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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Conversa de Homem

Conversa De Homem

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Eliseu pediu ao amigo que o acompanhasse até a agência bancária onde faria o depósito para o filho. Ele estava nervoso e não queria ir sozinho.

Chegaram à agência. Eliseu foi ao autoatendimento enquanto o amigo o aguardava ligeiramente distante conforme determina a boa educação.

Eliseu pegou o comprovante e o guardou no bolso da camisa.

O amigo ficou em posição para sair da agência com Eliseu, quando ele começou a falar com a máquina em atitude de desabafo:

_ O dinheiro está enviado, meu filho. Como se dinheiro bastasse! Não conversamos desde o Natal passado e não posso te contar das minhas experiências. Eu gostaria que esse dinheiro te contasse do quanto eu fiquei feliz quando a sua mãe engravidou de você. Não sei se a sua mãe te conta dos bons momentos que tivemos juntos... O que me deixa indignado com esse depósito não é a mensalidade da sua escola, quero dizer para você que eu não sou um pai ausente. Eu gostaria que você me telefonasse para contar dos seus amigos, dos seus colegas e professores, das suas dificuldades pessoais. Eu gostaria de conversar com a sua mãe em tom amigável para que ambos pudéssemos conversar com você ao mesmo tempo. Mas, desde aquele dia em que eu liguei para ela contando que compraria para você o Xbox como presente de Natal, eu desisti de conversar com ela. Ela disse que se eu levasse o Xbox para você, ela o trocaria por dois pares de tênis e algumas calças jeans de marca conhecida. Agora, tudo o que temos é o dia da visita. Por que é que a sua mãe pensa que eu não posso te dar um brinquedo? Por que é que eu tenho que ser aquele homem sério, incapaz de se divertir no Natal?

O amigo aproximou-se da porta de saída, em dúvida se saía ou não, mas voltou o passo e esperou o amigo desabafar com a máquina.

Eliseu falava sem se dar conta da situação patética em que se encontrava.

_E agora? A sua mãe pensa que pode arcar com a sua educação sozinha, mas não deveria. Não é uma questão de dinheiro! Eu quero conversar com você, praticar algum esporte, jogar bola, eu quero ver você crescer, eu quero que você me ouça, eu sou bom pai. Qual é o recibo que paga uma família? Você sabe o motivo da separação minha e da sua mãe? Eu digo: ela pediu dinheiro emprestado para pagar a clínica de estética e eu disse que além de não ter dinheiro para supérfluos, não existiam clínicas de estética que fizessem milagres. O casamento acabou, mas eu não tive a intenção de ofender. Pode o amor se transformar numa balança de pesos e medidas do departamento de estradas e rodagem? Justifiquei-me e disse a ela que a amava do jeito que ela era. Não adiantou. O casamento acabou.

O desabafo continuava e o amigo do Eliseu ficava pálido perto da porta de saída da agência bancária.

O segurança observava os homens, o Eliseu e o seu amigo, mostrando disposição para interromper o desabafo.

O amigo, vendo a situação com clareza, aproximou-se e colocou a mão no ombro de Eliseu, avisou da hora e disse que tinham que voltar ao escritório.

Eliseu, cansado, ainda olhando para a máquina, disse:

_Tudo se resume a dinheiro?

O amigo movimentou a cabeça, discordando da afirmação, e respondeu:

_Não! Eu sou seu amigo e você pode conversar comigo quando quiser. Eu te ajudo no que você precisar. Quem sabe você se reconcilia com a sua mulher, ou, quem sabe você permanece separado, mas mantém o bom relacionamento com o seu filho. Eu te ajudo naquilo que você decidir, sem perguntar o porquê. Mas você pode me contar, eu estou ao seu lado.

Eliseu olhou para o amigo reconhecendo que precisava de um amigo naquele momento.

Saíram juntos, caminharam algumas quadras e o amigo pagou um café para Eliseu recobrar as energias.

Chegaram ao escritório como se nada tivesse acontecido e bem dispostos.

4 comentários:

Jossara Bes disse...

Oi YaYá,
Adoro suas cronicas! Pois é, dinheiro, dinheiro!
Mulheres perdendo a noção e a razão em nome de um padrão de beleza.
Retratado na sua bela cronica!
Felicidades para você!

Eloah disse...

Belo texto amiga!A solidão da alma é a pior das solidões.Ombros amigos são necessários e muitas vezes a solução para carência, mágoas e dúvidas.Deste-nos muito para pensar com este texto.Parabéns! Bjs Eloah

Sissym Mascarenhas disse...



Yayá,

quanto tempo! lhe vi no Google+ e vim correndo lhe rever. Adorei sua cronica, otima crítica sobre comportamento moderno.

Bjs

silvioafonso disse...

.


Eu vim no rastro da Sissym. Ultima-
mente essa moça me tem levado a lu-
gares, assim, maravilhosos, como
este.
Um abraço para ela e para o respon-
sável por tão belo texto.
Estou seguindo o blog, como aqueles
que de tão bom gosto, não arredam
daqui o pé.

silvioafonso






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