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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Mudança

A Mudança

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O casal era bem situado na cidade, emprego fixo, filhos em boas escolas, aos de fora parecia que tudo estava bem. No entanto, o dia a dia era uma correria sem fim.

Era um domingo quando eles avistaram no jornal uma casa à venda em Matelândia, no interior do estado. Uma casa de cinco quartos, duas salas, três banheiros, garagem para dois automóveis e quintal com árvores. Pensaram no sossego que teriam enquanto os filhos fossem pequenos. Ele comerciante e ela bancária sentiram-se no paraíso ao perceber que o valor do apartamento onde residiam valia o dobro do valor daquela casa que era o dobro do tamanho do apartamento.

Ivana propôs ao marido que ela pediria transferência para a cidade e ele montaria o comércio dele com ela segurando as contas da família.

Ele assistia o futebol abraçado à esposa e concordou dizendo que conversariam após o jogo. Chegaram pais e sogros para visitarem os netos e a conversa foi esquecida.

Passam-se dezesseis dias e no final do dia Ivana entra com ar de triunfo na hora de servir o jantar:

_Amores da minha vida, consegui a transferência!

Júlio não entendeu a notícia:

_Como?

Ivana disse que o emprego em Matelândia estava garantido e que o apartamento onde moravam estava quase vendido.

Os dois garotos e o pai ficaram aturdidos: e agora? Sem o emprego da mulher, o padrão de vida cairia, e os meninos não poderiam frequentar as escolas pagas. Júlio interveio de mau humor:

_E os meninos? Você conhece alguma escola em Matelândia?

Ivana foi prática, viu e providenciou o estudo dos filhos.

Júlio era comerciante e ela o levou à falência naquele momento. O jeito era se mudar.

A mudança foi bem aceita por todos, mas o marido extrapolava em roupas esportivas e sapatos sem graça. Ivana não havia visto o marido naqueles trajes na cidade, nem nos finais de semana.

_Amor, você não tem vontade de se arrumar?

Ele estava à vontade quando disse que não.

Ivana, arrumada como na capital, angariava clientes para o banco.

Os garotos, André e Tiago aprendiam português e espanhol, como disciplinas obrigatórias dadas à proximidade da cidade com a tríplice fronteira com a Argentina e o Paraguai.

Passam-se seis meses e Ivana é promovida a gerência regional do banco em que trabalha em Foz do Iguaçu. Ela chega ao lar desejado e pergunta ao marido o que ele espera do comércio e ele responde que: se melhorar estraga. Então, dirige-se aos filhos e pergunta como pretendem chegar à universidade e eles respondem que com o padrão de ensino que têm, eles escolherão onde estudar.

Ela então olha para o seu casaco de linho, a blusa de seda de mangas curtas, as calças de linho cor de terra, os sapatos de salto com fivelas. Joga os sapatos na sala onde estão reunidos e fica descalça e sobre o sofá deixa o casaco de linho. Cruza os braços. Pergunta ao marido sobre as possibilidades de trabalharem juntos.

O marido, que agora conhece a esposa que não brinca quando comenta, pensa antes de responder.

_Espere que eu faça alguns cálculos.

Ela espera e ele responde que poderão viver bem se ela sair do banco.

_Você foi demitida?

Ela disse que não, que havia sido promovida.

_Quanto de dinheiro eu vou precisar para saber usufruir a vida ao lado de vocês? Bem menos daquilo que hoje me oferecem.

E, embora com a consciência avisando de que ela poderia se arrepender veste um vestido de malha de algodão e umas sandálias comuns. Havia sido ela a providenciar aquela mudança, bastava que ela mudasse de mentalidade para se entrosar no lugar. Era preciso mudar.

10 comentários:

Luís Coelho disse...

As mudanças interiores são a chave de todas as outras e temos tantas coisas para mudar....!

Elizabeth disse...

Yayá tu calidez y calidad me dejan sin palabras. Besos.

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Yayá. Fiz questão de voltar logo para registrar que achei o seu comentário metafórico muito inteligente e de uma percepção incrível no meu poema "JURAS VAZIAS".
De todos os seus comentários, esse fez com que eu lesse sem me cabsar e refletisse. Obrigada.

Quanto à postagem, muito boa. A esposa viu que a adequação deveria partir dela, e que o material somente não faz com que uma família seja feliz.
Ela cedeu, e com certeza a mudança que eles terão juntos será muito mais produtiva e significativa.
Um beijo na alma, e fique na paz!

Mariazita disse...

Olá, bom dia
Tenho visto vc "por aí" nalguns blogs, e reparei, também, que vc se fez minha seguidora.
Por isso resolvi vir conhecer teu espaço.
Gostei! É muito agradável, aqui.

O último post é muito bom.
Não há dúvida que muitas vezes temos que fazer opções na vida. Concordo com a resolução da Ivana -optou pela família no momento certo.

Lamento, mas não posso, por agora. fazer-me sua seguidora. Estou com um problema no blog que não me deixa fazer-me seguidora :(
Consigo já são 5 blogs que tenho que seguir logo que o Blogger resolva o meu problema. Mas não fica esquecido...

Bom fim de semana. Beijinhos

Jorge disse...

Li e gostei!

ஜ♥Patricia♥ஜ disse...

É como disse meu médico, se vc não mudar eu não posso te ajudar em nada, coragem, foi para sair do certo, mas quem disse que aquele certo seria o correto, Adorei!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Mudar, ai como eu precisava neste
momento ter coragem para mudar.
Mas falta-me.
Bj
Irene

Graça Pereira disse...

Yayá, minha linda
Quantas vezes é preciso mudar...mudar tudo, exterior, interior e começar tudo de novo! Às vezes custa sair da pequena concha de caracol...mas há mais mundo para além dela. Gostei da história!
Beijo e bom fds.
Graça

Jopz_B1B disse...

Ivana é um lindo nome e essa tem coragem e objetivos. Gostei dela.

JOPZ

AFRICA EM POESIA disse...

minha amiga


Ter Amigos é uma grande riqueza. Eu tenho-os e sinto-me muito feliz pois são juntamente com Deus e a minha família a minha grande rectaguarda.

obrigada por pertenceres a este grupo de Amigos..
um beijinho