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sábado, 31 de agosto de 2013

História de Chácara / Crônica do Cotidiano

História de Chácara / Crônica do Cotidiano

 

É de admirar quem sabe contar a simplicidade da vida no campo com ar de boa vizinhança e, ao mesmo tempo, achando graça do meu notebook ser tão devagar. Ele não é devagar, mas o antivírus estava desatualizado e deixei para depois o “causo”.

A minha amiga se ria, mas ela mesma não gosta de passar as noites em chácaras.

Ela disse que a ideia que nós, da cidade, temos uma visão errônea, vemos chácaras com computadores, luz elétrica, e, no máximo imaginamos a água de poço artesiano. Se fosse assim, ela teria comprado uma e se mudado da cidade para o campo.

Contou-me, que no interior, a estrada é de chão batido e saibro é luxo. As casas não ficam à beira da cerca, ficam afastadas e perto das comodidades indispensáveis tais como o galinheiro, o chiqueiro e o poço com água.

Água quente é feita a partir do fogão de lenha com serpentinas na parte interna das paredes. Não me perguntem como a engenhoca funciona, eu não saberia repetir a explicação detalhada. O que para ela era fotografia, não passou de lenda fantasiada para a minha realidade urbana.

Aprendi que em lugares assim retirados, não se deixa faltar sal e sabão em pedra. A vinda até a cidade mais próxima é semanal, quando não quinzenal e em dia de sol. Entrega em domicílio não existe para esses lugares.

Conforto, sim, existe. Dentro de uma residência razoável têm sofás e televisores, telas nas janelas para os dias quentes, mas são fechadas antes de escurecer. Mesmo com luz elétrica não é raro um bicho entrar em casa, a luz atrai insetos e outros animais.

O pão é feito em casa e a comida saborosa. A conversa por telefone é difícil, todos na região deitam-se cedo para levantar de madrugada. O telefone celular não pega e, dependendo da região, com poucos habitantes, não há torres para essa telefonia.

Os donos desses lugares são generosos, mas cuidam das visitas porque elas não conhecem os problemas de se viver no meio do mato. Assim, ninguém deixa a chácara depois que escurece ou, se a chuva estiver forte, mesmo que esteja de automóvel.

Por outro lado, as camas de hóspedes estão sempre preparadas para as visitas. Por incrível que pareça, o som da noite do campo não deixa os visitantes dormirem. São as corujas que fazem o canto mais simpático do lugar. Ouvindo o fato até eu fiquei com medo de ir a um lugar assim.

Soube que quando o galo canta, os visitantes ouvem os passos da dona da casa indo para a cozinha para arrumar a mesa, geralmente farta, com bolos e pães caseiros, geleias, queijo fresco e toucinho.

Quem me contou está adaptada ao mundo moderno e pão da panificadora. No entanto, quem se criou nessa vida livre, não deseja outra. São pessoas que fazem tudo para manter esse padrão e realizam melhorias para facilitar o acesso dos seus parentes e amigos até a casa deles.

Esse é um tipo de vida bastante comum no interior. Eu tive uma amiga cuja casa da família, no interior do estado de Minas Gerais, ainda é alimentada por lampiões e luz de querosene. Não a vi mais, sinal de que ela deve estar por lá. No meu estado, o Paraná, as histórias são semelhantes. De outros estados brasileiros vêm histórias semelhantes, diferindo no comportamento dos habitantes de cada região e, também da personalidade de cada um.

Eu sei é que a lentidão do meu notebook me fez parar para ouvir história. Gostei muito do que eu ouvi. Entendi que sou da cidade. Também entendi o quanto é gostoso ouvir contar história por outra pessoa, que viveu e que sabe do que fala.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Ah! Yayá... você relatou a minha infância!! Quando ia para o sítio na casa de meus avós, bisavós... E, "Adeus Sarita" cantei "essa moda" no encerramento do meu primário... Nossa quantas lembranças!! Amei!!
Beijo. Célia.

XicoAlmeida disse...

Ainda estou a pairar...
Fui transportada para a minha aldeia natal, Forninhos,no tempo em que ainda nao existia rede electrica, se dormia ao findar o dia e se escutava o piar do mocho e lamentar da coruja junto a casa de minha mae, ali no pinhal em frente.
No pateo, pela manha, o forno ardia,esperando amigo, a encomenda, bolos, doces e cabrito.
Adorei e agradeco, amiga Yaya.