A Nova História / Crônica de Supermercado
Foi dia de se festejar, mais de sessenta pessoas na fila do supermercado, o que significa meia hora ao mínimo do tempo de espera, questão de aguardar que a crônica entrasse na cesta.
Uma senhora jovem e a filha garota, criança não é paciente com fila.
_Mãe, eu posso comprar aquelas canetas coloridas no corredor onde fica o material escolar?
A mãe disse que sim e acrescentou:
_Filha, compre aquela caneta de apertar, com acabamento prateado, que está num estojo composto por duas canetas para mim.
Adorável criança que ficou surpresa com a resposta da mãe. Ambas tinham passado pelo corredor onde estava o material escolar. A mãe disse para a filha que noutro dia comprariam as canetas coloridas. Agora, na fila, além de deixar que a filha fosse comprar aquelas canetas de enfeitar cadernos, ainda pede para que a garota pegue canetas para ela mesma.
Sem entender a situação a garota perguntou à mãe:
_Para que você quer aquelas canetas de apertar? Eu quero as canetas coloridas para enfeitar.
A mãe se postou adequadamente, como uma senhora que sabe as respostas que a filha necessita, e disse:
_Filha, eu quero escrever a nossa nova história de vida. Eu me separei, vivemos as duas sozinhas, mas eu posso escrever uma nova história de vida. Eu e você numa nova história.
A garota pediu para enfeitar com desenhos essa história que a mãe pensava em escrever.
A mãe disse que ela enfeitaria as páginas, mas quem escreveria a história seria ela, pois a menina ainda não estava preparada para escrever longas histórias na opinião da mãe.
A filha, ensimesmada com a ideia, perguntou para a mãe:
Mãe, você tem certeza que essa história sairá boa, mesmo com nós duas escrevendo no mesmo caderno? Na escola a professora não deixa que um colega escreva no caderno de outro colega, ela permite que a gente empreste a folha, geralmente a folha do meio, que é tirada inteira para não estragar o caderno.
A mãe, sorridente e altiva, respondeu:
_Mas a nossa casa não é a escola e somos mãe e filha. Eu escrevo com as canetas e você enfeita o espaço em branco com as suas canetas coloridas, será uma linda história essa que eu pretendo escrever.
A garota pensa e olha para a fila, olha para a mãe, olha para o estojo simples de lápis de cor que está na cesta delas e, finalmente, conclui:
Mãe, eu prefiro ficar na fila com você. O supermercado está cheio de gente e eu posso comprar as minhas canetas coloridas noutro dia. Você se importa se eu deixar para comprar as suas canetas nesse outro dia em que virmos ao mercado?
A mãe disse que não se importava, mas que a nova história seria escrita a partir da compra das canetas novas e que ela voltaria ao mercado no dia seguinte, ou seja, hoje, para comprar as canetas que tinha gostado.
Que delícia de fila e de história.
