Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Para Variar, o Danúbio / Crônica de Supermercado

Para Variar, O Danúbio / Crônica de Supermercado.

Eu sei desde que li o livro, que está guardado e preciso reencontrar para citar a fonte, mas a valsa Danúbio Azul, de Strauss chegou a fazer parte dos protocolos de cerimoniais de algumas embaixadas. A valsa contagia e, não raro, as gafes acontecem.

Hoje, enquanto eu saía do supermercado, o sonoplasta que coloca as músicas entre as chamadas para os produtos em oferta, colocou a valsa Danúbio Azul.

Posso não saber tocar a valsa, mas conheço o seu efeito sobre as pessoas.

Disse a mim mesma:

_Saio quando a valsa acabar.

Sentei-me para ouvir, sabendo que iria me empolgar. Teria assim a história de hoje, consegui, senti também. Vamos aos observados:

A senhora de meia idade saiu, quando o marido a chamou:

_Querida, estacionei aqui.

Fato absolutamente normal, o divertido foi ver o marido jogando beijocas para ela e ela retribuindo as beijocas pelo ar. Beijaram-se discretamente antes de colocarem as compras no carro. Um belo casal de cabelos grisalhos.

Surgiu um senhor de idade, com a sacola nas mãos e os olhos marejados. Ele não precisou dizer que a saudade apertava o peito, era uma saudade bonita.

Eu continuava sentada esperando a valsa acabar. Quem sabe, alguma oferta a interrompesse, pensei. Mas, que nada, provavelmente a emoção tomou conta do sonoplasta.

Veio então a conversa ríspida, somente compreendida por quem conhece a valsa:

_Ana, eu sou seu primo e você me deve satisfações enquanto o seu pai viaja. Eu dei a minha palavra ao tio que cuidava de você na ausência dele. Responda-me, por favor. O seu chefe não tentou te paquerar? Você tem ido à faculdade como faz quando o tio está aqui? Você tem comido na hora certa?

A garota respondeu as perguntas do primo e disse que estava com saudades do pai, mas ele viajava para sustentá-la.

Quando a valsa parou, senti-me aliviada. Poderia ir embora sossegada. Interessante foi que depois da valsa o sonoplasta parou a música e ficou aquele silêncio, as pessoas agora falavam em tom normal, sem exaltação.

E das minhas emoções, não digo nada? Digo. O livro de valsas está comigo, tenho a partitura do Danúbio, não penso em tocá-la. Em compensação, escolhi algumas músicas e saí para encaderná-las. No caminho encontrei com uma família angolana que esperava a chuva passar ao meu lado embaixo de uma marquise, eles estavam a passeio no Brasil. Sem a valsa eu não teria saído para encadernar partituras em meio à chuva de verão, teria esperado a chuva passar. Estava na chuva, estava bem por me encontrar nessa atividade, digo que foi a valsa, mas não cometi gafes. Desejei um boa estadia no país. Sabendo que o dia era propício ao sentir, senti a chuva, linda chuva da minha imaginação.

4 comentários:

Célia Rangel disse...

Da sua valsa... das suas partituras... e da encadernação das mesmas... fui para "Raindrops keep falling on my head"... Afinal... havia a chuva!
Bj. Célia.

Evanir disse...

A esperança vive em mim,
amanhece comigo,
percorre o dia todo
e, quando anoitece, ela está ainda mais fortalecida
Desejo a você
que também tenha sempre a esperança,
que ela permaneça sempre em seus pensamentos.
Que as estrelas iluminem e guiem seus passos.
Que Deus abençoe seu final de semana.
Beijos no coração carinhos na Alma.
Evanir.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Hoje, lendo este texto como uma viagem pelo Danúbio, vivi mais intensamente a música e o aconchego dos casais.
É sempre uma forma diferente de ouvir e de ver o mundo à nossa volta.

Desejo um bom final de semana.

Ingrid disse...

é...
só dançar na chuva..
beijos querida e um lindo final de semana.