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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Parada da Degustação / Crônica de Supermercado

Parada da Degustação / Crônica de Supermercado

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Boa degustação: pão com creme de ricota e café.

Formou-se uma pequena fila em torno das moças.

Com as mãos ocupadas, deixamos as compras junto a nós, mas sem a segurarmos, ninguém consegue degustar e segurar as compras nas mãos ao mesmo tempo. Rimos.

Uma senhora disse para que não nos preocupássemos porque as compras ficariam exatamente ali, à nossa espera.

Eu disse a ela que ela estava certa, aquela pausa nos faria bem, além do bate-papo descontraído que nos fazia bem.

Ela me olhou nos olhos com o olhar emocionado e contou a sua história

_Eu fiquei viúva cedo. Eram três filhos para encaminhar. Tudo correu bem e eles fizeram as suas vidas, se casaram e me deram netos. Eu continuei a cuidar de tudo para eles. Eu me importei com o horário da escola de cada uma das crianças, ajudei na escolha da babá, fiquei com as crianças para que os casais saíssem para namorar, eu era tão atenciosa com todos e achava que era a minha obrigação de mãe, não me importando quando eles diziam que eu exagerava nos meus cuidados.

Os olhos dela estavam úmidos, mas ela se controlou e continuou contando.

_Um dia, sem mais nem menos, tive um treco. Os meus filhos me levaram ao hospital. Fiquei internada em observação. Como os exames deram bons, o médico diagnosticou estresse. Dali em diante foram dois anos para aprender a não fazer tudo por eles. Eu não podia controlar a vida deles como se eles ainda fossem crianças; aprendi a ser a avó dos meus netos quando eu estava querendo ser a mãe deles.

Ela olhou para o carrinho de compras e ele estava superlotado. Instintivamente, olhei para o carrinho de compras dela e, sorri.

Ela sorriu ainda emocionada.

_Está bem, o meu carrinho é para oito pessoas. Eu me desapeguei bastante, você não imagina como é que eu era antes. Todas as manhãs eu passava na casa dos três e perguntava em que eu poderia ajudar. Assim começava o meu dia e, como todos gostam de carinho de mãe, eu ajudava a todos, a nora e os genros incluídos nessa lista.

Eu perguntei:

_E agora, como é que é?

Ela me disse que agora ela se contentava em receber os netos e deixar que as famílias que os filhos criaram fossem do jeito que eles quisessem. No entanto, se ela visse que algo não iria dar certo, ela não hesitava em avisá-los.

_Eu me acostumei com esse novo estilo de vida, embora eu ainda sinta vontade de cuidar de todos. Eu tive que descobrir atividades para me distrair, não foi fácil. Foram dois anos de acompanhamento médico até que eu me libertasse dessa obrigação, que, afinal de contas, eu cumpri e faz tempo.

Lições de vida com creme de ricota, pão e café.

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