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sábado, 25 de janeiro de 2014

História de Amor

História de Amor

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Epitácio era idoso. Oitenta e dois anos.

Com olhares vivos e expressivos conversava com todos os seus parentes e amigos. Também gostava de receber visitas para tomar o seu chá de eucalipto acompanhado de bons amigos e conversas amenas.

Interessante observar que a maioria dos seus parentes e amigos tinha um conceito semelhante a respeito dele: calmo, inteligente, com ideias aguçadas e moderadas nos gestos, tanto de vestir quanto de falar.

Pela simpatia, quase nunca tomava o seu chá desacompanhado. Havia gente na casa dele, os seus convidados, todos os dias da semana.

Marlene até então nunca havia ido a casa dele, apesar dos convites.

Epitácio ofereceu especialmente um livro raro para que ela o levasse até a biblioteca e o deixasse para os estudiosos, mas o presente a aguardava na casa dele, junto com o chá de eucalipto.

Marlene riu-se da estratégia e da delicadeza e foi até lá.

Marlene era uma mulher impaciente e foi com a intenção de não se demorar mais do que meia hora na casa dele.

Com o livro sobre a mesa, veio o bule de chá com as xícaras de porcelana antiga numa bandeja trazida pela empregada.

Na parede, as fotos. Epitácio e sua esposa, já falecida.

Marlene não conhecera a esposa dele, mas elogiou a foto:

_Essa senhora é a sua esposa? Pela foto, percebo o carinho do casal.

Marlene mal acabou de elogiar e ele contou o que o pensamento dizia:

_Eu me casei aos sessenta e dois anos. Pensava eu, antes, que o casamento era feito de obrigações e compromissos que amarravam a vida do sujeito. Quando a minha família disse que eu estava idoso e que não saberiam como cuidar de mim caso eu ficasse doente, tomei a decisão de me casar. Fui pragmático e propus casamento para a Augustina, que era solteira também. Disse a ela que ela estava ficando idosa e que provavelmente teria dificuldades caso ficasse doente.

Propôs a ela casamento nessas condições.

Ela aceitou. Casaram-se e viajaram em núpcias.

Algo improvável aconteceu. Voltaram da viagem apaixonados, um pelo outro.

Marlene deduziu pela foto e sorriu, mostrando o seu pensamento a ele.

Ele, arguto, percebeu a ideia contida no sorriso. Diante do sorriso, concluiu o seu raciocínio:

_Marlene, eu critiquei quando você e o seu marido se casaram. Eu disse que vocês eram crianças imaturas. Eu disse que era um absurdo dois jovens de vinte e um anos se casarem sem ter casa própria, pagando aluguel, trabalhando dia e noite em nome de um casamento que, em minha opinião se desgastaria em pouco tempo. Você está casada há quarenta anos. Eu fiquei casado dez. Eu peço desculpas a você porque, se eu soubesse o que era esse amor, eu teria me casado aos dezoito.

Marlene se comoveu. Epitácio não precisava pedir desculpas, pois o que aconteceu com ele foi que o amor chegou atrasado, mas chegou. A vontade naquele momento era de ficar conversando com ele a tarde inteira, mas considerou impróprio qualquer consideração a respeito do assunto abordado.

Agradeceu o chá, com toda a humildade vinda da mais profunda sensibilidade que aquele momento traduziu em seu âmago.

Agradeceu ao livro que levaria para a biblioteca naquele instante, pois acabara de cancelar todos os compromissos daquele dia.

Sem pressa dirigiu-se à biblioteca, pensando na vida.

5 comentários:

✿ chica disse...

Sem dúvidas foram lindos momentos e um belo aprendizado que ela teve com essa visita, tantas vezes adiada... LINDO! bjs praianos,chica

Célia Rangel disse...

Esse bendito "amor" sempre nos fazendo surpresas inesquecíveis!
Abraço.

Mar Arável disse...

A poesia também se come

Bjs

luís rodrigues coelho Coelho disse...

A pressa é inimiga das boas amizades e dos bons momentos.
Casar cedo por amor e com uma promessa de amor é maravilhoso.
Não há um tempo nem uma idade que seja a programada. O que conta é o amor da vida de cada um numa caminhada conjunta.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida
Linda história e deu gosto de ler até o fim!!!
Feliz 2014!!!
Bjm fraterno