Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Levanto e Saio / Crônica do Cotidiano

Levanto e Saio / Crônica do Cotidiano

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Não adianta fingir que o que acontece não acontece.

Sentei-me ao café e dois jovens adultos sentaram-se próximos.

A moça pergunta ao moço:

_Como vai o Dorindo (nome fictício)?

A resposta:

_Foi preso e aguarda o Habeas Corpus.

A moça pergunta em voz alta, mas com uma metáfora que deixou a desejar:

_Desvio?

O moço respondeu:

_Desvio.

Aconteceu que o moço não parou por aí e destravou a língua e começar a contar o caso inteiro.

A essa altura eu me perguntei onde é que estava. Olhei em volta e estava o balcão, a moça que atende o balcão e mais adiante as vitrines, tudo estava no lugar certo.

Eu é que estava no lugar errado. Os meus ouvidos sensíveis deveriam se afastar daquela conversa.

Desde quando preso é conversa de cafeteria de Shopping Center?

Sinceramente eu nunca ouvi um assunto desses tratados com tanta naturalidade dentro de um lugar informal.

Eu não entendi o nome do presidiário amigo do moço engravatado e levantei e saí.

Não quero nem ouvir assuntos desse tipo. O café é um dos meus momentos de descanso, não sou policial e muito menos bandida.

Dessa vez eu me apavorei com a situação. Estavam muito próximos, na mesa ao lado.

Alguém pode me dizer o que está acontecendo?

Vim tomar café em casa!

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Descolo-me de avatares,

Das máscaras, dos pesares

Que a todos fizeram mal,

Montanhas feitas de sal.

 

E, livre buscarei os mares

De fresca brisa, não a Antares.

Sem mágoas, vou informal;

Dessalgo o sol desigual.

 

Liberta desse Palmares,

De braços abertos, lares,

O cenho abre, é natural.

Refeita, solta e casual.

domingo, 12 de julho de 2015

Concordância

Concordância

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A música diz

Da posta restante,

Retrato de giz

 

De algum chafariz

Ao canto distante

Que, ao sonho, condiz,

 

Ficar bem feliz,

 

Ao som concordante.

sábado, 11 de julho de 2015

Boatos / Crônica do Cotidiano

Boatos / Crônica do Cotidiano

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Os boatos eram comuns alguns anos atrás, mas hoje, com webcam e o celular é difícil inventar casos, histórias sobre as pessoas.

No entanto, os boateiros de plantão, aqueles que são pagos para inventar algo sobre as pessoas, modernizaram-se.

Essa é uma dedução minha tendo em vista alguns acontecimentos que presenciei nos últimos dias. Continuo calada a respeito da vida dos outros, é deles e não minha.

São pseudodiscussões que algumas pessoas postam na rede como sendo reais. Diferente de nós, blogueiros, que inventamos histórias deliberadamente e fazemos contos.

Eu acredito que seja alguma espécie de estelionato, com meios tecnológicos diferentes, que chegam às ruas e criam discussões intermináveis sobre o comportamento de alguém e como interferir positivamente na vida desse alguém.

Pessoalmente, eu me recuso a interferir nesse tipo de assunto, mas os incautos interferem.

Os mais jovens desconhecem o quanto os boatos eram fonte de lucros vários para grupos de interesses diversos. Tentarei me lembrar de como é que funcionava e, mais ou menos, porque desde a infância eu não mais ouvia falar sobre os boateiros.

Os boatos eram profissionalizados, nasciam de fonte desconhecida e percorriam a cidade inteira e a maioria das pessoas acabava por opinar, mesmo sem intenção. Teorizavam alguma ideia sobre o assunto de maneira geral e opinavam.

Os boateiros não contavam com gente fofoqueira, eles inventavam histórias credíveis, mas não comprováveis.

Depois que os boatos passavam a maioria das pessoas não se sentia bem, quase que se obrigavam a este ou aquele comportamento social que não coincidisse com nada da história criada pelos profissionais da boataria.

Com a internet, os boatos rarearam-se como se fosse extirpado da convivência social um grande mal da humanidade, a maledicência.

Para surpresa minha, durante a semana que se encerra, presenciei dois boatos.

Esse boato, que, à moda antiga, e muito triste por fazê-lo, está fortíssimo.

O boato em discussão nos salões é o da mulher casada que foi pega pelo marido com o amante jovem.

Esse tipo de boato, idêntico à moda antiga, é um causador de tragédias. Em meio a esse tipo de boatos, os problemas sociais aumentam e, alguém que nunca se sabe quem, lucra com as discussões que atingem as famílias.

Grande parte da classe média vai à praia. Boas pessoas de boas famílias que, apenas por irem à praia, estão envolvidas, em tese, num boato desses. Barbaridade!

O boato acaba à medida que as autoridades combatem e as autoridades combatem os boatos à medida do tamanho da sua propagação.

As autoridades, no entanto, têm as suas tarefas e se desviam delas para atender uma população inteira envolvida em boatos. Assim, sendo, o boato tem uma consequência política, pois algumas áreas serão menos atendidas para que se possam buscar os boateiros.

Evidencia-se assim o interesse por detrás desse tipo de boato. Reinventaram a fábrica de boatos.

Dessa novidade eu não gostei.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Férias

Férias

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Crianças em férias,

Doces brinquedos,

São boas pilhérias

Nos seus folguedos.

 

Contam matérias

E os seus segredos,

Trazem as médias,

Notas e medos.

 

Enciclopédias

E desenredos

Fazem comédias;

Mães com dez dedos.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Carta Literária Para Edite

Carta Literária

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Curitiba, nove de julho de 2015.

Estimada Edite,

Espero encontrar-lhe com boa saúde e envio notícias de minha boa saúde. Estive ausente alguns dias e não lhe mandei notícias. Escrevo para contar de minha viagem.

Mamãe Ganso nos convidou para uma viagem histórica. Soubemos de guerras, de reis e rainhas e das tradições deixadas através dos séculos.

Passamos por ruas com cartazes de espetáculos teatrais, ruas de comércio e, supermercados; até a Mamãe ganso sabe que eu gosto de conhecer as ofertas dos supermercados e, a título de curiosidade, ainda guardo um pacote com miniaturas de torrones comprados numa freeshop.

O que a Mamãe ganso queria dizer, em resumo, era que, aquela devassidão que correu o mundo em 2013 não volta mais. Direi do estrangeiro, que é muito mais fácil. O presidente Obama não mais passará pelo “shutdown”. Quanto a mim, ficarei longe do “sundown”, recomendações várias e também da Mamãe ganso.

Eu não sei como foi que ela conseguiu, mas decifrou aquela arruaça mundial. O que precisa ser dito, pois toda arruaça precisa de financiamento. Quem financiar arruaças, perderá o seu investimento. E quem disse isso foi a Mamãe ganso.

Devo dizer que a Mamãe ganso foi gentilíssima, nos acompanhou o tempo todo e contou tudo o que conseguiu contar, embora eu não tenha entendido muito sobre a parte esportiva, os estádios, os campos de golfe e as pistas de autódromo. Porque passamos ao largo, ou seja, por fora desses lugares.

Mamãe ganso nos contou sobre a promiscuidade do mundo, esse sim, é o lugar aonde quem vai, fica sozinho.

Passamos pelos cemitérios onde estão Shakespeare e Chopin. Fiz uma prece por eles. Curiosamente, depois, na internet, abri a página e ouvi a música que estou estudando e está conforme deve ser. Curiosamente, depois, lanchei num lugar onde estava escrito que ali Shakespeare fazia refeições. Mães são mães e Mamãe ganso não deixou por menos e deu-me esses mimos.

Mamãe ganso disse para ter outros planos porque a gente precisa de planos, de novas ideias, posto que o que já foi o passado permanece como história, mas o futuro pode vir acompanhado de sonhos, depende da gente. Essa frase de simples não tem nada. A história é com agá maiúsculo e os sonhos são projetos a serem realizados.

A Mamãe ganso quer apoio para alguns dos seus projetos e pretende arrebanhar os financiadores das arruaças para bons projetos mundiais.

A Mamãe ganso brincou e disse que o problema do Mickey é achar que pode fazer tudo sozinho, mas ela sabe que ele precisa dela e ela está à vontade para conversar com ele.

Por fim, aconselhou-me a aproximar-me da cultura lusófona e providenciou a boa convivência através do motorista que nos mostrou claramente as alegrias que brasileiros e portugueses têm em comum.

Quando ele nos olhou e disse:

_Que bela “maçada” que vocês fizeram junto a Mamãe Ganso! Foi ou não foi?

Foi uma conversa de meia hora das mais felizes.

Enfim, Edite, agora fazemos planos e projetos para o futuro. Porém, se te escrevo e publico tal carta num blog, é porque a minha mamãe biológica ensinou-me que privacidade era algo com o que jamais se podia contar. Sabe, ela era do interior, e no interior, a janela da cozinha abre para a janela da casa ao lado e, por fim, todos sabem o que cada vizinho almoça e lancha. Vizinhos bons respeitam a individualidade do outro vizinho, vizinhos maus, não.

Sei que tive que falar em português, inglês, espanhol e, pasme! Em italiano com um grupo de turistas que estavam por conta deles mesmos, porque eles vão ao turismo com guia e cozinheiro próprios da terra.

Um grande abraço da sua amiga de sempre, Yayá.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Devanear

Devaneio

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Caminhada

Devagar,

Compassada,

 

Delicada

Ao pensar

Na jornada,

 

À calçada

 

Devanear.