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quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Encanto do Bobo.

     Era uma vez no tempo dos contos de fadas e reis e castelos a história de dois reis rivais que construíram os seus castelos um ao lado do outro separados apenas por um riacho pequeno chamado de Riacho das Curvas.
     Ao lado direito do riacho ficava o castelo do Rei Ricardo também chamado de “O Conquistador de Terras” e ao lado esquerdo era o castelo do Rei Artur conhecido como “O Inteligente”.
     O Rei Ricardo era um homem ambicioso, amava suas riquezas conquistadas com todas as artimanhas existentes e dominava os seus súditos conhecendo e explorando as suas fraquezas. Ninguém era melhor do que ele na arte de enriquecer todos os dias usando essas armas.
     O Rei Artur gostava e possuía um humor fino e conduzia os seus súditos por caminhos que ele, com a cultura que tinha, achava conveniente para o seu reino. O domínio e a manipulação dos seus súditos era um prazer que geralmente abria caminho para aumentar os seus negócios e riquezas.
     Voltemos ao castelo do Rei Ricardo porque algo acontece lá.
     - Chamem o Ministro dos assuntos da Guerra e Expansão do Reino, brada o rei pelos corredores do segundo andar do castelo, onde fica a sua sala preferida.
     Uma criada vendo que o Rei estava exaltado, o acalma:
           _Vossa Majestade: pela glória do Reino sente-se e acalme-se que eu procurarei o ministro e avisarei aos guardas que o acompanham que o tragam até vós.
           _Está bem, disse o rei.
     E assim aconteceu. O Duque de Leão, seu ministro foi às pressas verificar qual era a vontade do rei.
           _Sr. Ministro da Guerra e Expansão do Reino, quero tomar o Reino do Rei Artur “O Inteligente” para o meu deleite. Construa um salão de festas ao lado do riacho e faça uma festa de homenagem ao Dionísio, Marquês das Águas e Festas. Esta será a desculpa para atrairmos o bobo Augustus do Reino dos Inteligentes até nós e desta maneira conheceremos os seus vícios. Uma vez feito isto, usaremos ele como nosso escravo informante das atividades do Rei Artur. Assim trapacearemos os seus negócios com antecedência e ele mesmo há de querer vender o seu castelo. Farei uma guerra sem sangue, na qual eu já começo vencedor.
           _Vossa Majestade é magnífica. Providenciarei tudo conforme ordenas, ó amado Rei. O ministro logo se retirou e começou as suas obras perto do riacho.
     Logo que a construção apareceu aos olhos do vizinho Rei Artur, ele tomou uma atitude imediatamente: mandou os seus espiões averiguarem o que se passava na fronteira do seu castelo. Os espiões voltaram dizendo que só conseguiram ouvir murmúrios e que estes murmúrios eram a respeito do bobo Augustus, nada mais eles haviam descoberto.
     O Rei Artur dispensou os espiões e estudou muito essas informações. Passada uma semana de muita meditação, ele chamou o bobo Augustus para uma reunião:
           _Bons ventos me tragam Majestade, quanta honra de estar em sua presença, disse o bobo fazendo reverências e saltos ornamentais para agradá-lo.
           _Augustus, disse o rei em tom solene, quero que Vossa Senhoria ministre um curso para formar Bobos da Corte”.
           _Quanta alegria Majestade. Reunirei os tipos mais engraçados do reino, eu os ensinarei a difícil arte do bobo e depois farei um concurso de bobos para a sua diversão.
           _Não, Augustus. Os seus discípulos serão selecionados por mim. Para ser sincero, eu já sei as pessoas que eu quero no seu curso, que será realizado aqui no castelo e com as minhas mordomias aos participantes.
     O bobo ao ouvir isto ficou desconfiado, fez uma reverência e perguntou sorrido:
           _Quem serão os meus discípulos amados, Majestade?
     O rei respondeu:
           _Na sua sala de aulas haverá entre os escolhidos uma moça triste, um pastor de ovelhas, um rapaz e uma moça pertencente aos mais humildes do reino, uma moça que seja amante fiel de um dos cavaleiros do reino vizinho, dois jovens: sendo um muito inocente e o outro arrogante demais para a mocidade, um súdito abandonado pela esposa, um mercador chinês e um militar.
     Ao ouvir a lista o bobo fez uma reverência e observou delicadamente:
           _Majestade, que idéia maravilhosa, já me apaixonei por todas essas doces criaturas com quem eu conviverei. Apenas tenho uma curiosidade. Diga-me Majestade, quem será o militar do reino a quem eu terei a glória em tê-lo como discípulo, concluiu visivelmente suado?
     E o rei respondeu:
           _Do reino? Nenhum. Rindo um pouco, assegurou que esse militar seria um espião do rei Ricardo, que certamente o enviaria para conhecer os caminhos e os detalhes das salas do castelo. Recomendou ao bobo que o tratasse normalmente, ou seja, sem diferença alguma em relação aos outros da classe.
           _Que originalidade, Majestade. O rei determina e eu aceito com a certeza de o servir melhor.
     E o rei Artur dispensou o bobo para que ele elaborasse as suas aulas.
     Enquanto isso, no reino do Rei Ricardo, os preparativos da festa andavam ao galope dos mais velozes cavalos. Ansioso, ele perguntava aos súditos que encontrava em seus caminhos:
           _Quando chegam as mulheres bonitas, os rapazes lascivos, os vinhos caros e os vinhos baratos para serem servidos?
           _Paciência, Vossa Majestade, responderam os criados. Os tonéis de vinho já chegaram, os tecidos para separar os ambientes dos quartos também. As mulheres e os homens estão a caminho e logo chegarão. Será uma festa especial, conforme os seus desejos. Até mesmo alguns nobres de terras longínquas virão para vos ver. 
     No entanto, no reino do Rei Artur, os alunos já haviam chegado para as aulas do bobo Augustus. Começam as aulas:
           _Muitas são as qualidades de um bobo, dizia o bobo Augustus em suas aulas. Um autêntico bobo não pode ser levado à sério jamais. Ele tem como obrigação agradar e fazer rir por onde passar.
     Ouvindo isso, a moça triste baixou os olhos. O bobo viu e perguntou:
           _O que te falta, linda moça triste? Um namorado, ou talvez o quê?
           _Não é nada disso, bobo. O que me falta é a alegria das crianças correndo e brincando nos bosques.
     O bobo então tirou da manga bufante da sua camisa uma miniatura de balança infantil e deu-a a moça.
     Ela surpresa, ergueu o olhar, e num passe de mágica a tristeza se desfez.
     O jovem senhor militar aproveitou a oportunidade e disse:
           _Augustus, se quiser uma moça bonita para namorar, eu tenho uma boa novidade para você. O Rei Ricardo mandou um convite para a pessoa mais agradável que eu aqui conhecesse. O convite é seu e o meu Rei ficará muito feliz com a sua presença.
     Então o bobo disse:
           _Diga a Vossa Majestade que eu irei com prazer, mas irei com todos os meus queridos aprendizes juntos, porque um bobo sempre é gentil com todos.
     O jovem militar deu um sorriso satisfeito e calou-se.
           _Continuemos, disse o bobo. Um bobo real ensaia as suas apresentações exaustivamente, mas mais tarde. Agora é hora de comermos. Vamos ao refeitório.
     Ouvindo isso, com extrema simplicidade, os jovens humildes disseram:
           _Nós trouxemos pão para comer. Não queremos incomodar ninguém aqui no reino.
     Augustus respondeu:
           _Oras, um bobo é generoso por excelência. Vamos repartir o pão que vocês trouxeram e será mais um alimento para ser servido a todos os participantes como acompanhamento das iguarias do reino.
     Assim, a fisionomia dura e sofrida dos jovens desanuviou e eles desataram a rir com o fato de que eles comeriam a comida do reino.
     No refeitório, o pastor de ovelhas observou atentamente a conversa do jovem muito inocente com o jovem arrogante demais para a idade que tinha. Com ares de quem cuida de tudo e de todos foi ter com o bobo e contou a sua preocupação que era ver a ingenuidade junta com a malícia disfarçada pela altivez.
     O bobo o entendeu e sugeriu:
           _Pastor, quando terminarmos as aulas leve estes jovens para lhe auxiliarem com o rebanho. Muito eles podem aprender.
     O pastor sentiu paz e contou os casos mais divertidos das pastagens.
     O súdito abandonado pela mulher se lamentava, em outro canto da mesa, em confessas desilusões ao experiente mercador chinês. O mercador estava cansando de ouvir lamentações enquanto os outros se divertiam e sugeriu que ele olhasse para a moça que brincava com a sua balança de madeira.
     O moço abandonado, sentindo-se incompreendido, num ímpeto ergueu-se para sair da mesa e sem reparar esbarrou no pé da cadeira ao lado e tropeçou e caiu sentado no colo da moça. O susto o fez esquecer a dor do abandono e ele tratou de se desculpar com a moça.
     Terminadas as refeições, que eram fartas e deliciosas, todos retornavam aos seus lugares na sala de aula porque eram muitos os ensinamentos a serem adquiridos.
           _Um bobo serve a sua Majestade com submissão, as reverências jamais são esquecidas ou negligenciadas. Há ocasiões em que as costas e os joelhos doem muito e não se podem dobrar. Nestes casos as reverências são feitas com os pés inclinados para a frente e um movimento de braços característicos do reino.
     O curso fluiu normalmente.
     Eis que chega o dia da festa do rei Ricardo. O bobo veste a sua roupa de gala dourada. Todos os alunos se arrumam conforme o reino deseja e oferta as vestimentas como lembrança do Rei Artur. Um Conselheiro do Rei pede ao jovem militar que acompanhe a sua sobrinha, que é a amante de um cavaleiro do reino vizinho para a festa (na verdade, ela é uma das espiãs do reino, tão secreta que ninguém percebeu a sua freqüência no ambiente porque faltou muitas das palestras).
           _Senhor Conselheiro do Reino, saiba que a levarei com orgulho ao Reino do Rei Ricardo, apesar do fato dela ser amante de um dos nossos cavalheiros, como é sabido por todos. Falou em tom cortante, quase zombeteiro.
     Chegando à festa o bobo logo é cercado de lisonja.
           _Senhor Augustus, por favor sirva-se de vinho, diziam as mulheres especialmente convidadas para a festa.
     Quando o bobo ia se servir o mercador chinês interveio:
           _Sinto dizer que o vinho não é bom, Augustus. Eu vendi o vinho e conheço a qualidade. Se você o tomar, amanhã estará em péssimas condições para servir ao rei.
     E o bobo deixou o vinho de lado.
     E as mulheres e os homens da festa para Dionísio ofereceram alegrias mundanas para o bobo. Neste momento chegou perto do bobo o pastor de ovelhas e disse:
           _Senhor Augustus , o senhor poderia ceder a companhia destas belas senhoras a um pastor que vê ovelhas meses a fio?
     E Augustus respondeu:
           _Um bobo sabe ceder e emprestar as suas benesses na hora certa. Divirta-se. Disse isso e foi conversar com os alunos.
     Terminada a festa todos agradeceram ao Rei Ricardo e foram embora.
     Na despedida, pois a festa era o último encontro da turma com o professor, o mercador chinês perguntou:
           _Um bobo tem amigos?
           _Sinceros como um mercador e um pastor, poucos. E recitou a sua despedida: um bobo se enternece e não demonstra. Fiz algumas lembranças para vocês que são flores encantadas feitas com o tecido com o qual eu encanto a minha roupa. Em cada lugar onde por ventura estiverem, sejam um pouco bobos de rei porque um bobo pode ser feliz.

  

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