Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Crianças, mães e balas / Crônica de Supermercado

Crianças, mães e balas / Crônica de Supermercado



     Aos sábados os supermercados lotam e os lojistas deixam os drops (ainda se chamam “drops” aqueles tubinhos com balas quadradinhas dentro? Às vezes eu tenho medo de não saber mais como é que as crianças e as suas mamães nominam os doces e os demais entendem. No meu tempo chamava-se drops) na altura das crianças: é só pegar e, a fila do caixa é um show para quem tem pequerruchos consigo.
     Pelo que percebi esta semana, as mamães chamam de balinhas e as conhecem pela marca, como se fossem refrigerantes conhecidos mais pelas marcas do que pelos conteúdos.
     As mães, na hora de atender aos filhos, se viram conforme podem.
     Outro dia, eu estava com o carrinho, respeitando a regra de caixas rápidas e caixas para carrinhos. Ao meu lado havia um casal com dois carrinhos com compras e o filho pequeno com eles. O menino, comportado, sem se irritar com a fila, o que chamou atenção.
     O tempo passava e o garoto olhava as balinhas, olhava e olhava. A mãe e o pai, admirados com o comportamento do garoto, se entreolharam, orgulhosos do bom comportamento do garoto.
     Em harmonia, começaram a conversar.
     Fila de carrinho é demorada e, de repente, num ímpeto, o guri, que não tinha mais do que três anos, após olhar demoradamente para todas as balinhas, rapidamente, mas muito rapidamente, pegou um drops e estava começando a abri o tubo de balas, quando a mãe viu e tirou o tubo das mãos dele.
     Interessante é observar essa nova geração de mães. Ao invés de dizer não pegue ou avisar o garoto que não iria comprar, ela olhou para ele e disse:
     _Você não gosta dessas balas! Vamos escolher outras.
     O guri ficou olhando para a mãe como se ela pensasse que ele era bobo. Ela, no entanto, escolheu outra marca de balinhas e, ela mesma abriu, avisando a moça da caixa que estava comprando aquelas balas, e, ofereceu essa bala de outra marca para o guri.
     O garoto, com aquela expressão de que não havia outra escolha, olhou para o drops que ele havia escolhido, olhou para a mãe e aceitou a bala no mesmo momento em que foi ofertada.
     O pai sorriu para a mãe e a apoiou ao dar a balinha para o filho. Era uma marca de balinhas que o casal costumava ter em casa e que sabiam que o garoto iria gostar. A outra bala fica para quando o garoto puder escolher a bala que quer.
     Hoje, com relação ao assunto balinhas ou drops (dependendo da idade), presenciei outro fato interessante. Era uma fila de mais ou menos quarenta pessoas, daquelas filas enrodilhadas de caixas rápidos.
     Era um casal e um guri, novamente. Eles estavam na fila paralela à minha frente.
     As balinhas estavam ao alcance da mão do guri e a mãe não deixou que ele pegasse.
     E o guri, com um comportamento bastante natural, pediu:
     _ Compra mãe?
     Ela, muito séria, respondeu:
     _ Eu não vou comprar balinhas para você. Você não viu que o seu avô está com diabetes? Se você comer essas balas, quando você crescer, terá diabetes. Não compro.
     O menino ficou quieto na hora, não pediu mais nada, mas o pai dele olhou para a mulher e disse:
     _Diabetes? Quando crescer ele vai ficar doente? Você quer que eu aceite essa resposta.
     Não sei de mais nada no que tange aos dois, ou melhor, aos três, porque as balinhas viraram assunto de família e, aí não é da minha conta.
     A fila anda e, chegou até onde estavam as balinhas, então teremos continuação abaixo.
     Um jovem de mais ou menos vinte anos, que estava à minha frente, e que também presenciara na fila anterior aquela conversa, olhou para o drops e o pôs na cesta de compras, resmungando que não era mais criança e que levaria as balinhas sem culpa alguma, pois não tinha diabetes.
     Quanto a mim, lembro que corroem os dentes e que já cheguei a quebrar um dente em consequência de umas balinhas azedinhas de morango. As balas que eu compro não são açucaradas e nem puxa-puxa (essas levantam a obturação inteira). Guardo para mim as minhas balinhas preferidas.
     Seja lá como for, com ou sem açúcar, ainda gosto de balas.

  

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