Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Isso é Armário / Conto

Isso é Armário!

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A menina chegou à sua casa cheia de novidades.

Aquele foi um dia repleto de atividades.

Pela manhã, antes da escola, durante a natação haviam criticado um parente dela. Disseram que o Ronaldinho não nada, afunda.

Na escola, a secretária chamou-a para fazer um trabalho na biblioteca porque ela não levou a tarefa pronta. Além do trabalho escolar, a menina teve que ouvir a secretária culpar os seus pais porque não ficaram atentos á lição de casa. A menina não gostou nada da crítica porque ela teve uma festa de aniversário no dia anterior e a mãe estava com ela na festa. Voltaram e foram jantar e dormir. Culpa de ninguém, ou melhor, da aniversariante que as convidou para a festa. Culpa de ninguém.

À tarde, depois dos deveres da escola, foi brincar com suas bonecas. Chegou uma amiga e brincaram de casinha. Pegaram refrigerantes na geladeira, alguns biscoitos e tomaram o lanche. Porém, na hora de brincar de servir biscoito com refrigerante, o copo de plástico caiu da mesa e sujou o chão. Elas pegaram um pano e limparam o chão. Mas criança não sabe limpar o chão, então o chão ficou lambuzado de refrigerante.

À noite, o seu pai chegou de viagem.

Feliz por encontrar esposa e filha, beijou a mulher e perguntou à filha como foram os dias enquanto ele estava viajando.

_Sem você, eu e a mamãe não fazemos a lição de casa, passamos o dia em festas de aniversário e deixamos o chão todo bagunçado de refrigerante. Nós fazemos tudo errado e ainda falam mal dos nossos parentes.

O pai abre os olhos enquanto a mulher o chama para o lanche que o aguarda na cozinha com pães, frios, bolos, café e leite.

O homem sorri e pergunta à mulher o que é que tinha acontecido. Ela contou pausadamente tudo o que aconteceu, divertindo-se com o resumo da menina.

Ele, também com saudades da filha, pede à menina que se sente na cadeira ao lado da dele.

Pega o liquidificador e faz uma pergunta à menina:

_Olhe o lanche que a sua mãe preparou. Temos um lanche delicioso à nossa frente. Mas, se eu colocar o pão, os frios, os bolos, o café, o leite e o açúcar no liquidificador e misturar tudo, o lanche ficará bom?

A menina diz que não.

_Agora vamos pensar diferente. Temos os pães na cesta, os frios em pratos de salada, os bolos em travessas, o bule de café com café, a leiteira com o leite fervido e o açucareiro com açúcar. Agora, o lanche é gostoso?

A menina diz que sim.

_Na vida da gente também é assim. A gente não pode misturar tudo que a gente ouve, faz e sente num liquidificador. O resultado não é bom. A gente separa todas as nossas vivências em gavetas diferentes, como se fosse um armário organizado. Você me entende?

A menina disse que entendeu, mas pensou que estava ouvindo uma repreensão e ficou triste.

O pai, percebendo que a menina ficou triste, disse:

_Não é para ficar triste, é para saber. O nome disso se chama lógica e o armazenamento de tudo isso se chama logística.

A menina olhou para o pai e disse:

_Isso é muito complicado.

O pai disse que não. Ele iria demonstrar para a menina o que ele estava dizendo.

Pegou uma xícara.

_Para tomar café com leite você precisa de uma xícara. Isso é lógica. Você aceita que eu sirva o café com leite para você?

A menina disse que sim.

Ele perguntou a medida de café e a medida do leite e do açúcar para a mulher.

A mulher disse as medidas e aconselhou a menina que assoprasse antes de tomar, como habitualmente fazia, porque tudo estava quente.

O homem repetiu as palavras da mulher:

_Assopre e teste para ver se não está muito quente.

Depois perguntou a filha sobre o pão:

_Onde é que está o pão?

_Na cesta de pães.

Ele explicou que isso era logística.

_Escolha o pão que você quer comer.

A menina escolheu o pão que ela achou mais bonito.

Ele falou do gostar:

_Esse é o seu sentir, a vontade sua ao ver as coisas. Guarde sempre com você os seus gostos, as suas aptidões.

A menina olhou para a mãe e disse:

_Mãe, ele fala difícil com você também?

A mulher não conteve uma gargalhada e disse ao marido que simplificasse a linguagem porque ela era pequena.

O homem assentiu e resumiu:

_Quanto você quer de manteiga? O que você quer de recheio? Deixe que eu abra o pão para você.

A menina disse o que queria.

A mãe colocou uma fatia de bolo junto com o sanduíche que o marido oferecia à filha.

_Podemos lanchar?

Começara a lanchar e a menina sugere à mãe para jogar o liquidificador fora.

A mãe disse não.

A menina vira-se para o pai e pergunta se ele concorda em não jogar o liquidificador no lixo.

_Custou caro. Não.

A menina foi se deitar pensando no valor daquele ensinamento. De que valeria saber de lógica e logística quando ambos guardariam o liquidificador no armário da cozinha.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Uma Questão Sociológica / Reflexão

Uma Questão Sociológica / Reflexão

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Faz alguns anos e outros ainda se farão, mas o país passa por uma profunda transformação cultural com o ingresso nas universidades brasileiras de alunos oriundos das cotas.

Ainda ontem presenciei uma cena que me deixou intrigada. Uma senhora bem trajada passou e cumprimentou uma atendente de loja. Deus os parabéns pelo ingresso da sua filha na Universidade federal do Paraná.

A reação da atendente foi séria, quase seca dizendo que ela não esperava e que para ela não faria diferença, pois a filha continuaria sendo filha amada, entrando ou não para a universidade.

O caso me chamou atenção porque não é o primeiro caso de filhos de pessoas humildes que entram na universidade. O outro caso foi diferente, a mãe logo arranjou emprego junto a profissionais da área onde o filho iria atuar.

Esse é um processo de modificação cultural que trará outros conceitos aos meios acadêmicos levando-se em consideração que essa inserção signifique apoio ou desapoio junto à política governamental no que tange aos nomes dos atuais mandatários do poder.

Esses jovens trazem consigo uma formação de hábitos e costumes, os quais não sabem efetivamente a que transformações pelas quais a sociedade passará.

A mudança é perceptível, mas ontem constatei que a maneira de expressar sensações e emoções é bastante distinta daquela a qual a sociedade estava acostumada anos atrás.

Não é fácil para ninguém o ingresso numa universidade. Alguns anos atrás se costumava chamar a família e os amigos para uma reunião festiva com salgados, bolos e refrigerantes e desejava-se sucesso nos estudos.

Presenciei também outra dificuldade quando dois conhecidos entraram para a mesma sala de aula: um vindo das cotas e, o outro, oriundo de família abastada. Não tive como intermediar a situação. Não poderia oferecer nada ao mais humilde que não pudesse ser considerado como influência. Não poderia sequer contar ao mais abastado da situação do mais humilde para não influenciar em nada a vida acadêmica de ambos.

Tem horas que o melhor a ser feito é não fazer. Ambos os garotos estavam muito próximos de mim e não quis influenciar ou interferir nessa relação estudantil. Resumindo, ambos estão encaminhados hoje, formados e com as suas carreiras em desenvolvimento.

Essa relação entre as culturas certamente irá modificar os nossos conceitos e a nossa visão de vida. São culturas diferentes, quanto a isso não há dúvidas.

No entanto, é necessário que os sociólogos e conhecedores das psicologias sociais nos ajudem a conviver com essas modificações, não somente enquanto processo e desenvolvimento, mas na interação que certamente se faz necessária fora dos meios acadêmicos.

Eu também cumprimentei a atendente:

_A sua filha passou no vestibular da Universidade federal? Parabéns! Que orgulho de mãe!

A resposta veio:

_Obrigado. O que você deseja?

O jeito de pensar, agir e de demonstrar alegria é diferente. Temos que ter disposição para receber esses novos costumes que trarão resultados práticos nos consultórios odontológicos, escritórios de advocacia, etc.

Chegou o momento de pensar nisso e pedir aos estudiosos das áreas sociais que nos auxiliem nessa modificação estrutural da cultura nacional.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Acordada

Acordada

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Quando passo roupas,

Durmo à descansada.

Deito e esqueço as toucas,

Deixo a casa ao nada.

 

Sonho com estopas,

Fiapos na escovada;

Vejo as minhas louças

Limpas à passada.

 

Sono de horas moucas

Lembra ao que o dia agrada;

Foge ao sonho em frouxas

Luzes, acordada.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Cidades

Cidades

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Há muito a se fazer,

Próxima amenidade,

Diga à civilidade,

Saiba do bem querer.

 

Ponto de compreender;

Guardo a fidelidade

Junta à sinceridade;

Amo até me perder.

 

Esse abraço é se ter,

Perto a amorosidade,

Doce café e cidade

Que hoje estou a conhecer.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cuidando de Algumas Coisas / Reflexão

Cuidando De Algumas Coisas

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O título é a frase de um software em atualização.

Esse é o mundo ideal onde nada funciona sem que seja tratado com atenção e cuidado antes da sua utilização.

Mas, pensando bem, o ser humano precisa cuidar de algumas coisas. Existem modos de dizer e fazer que nos conquistem e outros que afastam até mesmo os softwares.

Ontem, no café, uma senhora contava para as amigas que antes de chegar ali para encontrar-se com as amigas, havia preparado sanduíches e deixado o suco pronto na geladeira para os filhos. Eles tinham ido à piscina para praticar natação e, ela disse que a natação dá fome.

Eu prestei atenção nela quando ela disse essa frase. A natação dá fome mesmo. Tive alguma experiência com a natação, cuja atividade até hoje não aprendi muito bem, mas dá fome.

Ela estava cuidando de algumas coisas antes de sair. Nenhuma atividade que ela tivesse a impedia de sentir essa vontade maternal de cuidar dos filhos.

Existem modos para se cuidar das coisas e, com afetividade é melhor.

Temos um cardiologista na cidade que certa vez concedeu uma entrevista numa emissora de rádio para aconselhar os ouvintes a prevenirem os males do coração. Como é de conhecimento geral, ele falou dos perigos do colesterol, da vida sedentária e sobre o lado físico da coisa. Terminou a entrevista de uma maneira diferente, pedindo para que os ouvintes cuidassem das coisas do coração. Dizia ela que as pessoas devem tratar bem do seu coração, da parte afetiva da sua vida e fazer o possível para transformar a sua vida numa vida harmoniosa, feita de amor dentro de casa.

Isso faz tempo. Por fim ele ainda fez um chiste dizendo que tratar mal a própria afetividade custa dinheiro. Ele estava bastante endinheirado à custa de quem tratava mal da sua própria afetividade. Esse dinheiro que sobrava, vindo exclusivamente do desamor, ele gastava em tempo dedicado a ouvir as queixas sentimentais de quem passava pelo seu consultório.

Pensando bem, como diz a canção do Caetano e, fazendo um apelo, qual é o sentido de alguém morrer de medo, susto ou vício?

Aquela senhora me fez pensar no quanto ela trata bem a afetividade dela.

O interessante é que ela não se importava com o que as amigas pensavam. Ela chegou contando com toda a alegria que tinha deixado tudo pronto na geladeira para os filhos.

Agora aparece na tela outra mensagem do software: “Quase pronto. Fazemos dos nossos cuidados o melhor para que você possa apreciar a qualidade do nosso produto”.

Com tanto cuidado e carinho recebido do software, deixo a reflexão na rede.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Questão de Negócios / Crônica do Cotidiano

Questão de Negócios / Crônica do Cotidiano

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Pensava num tema para a segunda-feira quando ouvi a pergunta, feita por uma conhecida:

_Você sabe qual profissional é confiável naquela empresa?

A pergunta foi excelente porque não se vai a nenhum estabelecimento onde se tenha que perguntar qual profissional trabalha bem.

A empresa tem que garantir um nível médio de atendimento satisfatório e sem reclamações.

Nas megalópoles, tais como Curitiba, não adianta muito perguntar. Adianta sim verificar as reclamações contra toda e qualquer empresa antes de fechar o negócio.

Por acaso, antes da pergunta, eu conversava com gente de alguma fila nesta cidade sobre o assunto.

_Como é que está funcionando o sistema de contratação de serviços e mão de obra?

A resposta foi ótima:

_Você entra na internet e acessa a lista de produtos e serviços que você precisa. Se não houver reclamações contra a empresa, você contrata. Se o serviço não for satisfatório, você reclama.

Parece que faz parte da ética esse comportamento das grandes cidades.

Acontece que o que pode funcionar muito bem para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Não se pede mais indicações porque ninguém é garantia de ninguém quando o assunto envolve trabalho e serviços.

Como é que se pode indicar alguma empresa quando quem vai gastar é o outro? E se não funcionar para o outro?

Para viver bem numa cidade grande, novos comportamentos são adicionados.

Nas cidades de pequeno e médio porte talvez se encontre boas sugestões.

Poucos se conhecem ao ponto de garantir a qualidade do produto e serviço oferecido. Estamos distantes uns dos outros.

Não somos responsáveis pelos outros, a menos que peçam ajuda e essa ajuda fique sob nossa responsabilidade.

Hoje se pode dizer que Curitiba tem tudo o que uma pessoa possa querer menos aqueles costumes antigos de saber quem é o dono da panificadora ou da farmácia.

Eu voltei para casa me perguntando se não fui dura na resposta:

_Minha senhora, não vá aonde a senhora precisa saber o nome dos funcionários pelo nome e a qualidade de serviço de cada um. É trabalho! As afinidades necessárias não passam de competência técnica e são obrigatórias para que a empresa não abra falência.

Eu sei muito bem que a troca de ideias faz falta, mas até nisso cada um tem que se virar sozinho.

Nada como uma típica segunda-feira em Curitiba!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Pedidos / Carta Literária

Pedidos
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Curitiba, 25 de janeiro de 2014.
Prezado Chico,
Prezado amigo, peço gentilmente que me envie uma carta, um email, um bilhete, ou até mesmo uma mensagem via celular.
O dia amanheceu ensolarado e, o sol e o calor, parece- me afetar a população.
Assim que coloquei o nariz para fora da porta, comecei a responder:
“O problema é seu, não meu.”
Veja lá se não tenho razão, pois nada tenho a dizer para quem frequenta a igreja evangélica e o templo egípcio. Eu não faço a mínima ideia em que ela acredita, nem aonde vai posto que não frequente onde vou.
Uma amiga para próxima ao lugar onde estou e deseja com o desejo dela que eu seja o que ela jamais foi. Não tenho vocação para o balé, nunca tive. Não adianta insistir. Problema dela.
O jornaleiro está cansado de saber onde pego o meu jornal. Mas, ele deu risadas.
O político distribui calendários na porta da igreja, aceitei e o ofereci a Deus, deixando-o no banco da igreja. Esse é um problema de Deus e da igreja porque acreditamos num estado laico.
E assim por diante, os equívocos se sucederam.
E, com a minha roupa marinheira, em homenagem aos amigos que estão na beira da praia, ouço sobre mais e mais equívocos ocorridos durante a semana.
Mas, foram tantos os equívocos, que penso que algo não está bem.
E não é comigo e o problema não é meu.
Pessoalmente, tive conversas frutíferas e precisas sobre a necessidade de se preservar a privacidade dos amigos e amigas.
Percebo, entretanto, que algumas pessoas parecem correr e não andar, como é normal numa manhã comum de domingo.
Eu não consigo pensar sem que logo me surja uma canção na cabeça.
A manhã foi tão confusa que acabei orando pelo Chico, o Buarque alem de orar por todos aqueles que realmente precisam: os que estão doentes e passam por sofrimentos, aqueles que, durante a semana me contaram sobre os seus tratamentos.
Sem blasfêmias, com o coração. Bons são os caminhos do Senhor.
Se souber de algo, mande carta, email, bilhete ou mensagem.
Ana Maria.