Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Nova História / Crônica de Supermercado

A Nova História / Crônica de Supermercado

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Foi dia de se festejar, mais de sessenta pessoas na fila do supermercado, o que significa meia hora ao mínimo do tempo de espera, questão de aguardar que a crônica entrasse na cesta.

Uma senhora jovem e a filha garota, criança não é paciente com fila.

_Mãe, eu posso comprar aquelas canetas coloridas no corredor onde fica o material escolar?

A mãe disse que sim e acrescentou:

_Filha, compre aquela caneta de apertar, com acabamento prateado, que está num estojo composto por duas canetas para mim.

Adorável criança que ficou surpresa com a resposta da mãe. Ambas tinham passado pelo corredor onde estava o material escolar. A mãe disse para a filha que noutro dia comprariam as canetas coloridas. Agora, na fila, além de deixar que a filha fosse comprar aquelas canetas de enfeitar cadernos, ainda pede para que a garota pegue canetas para ela mesma.

Sem entender a situação a garota perguntou à mãe:

_Para que você quer aquelas canetas de apertar? Eu quero as canetas coloridas para enfeitar.

A mãe se postou adequadamente, como uma senhora que sabe as respostas que a filha necessita, e disse:

_Filha, eu quero escrever a nossa nova história de vida. Eu me separei, vivemos as duas sozinhas, mas eu posso escrever uma nova história de vida. Eu e você numa nova história.

A garota pediu para enfeitar com desenhos essa história que a mãe pensava em escrever.

A mãe disse que ela enfeitaria as páginas, mas quem escreveria a história seria ela, pois a menina ainda não estava preparada para escrever longas histórias na opinião da mãe.

A filha, ensimesmada com a ideia, perguntou para a mãe:

Mãe, você tem certeza que essa história sairá boa, mesmo com nós duas escrevendo no mesmo caderno? Na escola a professora não deixa que um colega escreva no caderno de outro colega, ela permite que a gente empreste a folha, geralmente a folha do meio, que é tirada inteira para não estragar o caderno.

A mãe, sorridente e altiva, respondeu:

_Mas a nossa casa não é a escola e somos mãe e filha. Eu escrevo com as canetas e você enfeita o espaço em branco com as suas canetas coloridas, será uma linda história essa que eu pretendo escrever.

A garota pensa e olha para a fila, olha para a mãe, olha para o estojo simples de lápis de cor que está na cesta delas e, finalmente, conclui:

Mãe, eu prefiro ficar na fila com você. O supermercado está cheio de gente e eu posso comprar as minhas canetas coloridas noutro dia. Você se importa se eu deixar para comprar as suas canetas nesse outro dia em que virmos ao mercado?

A mãe disse que não se importava, mas que a nova história seria escrita a partir da compra das canetas novas e que ela voltaria ao mercado no dia seguinte, ou seja, hoje, para comprar as canetas que tinha gostado.

Que delícia de fila e de história.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Turma da Recuperação

A Turma da Recuperação

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Chegou o dia do juízo final para Deolindo, Geraldino e Franciano.

Justo eles que fizeram algumas coisas que não deviam tais como filar almoço na casa dos amigos sem ter outro interesse que não fosse à refeição, usaram o telefone para conversar com os seus familiares e amigos, pediram carona e inventaram várias desculpas para conseguir uma folga de cinco minutos a mais no horário do expediente.

Consta que eles também eram experientes em passar o final de semana estando sentado em frente à televisão dos conhecidos, o negócio deles era arranjar desculpas para estarem disponíveis na hora que interessava; mais de mil e quinhentas para arranjarem ocupações quando os outros precisavam deles para trocar os pneus ou arrumar o chuveiro.

Eram pessoas que seguiam as regras próprias inventadas por eles na convivência social, pois tinham certeza de que havia no mundo muito mais pessoas mais inteligentes do que eles.

Nos livros do juízo final havia queixas e reclamações de no mínimo duas mil e oitocentos e cinquenta e sete pessoas, chamando-os de folgados, esculhambados, e ainda mais, tinham a fama de gente que não podia ser levada à sério, pois a vida deles era daquele jeito: um almoço aqui, um lanche ali, uma carta no correio a ser paga no futuro, futuro que não chegou ao tempo deles.

Chegaram os três ao dia do juízo final.

Um deles defendeu os outros dois perante a porta do céu e garantiu a eles que não passariam do purgatório classe C e que jamais chegariam ao inferno da quinta classe, que era a do diabo.

Conversa daqui e conversa dali e o chaveiro, com as chaves na mão, aguardava o julgamento para os mandarem montar os cavalos e galoparem em direção ao local indicado pelo pessoal responsável pelo juízo final.

Terminado o julgamento, foi determinado que os três fossem para o céu.

Eles não queriam ir, temendo alguma arte do pessoal do juízo final como castigo por tudo o que fizeram, pois sabiam que tinham feito todas aquelas coisas das quais eram acusados no relatório do juízo final.

_Algo está errado por aqui, isso não é justo. Alguma coisa nós teremos que pagar.

Mas não teve jeito, tiveram que obedecer e foram para o céu.

Chegando lá, ficaram na portaria e um deles, pediu uma justificativa para estarem lá, dizendo:

_Com todo o respeito que o céu merece, nós não vamos entrar porque sabemos que iremos para o purgatório em seguida. Pensamos que de tanto que nós filamos refeições e caronas, o nosso lugar é no purgatório.

O responsável pela portaria do céu disse que não havia engano, que o lugar deles era ali mesmo e que o céu podia se enganar, mas intencionalmente não enganava ninguém. O caso deles fora proposital e eles foram mandados ao céu.

Volta e meia passava um e outro morador do céu para perguntar sobre a correspondência.

Eles ficavam observando os moradores, que eram pessoas admiráveis, um deles havia ajudado aos pobres sempre que possível e outro deles era um embaixador para assistência à saúde nos países carentes, outra uma senhora que lia a Bíblia todos os dias em horários regulares e a outra ensinava os analfabetos da sua cidade.

Eles estavam juntos àquelas pessoas, e muito desconfiados daquela situação, fizeram de tudo em vida para chegarem ao purgatório.

Passaram-se alguns meses e os três na portaria, esperando que algum dos moradores viesse chamá-los.

Um dia, chega uma moradora, que nada havia feito de excepcional em vida, mas que veio até eles a fim de explicar o motivo pelo qual estavam no céu.

Eles de olhos bem abertos para ver se descobriam onde fora o engano e, ela, percebendo a curiosidade deles, disse:

_Meus amigos, eu sofri muito em vida, mas pedi a Deus que perdoasse aqueles que, apesar de tudo, mal maior não me causaram. Quando se chega aqui se vê que alguns males não passaram de enganos plenamente perdoáveis e outros, dos quais a gente não tinha noção vão para a lista de reclamações. Para colocar as minhas reclamações e perdões, eu acabei por passar por cima das infantilidades que vocês cometeram, pois não passaram de falta de conhecimento de que daquele jeito como vocês se comportaram pareceram piores do que eram. Mas, se eu não ensinei para vocês é porque eu também não sabia que tudo poderia ser diferente. Pronto. Agora vocês estão no céu e podem aprender a se comportar melhor. É esse o motivo pelo qual vocês estão aqui, para adquirirem conhecimento das coisas do Senhor.

Nisso chegaram os professores e os convidaram para entrarem à sala de aula.

Eles agora entendiam o significado de estar no céu, a sala de aula seria o purgatório. Ficaram contentes e conformados.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Praia / Reflexão

Praia / Reflexão

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Um assunto chama o outro e hoje, por motivos nem tão óbvios assim, lembrei-me de um dia em que eu procurei um lugar para ficar sozinha na beira da praia.

Queria orar, parece que a oração silenciosa é a maior dádiva que o bom Deus nos deu. Através da oração vem o conforto, a paz e presencia-se o amor divino.

Naquele dia eu andei por toda a praia procurando um lugar ermo e achei, pois é buscando que a gente encontra.

Fiz as minhas orações e repirava profundamente aquele ar salgado na brisa morna que me aconchegava naquele momento de quietude.

A praia, porém, é para todos aqueles que gostem de estar lá. Nem todo mundo gosta e há mesmo gente que sente essa paz de espírito nas montanhas, de onde avistam as plantações e as planícies cultivadas.

Chegaram naquele momento uma senhora aparentando oitenta anos e a sua dama de companhia.

Observei-as sentadas na primeira onda que chegava à areia. A senhora brincava com as ondas pequenas e ria feliz. A dama de companhia estava ao lado dela.

A senhora trajava um maiô preto antigo, com aquilo que se chamava antigamente de maiô de perninhas. A dama de companhia usava algo discreto, o maiô de duas peças, hoje chamado de sunquíni.

Passou algum tempo e a dama de companhia ficou preocupada porque era hora de almoço e ela não terminara de preparar o almoço antes de sair de casa.

A senhora disse para a dama de companhia que naquele dia poderiam almoçar depois do meio dia porque almoçariam sozinhas e não precisavam dizer a ninguém que se atrasavam para o almoço.

A dama de companhia disse que naquele dia faria uma concessão e não contaria à família sobre o atraso do almoço, mas aquele era o emprego dela e ela não poderia fazer esse programa que atrasava o almoço, a senhora tinha que se alimentar direito.

Sei que a senhora não quis se levantar antes de combinarem outra tarde morna para ali estarem. Ela não gostaria que ninguém a visse de maiô, achava que era saliência e exibicionismo. Afinal, o que iriam pensar dela, uma bisavó, de maiô na beira da praia.

Eu pensei que ninguém deveria pensar nada a respeito dela, ao contrário, ela bem poderia frequentar a praia com os seus filhos e por que não com a bisneta.

Eu não estava mais naquele estado de oração e saí para caminhar. Sentei-me novamente à beira da praia para observar um barco pesqueiro que vinha em direção à praia, o arrastão cheio de peixes, ao canto dos pescadores, é um dos mais belos movimentos das areias do Brasil.

Estava sentada e pareceu-me cair um pedaço de folhagem seca que corria com o vento, também me senti idosa e brinquei de esconder os meus pés daquela folhagem seca.

Dali a pouco mais um e mais outro e eu percebi que não eram pedaços de galhos secos, mas ouriços do mar, brincalhões. Fazia tempo que não me divertia como criança.

Todos nós temos algo de criança e de idoso nessa condição madura. Se nós, podemos conviver com crianças e idosos que habitam o nosso ser, podemos conviver com avós, pais, mães, filhos e netos, correria e bolas de plástico, jovens adolescentes e quem mais aparecer, desde que seja de bem; até mesmos os pequenos ouriços que animam o ambiente.

Ambientes exclusivos são especiais e até eu mesma aprendi a ir à igreja para orar, é o lugar indicado.

Praia é praia e é para quem gostar dela sem preconceitos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Planeta Livre-Arbítrio

Planeta Livre-Arbítrio

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A história se passa em 2026, após algumas pessoas comprarem a passagem de ida para Marte a fim de colonizar aquele planeta.

Joseane, que era mais cautelosa, comprou as passagens de ida e volta para o planeta Livre-Arbítrio.

O disco voador era confortável e ela estava convicta de que voltaria ao planeta Terra novamente, não tinha motivos para se preocupar.

Chegando ao planeta, foi recepcionada com cortesia, mas teve que preencher a ficha de entrada.

Preenchida a ficha de entrada, foram explicadas as regulamentações do planeta e a estrutura disponível para a visita agradável.

_Estamos satisfeitos com a sua visita, senhorita Joseane. Se a senhorita chegou até aqui é porque disse a maioria dos sim e nãos necessários, por aqui a palavra talvez não tenha significado. Precisamos fazer uma pergunta antes de podermos assegurar uma visita adequada. A questão é: A senhorita come dobradinha?

Joseane disse que não. A resposta foi rápida e positiva.

O atendente gostou da resposta, mas disse:

_Senhita Joseane, ao dizer a palavra não, a senhora está dizendo que não come dobradinha mesmo com o nome de buchada, diz também que não come dobradinha mesmo que seja uma fatia de dobradinha embutida em um quilo de feijão branco e meio quilo de linguiça calabresa, também não come dobradinha enlatada. Ao dizer que não come dobradinha a senhorita está dizendo que prefere comer um pacote de pão de forma ao invés de dobradinha. A senhorita confirma a sua resposta?

Joseane confirmou a resposta.

_Esse é o planeta Livre-Arbítrio. Conforme o próprio nome diz, cada pessoa toma as suas decisões, sempre pautadas em sim e não, nunca talvez e, isso significa uma série de regulamentos e contratos conforme os que a senhora assinará na sala ao lado. Concorda em assinar que não come dobradinha?

Joseane concordou.

Joseane, porém, raciocinava e não assinava nada sem ler o que assinava e o papel estava escrito em linguagem terráquea, em letras claras e objetivas; sem letras miúdas ou qualquer margem para outra interpretação que não fosse aquela do objeto do contrato. Estava tudo certo e ela assinou.

Após assinar o documento, recebeu novas orientações e especificações sobre o planeta, conforme se segue:

_Senhorita Joseane, aqui está uma lista com os nomes dos fabricantes de dobradinhas, os comerciantes dos enlatados de dobradinhas e também, a dos consumidores de dobradinhas. No nosso planeta estamos organizados para que todas as decisões de livre-arbítrio estejam organizadas de modo a não gerarem conflitos, mas lucro aos interessados. Não seja simpática com toda essa gente envolvida com dobradinha, pois o comércio existe para o lucro e, possivelmente, se houver insistência, esse será um relacionamento desgastante para ambas as partes, o que não convém ao nosso planeta. Não temos relacionamentos desgastantes, aliás, essa confusão de relacionamentos e amizades é coisa para terráqueos, não para nós.

Joseane até mesmo sorriu da ideia, por que motivo ela iria se relacionar com aquela gente, mas foi corrigida imediatamente pelo atendente:

_A senhorita não pode dizer talvez para eles e nem para ninguém, o nosso planeta entende o talvez como sim. São as regras da boa convivência do planeta. O não é aceito com distinção porque é parte do livre-arbítrio, mas o talvez seja interpretado como falta de caráter de quem titubeia em dizer sim.

Joseane entendeu a seriedade do assunto. Diria não toda vez que se falasse em dobradinha, não importando o modo como fosse feita a pergunta. No entanto, pediu para que o atendente falasse a respeito sobre os produtores e fabricantes de dobradinha.

O atendente foi solícito com a visitante do planeta terráqueo e respondeu:

_Somos o planeta das decisões. Todas as decisões são respeitadas. Mas o que são decisões? Agora estamos no mundo dos conceitos e por aqui os conceitos que valem vem da lógica e nada mais. Não temos filosofias outras, as emoções são passadas para trás constantemente.

Joseane perguntou como é que ela havia chegado naquele lugar tendo levado até agora uma vida repleta de ideias e emoções.

O atendente percebeu a perspicácia da pergunta, mas a resposta estava na ponta da língua:

_A senhorita chegou até aqui porque foi educada a dizer sim e não, sem muitos questionamentos ou teorias sobre os fatos. Não fosse essa educação simples e sem malícia a senhora jamais teria chegado até aqui. A senhorita não imagina a quantidade de terráqueos que usam artifícios para não responderem nem sim e nem não e querem vir para cá. Não chegam nem a comprar a passagem de vinda.

Joseane contou da coincidência de ter ido parar ali. Depois que algumas pessoas se mudaram para Marte, as empresas espaciais começaram a vender passagens espaciais a esse planeta que pouca gente visita e, ela, ao ver o anúncio e saber que voltaria comprou num dia em que estava aborrecida por algum motivo sem importância, o que no caso dela significa uma moeda entalada na máquina de lavar roupas causando o travamento da máquina e a impedindo de lavar a roupa necessária, obrigando-a a lavar a roupa no tanque e lascando as suas unhas pintadas. Foi nesse momento de tirar a moeda entalada da máquina que ela pensou que se a máquina de lavar roupas funcionasse bem após ela ter pinçado a moeda, ela gastaria a moeda naquela passagem.

Agora foi a vez de o atendente sorrir para ela e dizer:

_Estou certo, houve uma condição e a sua resposta foi sim. A sua vida é feita nessas duas palavras: o sim e o não. Quem foi que disse que para ser uma pessoa decidida é preciso exercitar-se em questões complexas? Não deixa de ser engraçada a sua história, porque muitos chegam aqui por outros meios. Deixe-me dizer que alguns chegam aqui e ao se apresentarem não apresentam a sua identidade, ao contrário, chegam aqui e dizem o que comem em primeiro lugar. Alguns chegam mesmo a trazer o rótulo da embalagem do seu produto preferido. Saiba que são atendidos da mesma forma e com a mesma atenção. Não distinguimos o livre-arbítrio de ninguém, também não julgamos. Compraram a passagem e chegaram aqui através das duas palavras que nos importam. Fornecemos os contratos e os regramentos, também perguntamos a eles sobre o alimento que eles não comem de jeito nenhum.

O passeio começou e Joseane aproveitou os seus dias com toda a lógica que possuía.

Chegou cansada à Terra, precisava de ideações e sentimentos e foi ao lanche na lanchonete da esquina.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Final de Festa / Crônica de Supermercado

Final de Festa / Crônica de Supermercado
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Querendo ou não, fui buscar os pães, peguei fila, e não gostei do que ouvi.
Parece ainda ressaca, mas não; dessa vez a realidade estava ali, contada por um casal de namorados uma dezena de pessoas à minha frente na fila.
O garoto disse para a namorada:
_Sabe quem é aquele homem que está no caixa número x?
Ela disse que não e ele contou sobre o homem, não somente para a namorada, mas para toda a fila.
_Aquele homem exerce uma alta função na instituição financeira “Dinheiro Seguro” (nome fictício proposital diante do absurdo presenciado). Ele recebe mensalmente R$325.000,00 – trezentos e vinte e cinco mil reais por mês. Mora na Rua 1000, sem número (endereço fictício, pelo motivo citado acima).
A namorada perguntou ao jovem como é que ele sabia tanto daquele homem e ele disse que trabalhava numa loja próxima a casa dele.
O jovem disse ainda que o admirava pela simplicidade dos gestos e, apesar de todo o dinheiro que possuía, estava no supermercado igual a qualquer consumidor.
A namorada olhava para o namorado com ar de surpresa. Eu fiquei indignada
A minha indignação é pela vida do homem contada em fila de supermercado, se é que é verdade, conforme o jovem disse que realmente sabia.
Não conheço o cidadão e nem os seus talentos para o mercado financeiro, mas certamente sabe mais que muita gente e tem os seus méritos. Duvido que o homem em questão tenha se exposto em público, ele seria responsável pelo posto que, de fato conseguisse.
O jovem conseguiu muitas expressões sisudas nessa fila, pois mesmo que soubesse, não deveria expor um cidadão, que nem sequer o ouvia, a essa situação constrangedora.
O Ano Novo começou de fato e, não muito divertido.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um Casamento de Aventura

Um Casamento de Aventura

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A mãe de Aline ligou. Convidou a filha e o genro, Emerson para almoçarem na casa dela no sábado.

Aline e Emerson formavam um casal jovem e apaixonado. Haviam se casado há dois meses, ele com vinte e três anos de idade e ela com vinte.

Bons filhos, contariam, sem muitos detalhes, a aventura pela qual passaram. Aline pediu para que a mãe fizesse papo de anjo para a sobremesa. Aquela sobremesa era a preferida da filha e, a mãe, concordou em fazer e no mesmo momento pediu ao marido que fosse buscar os ovos no supermercado.

O casal chegou sorridente. O pai e mãe de Aline estavam orgulhosos do bom casamento que a filha fizera. Emerson era atencioso para com Aline e Aline era carinhosa para com o marido.

Saudosos da filha que não viam há mais de quinze dias, perguntou das novidades, Aline tinha dito ter passado por alguma aventura e eles gostariam de ouvir sobre as primeiras aventuras, ou, dificuldades, da vida de casada.

Emerson preparou a história:

_Dona Camila e seu César, eu e a Camila resolvemos ir ao motel.

Dona Camila disse que ir ao motel nem deveria ser considerada uma aventura, mas um tempero a mais no relacionamento do casal e que eles nem precisavam contar nada a respeito, pois estavam casados e a vida particular deles.

Aline entrou na conversa e disse:

_Sei disso mãe, mas aconteceu uma briga de casal num outro quarto enquanto estávamos lá.

César disse que quem vai ao motel pode se aborrecer, mas ainda assim era uma decisão do casal e ele respeitaria a privacidade deles.

Emerson e Aline disseram juntos e, ao mesmo tempo:

_O motel chamou a polícia.

César e Camila se entreolharam e concordaram que eles provavelmente mostraram os documentos e vieram embora.

Aline disse que não. Emerson havia sido promovido numa empresa de renome e não poderia ser caso de motel.

Finalmente César e Camila se interessaram pelo assunto e aguardaram o desfecho da história.

Emerson ligou para o gerente e disse que não queria ser visto saindo do motel numa situação constrangedora, contou Aline, que concordou com o marido, pois o salário era muito bom e também disse que apoiou o marido.

Camila perguntou:

_Como foi que vocês se arranjaram?

Emerson estava com a fisionomia grave, mas respondeu dizendo:

_O gerente não conseguiu que nós saíssemos pela porta dos fundos e a polícia estava verificando quarto por quarto. O motel era no andar térreo e fugimos do lugar pela janela do banheiro. A camareira jogou um cobertor do segundo andar para cobrir a Aline que estava com um baby-doll dourado e sandálias de dedos. Eu vesti o meu pijama de tecido de sarja azul marinho e pulei a janela, também com as sandálias de dedos nos pés. As nossas carteiras de identidade estavam dentro do bolso da bermuda de dormir.

César, ligeiramente rubro, concluiu a história, dizendo que, provavelmente eles voltaram a pé para casa, tomaram um banho morno e foram dormir.

Aline, com um ar triste, disse que não. O motel ficava numa rodovia e eles andaram até o primeiro posto de gasolina que encontraram para emprestar o telefone do estabelecimento e chamar um táxi.

A mãe da Camila, preocupada, perguntou sobre e que acontecera depois.

Emerson continuou a história:

_Chegamos ao posto de gasolina. Expliquei a situação ao gerente e ele me cedeu o telefone após eu mostrar a minha carteira de identidade e falar próximo a ele para que ele visse que eu não cheirava a álcool. O táxi iria demorar quarenta minutos e as pessoas que faziam lanche na loja de conveniências começaram a olhar para a Aline e as alças do baby-doll dourado, que sem querer aparecia enquanto ela andava coberta com o cobertor do motel. Eu fiquei sem saber o que fazer muito constrangido.

Aline o interrompeu, dizendo:

_Nesse momento eu comecei a pedir a ele que comprasse um lanche. Eu fiz de propósito, para mostrar a todos que éramos um casal. Ele percebeu e disse que lancharíamos quando chegássemos a nossa casa.

_Começamos de birra um para com o outro, mas em tom ameno. Tínhamos medo que o gerente do posto de gasolina chamasse a polícia. Fomos para frente do posto de gasolina para esperar o táxi.

César murmurou a palavra sim. Agora, pálido.

Emerson continuou a história dizendo:

_O gerente do posto de gasolina se viu numa situação embaraçosa quando Aline ficou em frente ao posto e ofereceu o lanche dizendo que eu não precisaria pagar. Eu segurei o cobertor para que Aline comesse o sanduíche e tomasse o suco de manga.

A essa altura, o pai e a mãe da moça conseguiram dizer: Hum. Nada, a voz estava contida na garganta, nada, além disso.

Aline disse que comeu o sanduíche devagar e o táxi chegou ao posto de gasolina.

Emerson disse:

_Ao nos ver naquele estado, de roupas de dormir e despenteados, com o cobertor e com as sandálias de dedos, o motorista pediu pagamento adiantado. Eu fiquei nervoso e peguei o cartão que estava no bolso da bermuda. O cobertor caiu e todos os fregueses do posto bateram palmas e alguns tiraram fotos com os seus celulares. Entramos no táxi com pressa. Por sorte, o cobertor do motel não era bordado com o logotipo do lugar e a Aline cobriu o rosto quando o cobertor caiu. Tudo terminou bem.

César e Camila ficaram estupefatos, olhando para frente como se a sala estivesse vazia.

Aline, boa moça e bem educada, foi até à geladeira, pegou o papo de anjo, as taças de sobremesa e serviu pai e mãe.

Emerson respirou fundo, aliviado, por ter compartilhado com os sogros o que não contaria ao seu próprio pai e mãe.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Almoço à Brasileira

Almoço à Brasileira

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Deixe-o dormir à ressaca,

Que hoje a cozinha é precisa;

Come essas sobras de graça,

Co’a água servida na brisa.

 

Sue o calor de quem assa,

Forno que o pão poetiza;

Mesa servida a quem passa,

É elaborada e concisa.

 

Sente o cansaço que aplaca

Nesse fornear que abaliza,

Nessa travessa que escassa,

Mesa que, a si, se entroniza.