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sexta-feira, 30 de março de 2012

A Terceira Reportagem

A Terceira Reportagem

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Nota da autora: Para quem não leu as duas primeiras, e ficarem com vontade de ler as reportagens, elas se encontram no arquivo do blog.

O repórter chama-se Edson Prado e agora tem alguns anos de experiência, comete menos gafes e vamos à história:

Pensando no setor de microempresários, o jornal pede ao repórter que vá ao Bairro da Moca, São Paulo, para entrevistar o dono de uma padaria.

Edson se dirige até a Moca e pergunta entre os comerciantes qual a história mais interessante daquele lugar entre os microempresários. Conta da reportagem a ser feita e da necessidade da história chamar a atenção do público leitor para o lugar comum, que todos conhecem, mas que pode ser diferente em algum aspecto e valha a pena ser lida.

Os comerciantes indicam a panificadora do Lisandro e pedem ao repórter que ele mesmo ouça o que o outro tem a dizer. Eles desejam o retorno do leitor, seja ele quem for, porque é um fato que acontece a alguns comerciantes e parte deles abre falência; até hoje não se descobriu o motivo.

Edson se apresenta a Lisandro e pede o resumo da sua vida como panificador.

_De fato, a minha história é curiosa. Eu tive uma padaria em um Bairro de moradores pobres e, embora os meus pães fossem muito saborosos, os habitantes do lugar preferiam comprar os pães no supermercado porque o dinheiro deles era justo e os cinquenta centavos a mais cobrados pelo quilo de pão pesava no orçamento. O que eu fiz? Aprimorei as minhas habilidades se confeiteiro, nas massas de pão e salgados. Confiante na qualidade de tudo o que poderia produzir, passei o ponto comercial a outro comerciante que vendia frutas e verduras diretamente do produtor e a preços acessíveis a eles, aluguei um ponto comercial perto do Pacaembu por dois anos e montei a padaria que eu desejava com doces crocantes e recheios cremosos, salgados assados de alto padrão, etc. Aconteceu que a panificadora foi tão bem que o lucro pagou o investimento em quatro meses. Filas se formavam desde a frente da porta de entrada do estabelecimento e os consumidores não se importavam de pagar mais vinte ou cinquenta centavos a mais levando em consideração a qualidade do sabor dos produtos ofertados a eles. Eu sorria de orelha a orelha e levantava-me às quatro da manhã com alegria, mesmo em dia de chuva. Parecia que tinha feito o negócio perfeito. Passaram-se dois anos e chegou a hora de renovar o contrato de locação. O dono morava próximo ao local e via o meu negócio bem sucedido. Foi aí que decidiu dobrar o valor do aluguel. Eu tentei negociar com ele e disse que as vendas iam bem, mas o aluguel em dobro comeria o negócio. Eu vendia pães, não ouro. Nesse ínterim apareceram moradores da região reclamando que a fila era grande e que os carros dos fornecedores de farinha, de refrigerantes e de produtos resfriados estacionavam em local apreciado pelos moradores e que atrapalhavam a livre movimentação no lugar. Eu tentei negociar com o locatário e disse aos moradores que poderíamos rever os locais do estacionamento dos fornecedores, mas foi em vão.

O repórter interveio e perguntou se ele ao invés de reclamar, havia se retirado do Bairro e perdido o negócio.

_Bom, foi um decisão difícil. Com o dinheiro que eu ganhei e que não era pouco para o ramo, eu poderia comprar uma loja em outro local menos valorizado. No entanto, se eu pagasse o aluguel desejado, eu perderia o lucro futuro e veria o meu negócio em franca decadência, fazendo do meu comércio a fortuna do proprietário do lugar. Dinheiro, em si mesmo, não serve para nada, então avaliei sobre a quantia armazenada no banco que serviria para realizar melhoria das instalações originais tendo em vista o público crescente e exigente. Eu me retirei do lugar bastante aborrecido quando comprei esta loja. Logicamente dei folhetos de propaganda com o novo local da panificadora, mas no fundo eu sabia que ninguém se deslocaria de um bairro a outro para comprar pães.

Edson pediu a ele que concluísse a sua experiência.

_Certo dia, antes de fechar a loja definitivamente, apareceu um freguês e me perguntou o porquê da minha decisão. Eu desabafei e conversei com ele sobre os problemas do Bairro. Disse que não me arrependia de ter me instalado ali, mas que eu saia magoado com o final do relacionamento. Era comércio, mas até então eu não havia presenciado tamanha mesquinharia. O freguês aproveitou e se queixou do lugar, mas era proprietário de apartamento residencial naquele lugar e também pagava caro por comportamentos que não eram os seus. Pão se faz com carinho, mesmo com as máquinas que possuo. Este lugar é bom para os negócios, talvez porque eu seja o proprietário do espaço físico que ocupo. Fazer sucesso rápido sem a infraestrutura necessária para aguentar a pressão da demanda não é bom. Devagar se consegue fazer melhor.

O repórter, fascinado, o cumprimenta e deseja sucesso a nova panificadora. Promete que irá fazer o possível para conseguir informações e orientações a todos que conseguem atingir o sucesso dos lucros antes do desenvolvimento profissional adequado a situação. Compra alguns pães e ganha alguns doces para levar à redação do jornal, gentileza do homem que sabia o que produzia. Conseguira pauta e matéria para uma semana.

7 comentários:

Ivana disse...

Yayá, boa noite!
Lisandro vai fazer sucesso, tem tino comercial, só de oferecer pães e doces para o repórter já mostra que ele é do ramo. Um abraço, um ótimo fds

Ingrid disse...

beijo Yayá..
um lindo sábado para ti..

mfc disse...

As voltas que a vida nos obriga a dar...
E será que irá funcionar desta vez?!

Beijinhos,

Jorge disse...

Yayá. Não sei que se passa com o seu blog. Postagens muito interessantes mas enquanto estou a ler a página salta para cima e para baixo e não consigo terminar porque me perco constantemente. Pena.
Um abraço.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Uma história interessante.Gostei
de ler. Beijinhos
Irene, ah, gostei da sua visita
ao meu sinfoniaesol

Artes e escritas disse...

Jorge, grata pela mensagem. Relatei um erro XB ao servidor, conforme me foi pedido quando tentei postar um comentário e não consegui porque o erro impediu. Grata aos que conseguiram ler. Um abraço a todos.

manuel marques disse...

é sempre um enorme prazer passar por aqui.

Beijo e bom final de semana.