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terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Falta Que o Diálogo Faz / Crônica do Cotidiano

A Falta Que o Diálogo Faz / Crônica do Cotidiano

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Cumprindo obrigações entrei na fila. À minha frente estava um senhor aparentando quarenta anos.

Ele pedia para pagar com cheque e a norma da empresa era não aceitar cheques para a retirada imediata do produto.

A empresa não aceita cheques. Acontece que o senhor era advogado e pediu para falar com a gerente. Ela não estava. Ninguém aceitou o seu cheque.

Conversou com os demais da fila e, todos, nós, que não conhecemos os nossos direitos, não levamos cheques para efetuar o pagamento.

A cada olhar uma resposta eficiente e inadequada:

_Eu sabia que eles não aceitavam cheques.

_Eu telefonei antes de vir para me certificar sobre a forma de pagamento.

O advogado engoliu em seco. Estava profundamente irritado e com razão.

Nessa interação involuntária, nós, da fila, observamos o comportamento dele.

Ele estava olhando fixamente para a atendente com olhar severo, mas não disse uma palavra. Depois olhou para a fila com desprezo.

O senhor que estava à minha frente comentou que o sujeito era difícil de lidar.

Concordei, mas em termos. Ao advogado cabe a palavra e boa oratória. O fato de ele engolir em seco indicava a contrariedade dele.

Poderíamos até apoiá-lo na sua argumentação, porque ele saberia dizer o que precisava ser dito. Nós não sabíamos o que dizer e, numa atitude sofrível, tínhamos perguntado sobre as formas de pagamento.

Aprender a argumentar e contra-argumentar é tarefa para todos nós que estávamos presentes à fila.

Precisamos aprender a conversar. Quem foi que inventou a máxima de que as reclamações cabem aos inconvenientes?

Onde se viu tal coisa: um advogado com medo de ser considerado mal educado perante uma fila.

Nessas horas é que se percebe que com esse comportamento acabamos por concordar com algumas práticas comerciais descabidas. Desculpem, não sei o termo correto para a situação.

Também não colocarei toda a responsabilidade sobre o senhor que se calou, quando deveria ter dito algo. Essa é a nossa cultura e os tempos não são amáveis para os questionadores.

Resumo do acontecido, precisamos todos aprender a dialogar, sem nos deixarmos levar pelas emoções ou pressões e comentários. Precisamos aprender a autenticidade.

3 comentários:

ricardo alves / são paulo,brasil disse...

ótimo texto!
bem refletido e conduzido...

Lu Cidreira disse...

E isso acontece com milhares de pessoas em nosso país. E, não podemos fazer absolutamente nada. Estamos de pés e mão atadas perante a arrogância alheia.
agradecemos por compartilhar.
Abraço

Célia Rangel disse...

Nossos direitos! Onde estão? Nós mesmos que os delegamos para segundo plano... Como cordeirinhos seguimos a ordem implantada por alguns... Você tem toda razão quando cita a importância do diálogo: - ferramenta um tanto em desuso atualmente!
Bj. Célia.