Rio de Janeiro

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http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Capricho

Capricho


Que tanto que eu não sei,
Que nunca vou saber,
Se esse tanto eu não sei,
É normal não saber.

Da sapiência, escrevei
Vós, que pensais saber,
No entanto, compreendei,
Que há quem não há de saber,

E não sabe porque hei
De saber, se o saber
É outro do qual bem sei;
É capricho esse saber.


sábado, 29 de dezembro de 2018

Magnificente

Magnificente



À luz, intensa;
 Ao céu, algo imensa,
Mas diferente
E permanente,

Quando se pensa,
Que de tão densa,
Fez-se coerente
Ao equivalente

A essa nascença
Nessa presença
Ambivalente,
Magnificente.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Uma Saudade


Uma Saudade

Tem gente que a gente quer bem,
E quer sem motivo ou vintém.
Parece que a alma é desejosa
De verso, de melodia e prosa.

O tempo é que é um porém
Que passa e é menos que um aquém
Porque deixa saudade em rosa
De alguém que foi mais que graciosa.

Gostar não é feio: é sentir-se bem
E ouvir-se na letra de alguém
De tom gentil e forma airosa,
Que a vida admira o sol e a rosa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Presente de Natal / Crônica do Cotidiano

Presente de Natal / Crônica do Cotidiano


     Foram algumas horas conversando sobre cultura e música, sobre igrejas e Deus e o Evangelho.
     Conversamos em voz alta e as pessoas em volta estranhavam a conversa.
     Bebemos água mineral, mas a conversa foi genial.
     Conversamos sobre o prazer que a música traz. É um prazer que é muito além de sexo.
     Ele estuda a Bíblia e recitou o Evangelho de Mateus. Eu li a Bíblia.
     A jornalista de uma emissora de televisão onde ele se apresentou, eu não sei o motivo, mas me chamou e disse para pesquisar sobre ele, conto dessa tarde emocionante sob a tutela cultural de Ariel Veloso.
     Eu disse a ela que eu estudava música para deleite próprio. Levarei as composições do Ariel para as minhas aulas de música.
     A jornalista contou da produção do programa da Ana Maria Braga, onde ela conheceu o Ariel.
     Ela deve ter se divertido com a conversa minha com o jovem talentoso e pronto para fazer sucesso em nível nacional.
     Ela fez uma pesquisa sobre pontos de vista em comum entre pessoas que têm a música no seu dia a dia, estudante, amadora e aquele momento em que o profissional tem que se assumir enquanto profissional.
     Ele ficou surpreso com a atitude dela, muito gentil, cordial, e seguindo a rotina dela de mostrar aos demais o que é uma produção musical.
     O produtor musical quer a música chamada de comercial, aquela que atinge toda a população, mas o compositor quer ser artesanal, porque é muito amor colocado em cada linha de uma canção.
     Não que eu seja uma pessoa com falta de inteligência, mas a inteligência daquela senhora me deixou encantada.
     _Eu não quero dizer mais nada. Eu amo o Ariel e todas as canções dele. Conversem que eu escuto.
     Que senhora educada, como ela soube conduzir essa entrevista informal de uma maneira  adequada e fina. O seu marido sorria com polidez e não interferia em nada do que ela dizia.
     Eu pedi para comprar um cd autografado dele. E insisti.
     Uau! Ele providenciou o cd autografado.
     A jornalista sorriu.
     A emissora apoia o cantor e compositor Ariel, mas para se tornar conhecido é preciso acordo com a produção para a divulgação do seu trabalho.
     Se sorrio, é com nervosismo, porque é a vida dele esse trabalho musical.
     Eu sou dona de casa. Mas parece que a tartaruga em que vivo não comeu esse jeito de gostar de música. Ao mesmo tempo, quando a professora mandou mensagem sobre aula e Natal, ela me confortou sem o saber que o fazia.
     _Ah! Dona de casa! A Ana Maria faz programas de televisão para donas de casa. Musicista? Ótimo!
     O peso da responsabilidade de estar entre uma jornalista de São Paulo e um compositor de talento e muito conhecido na Bahia, a a sua terra amada.
     Ele muito culto, perguntou sobre o tipo de música e o que eu achava sobre a música popular.
     Eu disse o básico: que haviam músicas de dois acordes e havia a música.
     Ela se divertiu com a gente conversando, e incentivava:
     _Converse com ele. Ele precisa ir mais longe!
     Pesquisem e ouçam Ariel Veloso no Youtube.
     Que presente de Natal! Obrigada Papai Noel.
     

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Candeeiro

Candeeiro


O exagero
É o tempero
Que se quer,

Corpo inteiro,
Som maneiro,
Bem-me-quer

Ao candeeiro
Que é festeiro
Onde estiver.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Eles Querem Uma Explicação / Crônica do Cotidiano


Eles Querem Uma Explicação / Crônica do Cotidiano

     Pegamos um guia turístico que não para de rir. Ele se tranca na cabine do e com o motorista, mas a risada é contagiante.
     Centenas de paranaenses, catarinenses, gaúchos e paulistas resolveram passear nesse Natal.
     Discute-se passeios. São Paulo é pura internet, Santa Catarina tem as estradas com lentidão, e no Rio Grande do Sul, o bom é ir até Gramado nessa estação de Papai Noel.
     Alguém lança uma carraspana contra a companhia de turismo:
     _Vocês providenciaram uma invasão, depois não se queixem. Vêm todos pra cá. Além de nós, digamos, "sulistas", franceses, americanos, chilenos, argentinos, enfim aquela confusão de linguagens.
     O mundo parece que resolveu fazer uma festinha particular por aqui.
     Interagimos entre todos, mas catarinenses e paranaenses e gaúchos, enfim faz-se uma roda e dá-lhe falar bobagem.
     Alguém pergunta:
     _O que vocês acham da política?
     Alguém responde:
     _Eu dou a minha palavra que paro de tomar a cerveja agora se esse assunto persistir. Volto a tomar cerveja para o ano que vem. 
      Desconversa:
     _Você não toma cerveja?
     _Não tomo cerveja e participo da roda dos pratos.
     Ah!
    É mesmo. Num restaurante lotado, a moça deixa os oito pratos com garfos e facas em cima da mesa e corre para buscar o pedido da outra mesa de paranaenses, catarinenses e gaúchos.
     Com fome, reparti os pratos e os talheres, afinal é Natal, e repartir faz parte da festa.
     A ideia excelente. Faz-se uma mesa enorme num restaurante e pede-se todas as contas em separado. Ninguém paga o que não pede para comer.
     Uns dão liberdade aos outros para comprarem sorvetes sem aquela chatice de dizer sobre as calorias do sorvete.
     A essa altura do Natal tem gente elogiando o Trump e as suas fronteiras, mas é pilhéria.
     Outro acrescenta que, se existir algum plano para invadir a Nigéria, estaremos em maus lençóis, porque ninguém que seja sensato no Brasil vai admitir tal absurdo, mas doamos alguns trocados para as crianças flageladas pelo tsunami na Indonésia. O tsunami é verdadeiro, mas não sabemos se o dinheiro doado vai para lá.
     A gente não sabe se é verdade, mas na dúvida, nenhum catarinense foi menos generoso que gaúcho e paranaense. Paulista fica olhando, São Paulo é grana.
     Passeio com preços acessíveis, é algo que vale à pena.
     Em compensação ninguém quer viajar durante o Ano Novo.
     De volta à rotina!
     Feliz Natal!
     Um Feliz Natal ao guia turístico com ataque de riso também!  

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Feliz Natal

Feliz Natal

     A gente está em busca desse estado de espírito, esse estado de espírito abençoador. Mais nada. Que esse estado de espírito seja alcançado com a esperança do nascimento do menino Jesus.

     
      

sábado, 22 de dezembro de 2018

Circunstancial

Circunstancial


Tempo propício
De se contar,
É natalício
O verbo amar.

A vida é o início
E o reiniciar
De um panificio
A multiplicar

Por benefício,
Por se buscar
Esse adventício;
Um congraçar.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Boa Janela

Boa Janela


Janela amiga,
De muito tempo,
Por favor, diga,
Um passatempo

Que assim condiga
Ao abafamento
Do sol. Mitiga
Com algum vento

De boa cantiga,
De arejamento,
E que se diga
Contentamento.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A Oficina do Papai Noel

A Oficina do Papai Noel

     Conta a fábula que Papai Noel conta com as renas e muitos duendes para conseguir dar conta do Natal.
     Contam que a oficina do Papai Noel é igual a oficina das escolas de samba, que ficam o ano inteiro criando, agendando ensaios, contatando todos os membros da escola de samba para que o desfile da festa brasileira chamada carnaval, saia à contento.
     Alguns blogs também escrevem em equipe de escritores, o que não é o caso do meu blog, feito quase todos os dias, com blogs deixados de lado, com muita música no dia a dia.
     Tenho para mim, que Natal é um estado de espírito no qual se quer ter a esperança de ser possível, ao menos por instantes, que é possível se espelhar em Deus, Deus esse menino e livre de todo e qualquer malícia.
     Crer é palavra com significado diferente de credulidade.
     Ter fé é algo sério.
     Deus não pediu de nenhum dos crentes nenhum sacrifício, mas que tenhamos a fé em estado de pureza.
     Tantos equívocos têm se observado no mundo, que a fé se torna um exercício tão necessário quanto uma caminhada de vez em quando.
     A fé exige a paciência, portanto é necessário exercitar a paciência como quem espera um bolo ficar pronto. Sim, porque o bolo precisa além da receita exata, que aquela que confeccione o bolo fique perto da cozinha e mantenha o foco no bolo para que não queime e se perca.
     Não existe nenhum atalho para a fé e a paciência.
     No que tange à fé, qualquer atalho traz resultados imprevistos. Quando digo que é melhor não crer e fazer tudo certo, muitos ficam estupefatos, mas existem as idiossincrasias em que se vive pelo espírito sem saber.
     Repetidas vezes tenho dito que não é isso. Não, ninguém ordenou que eu tivesse um blog.
     A paciência, no entanto, tende a escapulir e se tornar tédio.
     A dúvida é o caminho contrário ao do Papai Noel, e a mentira, uma agressão ao estado da pureza espiritual.
     Daqui a pouco, o cansaço aparecerá. Não, não sou perfeita, sou humana e também me cansarei.
     Tenho a impressão que o fato de ser humana faz parte do plano divino.
     Sei que para terminar e sem comprovar, conto que um bem-te-vi, cantou a melodia bem-te-vi-te-vi-te-vi-bem-te-vi com som musical às seis e meia da manhã. Lá pelas oito da manhã, o bem-te-vi deu uma gargalhada num tom vi-vi-vi-vi-vi. Os passarinhos todos piaram em seguida.
     Eu não pude gravar porque o celular estava fora de alcance.
     O que digo é uma verdade, tendo por testemunha quem mora em casa.
     Desse piar cantarolando e, depois, gargalhando, foi que me surgiu a ideia de escrever sobre a fé, o Papai Noel e a paciência.
     Acredite quem quiser.   
      
     
     

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Louvores

Louvores


É o calor
Do Natal
Condutor
Imortal

Desse amor
Sem igual
Do criador,
E essencial

Ao cultor
Imparcial
De um louvor;
Musical.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O Dilema dos Presentes de Natal / Crônica do Cotidiano

O Dilema dos Presentes de Natal / Crônica do Cotidiano

     Uma das coisas mais complicadas de se acertar são os presentes, os mimos das festas.
     Um bom conselho para não se errar nos presentes é não pensar que pelos filhos se conhece o gosto do pai e da mãe.
     Filhos e pais, filhas e mães frequentam as mesmas lojas, mas o gosto de cada um é diferente do outro.
     Existem presentes que parecem não ter defeitos, mas não é bem assim. Um bom exemplo desses presentes é a caixa de lenços.
     A caixa de lenços é um dos presentes que mais geram ressentimentos, pois há quem diga que lenços são despedidas e que os compra deseja mesmo é ficar distante do presenteado.
     Mas há quem não acredite em crendices,ou mesmo, não segue à risca a etiqueta social, que manda que não se dê caixa de lenços para ninguém, e gosta de ganhar as tais caixas de lenços. No entanto, observo que, alguns anos atrás era até mesmo um charme dar uma caixa de lenços com monogramas bordados às senhoras. Quem foi que inventou tal crendice até hoje não se sabe.
     A marca da caixa de lenços deveria ser a melhor do mercado. Os lenços masculinos eram de tamanho suficiente para que eles pudessem se ajoelhar perante uma senhora e oferecer uma flor sem sujar as calças de tecido de alfaiataria.  Os homens sempre andavam com lenços que pudessem ser ofertados às senhoras em caso de necessidade.
     Parece que conto do começo do século XX, mas não. Ainda em tenra idade, peguei um resfriado, e na hora de ir para a escola, conferi livros e cadernos, mas esqueci o lenço.
     Comentei com uma colega que iria pedir papéis à zeladora, porque a constipação estava insistente.
     Um colega prontamente me ofereceu o dele e disse para devolver somente quando estivesse plenamente recuperada.
     A essa altura da história, eu me sinto com cento e vinte anos.
     Mas por serem baratos, e talvez o comércio achasse que não davam lucro, mas não sei se o começo da falta de educação em se presentear com lenços começou. Melhor é não inventar.
     Os lencinhos femininos eram um toque de delicadeza, ainda são, pelo menos na minha opinião.
     A variedade desse lencinhos femininos, que deveriam conter um toque de perfume exclusivo, é um charme. Hoje não se usa mais dar lenços femininos de presente, mas até a década de 80, ainda se usava presentear as moças com lencinhos.
     Um desses mimos de antigamente, eu achei outro dia. Um lenço de fina cambraia de linho, com bordado da Ilha da Madeira, exclusivamente para conter a essência feminina.
     Hoje em dia existe tanta desconfiança, que se alguém der uma caixa de lenços, é possível que alguém pense estar com o vírus da gripe H1N1.
     A loja que deu origem a todos esses comentários ainda existe.
     A loja que vende caixas de lenços para presentes, com papel natalino e laços de fita.
     Se os comprar, é a mim mesma que os darei.
     Caminhei cantarolando uma velha canção: 

     

        

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Advento

Advento


Se digo,
É abrigo
Do tempo,
Momento

Que ligo,
Ou sigo
Ao vento
Do advento.

Condigo
O artigo
E o alento
Ao evento.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Luz de Introverso

Luz de Introverso


Num tempo errado,
Um agir certo,
O exemplo dado
Está por perto.

Não é emocionado
Mas é coberto
De razão ao lado,
Porque desperto

Está o lembrado,
Mesmo que em verso,
Reconciliado;
 Luz de introverso.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Sugestão de Natal


Sugestão de Natal

     Essa é a pior das sugestões e eu nem deveria sugerir.
     Tentar colocar somente um dedão de um dos pés na água do mar na beira da praia.
     ISSO É ALGO PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL!
     Bem melhor é pegar um livro, um disco (cd) e ficar em local seco, fresco e seguro.
     Todo dia é dia de ser cuidadosa, cuidadoso consigo mesmo.
     Na última vez que fui à praia, levei um calçado de plástico e cheio de furinhos.
     Para variar, as canções estão comigo. A água salgada veio entrou nos calçados plásticos, que se encheram de areia e pensei que a caminhada dali em diante seria difícil. No entanto, à medida em que os pés secavam, a areia saía dos calçados espontaneamente e, cheguei praticamente sem areia nos calçados à lanchonete.
     Mas, acreditem-me, tem gente que calça tênis com meias para ir à beira do mar.
     De si e para si mesmo ninguém esconde nada, é o que tento dizer.
     Pensem no mal estar que um tênis com meias e areias podem causar.
     Se ouvir música sertaneja, não negue à ninguém. Assim começam os problemas.
     Problemas para si mesmo. Imaginem alguém com tênis e meias, tirando um dos calçados e meia adjacente, única e exclusivamente para molhar um dedão de um dos pés na água do mar. Que sofrimento desnecessário!
     Agora, quem vai com tênis e meias à praia e passeia pelo calçamento à beira-mar, fica bem. As pessoas que se adequam a si mesmas vivem bem.
     As pessoas deveriam se conhecer um pouco mais. E, em se conhecendo, não ter problemas em expor tais pensamentos coerentes com ela própria.
     Ora, se a música faz parte do meu dia a dia, é óbvio que, de vez em quando, eu escuto uma música sertaneja, ou até mesmo toco canções do gênero "No Rancho Fundo", bem pra lá do fim do mundo. Mas Ari Barroso também é bem vindo, o que é além dos amigos clássicos rotineiros.
     Pensem nisso. Não acrescentarei uma linha aqui.
        

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Complementar

Complementar


O cansaço faz-nos rir,
Esse otimizar o tempo
Num pinheiro a colorir,
Com louvor ao pensamento.


São os detalhes a aturdir,
Mas plenos de sentimento
Pelo Cristo que há de vir,
Como está a todo momento


Do presente a conduzir,
A esperar contentamento
Naquele que o refletir,
Sendo Dele um complemento.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A Imensidade é Maior

A Imensidade é Maior


Inspiração é na alma um passeio
Que em si, independe da vontade,
Pois quando foge faz recreio,
Numa palavra imensidade

Onde a poesia é quase escasseio
De um belo verbo que se evade
Ao pensamento veraneio,
Continuidade de vaidade

De obrigatório escamoteio
Para o melhor da habilidade;
Porque a vaidade é palavreio
Que não acrescenta um só chilreio.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tudo Isso é Natal

Tudo Isso é Natal


Quase que pronto,
Papai Noel tonto
Muitos presentes,
Preces e ausentes,

Que pedem conto
E algum desconto
Nas novas lentes,
Também pingentes;

Dourado ao ponto
E o pão está pronto.
Ao alto e silentes,
Oram os crentes.






segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Alma Passarinheira

Alma Passarinheira


Para tocar,
Cantarolar
A vida inteira
Há linha e fieira


A musicar
A nota, e soar,
Meio brincadeira
Metade inteira;

Preciso é doar
Da alma a calar,
Passarinheira,
A luz que é arteira. 

domingo, 9 de dezembro de 2018

Geada

Geada


De graus
Dez graus,
Surpresa.


Degraus
Dos graus;
Turquesa


Das naus,

Leveza.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Época de Natal

Época de Natal


A época do Natal
É a espera desse ser,
É a esperança a nascer
Que o que é bom, seja o ideal,

De um jeito artesanal,
A fazer, a fazer
A canção se manter  
Num tom ascencional

Ao que vem magistral,
Perfeito é o amanhecer
Ainda a se conhecer,
Louvado e sempre atual.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Doutrina Cristã/ Cometário Pessoal


 Doutrina  Cristã/ Cometário Pessoal

     É fato que frequentei alguns cursos da escola dominical.
     Eu sigo a doutrina e, ultimamente, ando me emocionando com o resultado.
     Eu me emocionei quando doei cesta básica para a igreja, não porque doei, mas porque a caixa do supermercado e o menino encarregado de levá-la para mim, ficaram muito felizes com a ideia da igreja obter cestas básicas para o Natal. Contei e pedi para orar ao invés de comentar.
     Eu me emocionei pelo homem de quarenta anos que perdeu o emprego no mês passado e estava aqui para me ajudar com o móvel. Eu não sabia, mas disse a ele que se acalmasse porque tínhamos a manhã inteira para fazer o que precisava ser feito.
     Nessa parte da doutrina, eu gostaria de me extender um pouco. Tem gente que acha que tudo é demais, é muito, que pode ser menos. Na igreja, a gente aprende que, o progresso existe à medida em que uns precisam dos outros, pois há consumo de produtos e serviços, mantendo o bem estar de todos com todos conseguindo viver com algum conforto.
     Para que seja possível esse desenvolvimento é preciso que ambas as partes estejam prontas para exercerem entre si a existência de um mínimo de confiança. Marceneiro, Natal e Jesus, não foi preciso muito esforço.
     Está assim, com muitas emoções.
     Ainda hoje, me utilizei de outras partes da doutrina:
     Orei com uma amiga que passou por maus bocados, mas não quis contar do que se tratava.
     Contei que na doutrina da igreja que frequento, a gente aprende que não precisa dizer muito de si, porque Deus sabe do que se trata e que ela deveria contar para Deus o motivo da tristeza dela.
     Aproveitei para dizer, que fosse o que fosse, que não mentíssemos uma à outra, mas que conversássemos com a brandura no coração. Sentamos lado a lado e reiniciamos a conversa.
     Conversamos todos os assuntos que não fossem os dela.
     Ouvi que estava numa boa igreja.
     Ainda conversei sobre o mundo de hoje com um colega. Disse que parece que o mundo enfrenta um cometa de fogo. Os grupos de ódio se formam e temos que enfrentá-los sem ódio, o que é um desafio.
     Ele acrescentou exemplificando com essas migrações mundiais, com filas e mais filas mundo afora de gente querendo ir a um lugar razoável e não encontram esse lugar razoável porque é muita gente. Muita gente sem ter para onde ir para fugir ao ódio que se instala aqui e ali no globo terrestre.
     Às vezes, eu me sinto ousada ao falar de Jesus e sobre o que aprendi na escola dominical da igreja.
     No entanto, as pessoas não conhecem esses ensinamentos.
      A escola dominical nos diz para contarmos do que aprendemos e contamos. Aplicamos os ensinamentos ao cotidiano.
     Todo ser humano passa por momentos desafiadores.
     A sociedade precisa de um desenvolvimento tal que permita algum conforto aos que nela vivem, seja material ou espiritual.
     Não, não somos imbecis. Os ensinamentos realmente funcionam e muitos deles são práticos. Lidar com as dificuldades do dia a dia é algo desafiador.
     Alguém mais chorou e caiu em prantos, sendo confortado por uma senhora de outra denominação cristã.
     Quem quiser viver só para as coisas que o mundo promete, que viva. A nossa obrigação é compartilhar os ensinamentos recebidos.
     Pessoalmente, penso que viver para minimizar o sofrimento dos outros é gratificante, e é isso que os pastores fazem.
     Convido aos demais cristãos a exercerem os seus aprendizados para, ao menos tentar diminuir essa atividade que o mundo anda dizendo, porque ser bom no sentido de respeito mútuo, compreensão do outro e compartilhar os ensinamentos é benéfico à todos.
     Eu também tenho a aprender, inclusive a lidar com essas emoções cristãs.   

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Assertivas

Assertivas


Meus ouvidos,
De atenção
Prevenidos,
De intenção

São sentidos
De boa ação
Comovidos;
À canção

São movidos,
De inflexão
Remexidos,
São asserção.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Outra Análise / Comentário Bíblico

Outra Análise / Comentário Bíblico 

     Vigiai e orai, disse o Senhor. Porque o mal não tem hora e é bom que estejamos preparados.
     No entanto, Ele pegou alguns discípulos dormindo e os advertiu.
     Ele disse "Vigiai" "e" "Orai".
     Vigiar é ficar de sentinela, montar guarda, saber que o mundo não dorme e, também, que aparece como um ladrão, um mau ladrão.
     Orar é ter consciência de que o Espírito é soberano sobre a carne e a sua condição de fraqueza. Orar é para fortalecer-se e não deixar que o mal domine.
     A impressão que se tem é que a civilização repete a época da decadência do chamado Império Romano. Roma ruiu com a segunda invasão dos bárbaros, não sobrou nada.
     Estudiosos, os quais leram por curiosidade Nostradamus, diziam, desde os primórdios do século passado, que os que vivessem no século XXI soubessem que a maneira de se praticar a religião mudaria muito neste século, que segundo eles, seria de decadência humana tão grande que equivaleria à ruína do Império Romano.
     Pode até ser superstição sem fundamento, mas a obrigação é vigiar e orar.
     Nessas duas atitudes não há uma prioridade, as duas atitudes são necessárias para que Cristo viva.
     Orar, conforme está escrito, é para conversar com Deus à sós, no quarto e esperar a resposta Dele.
     Vigiar é uma atitude externa. Os apóstolos dormiram na entrada do monte, quando deveriam estar atentos e com postura defensiva.
     Além de discípulos e seguidores, Ele tinha amigos e os visitava com gosto de vê-los.
     Os amigos Dele eram amigos fiéis, cordatos, sinceros e no tocante a esse sentimento muitas vezes revelado nas escrituras, não se entristeceram uns com os outros a não ser em caso de sofrimento, onde todos sentiam a mesma dor e auxiliavam-se mutuamente.
     Vigiar inclui saber que os amigos também sentem bons sentimentos e respeitá-los.
     O que se observa nos dias de hoje é a decadência dos valores habituais do ser humano e essa decadência, muito além de deselegante, leva à violência.
     Ora, se o outro não leva em consideração os valores da humanidade, necessários inclusive para a perpetuação da espécie, pois a perpetuação da espécie precisa de valores, no caso, humanos. Mas, se observarmos, os animais, respeitam alguns valores dentro da espécie de que é originário.
     O ser humano, capaz de expressar pensamentos, emoções e de tomar atitudes, não pode desprezar os valores primeiros pelo qual foi criado, o amor divino.
     A decadência dos valores leva à extinção da espécie através do ódio e das suas mazelas consequentes. 
     Os mecanismos de vigilância existem e por que não dizer que são humanos também.
     Quando há necessidade de se defender, ora-se para que um posicionamento não possa fazer nada além do que defender a quem precisa.
     É a metafísica intervindo a favor do ser humano.
     Existem algumas frases a esse respeito, mas ficam fora do contexto desse texto especificamente.
     O objetivo do texto é exatamente este, a de dizer que os valores fazem sentido, estão inseridos nas escrituras, mas que é necessário que se acredite nesses valores, que se ore por esses valores e que haja alguma defesa contra essa decadência, de certa forma prevista. 
     

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Curiosidade Bíblica - Interpretação Pessoal

Curiosidade Bíblica - Interpretação Pessoal

     Há um animal que acompanha a trajetória de Jesus, o burrico.
     O burrico é nominado em diversas passagens bíblicas, mas entrou na história antes do nascimento de Jesus.
     Observa-se porém, que o burrico não o acompanha dos momentos finais, e até nesse ponto houve crueldade por parte dos seus algozes.
     Outros animais entraram e compõem os presépios até hoje, mas o burrico parecia ser o preferido de Jesus, ou apenas o seu meio de transporte.
     Até mesmo, em pedido aos apóstolos, Jesus mandava pegar um burrico aqui e acolá.
     Mas, no antigo testamento, o burrico também aparece, conforme a história do burro de bom senso que faz o que Deus manda, enquanto que o seu dono não faz; vale a leitura da história do burro de Balaão e Deus.
     À medida em que a leitura bíblica persiste, a leitora aqui foi se afeiçoando ao animal.
     Bom, se o bom senso prevalece aos burros, por que é que os humanos vivem a desafiar o tal do bom senso.
     Ainda sou capaz de fazer perguntas óbvias, mas são confortadoras essas respostas.
     Só não me extendo no texto, porque bem diz o ditado: De pensar muito morreu um burro.
     Prefiro ser uma burrica sensata.
      

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Com a Devida Permissão do autor, publico o poema Espaço


Eapaço (12-02-2011)

Autor: Antonio S. Portugal Júnior

Qual dimensão do tempo!

Metade afastada de si.

Retrato daquilo que está cheio,

Mesmo que vazio pareça.

Momento, instante, realidade.

Memória, experiência, porvir.

Aquilo que me falta, completa.

Transborda:

Luzes e sons, arte enfim.

Amores, alvoradas, estradas,

Sonhos e ilusões. Verdades!

Evolução criadora,

Um feixe de possibilidades.

(Você e eu) !

domingo, 2 de dezembro de 2018

Brinquedo Novo / Crônica de Natal


Brinquedo Novo / Crônica de Natal

     Acertaram, brinquedo musical.
     Eu tinha ouvido contar das caixas de som, e havia passado por diversas lojas perguntando sobre o preço e como é que isso funciona.
     O preço é razoável, por volta de cinquenta a oitenta reais, pensei.
     Tem as com toque aveludado, cujo tecido externo arrepia a alma tanto quanto o barulho do antigo giz no quadro-negro.
     Como é que funciona? É moderno, coloca-se cartão de memória, pen driva, conecta-se ao tablet ou mesmo ao celular. É possível até mesmo realizar chamadas com vídeo usando a tal da caixa de som.
     Particularmente nunca usei o pen drive para ouvir música. Se bem que já tivesse visto um em pleno funcionamento durante uma corrida de táxi. O motorista tinha uma caixa com pen drives de baixa memória (1 giga) para que não fosse obrigado a ouvir de acordo com o pen drive, mas em acordo com o humor dele a cada dia.
     Lembrei de um celular quebrado, no qual eu havia deixado um cartão de memória.
     Ao procurar o celular quebrado, verifiquei que ele estava com o encaixe da tampa levantado, o que facilitaria para pegar o cartão de memória.
     Oh, oh,oh, a pilha do celular tinha o seu formato retangular transformado em oval. Um perigo imenso, segundo a moça da loja que a recolheu. sim, saí correndo para levar essa pilha para fora de casa.
     Salva de um acidente doméstico pela caixinha de música.
     Neófita em cartão de memória, até agora não consegui carregá-lo com músicas.
     Felizmente para os jovens, os pen drives de baixa memória são difíceis de se encontrar.
     Coloquei a cabeça para funcionar, mesmo em pleno domingo.
     Comprei algo que eu ainda não tinha testado e sem cartão de memória e pen drive carregados com música.
     Depois de muita concentração, cansei e peguei um mp3 antigo, nacional e cheio de músicas, mas sem pilha. Funcionou!
     Bem no momento em que eu estava pensando em voltar à loja para aprender a lidar com ele!
     Não quero nem saber de conectar o celular a ele. Isso pode criar novas preocupações.
     No entanto, o som é bom e as estações de rádio pegam bem, muito embora ainda não tenha fixado nenhuma na caixinha.
     Muito surpresa com aquela bateria de celular prestes a explodir, estou muito contente com a caixinha de som.
     Um excelente domingo à todos!
           

sábado, 1 de dezembro de 2018

Canções de Natal

Canções de Natal


Sem engano,
Acaba o ano,
Vem Natal
Nunca igual.

Mês e plano
A que empano
O frugal
Algodoal

Suburbano,
Cotidiano,
De avental.
Imortal.



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Trilha de Deus

Trilha de Deus


Você lê a Bíblia,
Deus te abençoe;
Que a vida ecoe
Nessa mantilha.

Numa vasilha;
Que se arrazoe
Ao que afeiçoe
O oleiro que a brilha

E molda uma ilha
Que se povoe,
E se apregoe
Por essa trilha.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Coisas da Escola / Reflexão


Coisas da Escola / Reflexão

     Eram incentivos à originalidade as histórias educativas que contavam em sala de aula.
     "Era uma vez um homem que resolveu montar o próprio negócio. Montou uma pizzaria na rua onde morava. Naquela rua não havia pizzaria e, logo começou a ficar bem de vida. Naquela rua faltava comércio, mas os seus conhecidos vendo o conforto do homem que montou a pizzaria, resolveram montar uma pizzaria, alguns sem nenhuma intenção a não ser a de adquirirem algum conforto vendendo pizzas. De fato, a segunda pizzaria também deu certo. No entanto, as pizzarias começaram a se multiplicar naquela rua, e por fim todos faliram.
     A rua que poderia ser transformada em via gastronômica, com diferenças no cardápio e de pratos apresentados, por falta de originalidade, levou à bancarrota todos os donos de pizzaria."
     Amanhã é dia bom para comer pizza, afinal é sexta-feira e alguma descontração é merecida.
     A criatividade precisa de um pouco de originalidade para dar certo.
     Mas, para começar, para ser criativo (a), é preciso que a pessoa imagine coisas boas a serem desenvolvidas, esse é um tempo precioso na vida da pessoa criativa.
     Para ser igual, basta seguir os demais que são iguais. O melhor disso é que nesse estado de espírito se deseja que o outro esteja bem, com condições de consumir o que a criatividade produz. Dentro de uma realidade factível, todos sabem que todos os demais têm problemas, mas é a favor e torce para que os problemas dos outros sejam resolvidos à contento.
     A criação da originalidade impõe ao criativo a necessidade de ver o outro em boas condições em sua normalidade.
     Esses dias, eu disse que alguém, o qual denomino de "fulano" vai conseguir superar um problema em pouco tempo porque é capaz, pertinaz e competente.
     Complicado para a criatividade é o pensamento negativo sobre si mesmo que possa refletir em outra pessoa.
     Não é possível pensar em progredir ou evoluir querendo que os outros tenham problemas. Não existe progresso se todos tiverem os mesmos problemas porque ninguém pode fazer nada por ninguém. É o caso de dizer que se todos os habitantes do planeta tiverem um resfriado ao mesmo tempo, haverá escassez de antigripais e lenços. A higiene se acaba e até mesmo a humanidade poderá extinguir-se.
     Quando os outros não sabem do seu problema e têm outros problemas é que existe a invenção das soluções. A originalidade, nesse caso deseja que ninguém mais no planeta fique resfriado e que todos os antigripais e lenços estejam à sua disposição.
     Até eu mesma achei essas histórias ligeiramente escatológicas, mas são histórias de fácil alcance.
     Quantas e quantas vezes ouvimos a seguinte frase - negativa - sob esse ponto de vista: "Ah, eu gostaria que os outros levantassem às cinco da manhã e tivessem que pegar o trem para fazer o dia."  Acontece que se todos os habitantes do planeta acordassem às cinco da manhã para pegar o trem, faltaria trem, haveria congestionamento de pedestres, e uma confusão generalizada.
     Definitivamente alguns desses pensamentos levam ao caos.
     No entanto, quantos arquitetos e engenheiros passam os seus dias planejando para que não haja congestionamento, para que as pessoas se desloquem das suas casas quando bem entenderem e em acordo às necessidades delas sem terem que enfrentar um trânsito tumultuado? Centenas, talvez milhares.  Quantos cientistas gastam as suas vidas criando vacinas? Centenas, talvez milhares.
     De onde veio esse texto? De uma pequena chaleira velha com uma rolha na tampa, sem uso há muitos anos, que me desfiz com alguma dor. A rolha ainda estava intacta na tampa.
     Como eu me diverti com ela a cada vez que colocava a água para ferver para passar café.
     Irritaram-se com o perigo de que me queimasse com água fervendo, compraram chaleiras e a minha chaleira ficou esquecida. Coisas de dentro de casa.
     Coisas da escola. A arte preenche a criatividade, de qualquer jeito.    

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Mansuetude

Mansuetude


Sensatez
Prazeirosa
Nesses quês
À frondosa

Solidez
Atenciosa
De um talvez.
Generosa

Polidez
Laboriosa
Que se fez
Cor-de-rosa.


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Compreensão

Compreensão


A compreensão
Veio aqui passear
E serenar
O coração

Nessa razão
De se pensar;
Sair, conversar,
É a obrigação

Da distinção
De um realizar
Do ser e estar
Em formação.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Prova

Prova


Nem me conto
Desse ponto
Reprovado,
Fica ao lado.

Desencontro
Que desmonto
Ao estudado;
Planejado

Redesconto
Que remonto
Ao visado
E acordado.

domingo, 25 de novembro de 2018

Traço de Giz

Traço de Giz


Traço de giz
Que bem se quis,
Bem sabe o tempo
Nesse andamento,

De tom matriz,
Quando se diz
Que é sentimento
De acolhimento

De um aprendiz
Dos dons gentis
Que diz ao tempo
Do entendimento.


sábado, 24 de novembro de 2018

A Cultura Se Move

A Cultura Se Move


Tardes antigas,
Tardes amigas
A conhecer
E reviver

Essas cantigas
Que formam ligas
De se entender,
E perceber

Que essas fadigas
Não são fadigas,
São o enternecer
A se mover.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Na Rua das Acácias / Conto de Horror


Na Rua das Acácias


     Não quem não saiba a história que corre na Rua das Acácias, sem número.
     Dizem que na Rua das Acácias mora um vampiro.
     Maria mora na Rua das Rosas e também sabe da história do vampiro.
     _Maria, te cuida com o vampiro. Ele é perigoso, suga a vontade de estar bem.
     Acontece que o vampiro envia notícias todos os dias à Maria.
     _Maria, te cuida de vampiro. Ele disse que você anda cabisbaixa.
     Maria ergue a cabeça e segue.
     _Maria, te cuida do vampiro. Ele disse que sabe de você tanto ou quanto mais que qualquer anjo da guarda sabe.
     Maria anda pelas ruas a espreitar para ver se o vampiro está nas redondezas.
     _Maria, te cuida do vampiro. Ele espera o teu cansaço para te dar um abraço e fim.
     Maria cuida rigorosamente das horas de sono.
     _Maria te cuida do vampiro. Eu posso ter parte com o vampiro.
     Maria cuida de cada um dos seus amigos e amigas com atenção e dedicação.
     Maria tenta ser irônica, e pergunta se o vampiro está bem disposto.
     _Maria, quem sabe de você é o vampiro. Nós o ouvimos sem querer, mas ele obriga.
     A Rua das Acácias é conhecida pela casa sem número do vampiro.
     _Maria, te cuida do vampiro. Cuida de não pensar em voz alta.
     Maria não sabe muito bem do vampiro. Pelo que dizem, ele gostaria que ela fosse homem e a recrimina em toda e qualquer atitude de mulher. Disso ela tem certeza.
     As pulseiras de bijuteria que, ao moleque tentar furtar, quase corta o pulso. Os brincos de plástico constantemente arrancados das suas orelhas por estranhos no meio da rua. Até que chegou o dia em que ela deixou para usar bijuterias em locais onde todos os presentes eram conhecidos. Perdeu a graça; nunca mais usou bijuterias.
     Com a maquiagem foi diferente. Desistiu de usar maquiagem no dia a dia para não ser chamada de feia, de exibida, de saliente. 
     Quando desistiu de usar maquiagem, o vampiro atacou novamente e começara os rumores de que era desengonçada ou que se achava bonita demais, e assim por diante.
     Maria voltou a usar um pouco de maquiagem.
     _Maria, te cuida com o vampiro.
     Com tanto esforço por parte do vampiro, ele ficou conhecido, temido e respeitado. Tornou-se morador ilustre na Rua das Acácias. Algumas moças da Rua das Acácias morreram de fraqueza.
     _Maria, te cuida com o vampiro. Uma morreu de bebida, outra morreu de fastio para comer e outra de tristeza. 
     Vampirismo não se resolve com polícia. Crime se resolve com polícia.
     Maria também se tornou conhecida, mas conhecida como a preferida do vampiro. Mesmo que seja para destruir as suas forças e enfraquecê-la a cada dia um pouco.
     Adeptos de vampirismo em pleno século XXI.
     _Maria, te cuida com o vampiro. Porque parece que é vampiro mesmo.
     

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Algo Para Comprar / Comentário


Algo Para Comprar / Comentário


     A propaganda chama atenção e sei de loja que abrirá exatamente a meia-noite, o que pode ser bom para quem quer comprar e não tem tempo durante o dia.
     Certamente que à meia-noite termina o Dia de Ação de Graças e começa a Black-Friday.
     Nós não comemoramos o Dia de Ação de Graças, mas temos os nossos feriados.
     Eu penso até que é interessante uma comprinha aqui e outra ali, mas primeiro é preciso verificar se é razoável. Se for algum presente para as Festas do final do ano, é razoável.
     Não sou contra a promoção, pois temos as liquidações sazonais, muitas vezes interessantes para comerciantes e compradores.
     Essa liquidação é interessante porque outros artigos além dos de vestuário e calçados entram em promoção. São artigos de investimento para a casa, tais como fogões e geladeiras.
     O fato de passear para ver os preços, por si só, é bom, mesmo que não seja para comprar.
     Por outro lado, a realidade não está lá essas coisas.
     O embaralhamento das redes sociais é imenso, e, o fato é que estamos sem pesos e medidas para saber um pouco mais sobre quem está nessa rede, chamada social.
     Particularmente, a internet está sendo utilizada como vitrine dessas propagandas de Black Friday.
     A internet valida a promoção para quem pesquisou os preços em outubro.
     Penso que não sei se vale comprar alguma coisa, pode ser que sim e pode ser que não.
     Indiferente? Um pouco.   
     

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O Dia Normal

O Dia Normal

O dia normal
Não tem igual,
É rotineiro
E alvissareiro,

Convencional,
Adicional,
Que passageiro
Passa ligeiro

Ao pinheiral
Ocasional;
Como um roteiro
De janeleiro.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Problema de Afetividade / Crônica do Cotidiano


Problema de Afetividade / Crônica do Cotidiano

     Precisei de táxi.
     Conversamos sobre a idade, ambos passageira e motorista maiores de cinquenta anos.
     Parecíamos de outra época olhando para o estilo de vida atual.
     Vivemos numa época onde toda e qualquer afetividade pode ser considerada como um palavrão, ou deturpada em suas melhores ideias.
     Disse que achava que essa sensação de que estamos numa época insensível era sinal de envelhecimento nosso.
     O motorista disse que não era bem assim.
     Contou de uma corrida feita.
     Levaria uma criança com a babá de volta da escola para casa.
     A babá estava atrás com a criança, que contava pela aparência oito anos de idade. A criança estava abraçada à babá.
     Chegando à porta da residência, observou um automóvel com motorista saindo da residência.
     Comentou com os passageiros:
     _Parece que as visitas estão indo embora.
     A babá contou que aquele carro era da dona da residência e que ela tinha motorista.
     O taxista fez sinal ao motorista e emparelhou o automóvel sentido contrário e abriu as janelas para que mãe e criança pudessem acenar um ao outro.
     A mãe olhava a agenda do celular.
     O filho olhava os recados da internet.
     Parados por alguns instantes, seguiram os seus caminhos contrários. O motorista do automóvel particular ergueu as janelas do automóvel e seguiu.
     O taxista manteve as janelas abertas, estacionou e esperou o pagamento e a descida da babá e da criança.
     Depois de contar a história, perguntou-se sobre que tipo de afetividade esta criança terá no futuro.
     Respondeu à própria pergunta contando de um jovem dono de um carro importado e carro, cuja corrida foi para buscar o automóvel na oficina especializada de importados. No meio do caminho o telefone celular tocou e era a mãe do jovem.
     Contou que o jovem disse à mãe para arranjar o que fazer ao invés de ligar para saber dele.
     Foi capaz de jogar o aparelho celular ao lado, um celular importado e de muito valor.
     Tratou o celular como se fosse lixo, mas a miséria estava na sua afetividade. Quantos valores de casa e de educação foram jogadas ao lado junto com aquele celular.
     Complementou a conversa dizendo que os dois fatos aconteceram com pessoas abastadas, mas que o desprezo pela afetividade é generalizado.
     Pais, mães e filhos conectados e sem tempo e capacidade para discutir o que importa para a fase adulta.
     Certamente que a babá cuida, que a empregada ou a escola servem o almoço e ensinam o que sabem. Mas ensinam em acordo com a precariedade que as levam a esses serviços.
     Nos países considerados ricos, as babás são estudantes que têm contato com outras famílias e aprimoram a sua cultura enquanto cuidam das crianças.
     Essa não é a nossa realidade. Não se sabe que tipo de educação essas crianças têm.
     Cria-se um carência afetiva imensa para as futuras gerações, com uma tal educação que não se sabe exatamente como é. Uma educação paga, uma afetividade ganha em troca de um salário mínimo.
     Certamente que a sociedade inteira sofrerá com essa falta de contato entre pais e filhos.
     Há um quê de idade nisso, mas também haverá falta de humanidade gratuita no futuro.
     Enfim, é bom que se pense sobre isso. Afetividade não é obrigação, é devoção.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Jó Justificado / Reflexão


Jó Justificado

     Jó é justificado perante Deus, porque não perdeu a fé.
     Apesar de tudo e contudo, era temente à Deus.
     Ante perder a sua alma e justificar-se perante Deus, escolheu justificar-se.
     Aceitou o sofrimento e a dor que lhe fora imposta em todas as suas perdas, mas questiona essas perdas tendo em vista a vida pautada na crença de um Deus que tudo podia.
     Mas tudo podia, somente a partir do momento em que não aceitasse perder a sua alma.
     Jó teve tudo para que a sua alma entrasse em conflito com Deus, mas não permitiu a si mesmo entrar em conflito contra Deus.
     A questão a que Jó se permitiu foi questionar essas perdas, tendo em vista que tinha sido fiel à Ele e que jamais o tinha contestado.
     Ao contrário, dizia que tinha alcançado tudo o que desejava na vida, o que era muito além de uma vida confortável. Era viver bem estando em paz consigo mesmo e estar em paz consigo mesmo significava louvar todos os dias o que Deus lhe havia dado nessa vida.
     Os diálogos de Jó são parte de um texto que, gosto de ler e reler.
     A cada releitura percebo novos sentidos às palavras ali contidas.
     Deus justificou Jó, quando admirou a sua fé e a sua disposição em ser justificado por Ele.
     Por vezes, quantas pessoas abraçam a causa de Jó.
     Também gosto dessa pureza de sentimentos.
     Deus, todo-poderoso, e alguém tenta justificar-se diante Dele.
     Jó não maldiz, questiona.
     Questiona com toda a sua alma num exaurir-se continuamente.
     Valia a pena ser justificado por Deus questionando a sua vida perante Ele.
     Jó é justificado por Deus, maravilhosamente justificado por Deus até mesmo em seus pensamentos.
     Em nenhum momento desse diálogo Jó fornece alguma chance para que o demônio  se aproxime. Ele sabe que o demônio o pegaria em armadilhas sutis. Jó repele o demônio, esse sim, um perigoso inimigo.
     O livro de Jó é para ser lido muitas vezes.
     O livro de Ló conta de um homem de bem que fez e conseguiu as suas alegrias ao bem fazer. Conta dos seus inúmeros sofrimentos e da sua lealdade para com Deus. Conta dos questionamentos e não dos conflitos.
     Por que todas aquelas perdas de Jó, senão para que fosse possível a sua justificação perante Deus?
     Cada linha desse livro, o Livro de Jó, merece uma reflexão.
     Hoje, aconselho o Livro de Jó às pessoas de bem, que prezam a sua alma, que querem um diálogo com Deus, para que somente Ele saiba do porque disso ou daquilo. Algo possível para os que são tementes à Deus. Algo possível para os que questionam à Deus.
     Essa é uma resenha interessante. Boa para todos. Um marketing de um livro que vale cada linha de leitura: a Bíblia. 

domingo, 18 de novembro de 2018

Dia Sincrético / Crônica do Cotidiano


Dia Sincrético / Crônica do Cotidiano

          Hoje, domingo, 18 de novembro de 2018. Dia para não esquecer.
          A cidade de Curitiba teve tantas atividades ao ar livre que foi praticamente impossível sair de casa. O pessoal que cuida do trânsito provavelmente teve um dia cansativo, ordenando e cuidando das ruas e desse povaréu que saiu de casa, provavelmente a pé, ou de ônibus, carona, táxi ou aplicativo da telefonia móvel.
          Para quem conhece um pouco de sincretismo religioso, tais como "Umbanda" e afins, nem que seja por curiosidade, lembrou de uma determinada entidade chamada de "TRANCA-RUAS".
          Sem colocar o nariz para fora da porta, depois de algumas atividades domingueiras. Às vezes me pergunto por que é que eu não consigo assistir mais do que uma hora de televisão, mas é assunto para outro dia.
          Acabei por pesquisar a tal da entidade, sobre a qual lembrava vagamente de ter lido sobre ela na juventude. Vamos à pesquisa, interessante para todos os que são curiosos.
          No site www.eustaquio.com , encontrei a seguinte síntese:

          "Em síntese, O grande agente Mágico do Equilíbrio Universal. É o Guardião dos Caminhos, companheiro dos Pretos Velhos, Caboclos, aparador entre os homens e os Orixás, lutador incansável, sempre de
frente, sem medo, sem mandar recado. Senhor da escuridão e do plano negativo atuam dentro de seus mistérios, regendo seus domínios e os caminhos por onde percorre a humanidade.
Senhor Tranca Ruas tem o poder de fechar e abrir os caminhos para o ser humano e também de ter as almas perdidas sem luz como escravos para prestar-lhe reverencias e fazer o que ele ordenar. Este é um dos motivos pelo qual ele foi enviado aqui no plano físico, para pegar as almas perdidas e formar uma hierarquia para que essas almas perdidas fossem transformadas em seu exército, e desta forma encontrem o caminho novamente para a luz através dele mesmo, podendo assim vigiar e manter esses espíritos sem luz afastados dos seres humanos que ora estão encarnados.
Seu vestuário é cartola sofisticada de época, sua capa varia nas cores azul turquesa, roxo e negro tendo contrastes em vermelho decorada de safira de preferência amarelo dourada que simboliza sua riqueza e a presença de seu reino. É extremamente educado e fino, poderoso e radical. Transita além dos limites da bondade e da maldade. Sendo um mensageiro de orixá, ele profundamente identifica
com os seres humanos. Guardião das casas, das vilas, das pessoas. Exú não tem nada haver com demônios, pois ele é a própria alegria da vida."
          O sincretismo religioso no Brasil é fator de conhecimento da cultura que nos agrega enquanto nação.
          Os cristãos devem andar segundo o Espírito do Senhor.
          Mas o espírito do Senhor achou que seria melhor realizar atividades caseiras do que sair.
          Existe uma canção que pede que Deus guarde à todos sob a unção do Espírito.
          Hoje foi um dia muito produtivo em termos sincréticos.
          Boa semana para todos!