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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Nova História / Crônica de Supermercado

A Nova História / Crônica de Supermercado

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Foi dia de se festejar, mais de sessenta pessoas na fila do supermercado, o que significa meia hora ao mínimo do tempo de espera, questão de aguardar que a crônica entrasse na cesta.

Uma senhora jovem e a filha garota, criança não é paciente com fila.

_Mãe, eu posso comprar aquelas canetas coloridas no corredor onde fica o material escolar?

A mãe disse que sim e acrescentou:

_Filha, compre aquela caneta de apertar, com acabamento prateado, que está num estojo composto por duas canetas para mim.

Adorável criança que ficou surpresa com a resposta da mãe. Ambas tinham passado pelo corredor onde estava o material escolar. A mãe disse para a filha que noutro dia comprariam as canetas coloridas. Agora, na fila, além de deixar que a filha fosse comprar aquelas canetas de enfeitar cadernos, ainda pede para que a garota pegue canetas para ela mesma.

Sem entender a situação a garota perguntou à mãe:

_Para que você quer aquelas canetas de apertar? Eu quero as canetas coloridas para enfeitar.

A mãe se postou adequadamente, como uma senhora que sabe as respostas que a filha necessita, e disse:

_Filha, eu quero escrever a nossa nova história de vida. Eu me separei, vivemos as duas sozinhas, mas eu posso escrever uma nova história de vida. Eu e você numa nova história.

A garota pediu para enfeitar com desenhos essa história que a mãe pensava em escrever.

A mãe disse que ela enfeitaria as páginas, mas quem escreveria a história seria ela, pois a menina ainda não estava preparada para escrever longas histórias na opinião da mãe.

A filha, ensimesmada com a ideia, perguntou para a mãe:

Mãe, você tem certeza que essa história sairá boa, mesmo com nós duas escrevendo no mesmo caderno? Na escola a professora não deixa que um colega escreva no caderno de outro colega, ela permite que a gente empreste a folha, geralmente a folha do meio, que é tirada inteira para não estragar o caderno.

A mãe, sorridente e altiva, respondeu:

_Mas a nossa casa não é a escola e somos mãe e filha. Eu escrevo com as canetas e você enfeita o espaço em branco com as suas canetas coloridas, será uma linda história essa que eu pretendo escrever.

A garota pensa e olha para a fila, olha para a mãe, olha para o estojo simples de lápis de cor que está na cesta delas e, finalmente, conclui:

Mãe, eu prefiro ficar na fila com você. O supermercado está cheio de gente e eu posso comprar as minhas canetas coloridas noutro dia. Você se importa se eu deixar para comprar as suas canetas nesse outro dia em que virmos ao mercado?

A mãe disse que não se importava, mas que a nova história seria escrita a partir da compra das canetas novas e que ela voltaria ao mercado no dia seguinte, ou seja, hoje, para comprar as canetas que tinha gostado.

Que delícia de fila e de história.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Achei a menina muito perspicaz... Afinal, ela quer originalidade em sua história de vida...
Ah! As mães...
Abraço.

Cadinho RoCo disse...

Interessante demais pegar tema em fila de supermercado. Certa vez Carlos Drummond de Andrade escreveu que gostaria de ser caixa de um supermercado porque por lá surgem temas maravilhosos.
Cadinho RoCo