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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Transparência Auditiva nos Negócios / Crônica de Supermercado

Transparência Auditiva nos Negócios / Crônica de Supermercado

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Eu chegava ao supermercado quando saiu o homem de paletó, colete e gravata e calça impecável compondo o seu visual. O colete num dia agradável, como o de hoje, me chamou a atenção. Provavelmente é um executivo, pensei.

Dei mais alguns passos quando ouvi a conversa, parecia que havia um alto-falante dentro do veículo. O executivo se preparava para manobrar e sair da vaga do estacionamento e falava alto:

_Podem começar que eu estou ligado.

Disfarçadamente diminui o passo depois do grito do homem de dentro do carro dele.

O som do rádio ligado ao celular era inconfundível:

_Podemos começar a reunião? Todos estão presentes ou ouvindo?

O cidadão que, a partir de agora, chamarei de executivo, gritou que sim.

_ Para construirmos, precisaremos de “X” sacos de areia, “X” sacos de cimento, “X” de concreto, “X” milheiros de tijolos. A obra será feita em três etapas; a primeira etapa ficará com o Fulano, a segunda com o Sicrano e a terceira com o Ariovaldo. Ouviu Ariovaldo?

O executivo gritou que sim.

O homem do outro lado do alto-falante continuou a reunião:

_Os custos serão de trezentos e cinquenta mil com vencimento em julho e o nosso metro quadrado será o mais barato da construção. Ariovaldo, você pode conferir os valores e as tomadas de preço hoje à noite?

O executivo gritou que sim, disse também que não iria falar muito porque tinha que sair do supermercado.

De dentro do carro se ouvia o coordenador da construção:

_Ariovaldo, aguarde um momento.

O executivo alongou o tempo para romper o carro e gritou:

_Pode dizer que eu aguardo na linha.

Do carro falante, se ouviu:

_Ariovaldo, siga pelo trajeto combinado e passe em frente aos nossos concorrentes. Eu continuarei a dizer os valores da obra com o material e a mão de obra. O nosso grupo é honesto. Não praticamos superfaturamento. O público pode confiar em nossa empresa, a Holding S.A. Precisamos que os nossos concorrentes e os patrocinadores dessa concorrência saibam dos nossos méritos como construtores.

O executivo gritou que a ideia de ser transparente nos negócios era excelente e que iria prosseguir o seu caminho com a reunião aberta ao público-povo.

_Passarei nos bairros nobres para mostrar que alguns empresários são os melhores. Esse é o nosso caso. Pode prosseguir a reunião que não mais conversarei, estou dirigindo e não infrinjo as leis de trânsito.

A essa altura, eu me segurava para não rir. Entrei no supermercado e fui pegar o pão. Apenas observo que o executivo Ariovaldo corre o risco de conseguir problemas auditivos; logo ele que coloca os ouvidos a serviço dos empreendedores mais transparentes que eu já vi. Ou, melhor, ouvi.

2 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Um inusitado lugar, para reunião de negócios e poluição sonora. Ri muito, também, é hilário...mas, eu creio, pode acreditar!

Um beijo, Yayá

Mariseven Zanon disse...

Yayá, você é ótima!!! O teu discurso é tranquilo, quando vejo a leitura já acabou. Adorei!
Um abraço!