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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Carta Literária / Mãe

Carta Literária

Mãe
Sei que você está bem, recebemos pelo correio um daqueles pedidos de doações, que provavelmente devolveríamos com a informação de que você não está mais aqui. Mas o envelope disse que era presente e, após fazermos uma pequena reunião na portaria, decidimos que receberíamos o presente e a próxima correspondência seria devolvida com a informação necessária. Presente não se recusa.
Agora, converso com você com aquela intimidade que mão e filha têm. Não, não se preocupe, eu me lembro dos ensinamentos do seu tio médico, aliás, que grandes ensinamentos ele nos deixou.
Sabe, a nossa experiência nos últimos anos de sua vida bem, que merecia uma espionagem americana. Talvez ajudássemos milhares de pessoas nesse planeta.
Todas as conclusões que chegamos à medida que as adversidades surgiram. Ainda ontem conversei sobre a massagem Xamã que teve um efeito surpreendente para você. Que ninguém nos leia, mas foi mais eficaz que a fisioterapia. Aquela nossa ideia de não permitirmos nenhuma cirurgia em consequência daquele dia em que você caiu, foi plena de êxito. Eu poderia afirmar que não se opera hematomas, a não ser em decorrência de intercorrências neurológicas visíveis ou sentidas como amortecimentos ou paralisias.
A clínica foi bem montada e deu um trabalhão para voltarmos a ser casa de novo. Tudo o que era seu foi gasto com você e, a cada compra de material hospitalar, ou, de alimentos, foi contabilizada com a nota fiscal colada em papel ofício e discriminada item a item. A contabilidade foi exata, como se fosse uma empresa médica.
Agora sabemos que as manchas da pele eram originárias do começo da insuficiência renal; era a acidez no sangue.
Desfeita a clínica e refeita a casa, sobram os inúmeros momentos de lucidez e consciência onde pudemos conversar sobre o que quisemos; esses sim, assuntos nossos.
Saiba que disse ainda ontem e, afirmo ainda que quero escrever sobre essa nossa vivência proporcionada pelo plano divino. Ainda não é possível, ainda penso em como escrever e deixar os leitores de bom astral.
Nós nunca gostamos de pessoas que sentem prazer na doença e esse é o cuidado que quero ter ao escrever sobre a nossa experiência. A alegria deve vir da saúde ou da recuperação da saúde. Nunca nos deu alegria saber do sofrimento alheio, por isso nós fomos felizes juntas, e mantivemos o amor conforme Deus havia preparado para nós.
Sinto saudades boas de você, na semana passada consegui rir ao lembrar-me da caixa de bombons que o pai te deu dizendo que te amava e te beijando os lábios. Foi a primeira vez que ele te beijou na minha frente. Tudo ficou corado, rosado de amor. Um momento lindo vindo das Lojas (:)). Essa é boa...
O sofrimento da saudade está dando lugar aos momentos bons, como naquele dia em que faltou luz, quando você e o pai cantaram Luar do Sertão num dueto afinado. Vocês cantavam bem mesmo!
Deus tem sido generoso em amor para comigo, amém.
Desejo felicidades para vocês, que provavelmente estão juntos, conforme você esperava que fosse.
Fiquem com Deus, que a casa já é casa e, se é casa, é graças a vocês.
Beijos, Yayá.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Um ninho de amor familiar tocante e apaixonante... Trilha musical perfeita. Bela crônica, Yayá.
Beijo.