Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A Leitura Bíblica

A Leitura Bíblica

     Eu pensei que sabia ler a Bíblia, mas Deus é acima de todas as coisas e ensina-me com todo o amor de Cristo como é que a leitura funciona.
     A essa altura todos os meus conhecidos sabem que estou lendo a Bíblia.
     Há um jovem senhor que é convidado de uma igreja cristã para pregar a palavra sagrada na favela e a sua esposa o assiste nos seus estudos antes da pregação.
     Ela o admira e contando dele, ensinou a mim.
     Para ler a Bíblia é bom saber o que é uma favela. È um lugar onde criança morre por bala perdida e a criminalidade é vizinha de barraco. É possível fazer com que os filhos sejam bem educados, mas a disciplina é mais severa daquela usada com crianças que não precisam temer a criminalidade todos os dias.
     Próximo à favela há uma igreja, a qual a comunidade frequenta. Até mesmo na favela, as pessoas gostam de ir até a igreja para ouvir as histórias de Deus.
     Os moradores, em sua maioria, são semianalfabetos, ou entendem o suficiente para conseguirem arranjar o meio de sobrevivência. Não é tarefa fácil contar a história dos livros da Bíblia para quem não entende por falta de estudo.
     Disse a ela, intervindo na conversa, que é difícil contar as histórias da Bíblia para quem sabe muito também, o estudo em excesso pode levar a descrença também.
     Ela me contou o jeito com que ele mostra a Bíblia para o povo da favela, sugerindo-me que fizesse algo parecido durante o estudo, porque é um jeito que funciona.
     O jovem senhor parente dela, lê um trecho do Velho Testamento, citando o trecho que estou lendo no momento, e põe no mapa. Ele acessa o Google e pesquisa pelos lugares citados nos textos. O Google fornece dois ou três sites com informações históricas sobre esses lugares, os seus povos, os seus conhecimentos e as dificuldades pelas quais passavam pela falta da tecnologia da época.
     A partir de todos os dados coletados, ele se prepara para pregar. Ele jamais se diz professor de nada, ele diz que prega a palavra conforme pesquisa e estuda a palavra de Deus, reforçando no contexto o que é certo e dizendo que, o povo daquela época sabia menos e tinha menos recursos que muitos deles, os favelados.
     “Naquele tempo não existia banheiro, torneira com água limpa para lavar louça, porto de saúde, loja de roupas, teto sobre as cabeças, proteção contra animais selvagens, dinheiro (o escambo era à base de troca), limites geográficos corretos e delimitados, enfim a miséria era maior que dentro a favela.”
     “A violência era a linguagem corriqueira da vida deles”. A sociedade era composta de boas e más pessoas, como hoje em dia e, como se percebe numa favela, os bons e os maus habitavam o mesmo espaço e os limites era à força imposta por parte de alguns do grupo.
     Sem situar as pessoas, as coisas e os lugares torna-se difícil contar da palavra de Deus.
     Através da palavra de Deus, ele ensina que a doença só passa a ser uma praga quando propagada propositalmente e ensina as mães do lugar a manterem as crianças com sarampo, catapora e caxumba, longe das outras crianças até que não mais transmitam as doenças. As favelas sofrem com as dificuldades de higiene, mas eles não têm condições de morar em lugar melhor, embora tenham acesso ao celular, ao computados e à televisão.
     Ele deixa claro que hoje em dia os moradores contam com o auxílio da polícia em caso de bala perdida e atropelamento, mas é melhor que não ocorram balas perdidas e atropelamentos dentro da comunidade.
     Ela diz que sem situar as pessoas, os lugares e a época onde tudo aconteceu ninguém entenderá nada e parecerá que foram até a igreja para serem conformados pelo ambiente com o qual se confrontam todos os dias.
     Conversou-se sobre o uso indevido da palavra.
     “Isso é o que mais tem.” A gente tem que explicar que o “temor a Deus”, é o medo de que a violência se volte contra nós, o que acontece muito dentro da favela. É necessário dizer: você prá lá e eu pra cá. Porque quando a gente aceita como normal a violência, a gente acaba por trazer a violência para perto da gente e isso a gente não quer.
     O amor de Jesus Cristo é que ajuda a gente a levar a vida de bem com ela. Não falta durante a pregação a explicação de que o pai e a mãe, os filhos, as sogras, devem receber o amor da gente, até mesmo por obrigação. A gente pede que ninguém deixe a criança doente com algum conhecido somente para ir até a igreja. Deus está vendo que quem fica em casa para praticar um gesto de amor com a família, está obedecendo a Jesus. O povo não sabe disso e pensa que a igreja substitui o cuidado que a gente tem que ter dentro de casa com a nossa família.
     Ele tem que dizer tudo o que sabe para ajudar o povo da favela, ou seja, os nossos vizinhos, pois nós moramos na favela, para que os nossos filhos possam ter uma condição de vida melhor que a da gente. A palavra de Deus é a nossa oportunidade de espalhar palavras que trazem a melhoria para a nossa gente.
     E, fora a igreja, o que ele faz; pergunto.
     _Ele é servente de pedreiro, mas ele se sente bem ao pregar porque Jesus era filho de carpinteiro, alguém do ramo e ele até conhece o filho de um deles, que foi até a obra outro dia, numa festa da cumeeira.
     Deus abençoe vocês!


Um comentário:

Célia Rangel disse...

Histórias de vidas se aproximam do ontem e do hoje bíblico. Basta termos sensibilidade, bom senso, pois, só assim na coerência com o meio em que vivemos, ou estamos, física ou mentalmente, é que poderemos interagir. Somos irmãos, não é mesmo?
Instigante sua produção de hoje, Yayá! Afinal,leitura bíblica é muito árida. Você nos deixou sugestivas pistas. Obrigada!
Abraço.