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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Misericórdia / Crônica de Supermercado



Misericórdia / Crônica de Supermercado



          Misericórdia / Crônica de Supermercado

     Essa é uma conversa que irá lhe irritar. Extemporânea e pesante e agressiva aos ouvidos sensatos. Houve quem não a quisesse escutar.
     Vamos à questão indigesta:
     _ Por que é que Jesus expulsou os vendedores do templo, quando sabia que as vendas eram realizadas por gente importante? Como todos sabiam, os mercadores que trabalhavam no templo eram conhecidos por seus produtos e era costume do povo fazer compras no templo. Ele tinha que negociar, senão por vontade, por obrigação. Ele devia se submeter ao que os mercadores queriam e perguntar o preço dos produtos.
     A essa altura, o leitor e a leitora se irritaram.
     A vontade que eu tive foi de perguntar ao cidadão se ele gostaria que aparecessem vendedores de churros, sanduíche natural, milho verde cozido e paçoca de amendoim enquanto ele estivesse em orações. Não me meto em conversa alheia e peguei o meu telefone celular para me distrair.
     Os meus ouvidos foram provocados mais uma vez.
     _Olha, a negociação passava pelos mercadores. Ou Ele cedia à vontade dos mercadores ou cedia. Não cedeu e se deu mal.
     Houve um equívoco nessa afirmação, nem Jesus e nem Deus se deram mal. Continuam vivos até hoje e Eles ensinam o bem a toda gente. Cadê os nomes dos mercadores do templo nos livros? Ninguém sabe quem foram eles!
     Eu tento contar essa história e ouço que provavelmente eu ouvi em excesso de audição.
     Não há excesso e o pior da conversa entre aqueles homens segue abaixo:
     _A nossa negociação é na base de cinquenta por cento. Trinta por cento é somente se dermos desconto, como o imbecil do Judas o fez. Nós não fazemos desconto.
     Eu tento contar essa história até o fim, mas de novo ouço que eu estou musicando a conversa.
     Eu sei é que a conversa terminou assim:
     _Você tem muito que aprender e eu vou lhe ensinar, você tem talento, falta aprender a pedir os cinquenta por cento de comissão. Mas tudo tem um prazo e o meu prazo está se esgotando. No entanto, dinheiro me sobra.
     A essa altura eu consigo pensar numa música, uma daquelas músicas terríveis de ópera.
     E essa fila que não anda. E eu querendo vir embora dali.
     Agora, Deus é Deus e faz o que quer. Se Jesus expulsou os vendilhões do templo para que isso fosse uma forma de aproximá-lo da vontade de deus para que Ele fosse o libertador dos pecados na terra, quem somos nós para discutir o fato?
     Numa época voltada para a espiritualidade cristã como essa e, diante do que os meus ouvidos ouviram, só posso terminar a crônica com uma palavra:
     “Misericórdia!”
    
.
     

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Enquanto você pede por Misericórdia... ouso complementar Piedade, Senhor eles não sabem o que fazem (ou falam...)
Abraço.