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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Lua Negra

A Lua Negraimage

Cacilda e Leonor aproveitavam a primeira noite de turismo rural no interior do estado de São Paulo e, para se entrosarem com os outros excursionistas, estavam à varanda da casa da chácara junto com os outros hóspedes olhando o céu e observando as estrelas de um céu ponteado de luzes.

Leonor comentou sobre a lua minguante que se parecia com um berço segurando a lua translúcida, redonda e marrom escura contrastando com o céu azul marinho.

Os hóspedes ergueram suas cabeças enquanto Cacilda dizia:

_Vemos o lado escuro da lua em plenitude, parece um planeta marrom.

Alguns colegas de varanda pegaram as suas câmeras fotográficas, outros se deixaram encantar pelo céu. Leonor prosseguiu:

_Daqui a dois dias será lua nova, é a lua que ninguém vê. Sabe-se lá o que pode acontecer se ao invés do nada passarmos a ver uma bola marrom dependurada no céu.

Ninguém respondeu ao comentário.

Passaram-se os dois dias em entretenimentos na fazenda. Leonor, entretanto, aguardava que a noite chegasse. Os seus temores se confirmaram e, no céu, o planeta marrom.

Cacilda, professora de geografia, levou um susto. Segundo ela, a lua influencia as marés, as mulheres e seus bebês, também a agricultura. Essa luz opaca e triste por certo haveria de influenciar também, mas não tinha a mínima ideia do tipo de influência que poderia ocasionar ao planeta Terra. Juntou-se a Leonor, talvez a única que pudesse ficar ao seu lado em caso de necessidade em relação à Lua.

Naquela noite alguns hóspedes estavam agitados e demonstravam o nervosismo na feição desproporcionalmente rude para quem está em férias num local aprazível e com sabor caseiro.

Observaram que as mulheres provocavam o nervosismo nos homens, pois, algumas delas andavam de um lado para o outro sem sequer tomar um copo de água, outras compravam lanches e os deixavam de lado após a primeira mordida, além de outras que pediram refeições completas e saíram para o campo em volta da chácara porque queriam caminhar sozinhas, de madrugada, sob aquele fenômeno desconhecido.

Ouviu-se o marido de uma delas perguntar o que estava acontecendo e a mulher dele respondeu que desistira de comer o sanduíche para comer uma fruta. O marido, aborrecido, pegou o lanche e comeu.

O gerente do hotel veio até a turma de turistas e disse que os passeios de caiaque no rio estavam proibidos à noite e que não poderia atender às senhoras que haviam pedido um guia.

Cacilda se dirige a Leonor e diz que a lua precisaria voltar ao normal; para isso pede que a ela que elabore uma teoria para solucionar o caso de maneira que não abrangesse a ciência porque o estudo de nada valia naquele momento inusitado.

Leonor disse que a energia neutralizadora da luz escura era composta por pensamentos positivos porque o ser humano é energia em essência e o pensamento é a maneira correta de expandir essa energia, mas se houvesse sofrimento, a luz escura prevaleceria energizando a negatividade iluminada e desconhecida. O seu temor era que a Lua estivesse sendo iluminada por um buraco negro do espaço, aquele com a força gravitacional maior do que a do nosso planeta. Se a Lua estivesse sendo atraída por tal gravidade estelar, logo ficaria marrom e poderia levar a Terra junto com ela a se transformar em antimatéria. De acordo com a sua teoria, seriam necessárias mais de quarenta pessoas confiando plenamente umas nas outras para que houvesse uma dispersão eficiente para bloquear a ação desse buraco negro, se fosse o caso.

Cacilda gostou da ideia porque na chácara havia mais de cem pessoas. As duas passaram a noite conversando e planejando uma fórmula para que mais de quarenta estranhos entre si confiassem plenamente uns nos outros criando uma confiança artificial, mas com efeito igual em termos de energia, como se fosse uma vacina criada a partir do placebo.

Na manhã seguinte propuseram ao guia turístico uma brincadeira na hora do almoço, cuja permissão da gerência caberia ao guia conseguir. O nome da brincadeira foi inventado e chamado de Exercício de Confiança Mútua, em tese a brincadeira ajudava na compreensão e aceitação do ser humano como um todo: afeto, razão e ação.

Chegada a hora do almoço, com a participação do gerente, os turistas que concordaram em participar somavam quarenta e duas pessoas no total e estavam na sala de almoço.

Cacilda e Leonor se veem sem margem de erro, muito próximas do número exato de pessoas necessárias. Cruzam os dedos e torcem para que todos se deem a confiar.

A brincadeira começa e consiste em um hóspede servir o outro até que todos estejam servidos. Todos os servidos deveriam, ao final da refeição, ficarem satisfeitos se sentindo bem servidos e alimentados de acordo com a sua vontade.

O primeiro pediu ao próximo: arroz integral, salada e carne de aves.

O segundo pediu ao próximo: massas diversas com dois molhos em cada uma.

O terceiro pediu ao próximo: saladas e carne de churrasco.

O quarto pediu ao próximo: peixe, arroz e batatas douradas.

Assim foi até o quadragésimo segundo, que foi servido pelo garçom e pediu de tudo, um pouco; o servido pelo garçom não contava para a energia, mas ele não sabia disso.

Após todos almoçarem é anunciada a mesa de doces caseiros e frutas da região na varanda, onde depois seriam servidos cafés.

Em meio à confraternização, Leonor pede a atenção de todos e Cacilda pergunta se todos estavam satisfeitos e se foram servidos a contento. Todos murmuram que sim.

Era chegado o momento decisivo e as duas, Leonor e Cacilda pedem a todos que digam em voz alta para que até nos confins da Terra sejam escutados.

Eles tinham aceitado participar da brincadeira e aceitaram, em coro, dizer a palavra sim em alto e bom som.

De acordo com os cálculos, a energia fora liberada, restava esperar o resultado.

O céu naquela noite está nublado e não se veem estrelas, luas ou o próprio céu apagado pelas nuvens. O dia seguinte amanhece chuvoso. A viagem segue a rotina e tudo parece normal. Os dias passam e a hora de voltar para casa se aproxima. Leonor tem compromissos e não pode prolongar a estadia na chácara, mas Cacilda fica.

Demoraram quatro dias até a frente fria se afastar da região para que o céu voltasse a ficar limpo sem sinal de nuvens. Nessa noite a lua aparece em quarto crescente com a luz escura bloqueada, finalmente o lado escuro da Lua estava de onde não deveria ter saído. Cacilda, ao ver a Lua, liga imediatamente para Leonor e avisa que está tudo bem com a lua. Leonor diz a ela que pode voltar para São Paulo porque a crise lunar foi contornada.

Cacilda arruma as malas. Ela não tinha dúvidas que a Lua tinha sido iluminada pelo buraco negro, ela sabia que a desestabilização da órbita da terra poderia, em tese, acabar com o planeta Terra, tal como se nos apresenta hoje. Havia sido um passeio de estudos que precisavam de auxílio de outras áreas de conhecimento, importava mesmo é ver a Lua sã e salva com a luz normal. Supõe-se a existência de outras formas de energia vivas no espaço e não se pode arriscar, se é estranho conte e se comunique.

3 comentários:

Célia Rangel disse...

... na realidade... quem somos nós que a tudo achamos que comandamos... dispersos, há outros, muitos outros... é só aguçarmos a sensibilidade...
Bj. Célia.

Antonio Luiz Gomes disse...

OLÁ ! Após um "longo e tenebroso inverno"estou passando por aqui,para ver,ler e desejar-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Pode fazer as compras dos presentes ,pois vai haver Natal sim,a despeito das notícias em contrário. Que este final de ano seja cheio de PAZ,ALEGRIA E ESPERANÇAS para você e junto às pessoas que você ama.

Lu Cidreira disse...

Hoje em dia muitos ainda acham que o tal buraco negro possa desestabilizar com a vida na terra.
A preocupação com o dia 21/12/12 é constante para muitos, e tudo já foi desmitificada, hoje também foi mencionado sendo 12/12/12. Vamos ainda viver é muitas mazelas que o próprio ser humano irá cometer.
O inchamento do planete em proporções gigantesca irá nos provar isso.
E para quem tem preguiça de ler um livro inteiro, fica aqui essa sugestão leiam esse trecho desse conto.
Abraço