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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Dentista Chamado Jesus / Séc XX

O Dentista Chamado Jesus

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O Dr. Jesus era um homem diferente, às vezes maltratado pelos colegas por suas ideias arrojadas para a época do século XX.

O tratamento dentário, antigamente, era dolorido, as anestesias, além de caras, causavam efeitos colaterais em alguns pacientes, eram anestesias fortes em doses mínimas. As mulheres grávidas não podiam tratar dos seus dentes e, algumas crianças com problemas de saúde, também não.

A população optava pela prótese dentária não apenas pelo preço, mas também pelo desconforto do tratamento.

As próteses, chamadas de dentaduras, eram feitas em vários materiais e preços, o que fazia com que alguns dentistas fizessem o seu mês com uma dentadura.

O Dr. Jesus sofria com a dor dos seus pacientes, mas gostava de ver a população sorrindo com todos os dentes. Atencioso com todos, era especialmente educado com jovens adolescentes e grávidas. Tratava adultos, mas muita gente o considerava esquisito porque tinha ideias futuristas, dizia que, haveria, no futuro, um tratamento sem dor e que grande parte da população haveria de querer conservar os seus dentes.

Nenhum paciente com dor de dente queria ouvia as suas ideias de futuro, apenas os jovens e as grávidas, na esperança de que ele amenizasse alguma dor.

Os dentistas eram de certa forma, rudes, avisavam da dor e do preço da anestesia, perguntavam alguns aspectos da saúde do paciente e decidiam se o canal dentário seria tratado com ou sem anestesia, com o bloco receituário dos analgésicos do lado. Muitos homens fortes ficavam descansando na cadeira da sala de espera após arrancar algum dente no seco, quando o dentista fornecia gratuitamente o remédio para a dor e aconselhava o paciente a esperar a dor diminuir na cadeira da sala de espera antes de sair pata pegar a condução.

A senhora grávida e a adolescente conversavam em tom de voz baixa na sala de espera, era para elogiar o que a maioria criticava. Os tratamentos dele demoravam e, muitos desistiam de se tratar com ele.

As duas comentavam que era demorado, de fato, mas que ele não deixava o paciente sentir dor.

A senhora grávida era Mariana e disse que parecia um sonho ter o bebê e poder tratar o dente, com problemas de canal, sem anestesia e sem dor. Ele estava tratando o canal com um algodão e algum remédio para tirar a sensibilidade do nervo. Demorariam ainda vinte dias, mas o dente dela estaria bem quando o seu filho viesse ao mundo.

Para a adolescente, ele contou que a tirara de um colega seu. A ética dele estava em tirar a dor, não em ensinar o quanto era dolorido tratar de um dente.

Gina ouvia a grávida com atenção, mas lembrava das palavras do Dr. Jesus:

_Eu vi aquela obturação próxima ao nervo sem anestesia. Eu passei pela sala dele na hora em que você reclamava de dor. Fiquei indignado, uma criança que logo sonhará com prótese e, justo alguém que tem esses dentões fortes como os seus! Agora o seu tratamento será sem dor e o que ensinarei é o procurar a ausência de dor em todo e qualquer tratamento odontológico.

As mulheres, a grávida e a jovem, estavam aborrecidas com as críticas ao dentista. Nenhuma das duas sentiu dor nenhuma durante o tratamento do canal do dente.

O Dr. Jesus aconselhava as duas a serem econômicas, pois, sonhava ele, que, os tratamentos sem dor, seriam caros quando a nova anestesia fosse desenvolvida.

Mas a época e os sonhos não combinavam muito e aconteceu que o Dr. Jesus ficou idoso e se aposentou, sem prestígio e sem homenagens.

Onde se viu um dentista sonhador com a dor desaparecida?

Nesse caso, o que valeu foi a intenção.

2 comentários:

Maria Teresa Fheliz Benedito disse...

Gostei muito da sua crônica, divertida e interessante.
Parabéns querida, grande beijo em seu coração.

Célia Rangel disse...

Ah! Dentista... um episódio nada agradável... ainda que se chame "Jesus"...
Abraços.