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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Balcão de Reclamações–Shakespeare

Balcão de Reclamações – Shakespeareclip_image002

Ele veio e trancou a pauta.

_Quando o poeta ou a poetisa pensa em mim e não escreve sobre o que eu fiz, não escreve nada. As ninfas, os sátiros, os reis e as donzelas estão para serem atendidos. Houve um excesso de leitura da minha obra.

Eu reflito que é verdade. Assisti o Rei Lear com Paulo Autran e a companhia de teatro de Londrina que fez performances que extasiaram a plateia. Assisti em DVD Sonhos de Uma Noite de Verão, Tudo Bem Quando Termina Bem, A Megera Domada, O Mercador de Veneza e Henrique VI em duas partes.

Ouvi os madrigais ingleses cantados e declamados, ouvi Mendelsshon, aprendi mais sobre a humanidade do que poderia imaginar e conheço o humor inglês, bastante diferente do humor do resto do mundo.

Sobre tudo o que li e assisti nos cinemas e teatros, ficou uma certeza, a de que o amor é uma fonte inesgotável do esforço diário para que ele seja possível. Muitos passam pela vida e não o experimentam no pulsar febril de um sentimento e o congraçamento de almas.

O amor é, antes de tudo, uma revelação de alma. Pode-se gostar de muitas pessoas e não se amar a nenhuma, apenas nos identificamos e temos afinidades e gostos comuns. O momento da revelação é a transformação do ser em comunhão com um novo sentimento com o qual conviverá por toda a sua vida. Essa revelação pode ser religiosa, fraternal, sexual e profundamente espiritual (pessoas que amamos sem jamais termos convivido com elas). Depois que o amor pulsa verdadeiramente, todo o organismo se modifica e pregamos o bem e queremos o bem do outro desinteressadamente.

A crítica social de Shakespeare é essa, porque tanta interferência no que é sublime? Segundo ele, são as condições da terra, sempre impura, a que todos estamos sujeitos.

Agora, quem reclama sou eu, senhor Shakespeare: somos nós que fazemos as nossas condições e penso que o amor é possível mesmo sob condições que nos são impostas e sob a ótica da falibilidade humana. Se não fôssemos falíveis, amaríamos? No entanto, senhor, penso no amor como vida, como esforço contínuo, penso no amor da mesma maneira como lavo a louça do almoço. As condições presentes na condição humana impõem o esforço para amar, impõem atitudes positivas e despretensiosas.

Nessa sua vontade de que eu fale dos seus personagens, eu refaço a pergunta de Hamlet:

_Amar ou, não amar? Eis a questão. Essa é a grande opção do ser humano, deixar ou não deixar que o amor lhe guie. E jamais desistir do amor, como fizeram Romeu e Julieta. Saber que o casamento é um contrato social realizado com a permissão de todos os que estão ao redor, como nos Sonhos de Verão. A Megera é indomável, quem viu, sabe. Ninguém muda com o tempo, o que acontece é o aprimoramento dentro das condições sociais. Os Reis podem ser loucos porque continuarão Reis, temos que aprender. Os religiosos cuidam de toda uma parte espiritual e a revelação divina independe do credo, a cada um é dada uma visão para que a ganância não se imponha como doutrina, então Deus é inteligente.

Senhor Shakespeare, deixei-o passar pelos meus pensamentos, deixe-me seguir o dia que há muito por fazer.

22 comentários:

Alessandra S. Cantero disse...

...e antes de seguir meu dia, passei para deixar um abraço carinhoso :)

Marly Bastos disse...

Boas reflexões Yayá sobre o amor na ótica de do escritor medieval e sobre a sua.
Amei!
Beijokas doces.

Parole disse...

Uma bela reflexão sobre o amor... o amor romântico... mesmo eu acreditando mais no amor por afinidade, que é tão bom quanto, só que com menos brigas e sofrimento.

Beijo

Vivian disse...

Olá,Yayá!

Muito interessante seu texto!
Instiga a várias interpretações, e claro sobre óticas muito diferente.
Beijos!

Van disse...

Bom seguir o dia depois que Shakespeare passou nos pensamentos.

Dia rico em inspiração com o poeta maior do amor.

Beijos, Yayá!

Aclim disse...

"Ninguém muda com o tempo"

Pensei nisso hj.

Realmente sábia Yayá, somente Deus muda o homem, ele (o homem) por sí só entra no jogo social ao qual pertence.

Abraço

Célia disse...

No paralelo entre o real e o ficcionista que você explanou deixa-nos livre arbítrio para seguirmos com o amor que mais nos aprouver. Acredito no amor gestado e cuidado diariamente para que se viva realmente um grande amor. Respeitando sempre a individualidade para que não se descortine ante nossos olhos o triste final de uma peça teatral. Abraço e parabéns pela proposta!
Célia.

SIMONE PRADO disse...

Eu prefiro a opção de mar e ser amado e viver com intensidade enquanto durar. Prefiro deixar me levar e ser feliz, mesmo que não dure eternamente, mas pelo menos ter o que se lembrar na velhice. Uma mulher quando vive o amor é como rosa a desabrochar, seu perume exala pelo ar. VIVA O AMOR.

El Escritor disse...

Oh Shakespeare!!!!!!

Lena disse...

Muito legal esse texto, pra não dizer uma obra prima. Fiquei estupefata de início; depois ri muito. Você foi muito "atrevida" de enfrentar o Mr. Shakespeare, hehe.... Mas valeu muito a pena, assim pudemos comparar ambas as formas de amor. Acho que prefiro a sua... Bjs, minha linda!

Marly B Ribeiro disse...

Oi querida1
passeando achei seu blog..
Olha queria te seguir mas não consegui...depois volto
um bju
lindo seu cantinho , belas suas palavras
Com amor
marly

CLEMENTE GERMANO MULLER disse...

Oi querida amiga. Retornando para agradecer tua amável visita em meu diário de viagens. Nada contra os caminhoneiros viu, acho uma profissão muito perigosa e cansativa. Sempre fui bancário e hoje sou apenas um turista, vivendo os dias a conhecer novos lugares, fazer novas amizades e descobrir novas emoções.Um grande beijo, tenha uma ótima semana.

Sandra Portugal disse...

Convido vc a acompanhar as entrevistas de comemoração de 1 ano do ProjetandoPessoas!! Amanhã a entrevistada especial é a nossa querida Lena do Amadeirado!
abraço
Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//

Amor feito Poesia disse...

Dai-me algumas palavras,
- porém, somente algumas! –
que às vezes apetece,
pelos jardins da areia,
colher flores de espuma.


Cecília Meireles

Beijos e meu carinho....M@ria

Marly B Ribeiro disse...

OI minha quErida Yayá!
Adorei seu nome ou apelido não sei...mas adorei!
VIM TE DIZER MUITO OBRIGADA PELO PASSEIO NO MEU CANTIN...
Olha você é pessoa rara, leu meu post e logo foi me aconselhando a seguir psicologas do seu cantinho lindo...entao queria só te despreocupar dizendo que faço terapia com uma psicóloga marivilhosa todas as semanas, tambem me encontro a cada vinte dias com uma psiquiatra maravilhosa...mamãe também tem a psiquiatra dela...
Mas adoro ter psicólogas lá no meu cantinho, e vou seguir seu conselho tambem, e não importa o credo religioso delas não , porque Deus esta sempre nos guiando né? a minha psicóloga e psiquiatra não são evangélicas e me fazem tão bem...
Minha nova amiga....as vezes escrevo demais, me desculpe, é coisa dos bipolares rsrsrsrsrs
Um bju pra ti
Adorei te conhecer mesmo que virtualmente...
Com amor
Marly

OceanoAzul.Sonhos disse...

Muito bons seus textos, magnificos balcões de reflexão.

Um abraço caloroso.
oa.s

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Me parece, Yaiá, que Shakespeare retratou uma época. Ultimamente, diretores tentam trazer para o hoje, suas peças mais famosas mas, eu prefiro à "moda antiga"...
Ainda prefiro Paulo Autran, no Rei Lear, comparado ao último que vi...

Quanto ao "seu" "amar ou não amar" está implícito no "ser ou não ser"...esta, é a questão...

Já o "Deus" de Shakespeare, creio, era Dionísio. Pergunto: seria esse Deus inteligente?
Um beijinho

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

É Yaía, é inusitado, "ver" um "embate" entre uma jovem brasileira e um Sr. (ou seria SIR) inglês de 457 anos. Será, que na pergunta de Hamlet, "Ser ou não ser", não estaria explícita a "sua" "amar, ou não amar"?. O "deus" de Shakespeare,não seria Dionísio? Seria Dionísio inteligente?
Vi Paulo Autran ao vivo, no Teatro José de Alencar, em Édipo Rei...divinos, o ator e o texto.
Desde criança, vejo Shakespeare, um irmão meu, teatrólogo montou várias de suas peças. É o teatro de uma época...

Muito bom, seu texto, para discussão e reflexão, daí o meu comentário...
Um beijo

Marcos Ribeiro e Silva disse...

Obrigado querida, pelas suas palavras no meu blog, também gosto muito do seu abraço.

Sonia Guzzi disse...

Esse sentimento tão extraordinário e desejado, que é desde sempre nosso desejo e meta.
Bjs, em divina amizade.
Sonia Guzzi

Artes e escritas disse...

Olá a todos. Lúcia Paiva, confirmo que assisti a peça Rei Lear com Paulo Autran no Teatro Guaíra, acompanhado pela Cia. de teatro de Londrina/Pr. Não lembro o ano, mas acredito que a peça Édipo-Rei seja anterior a essa que eu citei. Um abraço, Yayá.

Julio Seidenthal disse...

Amar é tempo.