
Um nada, tempo normal,
Não é espelho, continua vidro;
Autor é livro, e a luz, real.
Laço de Fita
Ponto de vista,
Coisa esquisita,
Surge imprevista
E é cor de fita,
Vem e conquista,
Ou deixa aflita.
Personalista
Em seda e chita
Se faz artista,
Se faz bonita
A quem a vista,
Coisa bendita.
Pintura
Pode chover,
Tem que chover,
É natural,
Sem escolher
Enternecer
Molha o quintal,
É um chão a sorver,
Vazio é o varal.
Ler e Mudar
Não é obrigação
Acreditar,
Palavração
De Deus é a ação
Da fé a mudar
A direção,
Verbo em doação
A nos salvar.
Impactante / Crônica de Supermercado
Sinceramente, dei um tempo antes de almoçar, porque tinha uma senhora no caixa ao lado que impactou a todos a sua volta.
De onde aparece essa gente é que não se sabe, mas nem parece que é gente.
Com o intuito de ensinar o caixa a ter dinheiro e ficar bem de vida, ela ensinava sobre a sua capacidade estomacal, e diria que não sei se acredito, ou se foi somente para apavorar, mas uma coisa ela conseguiu, impressionar e calar a todos.
Preparem o estômago para ler a pretensa humilhação sobre o atendente do caixa do supermercado:
_Vocês são pobres porque não sabem lidar com a alimentação. Eu faço churrasco de preás do campo, rim de boi frito e cabeça de porco dividida ao meio assada e como os miolos.
O silêncio foi geral, mas estávamos em quatro ou cinco pessoas na fila.
Ela começou a detalhar o preparo das proteínas com as verduras e legumes que tinha no quintal. Ela não gastava em comida, e dizia que se alguém quisesse comer dos seus pratos, ela faria um almoço de degustação, mas avisava minuciosamente sobre os odores do almoço.
Segundo ela, tinha aprendido a preparar os pratos em casa, numa cidade do interior.
Contava que enquanto os demais comiam ovos fritos, cozidos, ou com legumes para acompanhar o arroz e o feijão, ela comia carne, e todos os dias.
Foi assim, segundo ela, que ficou endinheirada e hoje compra o que quiser.
Contou mais, que não consegue ficar sem o sabor daquilo que a fez endinheirada, mas que hoje compra no açougue o rim, que ao fritar, tem "odor de peixe velho" (complemento meu, ela falou a palavra urina).
Cheguei em casa e somente após uma hora depois de passada a conversa é que consegui pensar em refeição.
Riu-se do rapaz e saiu dizendo: É assim que se faz dinheiro.
Raciocinei, depois de algum tempo, que as bruxas realmente existem, exatamente como aquelas dos contos da carochinha.
Depois pensei em fábulas e histórias melhores, as de Esopo.
Consegui sair ilesa dessa conversa que não era comigo, mas que por motivos alheios, ou seja a fila, ouvi.
Por quê ela fez isso com o rapazote, não sei, mas sei que todos ficamos embaraçados.
Não sei se o contado era verdade e não me interessa saber, mas é bom saber que o supermercado sabe, e que os funcionários conversam entre eles.
Ir ao supermercado é uma arte que faz parte do cotidiano.
Grata pela leitura.
Quietude da Alma
Parei p'ra agradecer
A esse instante de ser
Com sensibilidade,
Sensível é o saber
Que nos leva a aprender
A contemporaneidade
De um novo dia ao nascer,
Do sol da boa vontade.
Mesa Posta
O que aponta
É a certeza,
Não dou conta,
Não sou pronta,
Sutileza
Que me encontra
Me desmonta,
Mas põe a mesa.
Geométrica
Quadriculado,
Não calculado
Ao caminhar
É o tempo dado
Não tão alongado
Nem de encurtar,
Quadra é quadrado
De se guardar.
Sensacional / Microcrônica do Cotidiano
Gostei tanto que por mim faria letra e a melodia estaria pronta naquela batida líquida e extremamente sonora e compatível comigo.
Inventaram um aparelho que, ao verificar o fluxo do coração bombando, faz música!
O médico grava o som do coração nos ventrículos direito e esquerdo, e os meus ouvidos queriam gravar, mas não consegui, foi muito rápido o tal exame.
Sensacional!
Grata pela leitura.
Inovação
Significado,
Verso guardado
Se torna eterno.
Lido, inovado;
Novo é o versado,
Novo é o caderno
Escrito ao lado,
Nem tudo é inverno.
Páscoa Com Farofa / Microcrônica do Cotidiano
Fui comprar algumas utilidades para a casa e me deparo com o ovo de paçoca.
Vou até a moça da caixa e comento que sobre os ovos de paçoca cobertos com chocolate.
Ela me respondeu:
_Não dá pra ficar sem, é uma delícia!
Imagine as crianças pequenas abrindo os ovos em qualquer lugar, no sofá, na cadeira da cozinha, pense na bagunça. Os ovos recheados com paçoca ficarão muito caros na hora da farofa ao tirar um pedaço do ovo pra comer, disse eu.
Disse, mas que fiquei com vontade de experimentar, fiquei.
Os preço são dentro dos preços dos ovos de chocolate, mas a farofa, não.
Grata pela leitura.
Ilusão
A sucata,
Muita lata
É esse pensar
Que o dia retrata
Não a coisa abstrata,
Nunca sonhar
E ser acrobata
Ginasta a suar.
Criando Tartarugas ao Tempo
Acordo tarde,
Almoço tarde,
Observo as rugas,
Que sem alarde
E sem retarde,
Não admitem fugas;
Esqueço a tarde,
Crio tartarugas.
Dia da Mulher
Mulheres bíblicas,
Mulheres líricas,
Trágicas, dores
Daquelas tímidas,
Hilárias, críticas,
Senhoras flores
Do céu, flamínicas,
Ao dia, louvores.
Para Não Acreditar / Crônica do Cotidiano
Não fotografei, até porque não sou maluca de para e tirar fotos em avenidas, mas vi, e é para não acreditar, como eu até agora não acredito.
No centro da cidade um caminhão mini-cegonheira com dois automóveis que ainda não estão no mercado ou à venda. Entrarão no mercado ainda neste ano.
Não entendo de automóveis, mas vi o que ainda não reconheço, e até que gostei, mas não dá para acreditar no que vi, dois automóveis zero KM iguais , sem placa e brilhando em cima de uma mini-cegonheira de automóveis numa avenida central da cidade, e se não vi, imaginei o que penso que vi.
Grata pela leitura.
Vocábulo Híbrido
A palavra que buscada
Informal, é parecida,
Se não existe, vai inventada,
Neologismo é quase nada,
A não ser se comprendida,
Que assim vai significada
Em todo instante em que é usada,
É que se proclama híbrida.
Artificialmente
Essa curiosidade
Nessa imagem sem cor
É possibilidade;
Numa curiosidade
Um perigo, uma dor
De um saber sem vontade;
E a literalidade,
Às vezes, sana a dor.
Remanescente
Acontece,
Acredita
Nessa prece;
Que floresce
E é bendita
E acontece
Que evanesce
E está no ar.
Timidez
A palavra
É o que existe
Quando insiste,
Quando é ágora
Que consiste
E que assiste
A Pitágoras,
Mesmo triste.
Poesia da Canção
Obrigação
Não, poesia
Desse bom dia,
À compreensão
Da melodia
Que não se ouvia,
Essa canção
Sem nostalgia.