Apavorados / Um Conselho / Minicrônica Necessária
Pensei horas fa fio em como escrever sem criar ressentimentos, pois seria uma indelicadeza imperdoável por aqui.
Todos nós produzimos lixo, e fui jogar o lixo na lixeira.
Enquanto passo pela garagem, observo carros importados, provavelmente blindados, lindos, e amigos os donos dos veículos, pois eram os únicos donos de automóveis sorridentes por ali.
O problema é que não temos milionários no edifício.
Quando voltei do local apropriado para armazenar o lixo, o carrão se dirigia para a saída do prédio.
Mesmo sem ver o motorista dentro do automóvel preto brilhante, cuja marca desconheço, arrisco um boa tarde entredentes num sorriso velado e sério.
Quanto ao outro veículo, observei a cor azul e o cuidado com o carrão que tinha um porta barcos engatado na traseira.
Nós não temos barcos no prédio.
Isto chama a atenção de todos, inclusive das câmeras de segurança.
Mesmo que não comente, não escreva, as câmeras de segurança filmam.
Constato que os exóticos existem, mas devem usar de moderação.
O motorista do carro azul, olhou para a frente e riu, mas não quis ser identificado nem pelo boa tarde.
Existem lugares melhores para conversar do que edifícios residenciais, onde esses homens possam conversar sem chamarem tanta atençao.
Não eram moradores, mas certamente alguém alugou a garagem para eles entrarem, aliás bons motoristas, pois sair do edifício com puxa-barcos engatado não é para qualquer pessoa. Parabéns para o motorista do carro azul importado.
Se era o anonimato que pretendiam, conseguiram, em termos, porque o fato de que eu não saiba quem eram, não impede que a câmera de segurança os identifiquem.
Pior que isso, ficou óbvio que alugaram a garagem para conversar em anonimato, um anonimato inexistente para as câmeras.
Crônica fantasiosa ou não, porque a realidade depende de um ponto de vista, não aconselho aos milionários fazerem isso.
Bom final de semana a todos.
Grata pela leitura.

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