Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Um Caso Esquisito

Um Caso Esquisito

Kátia foi às compras. Escolheu o presente e, quando perguntou à vendedora se havia desconto para pagamento à vista, a vendedora chamou a gerente.

A gerente era nada mais, nada menos do que uma conhecida sua do tempo da mocidade.

Kátia percebeu e fingiu não perceber que eram conhecidas, pois haviam se afastado uma da outra e ninguém sabia o motivo. Perguntou do desconto.

A gerente perguntou o nome de Kátia e ela disse. A gerente a reconheceu e disse que estava feliz em vê-la.

Kátia olhou para ela intrigada. A gerente parecia feliz em vê-la, realmente feliz.

_Vamos nos encontrar e conversar, disse Kátia à gerente.

A gerente chamou a freguesa de lado e perguntou a ela:

_E a minha irmã?

Kátia ficou sem saber o que dizer. Aguardou que a gerente continuasse a conversa.

A gerente olhou com carinho para a Kátia e disse, com um sorriso triste:

_Por que é que a minha irmã interferiu tanto na sua vida? Diga-me se tem cabimento! Se nós sairmos, a minha irmã irá junto, mas ela irá junto para fazer mais uma das suas. Nós não sabemos por que é que ela age desse jeito.

A partir daquele momento a gerente contou o histórico da outra. A birra havia começado nos anos 90. Foi depois que ela fez amizade com um grupo de pessoas. Perguntou à Kátia se ela imaginava quem eram as pessoas.

Kátia imaginava. Nos anos noventa todos os jovens frequentavam os mesmos lugares e se conheciam.

_Kátia, você sabe se havia algo, algum motivo pelo qual ela fosse obrigada a se comportar como eles. Você lembra-se do nosso grupo e o quanto nós éramos de bem com a vida? O que foi que aconteceu?

Kátia não sabia. Lembrava que eram diferentes daquele outro grupo de conhecidos. Mais nada.

_Nós não sabemos se ela foi pressionada ou chantageada, buscamos até hoje uma explicação para essa birra até hoje.

Kátia desconhecia por completo a vida particular da irmã da gerente. Lembrou-se dos encontros desagradáveis naqueles tempos.

A gerente disse que o problema não eram aqueles tempos. Era a necessidade de ainda hoje.

_Kátia, com todo o respeito evite essa minha irmã. Ela já fez demais para você e nós não sabemos o motivo. O problema é esse: não sabemos o motivo!

Uma lágrima desceu pelo rosto da gerente.

A situação não poderia ser mais desconfortável. Mas, ao ouvir a gerente, Kátia lembrou-se de tê-la visto outro dia, do outro lado da praça.

Ambas não sabiam o motivo daquele comportamento. Kátia pensava consigo mesma no absurdo que era ninguém saber o motivo.

_Ela não te disse nada que pudesse indicar o problema?

_Nada. Lembra-se do meu pai? Ele a questionou, várias vezes, e ela dizia que era por diversão.

Kátia se emocionou. Ela estava no automóvel em frente à farmácia esperando um familiar que havia ido comprar remédios quando avistou no carro ao lado o pai da gerente. Ele estava com bastante idade e doente. Mesmo assim abriu a vidraça do automóvel dele para dizer “Fique com Deus”. Ela agradeceu essa bênção e sorriu. Havia sido o último contato entre ela e a família da gerente. Fazia mais de dez anos. Não teve coragem de contar a cena para a gerente.

_Não se preocupe, é difícil nos encontrarmos. Somos adultas e cada uma de nós leva a sua vida.

A gerente olhou para Kátia e disse que não era difícil. Ela, a irmã, gostava de saber da vida de Kátia como se ela a houvesse feito algum mal, ou, por causa dela, ela houvesse sofrido muito. Repetiu a recomendação para que Kátia a evitasse fosse do jeito que fosse.

Kátia decidiu por não mais pedir o desconto e ir ao caixa pagar. Pediu licença à gerente, disse da hora do almoço, que tomaria cuidado e pegou o papel do pedido para pagá-lo.

A gerente, ao vê-la com o papel do pedido para ir ao caixa, pediu por alguns momentos e assinalou o desconto.

_A gente se vê!

Abraçaram-se com ternura.

Tempos de Natal.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Abstração

Abstração

clip_image002

Ninguém perde por querer

Perder. Tempo, paz, razão...

São irmãos desse não se ter,

A ciência da condição.

 

A lida é conta de obter;

É ao sonho emprestar a ação,

Somar e não se entreter,

Dizer que poesia é ilusão.

 

Saber a paz compreender

E, ao tempo do dia em vazão,

Servir ao objeto e empreender,

É, em versos, ser abstração.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Tentando Explicar / Miniconto

Tentando Explicar / Miniconto

clip_image002

Comportamentos e reflexões, sentimentos, emoções e conclusões excelentes.

Vânia encontrou Victória, amigas que fazem críticas muito semelhantes de si mesmas e dos outros. A autocrítica, quando excessiva consigo mesmo, leva a outras críticas.

E jogaram fora algum amargor falando mal, em particular, não das pessoas, mas dos comportamentos.

_Estamos em plena época de festas. Custaria muito mandar a sacoleira se comportar melhor? O que é que ela tem a ver com o pijama de bolinhas coloridas que o vizinho usa. O vizinho não compra artigos importados porque não têm assistência técnica. Mas é de uma maldade imensa contar do pijama de bolinhas coloridas!

Vânia vira-se para a amiga e diz que ela não deveria se preocupar com o vizinho e sim com a fiscalização da quota de compras.

_O pijama de bolinhas coloridas não tem nada a ver com a fiscalização.

As duas riram.

A amiga Victória também tinha a sua história para contar.

_A merendeira da escola onde eu trabalho ajuda alguns investigadores da polícia. A escola vê e finge que não vê, porque para nós é auxílio. Outro dia, porém, eu comprei um batom rosa choque e ela viu. Eu estava tão feliz com o batom novo. Ela foi até a direção da escola e disse que o batom daquela cor incomodaria o serviço dela. Conseguiu apoio e, a direção proibiu o uso de batom na escola para alunas e professoras. Professoras!

Vânia exclamou:

_Existem outros comportamentos diferentes, eu prefiro os outros comportamentos.

Victória concordou:

_Eu sei o que você sente.

Vânia disse que quando quer comprar algum produto de sacoleira, procura outro tipo de comportamento. Ela não gosta desse tipo de pressão para vender. Ninguém é obrigado a comprar produto de sacoleira.

Victória concordou:

_Eu prefiro outro tipo de auxiliar de investigação policial. Levo o meu lanche de casa. Não é o meu trabalho e, eu não entendo, mas houve abuso. O meu batom rosa choque perdeu a cor e a alegria de tê-lo comprado. Eu me afastei das compras na cantina da escola. Sento-me com as colegas e converso com elas, agora com outro comportamento. O pior é que eu não vendo os cosméticos e, os cosméticos continuam a ser vendidos através das revistas durante o recreio e na cantina. Não era os cosméticos o motivo da implicância, mas a cor do batom que comprei.

Vânia, após ouvir a queixa da Victória, contou das aulas na faculdade onde a filha estudava.

_A professora de pedagogia disse que tem gente que sofre menos porque se defende mais. Disse que quem pode mais chora menos e essa é a regra da vida prática.

Victória continuou a conversa:

_Nem todos pensam assim. Converse com qualquer advogado e ele te explicará a “mais valia” e as suas consequências.

Vânia disse que sabia.

_A nossa sociedade anda tão violenta que ninguém quer discutir assunto de bagatela. Consideram assunto de menor importância, porque é facilmente superável.

Victória complementou:

_É uma questão de civilidade. Se aceita esse padrão de comportamento como normal. E não é normal. Nós sabemos que pode ser diferente.

Vânia disse que se havia um padrão aceito como normal e, elas sabiam que o padrão pode ser outro porque conheciam o outro padrão, elas é que estavam fora do padrão de civilidade do local.

_E daí? O que é que nós podemos fazer a respeito? Perguntou Victória.

Vânia disse que nada além de manter contato com pessoas de padrão semelhante ao delas.

_É uma questão de logística. Nós não podemos mudar o comportamento dos outros. São mudanças que exigem recursos financeiros porque para vivermos o padrão de civilidade que queremos, precisamos levar conosco aqueles que amamos.

_E como somos contra a mais valia não usamos de subterfúgios para convencer e submeter aqueles a quem amamos às nossas próprias vontades.

Vânia e Victória sabiam que teriam que a prender a conviver com o conflito íntimo.

_Conviver com o conflito não significa ceder às pressões.

_Conviver significa nos permitirmos conviver com o que aceitamos como sendo civilidade. A vontade não pode simplesmente ser suprimida, precisamos ao menos visitar o que consideramos certo.

Vânia disse à Victória que talvez essa fosse à solução.

Victória disse à Vânia que estudaria uma maneira de possibilitar a convivência com aquela outra espécie de civilidade.

_Porque, eles, não mudarão os seus comportamentos.

_Porque, nós, não mudaremos os nossos sentimentos em relação a essas coisas.

Abraçaram-se e seguiram com vontade de fazer planos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Questão de Tato / Crônica do Cotidiano

Questão de Tato / Crônica do Cotidiano

Final de ano. Estamos quase no Natal. O menino leva presente para a professora. Aquele presente tradicional com torrones de castanhas, balas e um ou outro chocolate.

Papel celofane colorido com direito ao laço de fita.

O garoto oferece o presente à professora.

_Que encanto de menino!

Entrariam na sala de aula, não fosse à surpresa especialmente preparada.

_Professora, a minha mãe foi quem comprou esse presente para você (a professora em questão gosta de ser tratada pelo pronome você), mas eu preparei outro presente.

A professora sorriu feliz e recompensada pelo esforço do ano.

_Qual é a surpresa?

O menino, orgulhoso de si mesmo, disse:

_A minha mãe a aguarda no carro. Eu trouxe os meus Hamsters de estimação para mostrar e apresentá-los a você.

Hamsters são roedores pequenos.

Gostei da história. Fui junto.

No banco de trás do automóvel a gaiola com escorregadores em forma de tubos. O menino chamava o casal de Hamster enquanto batia com a ponta dos dedos no arame.

Eles apareceram. Minúsculos camundongos subiram pelo escorregador em forma de tubo.

_Eu vou tirar um deles da gaiola para você pegar.

O garoto abriu a gaiola e a mãe dele pediu para que não os deixassem fugir para o banco do automóvel.

Quando ele pegou o bichinho com as mãos, eu disse:

_Feliz Natal e Próspero Ano Novo! Ano que vem a gente se encontra.

Não é a minha natureza e, eu nunca gostei da Flauta Mágica.

Eu os deixei pensando no quanto é importante lavar as mãos quando se chega da rua ou de qualquer lugar, não coçar os olhos, escolher onde lanchar. A higiene é uma forma simples e barata de manter a saúde no dia a dia.

Eu tenho que aceitar a minha natureza humana. Da mesma forma com que aceito a sua natureza, pets.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Essa me Foi Contada/ Crônica do Cotidiano

Essa me Foi Contada/ Crônica do Cotidiano

clip_image002

Essa me foi contada. As moças tinham entre dezoito e vinte e um anos. Vieram passar as férias em Curitiba.

Havia uma festa na cidade e elas foram arrumar o cabelo e as unhas.

No caminho entre o salão de beleza e a casa dos parentes onde estavam hospedadas, souberam que um dos seus amigos não estaria presente à festa.

O jovem, amigo delas, que tinha por volta de vinte e cinco anos, havia morrido.

_Morreu do quê?

Elas não conseguiam sequer imaginar a situação. O jovem estava andando pelo centro da cidade, tropeçou na calçada, caiu, bateu a cabeça e morreu.

Simples assim, estupidamente assim.

A moça mais velha, que contava o bate-papo com ele durante a festa, ficou sem saber o que pensar.

Talvez tenha sido ela quem me tirou essa espécie de vampirismo que permeia a minha cidade.

Nenhuma doença é lazer e nenhuma morte é prazer.

Não se vive em função de busca de doença. A prevenção é boa, mas desde que não se torne uma mania mórbida.

Todo o conceito filosófico de vida criado a partir de uma festa que não teve graça para uma das moças ensina e muito.

Se nada o impede de comer um pedaço de bolo e você tem vontade de comer, coma. Amanhã você poderá ter diabetes e não comerá esse pedaço de bolo.

A bebida alcoólica traz junto com a ressaca, a tristeza. Não vale a pena falar com quem está de ressaca.

Aproveitar o momento que se tem, repetindo o pensamento de outras crônicas, é o melhor a fazer.

Se eu tenho algum objetivo nessas repetições em textos diversos, é combater o vampirismo do lugar onde eu moro.

Talvez seja influência dos imigrantes, o país do Drácula, o país dos castelos mal assombrados, são culturas que interagiram com a mística do povo que estava por aqui e, transformaram a cultura de Curitiba.

Houve gente que, de tanto desgostar dessa cultura vampiresca chegou a dizer:

_Se eu ficar doente, que me tratem, pois o máximo que pode acontecer é a morte.

Assim mesmo.

_Não é essa a minha cultura.

Nessa época do ano, tem gente que gosta de saber de doenças. Esse é um passatempo ruim, não leva a lugar nenhum. Ainda se fosse para fazer alguma visita e levar consolo, mas não é.

Dentro de mim, deve haver uma psicóloga frustrada, porque eu amo mexer com elas, mas não tenho nenhuma intenção de ofendê-las.

Que as psicólogas descubram por que é que essa cidade é assim. Elas ouvem os problemas dos outros o dia inteiro, mas lucram com isso. Não as posso chamar de mórbidas, é profissão.

Aprender a viver bem também é não comer o doce açucarado quando se tem diabetes.

Calma, eu ainda não tenho diabetes. Os vampiros que fiquem na torcida.

Aqui se tem que tomar cuidado. Vampiro também lê. Os daqui são cultos.

Para alegrar os vampiros, digo que todos morrem.

Enquanto isso, vivemos para o bem, que o mal não vale a pena.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Uma Palavra

Uma Palavra

clip_image002

Acordei pensando numa amiga. Liguei para ela.

_Não mora mais aqui. Veja o site.

O site bonito, bem montado como é o costume dela.

Acessei o site.

Apenas uma palavra: desfazer.

A minha amiga foi desfeita, desmanchada.

Procurei a foto dela no site. O cabelo confirma a última conversa que tivemos.

Sentei-me no sofá e lembrei-me da conversa que tivemos há quatro anos.

Eu tive problemas. Ela teve problemas.

Perdemos o contato.

Eram alguns pontos de vista em comum e muitos outros diversos.

“A palavra está escrita em espanhol: ‘desfacer”.

Esclareço a palavra em espanhol porque a palavra desfeita em português tem o sentido de mágoa e em espanhol significa desmanchar.

Mesmo com todo esse desmanche de vida pessoal, ainda temos os mesmos pontos de vista em comum.

A realidade dela ainda é semelhante à minha.

Buscamos os mesmos caminhos.

Ela está longe de Curitiba e não sei exatamente como foi que aconteceu esse desfazer.

Há pontos coincidentes na vida de hoje.

Pelo que soube dela e pelo que sei de mim.

Encontrei a foto dela num desses sites sociais.

A árvore de Natal. Nós ainda gostamos de árvores de Natal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Luz de Natal

Luz De Natal

clip_image002

Todo arco-íris é fonte

Da luz branca perfeita,

Amostra de horizonte.

 

A fé é sentido e ponte

Da luz Jesus que aceita

Ser Deus, homem insonte.

 

E Cristo é Deus desponte

 

Em berço que se enfeita.