Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Alegoria

Alegoria


Acorda o dia
Como quem diz
Da analgesia,
E por um triz


O café esfria
Sobre o verniz,
Alegoria
De um céu de anis,


Mas se anuncia
E se prediz
À teosofia
Que nem Deus quis.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Prova Surpresa: O que Deus está te ensinando nessa quarentena?

Prova Surpresa: O que Deus está te ensinando nessa quarentena?

     Acabo de ganhar esse livro com devocionais elaborado por esposas de pastores da PIB - Primeira Igreja Batista de Curitiba.
     Folheei as páginas e encontrei nessa questão uma maneira de conversar com os leitores, e com Deus ao mesmo tempo.
     A lição mais difícil é ver a dor espiritual alheia e nada poder fazer, e até desliguei a televisão, com essa questão: o que dizer nesse caso? Em quinze dia uma moça perdeu a mãe e o irmão por Covid 19 e o pai dela teve um AVC que o deixou em cadeira de rodas.
     Obviamente que orei por ela e pela vova vida que ela terá agora, mas sinceramente, gostaria que alguma pessoa que a conhece se prontifique a estar com eles, o pai e a filha, que ficasse simplesmente presente antes de realmente tomar alguma atitude de auxílio, porque eles vão precisar. Tomara que exista uma pessoa que possa ajudar, eu oro à Deus.
     Aprendo a orar durante a pandemia. Assisto até o meu limite humano, pois me sensibiliza, e tenho a sensação de não poder fazer nada, mas agora estou fazendo, graças ao livro.
     Quanto à mim, vejo que voltamos a um tempo antigo, não mais antigo que eu, e ainda hoje, na hora do almoço, agradeci a Deus por ter fogão a gas e não fogão à lenha, como os conheci na tenra infância. Se fosse fogão à lenha, eu confesso que não saberia limpar e, muito menos cozinhar nele.
     É importante assinalar que, se todos os vizinhos se servirem das entregas domiciliares, haverá fila de espera, e é melhor cozinhar e garantir aquela comida caseira de tempero próprio. Observo que algumas modernidades facilitam esse lidar com as panelas e, o sabor fica bem parecido quando se coloca a cebola desidratada e o alho de pacote para temperar os alimentos. Aprendi a me organizar na cozinha e manter a alimentação adequada ao colesterol bom.
     Se, por um lado, ninguém tem onde ir porque não tem como e onde, pois boa parte dos estabelecimentos está fechado e o tempo de deslocamento virou tempo de leitura.
     A internet é deixada para uns poucos momentos, pois está sendo bastante utilizada, e às vezes fica lenta. Aprendo a me adaptar a internet lenta.
     Espiritualmente, aprendo a aprimorar a humildade, a paciência e a perseverança.
     Destas três habilidades espirituais, uma chama a atenção, e é justamente a cozinha e as idas ao supermercado, que exigem uma lista objetiva, onde procura-se uma marca conhecida de um produto sem sequer tocar nas marcas não utilizadas antes da pandemia, porque nem a leitura dos rótulos é aconselhada nesse período. Levar o álcool gel na bolsa, embora o supermercado disponibilize, porque depois do troco vem o álcool gel.
     A autodisciplina é exercitada diariamente, e isso cansa. No entanto, os procedimentos são seguidos pela vizinhança e não se coloca o nariz para fora de casa sem que esteja mascarado.
     Aprendo que as dificuldades devem estar acompanhadas pela fé em Deus, mas muitas vezes eu sinto que não sei contar sobre a palavra divina conforme outras pessoas o fazem e com maestria.
     Quanto à solidão, é nenhuma. Estamos num aglomerado civilizado nos seus quadrados e a convivência distante está funcionando bem, pois todos estão em casa, e temos que compreender a todos mutuamente. Aliás, diga-se que em tempo normais não tem tanta gente ao lado quanto agora, mas as crianças estão quietas, e isso é estranho.
     Boa ideia me surge agora, que os netos liguem para os avós, pois as mães chegam sem as crianças, por aconselhamento médico, mas o ambiente fica muito sério sem elas. Acho que é hora delas contarem histórias para os avós, invertendo a ideia de que os avós devem contar história aos netos, pu pelo menos digam alô.
     Pode parecer incrível, mas aprendo com os demais moradores, as maneiras que cada um tem de enfrentar as dificuldades. Não conversamos, mas nos encontramos quando vamos à caixa dos correios.
     A perseverança está em sabermos que não devemos ficar conversando, mesmo com todos os trezentos em casa, algo que às vezes parece opressivo.
     Todos têm vontade de sair, mas até aqueles que têm animais de estimação saem em horários alternativos.
     Experimentamos a humildade, porque o ambiente exige a humildade e deseja a vida e a saúde.
     Deus ensina todo o dia.
     Obrigado PIB! 
     
     

terça-feira, 28 de abril de 2020

Faísca Atrasada

Faísca Atrasada


Faísca atrasada,
Mas disciplinada,
Procura saber
E a si compreender


De vontade adiada
Sem ser planejada
E como há de ser
Esse acontecer;


É dia de mais nada,
Manhã a ser lembrada
Até não mais ser
O que se está a ver.


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Festa da Pesquisa / Crônica do Cotidiano

Festa da Pesquisa / Crônica do Cotidiano

     Quanto a mim, consigo pesquisar música.
     Chamou-nos a atenção o fato do Estado de Santa Catarina abrir o comércio e, ao mesmo tempo restringir o transporte público para os chamados turistas. 
     Chama a atenção igualmente o fato de por aquele estado do Brasil, haver menos mortes por coronavírus do que o meu estado, que é o Paraná e com um número similar de infectados.
     Chamou-me a atenção igualmente o fato de se estar distribuindo comptimidos de cânfora para a população, desde que a pessoa interessada queira para ajudar a população a se cuidar contra o coronavírus.
     Lá eu sou turista, e daqui não posso sair e o motivo é o mesmo, não há transporte autorizado público entre os estados.
     Em casa leio as notícias, mas principalmente as notícias sobre a pandemia, porque tem gente que sai passear e tem gente que não sai passear.
     Comento que, para quem gosta de música, ter que ficar em casa é motivador, mas a caminhada faz falta.
     Algumas pessoas que tiveram a doença, contam o que tomam, mas esse não é o caso.
     Tem coisas que eu não consigo fazer, mas acredito que seja possível verificar comparativamente os estados do Paraná e de Santa Catarina para verificar os possíveis efeitos desses comprimidos homeopáticos de cânfora sobre a população e relacionar com o coronavírus.
     Segundo o artigo que li, foram feitos os comprimidos de cânfora porque a cânfora em flaconetes, ou seja líquida foi desaconselhada pelos responsáveis pela saúde naquela região.
     Há nisso algo que eu consigo explicar: quem pinga alumas gotas de adoçante no café sabe que nem sempre se obtém o número de gotas desejadas para adoçar o café porque as vezes a embalagem conta-gotas de adoçante simplesmente esguicha o adoçante no café e é a gente que acrescenta mas café na xícara caso fique muito doce.
     O fato é que o Paraná tem mais mortes por coronavírus do que Santa Catarina. As diferenças de densidade populacional por cidade precisam ser averiguadas, mas fatores como clima e mobilidade das pessoas também.
     O que se deve considerar é se a cânfora tem algum efeito sobre o coronavírus, ou se atenua os sintomas das pessoas infectada possibilitando que o assunto se resolva em casa.
     Por aqui, pouco sabemos a não ser números.
     Por outro lado, às vezes sou humana demais e não fico horas assistindo televisão porque a situação é muito triste.
     Caso eles consigam uma atenuação dos sintomas do vírus e ajudem as pessoas a suportarem a doença e dela saírem vivos e sem sequelas, muito fazem.
     São conhecimentos que devem ser compartilhados com o resto do país, pois eles estão indo às compras, muito embora as aulas estejam suspensas e as praias fechadas.
     Se algum curioso matemático estiver com vontade de pesquisar esses dados, por favor, sinta-se à vontade.
     Porque tudo é novo nesse vírus, segundo as explicações assistidas pela televisão, e os biólogos que tiverem interesse, podem nos expor aos benefícios da cânfora, a qual eu apenas conhecia a pomada para dores de articulação.
     Não sabemos a bula e a posologia desses comprimidos de cânfora distribuídos para a população.
     Até por interesse turístico, e se não causar efeitos colaterais, eles podem distribuir amostras desses comprimidos para os turistas que assim o desejarem.
     Essa maneira de ver a doença é muito diferente e merece consideração, especialmente quando se observam os números do Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro, sem esquecer de Fortaleza.
     Para concluir, eu deixo um link para quem quiser saber mais:

     Que tenhamos a esperança!     






domingo, 26 de abril de 2020

Cuidados

Cuidados


Tem quem não sente medo,
Mas veste a habilidade
De se cuidar do enredo,


Porque hoje é sem folguedo,
E é muito por bondade
Que o rosto é esse segredo


Onde mora o tal medo


Coberto em sociedade.


sábado, 25 de abril de 2020

Quanto Tempo a Esse Dia

Quanto Tempo a Esse Dia


Arejar à janela,
Uma rua vazia,
Simplesmente sem pressa
Porque não é todo dia

Que ninguém a atravessa,
Domingo que não via
Frigideira e panela
Com tempero e existia

A toalha e essa tigela
De arroz que até sorria
Solto para a travessa;
Quanto tempo a esse dia!


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Reflexões Sobre Uma Formatura / Crônica

Reflexões Sobre Uma Formatura / Crônica


     Recebemos hoje o compartilhamento dos amigos sobre a formatura de um jovem em medicina.
     Hoje, esse jovem passou-se a se chamar doutor.
     Um médico é formado por vocação e por fatores circunvizinhos.
     Curiosamente, nesse momento leio um livro regionalista, do sul do Brasil. É a história de um jovem que descobriu que tinha uma doença grave e que não poderia exercer a medicina, então, ele volta para a terra dele e se torna escritor.
     A foto do livro fica à mostra dos leitores, para quem quiser ler.
     Por outro lado, tive a oportunidade de conhecer a realidade dessa época e os contos me levam a essas lembranças, um médico que acabava por clinicar no Rio Grande do Sul.
     Escrevo para conseguir a desambiguação do texto em relação ao conhecimento.
     O que consta, no entanto, é que ao entrar na faculdade de medicina, ganha-se um cachorro, cachorro guapeca, que será operado e costurado quantas vezes a escola de medicina exigir.
     Um curso de medicina exige que o estudante tenha sido criado em rígidas regras e disciplinas dentro de casa. Também é necessário algum dinheiro para o custeio do curso, pois os livros são caros e os paramentos também.
     O primeiro ano de medicina é recheado de trotes. Não é apenas um trote, o conhecido trote de calouro, mas muitos. Esses trotes têm como finalidade ensinar ao estudante que, ao entrar na faculdade, ele seguirá em equipe para o resto da sua vida, e tem que acreditar na equipe, conhecer muito bem o colega com o qual irá conviver.
     O segundo ano é feito de estudo, com defuntos, caveiras e os mais vis seres da biologia, com a prática no seu companheiro guapeca.
     O terceiro ano é (ou era) tido como o mais importante do curso, pois é nesse ano em que o estudante se obriga a frequentar ambientes médicos. Em resumo, é sangue, costura, doenças, gente discutindo o resultado do tratamento, parentes em desespero pela saúde do ente querido, e colegas que discutem entre si sem cessar para o melhor encaminhamento para um determinado paciente.
     Em meio a esse ambiente infernal e humano, mas necessário para o desenvolvimento do profissional, o estudante é avaliado pelas posturas adotadas, mas em conjunto com a sua aptidão física e mental.
     Quando descobertas no estudante doenças que o possam impedir, como algumas doenças incapacitantes ou degenerativas, o estudante é convidado a escolher se pretende ser médico, mesmo sob um curto período de tempo, ou se prefere viver a juventude que não teve antes de ficar incapacitado para a vida cotidiana.
     Esse é o caso do autor do livro, embora no prólogo não se diga da doença, apenas que o autor descobriu-se portador de doença grave.
     Outra curiosidade é que todos os médicos parecem bonitos, bem-sucedidos e absolutamente impecáveis, mas isso não passa da esterilização obrigatória antes que o próximo paciente entre na sala.
     Quase tido como normal, que o ambiente do médico é igual durante as vinte e quatro horas do dia, mas o fato não impede que tenham personalidade própria e tomada de decisão em acordo com o que pensam ser o melhor.
     Esse é o terceiro livro dessa quarentena obrigatória, mas espera-se que a tal doença do coronavírus diminua a curva.
     O compartilhamento dessa formatura implica em que o jovem tenha passado por todas essas circunstâncias, e sobrevivido a todas elas.
     Essa reflexão nada mais é do que a vontade de que todos continuem se cuidando, para que, talvez, um dia, possam dizer:
     _Meu filho é médico.!
     Vou-me à leitura difícil, cheia de regionalismos, mas muito agradável de ler.  

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Lúdica

Lúdica


Ligo e desligo,
Sempre a pensar
Nesse perigo
Que é descansar


Porque não digo,
Vou cozinhar;
Cozinha é abrigo
De se inventar


Ao fogão amigo,
E se recriar
Um prato antigo,
E se apreciar.




quarta-feira, 22 de abril de 2020

Melhor Esperar

Melhor Esperar

Sem ter o que dizer,
Melhor mesmo é esperar
A esse não conquistar,
E não se arrepender

E não se derreter,
Mas ao gelo enxugar
Lindos versos sem criar
Um sentido qualquer

Que não seja rever
Esse mesmo semear
De ideias, sem se pensar
 Que se pode dizer. 



terça-feira, 21 de abril de 2020

Desconhecimento

Desconhecimento


Ao mesmo tempo
Compreenderemos
Se foi algum vento,
E que não o vemos


Nesse momento
De tantos remos
Em movimento,
Um passatempo


Que diz lamento
Por não sabermos
Nem o que é o tempo
A que corremos.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Pentes e Escovas

Pentes e Escovas


Nem mal, nem queixa,
A realidade
Por certo deixa
Uma verdade.

Nessa madeixa
Branca da idade,
A suave deixa
Da atividade

Banal, que deixa
Que a rima acabe;
Que em si desleixa
De uma vaidade.  
  

domingo, 19 de abril de 2020

Colada

Colada


Uma vez lida
A Bíblia amiga,
É compreendida,
Quando em si abriga


Em desmedida
A que prossiga 
Obedecida
E que se a siga


Sem despedida,
Pois nos instiga
Em desmedida
A ler; é liga.


sábado, 18 de abril de 2020

Deixa Chover

Deixa Chover


Nem é tanto o frio que chega,
É essa chuva o que aconchega
Porque não se pode sair,
Sem rota para fugir


Do que nos instiga, é a régua
Desconhecida que cega
A vontade de imprimir
Esse momento de não ir,


Porque o tempo se encarrega
De resolver e sossega
O ânimo sem extinguir
A fé de que ainda há porvir. 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Depois da Quarentena / Reflexão

Depois da Quarentena / Reflexão

     Depois da quarentena seremos nós mesmos somados as culturas que adquirimos nesse meio tempo.
     Lá se vão mais quatrocentas páginas de livros, os quais fizeram algumas mudanças no pensamento.
     Houve algum autoconhecimento, alguma história que era necessário ler, músicas novas como as de hoje: uma de Bob Dylan e a outra da Kelly Clarkson mostradas pelo jornal que sigo.
     Joguei alguns planos no lixo, assim como todos vocês. Essas quatrocentas páginas não foram planejadas, mas vieram em boa hora.
     Interessante é dizer que o novo livro que eu havia comprado para ler se tornou deprimente no prólogo, pois o autor morreu de gripe numa epidemia.
     Mudei de autor e livros.
     Com a rotina alterada, somos obrigados a fazer outras atividades.
     Para aqueles que se desenvolveram também através dos filmes, por certo estarão diferentes igualmente.
     Percebo que seremos os que mudaram e os que não mudaram, mas como é possível não se modificar, quando tudo está modificado.
     Teremos que nos cuidar quanto à violência. Se estivesse sozinha hoje, certamente estaria numa enfermaria cuidando de ferimentos porque fui ameaçada de levar uma placa de madeira no rosto porque usava máscara. Um absurdo! O homem vendia alimentos na esquina e carregava uma placa dizendo que o vírus é social, que era a sociedade quem criara o vírus. Olhou-me com a máscara e começou a gritar:
     _Olhem a cara dela! Olhem a cara dela!
     Ergueu a tábua com a intenção de me atingir, mas se deteve ao perceber que havia mais alguém comigo.
     Esse, além de não se desenvolver, acredita nas mentiras e as carrega como advertência, mas é uma advertência falsa.
     Como estará essa sociedade depois desses dias?
     Como será essa nova convivência entre aqueles que se desenvolveram e os que se subdesenvolveram espiritualmente.
     Geralmente eu conto dos livros, há quem conte dos filmes e dos assuntos técnicos em geral. 
     Músicos estão morrendo também, escritores estão morrendo também, mas a ignorância parece não ter fim.
     Quanto a mim, sei que essas quatrocentas páginas continham um pouco de tudo.
     Sei que os técnicos leem casos, estudam e pesquisam uma formulação para a saída.
     Sei que os dentistas, com todo o risco que colocam sobre essa profissão e o medo que as pessoas têm de morrer em consequência de um tratamento dentário podem ficar sossegados, recuperarão as perdas assim que começarem a vender dentaduras.
     Que situação!
     Depois, seremos diferentes.
        

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Sem Convite e Sem Contento

Sem Convite e Sem Contento


Esses dias serão contados
Para não serem lembrados,
E passado muito tempo
Sobrarão o tempo e o relento

Como restam os passados,
Estivessem descansados,
E não voltariam ao tempo
Num útil aprimoramento

Da alma até aos menos letrados,
Porque todos são irmanados
Contra um mesmo sofrimento,
Sem convite e sem contento. 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Esse Livro

Esse Livro


Um livro

É amigo,

Se lido.



Não lido,

Proscrito

Não digo;


Sorriso


Vendido.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Dominó Montado

Dominó Montado


Num dominó montado,
Estamos feito peças;
Quem se mexe, cai ao lado,
Desmontando às travessas.


Estranho é estar parado
Nesse quebra-cabeças,
E a esse tempo colado
Com saudades egressas


Do tempo descolado
D'umas ideias pregressas,
Quando tudo é mudado,
Humanos às avessas.





segunda-feira, 13 de abril de 2020

Hoje, Simplesmente Respeitei / Crônica de Supermercado

Hoje, Simplesmente Respeitei / Crônica de Supermercado

     Depois da Páscoa, o mercado estava vazio.
     A conversa sobre o fato de todos terem que se cuidar aconteceu, até por falta de assunto, mas distante, algo absolutamente necessário.
     -Todo o cuidado é necessário, disse eu.
     Ao fazer essa afirmação, percebi a real situação das pessoas em isolamento social.
     _Eu não me cuido. A senhora se cuida?
     Sim, eu disse que me cuidava.
     _Você não se cuida, mas e as outras pessoas?
     Que resposta difícil de ouvir.
     _Ontem eu fui visitar a minha mãe e ela disse para que eu me cuidasse., mas ela nunca cuidou de mim. Fui criado pela minha avó até aos nove anos de idade, porque ela morreu quando eu tinha nove anos de idade. A minha avó, doente, disse que um dia todo mundo iria morrer e que eu aceitasse a partida dela como parte da vida. Eu vivo sozinho, eu sou sozinho. Não deixo ninguém.
     Fui pega de surpresa, pois não esperava esse desabafo vindo de uma solidão e uma infância mal resolvida, mas ele tem apenas dezoito anos, e eu não sei se resolver-se é algo que se pode exigir de alguém que tem dezoito anos.
     Ele se mantém e consegue se virar sozinho, pelo que disse. Ser sozinho, para ele é uma condição existencial?!
     No entanto, observei que há algo de amargo e triste nessa solidão.
     _A minha avó me ensinou que a vida é assim mesmo, que a morte chega quando não se espera. Por que é que eu vou me preocupar com isso? Qual é o sentido de se cuidar.
     Eu não esperava por isso. De fato, fiquei muito surpresa.
     Quase sem ter o que dizer, eu respondi:
     _Respeito a sua história, cada um tem a própria história de vida. Mas você tem que se cuidar e a sua mãe tem razão, mesmo que a verdade, vindo dela, não te soe como algo bom, mas é. Se cuide!
     Conforme tenho observado, mas em geral, não é muito bom ficar pensando em si mesmo nessa época, porque não tem como espairecer, sair, tomar ares, até mesmo porque é desaconselhada essa atitude.
     Cadê a comunicação das rádios e das televisões, e até mesmo da internet, com alguma psicologia, discutir as sensações de se viver em clausura, ou algo semelhante?
     Programas religiosos existem, mas é preciso aceitar ouvir e assistir a esses programas. Fui ensinada que Cristo é um convite para fazer o caminho, mas nunca uma imposição.
     Cabe às psicólogas e psicólogos acostumados a lidar com públicos diversos tentar melhorar os dias fechados que as pessoas têm que enfrentar.
     Pelo menos compartilho essas histórias com vocês.   

domingo, 12 de abril de 2020

Renovação

Renovação


Parar para pensar
No mais nobre sentido
Da vida e respirar,
Em como teria sido


Se não fosse aparar
O orvalho comovido
De um sereno mudar
Constante sem ter ido.


 E quem não quer ficar
Ao seguinte e ao seguido,
Para evoluir o olhar
Ao novo, ao não sabido?

sábado, 11 de abril de 2020

Uma Esperança de Páscoa / Reflexão

Uma Esperança de Páscoa / Reflexão

     Cristo ressuscitado significa que todo o amor que Ele teve pela humanidade é válido para todo o sempre.
     Nessa Páscoa somos convidados a querer amar o próximo, pois com toda certeza, se o próximo estiver bem, melhor é para nós mesmos.
     De novo a pandemia, mas dentro de casa, com o comércio fechado e muitos pensando quando é que isso acaba, é praticamente impossível não pensar na pandemia do coronavírus.
     Essa Páscoa é um convite para uma reflexão.
     Quanto às discutidas máscaras e o controle quanto a tocar nelas, porque há movimentos involuntários, enfim, há que se tentar.
     Mas quanto a essa esperança de que a humanidade não precise mais de máscaras? Essa esperança merece ser pensada.
     Com tempo para imaginar uma saída, pensei nos testes de coronavírus. Quando eles estiverem acessíveis, o ideal seria que fizéssemos o primeiro teste que contém o sim e o não. Positivado o teste, a quarentena viria em promeiro lugar. Se negativado o teste, o teste dos anticorpos quanto ao vírus deveriam ser feitos obrigatoriamente, pois uma vez possuindo anticorpos, a possibilidade de voltar às atividades rotineiras seria uma realidade.
     Quanto tempo demora para que seja possível tal acontecimento e um custo razoável para isso é o que ainda não sabemos, mas chegará o dia em que isso será possível.
     Os empresários não pagariam esses testes, se tivessem um custo razoável? Creio que pagariam, pois as máscaras pertencem à dúvida e os testes conduzem à certeza.
     A volta à rotina será possível através desses testes laboratoriais, mas as enfermerias e as enfermarias das empresas teriam que ir a campo em conjunto com os laboratórios credenciados pelo governo.
     Essa é a minha esperança em Cristo.
     Que cada uma das pessoas pense na sua esperança pelo amor do Cristo ressuscitado!
     Boa Páscoa para vocês.     

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Sobre a Páscoa


Sobre a Páscoa

     Jesus Cristo morreu, e a noite se fez, depois houve o túmulo vazio e a ressurreição.
     A noite se faz no planeta Terra, e muitos sentem-se sem salvação em meio à doença e todo o enfrentamento, que é mundial contra a pandemia, pois cientistas e governantes do mundo inteiro estão nessa mesma situação.
     Essa situação atinge todo o mundo e não adianta simplesmente fingir que a situação não existe, mas Jesus Cristo ressuscita e a luz se fará à medida da cura.
     O pensamento humano também precisa de cura, pois nesse momento pode perder a fé, o que pode ser tão mortal quanto o coronavírus.
     Esse momento é o de saber que se está a atravessar uma noite imensa, com todos os perigos que a noite pode apresentar.
     Suave pode ser a noite, segundo o escritor Fitzgerald, que escreveu um livro chamado Suave é A Noite, que trata de algumas pessoas que viveram na boemia após a I Guerra Mundial - 1920-e antes da quebra da Bolsa de Valores em 1929. Eram jovens cujas vidas haviam sido modificadas pela guerra e saíam nas noites para conversar até amanhecer porque o dia pouco mais lhes interessava.
     Posso afirmar que os jovens eram bastante festeiros na década de XX, pois, nascida praticamente há mais de cem anos, ao menos no espírito, conheci essa geração, que saia às ruas do centro da cidade para todos os eventos, mas todos os eventos, e que disseram que há um tempo de sofrer, mas que eles compensaram esse tempo com o verbo festejar, quase todos professores que não queriam mais do alguns prazeres ao dia, como pegar as frutas nas árvores do quintal, depois lecionar, e depois festejar.
     A alma do mundo está doente, afirmei e repito. Fitzgerald é mais real que a realidade que conheci. Sair à noite significava no livro dele beber e cair, além dos devassos caminhos possíveis. 
     A minha referência é outra, é de gente que lecionava e tinha alguma intelectualidade avançada, a qual sabia se divertir nas festas domingueiras e nos saraus.
     Lembrando com alguns carinho de uma passagem com duas dessas professoras, as quais demos carona, e a rua era de paralelipípido, ou seja, um calçamento antigo, com o carro à 60km por hora, conforme dizia o aviso da rua, uma delas não se conteve:
     _Estou lembrando do tempo em que papai não tinha automóvel, os solavancos são iguais. Riu-se até cansar.
     A outra professora lembrou-se de um dos passeios em que as duas fizeram, e estavam muito arrumadas, quando um dos pneus da trole resolveu se soltar. A diversão daquele domingo delas foi essa.
     _Não tem perigo de acontecer tal coisa com um automóvel, tem?
     O motorista, rindo-se muito, respondeu:
     _Ainda não aconteceu, mas é melhor fazer uma oração para que cheguemos bem à festa do Buffet.
     Essas duas senhoras viveram notempo da guerra. Conheciam as dificuldades, que na guerra, iguala as necessidades de uma nação, mesmo levando-se em consideração que o Brasil se declarou como país neutro nessa guerra, houveram dificuldades no país.
     Volto ao assunto vírus. Mesmo que o vírus não tivesse chegado ao país, o Brasil sofreria as consequências das dificuldades enfrentadas nos outros países.
     Manter a fé nessas situações é algo desafiador, mas há que se fazer planos e contar com Deus, que certamente trará a consolação, conforme está escrito.
     Jesus Cristo ressuscitará trazendo a esperança e a alegria de novo aos povos e às nações, mas agora é preciso acreditar!
         
         

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Esse Dia

Esse Dia


É outro esse dia,
Não como há pouco,
Não poderia,
Ninguém é solto


Como queria,
Festa tampouco
À pandemia,
Num tempo rouco


De chuva fria,
À luz envolto
Sem correria,
Mais não seria. 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Eterno Cristo

Eterno Cristo


Renasce Cristo,
E acreditar
Pode salvar
O jamais visto,


Porque é benquisto,
Porque veio a amar
Para contar
Da luz, previsto


Ao sempre disto.
De si a ensinar
Como gostar;
Eterno Cristo.


terça-feira, 7 de abril de 2020

Significado da Cruz de Prata Enfiada no Peito do Vampiro / Explicação Para Leigos

Significado da Cruz de Prata Enfiada no Peito do Vampiro / Explicação Para Leigos

     A cruz de prata que mata o vampiro significa a desinfecção do objeto usado nos tratamentos, pois a prata é antiinfecciosa. Antigamente, nas casa finas, nos jantares e festas oferecidos aos amigos, o talher era de prata porque ninguém tinha dentes, escovas de dentes e pasta de dentes e eram comuns as infecções bucais. Para segurança daqueles que tinham boa saúde, e manter a amizade, ou se comia com talheres de prata, como era usual nas casas finas, ou se comia com as mãos bem lavadas.
     Por que a cruz? A cruz significa a boa vontade com pessoas de espírito imundo, pois todos comiam com talheres de prata, sem que se importasse com o caráter da pessoa, ou seja, se era considerada como boa ou má pessoa. Quem se alimentava dessa maneira sabia que não adoeceria.
     Por que enfiar a cruz de prata no peito do vampiro? O destemor ao tratar uma doença é necessário. Às vezes é muito dolorido tratar de uma pessoa, e as doenças causam sofrimento. Naquela época o sofrimento era sem anestesia. Tratar uma pessoa em grande sofrimento era sentir a dor no peito, significava sentir a mesma dor do paciente, mas ainda que exigisse um espírito forte, o coração poderia fraquejar, pois a sensibilidade janais abandona a figura de um médico.
     Não conheci o Dr. Clodorico, mas essa história me foi contada.
     Com essa explicação louvo a todos os médicos que atendem a essa pandemia do coronavírus.   

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Tolices/ Crônica do Cotidiano

Tolices / Crônica do Cotidiano


     Uma quadra de tolices. Somente uma quadra. 
     Cinco jovens andando de braços dados e tomando conta da calçada.
     Não pedi licença. Um deles se afastou e pude passar.
     Depois, ainda, um homossexual resfriado, conversando ao celular, fez menção de que iria ficar próximo.
     Olhei tão contrariada para ele, que ele ficou a dois metros de distância.
     Sim, há instituições doando cestas básicas para a população carente. Essas pessoas não deveriam sair à rua para pedir auxílio. Em todo caso, se eu ainda não tenho a minha máscara de proteção, um homem por perto, com máscara, doou algumas moedas.
     Melhor seria que os carentes entrassem nas filas das instituições civis ou religiosas, e não se colocassem numa situação de risco.
     Uma quadra de tensão, mas essa tensão poderia ser evitada.
     Se a situação é aborrecida, é para todos, mas nem todos compreendem.
     Cabe aqui contar que, embora a literatura de terror não seja a minha preferida, li um livro de contos de terror e vampiros.
     Em todos os contos o vampiro morre com uma cruz de prata enfiada no peito.
     Aos sanguinários, digo que, agir em acordo com o que é bom e certo, pode matar um vampiro.
     O vampiro da atualidade é um vírus. Tratar um vampiro com benevolência é concordar com os males que esse vampiro faz.
     A Bíblia, livro que aconselho que seja lido independentemente do dogma religioso que uma pessoa siga, porque a boa ação é amiga da ética e, quando falta a ética a boa ação é nula. De que adianta aos jovens demonstrarem amor aos seus amigos, se assim o fazem de maneira errada, quando o fato de estarem de braços dados podem levá-los à morte? Todos eles.
     "Quem caminha com os sábios, se torna sábio; quem caminha com os insensatos, se torna mau." Provérbios 13:20
     Pelo provérbio e pela situação de pandemia, pode-se mais facilmente entender o que seja insensatez num sentido bíblico.
     Há outro texto bastante interessante para que se perceba qual é o aspecto que possa faltar ao comportamento das pessoas como um todo:
     "E não somnte isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; porque a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança, E a experiência não traz confusão, porquanto o amor de Deus está em nossos corações."Romanos,5.
     Uma quadra para pedir que armem-se com essa cruz que é a cruz que traz a vida, capaz de destruir vampiros, conforme está nos livros sobre vampiros.
       
      

domingo, 5 de abril de 2020

Tribal

Tribal


Volta ao normal
Nesse tempo
Desigual,


De ancestral
Movimento
Natural


E tribal,


Peça ao vento.


sábado, 4 de abril de 2020

Experiência Humana

Experiência Humana


Cansativa é a jornada,
Entretanto possível
Se já foi atravessada
Noutra época visível.

Humana e encorajada
Pela vontade crível,
 Que se faz alcançada
 Num gesto compreensível,

A esperança é calçada
Naquilo que é tangível,
E a história recontada
Se faz reconhecível. 


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Em Meio da Pandemia, a Percepção Musical / Reflexão


Em Meio da Pandemia, a Percepção Musical / Reflexão

     Leio no jornal que, com a pandemia do coronavírus, a terra treme menos, ou seja, com todo o mundo em casa, a crosta terrestre treme menos e nos torna mais audíveis aos sons.
     Segundo o jornal, o geólogo e sismologista do Observatório Real da Bélgica, Thomas Lecoqc, observou este fenômeno pelo qual tremores da Terra que antes eram imperceptíveis aos cientistas, agora podem ser observados e registrados pela ciência.
     Beethoven tinha problemas de audição e compunha guiado pelas vibrações sentidas pelos ouvidos. Ainda bem que essa alteração de vibrações não foram na época dele, pois talvez fosse prejudicado pelo silêncio inesperado.
     A percepção musical muda com essa modificação de vibração, pois o som é uma vibração que é feito de ondas.
     Para quando o movimento das pessoas voltar ao normal, o cientista ainda não prevê as consequências dessa mudança de vibrações, mas uma dessas consequências podemos prever, nos sentiremos ligeiramente surdos, pois sentiremos de fato uma perda de capacidade auditiva com a volta do ruído cósmico.
     Li que há nisso uma ironia, posto que a humanidade não está só, está igualmente em casa e fazendo um peso específico no seu lugar de habitação.
     A humanidade está sentada em algum lugar da sua casa, ou sustentando os pilares da Terra com esse peso.
     Surgiu-me uma ideia, pois quando alguém se senta num sofá, o sofá fica ligeiramente afundado, e me pergunto se a Terra ficará ligeiramente afundada nos lugares fixos onde estamos, mas e depois, esse sofá chamado Terra, voltará ao normal, ou ficará afundada como um sofá cuja espuma está gasta?
     Quanto à minha audição, tenho algo a dizer:
     _Saí do chuveiro porque ouvi gritos na rua. Não precisei perguntar para ninguém. Ouvia-se perfeitamente alguém avisando que havia ladrão na vizinhança. Sete e meia da manhã! Barbaridade. Cuidado com os falsos entregadores do serviço de delivery!
     A humanidade está numa situação difícil, onde a competição é por produtos médicos, mas se torna mais difícil quando se verificam ladrões em meio à crise.
     Hoje temos essas atualizações que são, todos com a televisão ligada no horário das entrevistas ofociais, todos com a audição modificada e, a pior parte, ladrões que são virulentos pela própria natureza.
      Apesar dessa rotina cansativa, mas necessária, essa experiência sensitiva de audição não pode ser desperdiçada, e comecei a prestar atenção no que ouço a mais que não ouvia, e senti que a sensibilidade está diferente. Essa experiência é muito interessante, pois cada tecla do teclado do computador está soando um pouco melhor.
     Que embrulho!
       
       
     

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Absurdo Mundo Novo

 Absurdo Mundo Novo


Paciência e material de limpeza,
Obediência em meio à tanta incerteza,
Aceitação do que é desigual
Nessa mudança igual e anormal,


Mas que dizem que foi a natureza.
Um morcego trouxe essa vileza?
Eu não sei, quem saberia esse qual?
Qual o que, uma televisão igual,


Não importa que estação e a ligeireza
Com que a humanidade, com presteza 
Compreende que o mundo está surreal,
E apenas aceita que é mortal.




quarta-feira, 1 de abril de 2020

Sanitização

Sanitização


Não importa quanto tempo,
Desde que seja o unguento,
A sanitização;
Saúde em devoção


Por esse livramento
De ver um sofrimento
De horrível expansão
Na terra onde a canção


Se faz à solta e ao vento,
Que não se quer sem tempo,
Mas sim inspiração
De letra, de doação.