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sábado, 20 de dezembro de 2014

Resposta Inusitada / Miniconto de Natal

Resposta Inusitada / Miniconto de Natal

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Estavam entre amigas, todas muito distintas e surgiu a brincadeira, nem sempre boa, do jogo da verdade.

Com a garrafa de vinho vazia ao meio do centro da mesa, uma delas gira a garrafa: quem gira a garrafa faz a pergunta. Aonde a garrafa parar o giro e apontar, está aquela que deve responder.

Mafalda girou a garrafa e Ana Neusa da Conceição foi a sorteada.

Era festa de confraternização e não cabiam perguntas indiscretas ou constrangedoras.

Mafalda pensou numa pergunta discreta, mas reveladora, algo com estilo de quem sabe questionar:

_Ana Neusa da Conceição: se você tivesse que ir para uma ilha deserta o que você levaria?

Ana Neusa da Conceição quis saber detalhes:

_É para dizer o que eu levaria, ou apenas algo que eu levaria?

Mafalda disse que ela poderia responder como quisesse porque estavam numa festa de confraternização e tudo era para distrair, até mesmo a brincadeira.

Ana Neusa da Conceição perguntou a todas se, realmente, gostariam que ela respondesse.

As amigas disseram que sim.

_Está bem. Um avião com quarenta e oito lugares, uma embarcação para sessenta e cinco pessoas, uma cabeleireira, uma manicura e pedicura, uma esteticista, uma caixa de bombons belgas zero açúcar, os meus dois cachorros, as minhas malas de grife com cadeados de ouro, o meu estojo de maquiagem, um maiô inteiro, um maiô duas peças, um biquíni extravagante, algumas saídas de praia, alguns galões da minha água mineral preferida e...

Mafalda a interrompeu perguntando sobre a alimentação:

_Não se esqueça das necessidades de alimentos saudáveis que precisamos para nos mantermos com boa aparência.

Ana Neusa da Conceição não titubeou:

_O cozinheiro está dentro da embarcação e os lanches rápidos dentro do avião. Não me esqueci. Não detalharei os alimentos para não me tornar cansativa.

Outra amiga, divertindo-se com a resposta, perguntou o endereço dessa ilha deserta, porque ela iria junto com a amiga.

Ana Neusa da Conceição disse que era uma pequena ilha que estava à venda por poucos milhões de dólares e, como os negócios iam bem, ela pensava em comprar.

Mafalda divertia-se, mas estava quieta ouvindo a resposta.

A amiga que gostaria de ir junto com Ana Neusa da Conceição para a ilha deserta, perguntou à Mafalda se, por acaso, depois de ouvir a lista de artigos citados, ela não gostaria de compartilhar a viagem junto com elas.

Mafalda, toda elegante, ergueu o olhar, sorriu com classe e respondeu:

_Tudo isso é demais para os meus joanetes. Eu conseguirei pensar na ilha deserta depois que os joanetes passarem por uma plástica.

Ana Neusa da Conceição teve pena de Mafalda, mas ela não era do tipo que gostava de piedade:

_Eu não posso levar os meus calçados. Como é que ficarei bem trajada numa ilha deserta sem as minhas sandálias?

A amiga que interferia na brincadeira perguntou quem é que estaria na ilha deserta para observar os calçados de Mafalda.

_Isso é uma desconsideração da sua parte. Eu estarei lá e ela será também a minha convidada. Ela não pode ir e tem toda a razão.

Depois de dizer assim para a amiga, virou-se para a Mafalda com generosidade.

_Mafalda querida, eu espero que a plástica fique boa e enquanto você não puder levar as suas sandálias para a ilha deserta, eu também não irei.

Enquanto todas as demais se continham para não abrir a boca, a amiga que interferia na brincadeira, resmungou:

_Ana Neusa da Conceição, eu estava contando com a viagem para a ilha deserta e você decide esperar pela Mafalda? E agora, como é que eu fico?

Mafalda elogiou a atitude de Ana Neusa da Conceição como prova de verdadeira amizade.

Com imaginação a tarde passou agradavelmente. Quem foi à festa e apenas ouvia, amou a condição de não ter que responder nada. O lanche estava caprichado.

Mas anoitecia e era hora das amigas se despedirem e desejarem umas às outras um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Com imaginação as festas de final de ano ficam melhores a cada ano que passa.

Um comentário:

XicoAlmeida disse...

Vamos la e invertamos a historia.
Terapia.
Afinal cantam os anjos...Natal!
Parece que o amor se resume a dia e meio, entao aproveitem...