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domingo, 30 de novembro de 2014

Entre Ésquilo e Esquilos

Entre Ésquilo e Esquilos

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Ouça o som dessa voz,

Fala do coração,

Do amor que grita em nós;

E não é mais solidão.

 

Há um esquilo entre vós.

Um sonho, uma ilusão,

Um desejo de noz;

Algum samba-canção.

 

Mas é estudo, e a sós;

E se fez vocação.

Portanto, porta-voz,

D’uma realização.

sábado, 29 de novembro de 2014

Indomável

Indomável

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Quem é o dono da cor

De toda a água do mar,

De todo esse frescor,

Da brisa de sal no ar.

 

Quão imensa é a cor do amor,

Que a paz, de tanto andar,

Descansa a sua dor

E pode murmurar...

 

Que seja esse calor,

A cena a se pintar;

De um nobre pescador

Que soube aos pés molhar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Escolhas

Escolhas

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Escolha é viver,

Descobrir, fazer,

E se surpreender.

 

Ao verbo dizer,

Saber vir a ser;

Sonhar é querer.

 

Bendiga esse crer

No bem por fazer,

Esse enternecer.

Previsão

Previsão

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A mente calma

Num bem querer

É o que te salva.

 

Refrescar a alma

Sempre requer

Alguma pausa.

 

Porque faz falta

 

O se prever.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pequenos Adoráveis / Crônica do Cotidiano

Pequenos Adoráveis

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Tem muita gente se mexendo para as compras de Natal.

Os gerentes avisam os funcionários de que os dias serão bastante movimentados de agora em diante. Em todos os lugares: lojas, estacionamentos, e onde quer que haja lembranças para vender.

Numa loja que entrei duas senhoras conversavam sobre presentes ousados. Perguntaram se eu compraria um presente ousado ou se me arriscaria a usar o tal presente, no caso um par de sapatos muito original.

Não respondi. O presente não é para mim e como é que posso dar palpite sobre um presente ousado para alguém que não conheço!

Em meio às compras, a animação.

É parte dos problemas de final de ano querer encontrar o presente ideal.

As crianças pedem o que gostariam de ganhar. É até mesmo divertido saber o que cada uma delas gostaria de ganhar.

A doçura das conversas entre os pequenos e os adultos.

Um garotinho, ainda pequeno e inteligente pediu aos tios, aos avós e aos pais um par de tênis para brincar com os amigos. Ele fez o mesmo pedido aos três durante o último almoço em que a família se reuniu.

O garoto tem por volta de sete anos de idade e não usará os pares de tênis até o final do ano que vem. Criança cresce.

Ele obrigou a família inteira se reunir para discutirem sobre os pedidos de Natal dele.

A conversa gira em torno de quem dará o par de tênis para o menino, porque dois dos pedidos não serão atendidos.

O pai chamou o filho e perguntou para ele se, por acaso, ele estava com receio de não conseguir o par de tênis. Para que três pedidos iguais?

Adulto pensa de um jeito.

_Eu quero três tênis, um de cada cor.

O pai pergunta:

_E brinquedo, você não quer nenhum?

O garoto faz pose ao responder para o pai.

_Não. Eu cresci bastante no último ano e os meus irmãos mais velhos não ganham mais brinquedos. Eu quero ganhar tênis para poder sair com eles jogar futebol na praça.

Os irmãos mais velhos têm respectivamente doze e quatorze anos. O pequeno não entrará no time de futebol dos irmãos mais velhos.

A resposta foi que conversariam com calma, em casa, enquanto tomassem o lanche.

Eu sei que tem uma família com avós, tios, pais e garoto discutindo a melhor solução para os três pares de tênis.

A distância percorrida entre o conselho do gerente e a conversa do garoto é imensa, embora tudo tenha se passado em menos de duas quadras a pé.

A sensibilidade chegou. Presente é metáfora...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Black Friday / Crônica do Cotidiano

Black Friday / Crônica do Cotidiano

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Dizem que a sexta-feira de desconto é um estrangeirismo, que os descontos não são tão reais quanto em outros países, etc.

Mas é necessária e eu conto a razão.

Nos idos dos anos 70, havia a semana de desconto. E, por favor, parem de pensar em governo, política e o escambau. A semana de desconto era promovida pelos comerciantes que tentavam modernizar o comércio.

A semana era com data certa e os descontos valiam entre os dias 26 a 31 de dezembro.

Adolescente que era eu recebia o meu presente de natal com algum dinheiro para comprar roupas na semana de desconto. Foi parte da educação.

_Saia sozinha, escolha o que quiser comprar. Não compre discos ou chocolates. O dinheiro é para roupas e calçados.

Por que sozinha, perguntei.

_Para aprender a escolher. O que você comprar, seja do modelo que for você terá que usar.

Duas compras me são inesquecíveis: uma jardineira de brim cor-de-rosa e um par de sandálias de plataforma também de brim. Aquele tempo chamava-se brim azul. Hoje é jeans.

O vestido estilo jardineira de brim cor-de-rosa, eu usei até o tecido esgarçar, gostei demais dessa compra. As sandálias de brim eu usei porque tinha comprado. Nem conto o tamanho da bronca que levei em consequência do LP de rock.

_No ano que vem eu não compro disco.

O dia de Natal era o dia das lembrancinhas, mas a semana que antecedia o Ano Novo era a melhor semana do ano para mim. Era a semana em que eu tinha que escolher o que queria e aprender a não fazer escolhas erradas. Por minha própria conta e risco, mas supervisionada em casa. Disco, no meu caso, não era escolha, porque eu era louca por música. Eles sabiam a filha que tinham. E respeitavam! Até hoje agradeço por não ter estudado piano na adolescência, até mesmo Clementina de Jesus e Cartola fizeram parte dos shows que fui.

Voltemos ao desconto. Esse tempo passou. É o presente o que temos.

Ano passado, depois de ouvir todos os conselhos dos especialistas em Black Friday, fui às lojas. Estrangeirismo ou não, eu gosto disso.

Havia um laptop pela metade do preço. No entanto era o último da loja e estava na vitrine. Comprei.

Tive alguns compromissos e esperei um dia mais sossegado para instalar os meus programas (softwares) preferidos.

Quando liguei o laptop, surpresa! Estava bloqueado ainda.

Liguei para a loja, o vendedor me atendeu. Disse que o gerente iria à tarde e pediu para que eu retornasse a ligação.

Com tantas advertências feitas pela mídia, eu pensei que, talvez, tivesse que retornar à loja e pedir a troca.

Quando retornei a ligação, o vendedor chamou o gerente, que gentilmente me ensinou a desbloquear o laptop e desejou que o mesmo fosse fonte de muitas alegrias na minha vida virtual.

Esse laptop fará aniversário na próxima sexta-feira. Um ano de vida.

Sinto muito por todos aqueles que não acreditam em desconto, eu acredito.

É para agradecer!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sempre-Viva

Sempre-Viva

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Sempre-viva, flor de jardim,

Que me diz do amor corriqueiro,

Que alimenta algum querubim,

Transformada em bem altaneiro.

 

E, ao ser dia, renasce sem fim,

Pois, semente de rumo e outeiro,

É família que habita em mim;

Projeção do que é verdadeiro.

 

Seu lugar é o de um anjo afim

Que abençoa esse lar prazenteiro.

A brindar, eu te louvo assim,

Quase em festa, mas costumeiro.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Notícias do Salão de Beleza

Notícias do Salão de Beleza

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Não sei se é o caso de dizer que estamos bonitas, mas saímos todas arrumadas do Salão de Beleza.

O que é novidade é que existem substitutivos para a escova progressiva, naturais e que demoram o tempo de uma escova. Duram três meses em perfeito estado de alisamento.

A outra novidade é que existe o xampu que retira a queratina e o cabelo fica crespo de novo.

Os salões de beleza se superam em produtos e serviços para deixarem as clientes satisfeitas. Porém, como não existe satisfação que dure muito tempo, as mudanças oferecem infinitas possibilidades em cores e texturas.

Existem também em forma de xampus cores imediatas. Qualquer mulher pode sair do salão com o cabelo cinza com apenas uma aplicação do produto.

Os problemas das mulheres que têm cabelo crespo estão resolvidos.

O problema para as mulheres que querem manter o cabelo num tom cinza está resolvido.

As gorjetas pululam nos salões de beleza, as amostras gratuitas também.

Mas elas avisam que quanto mais produtos, mais são as chances de quebra e pontas duplas. A hidratação capilar não resolve o problema da quebra dos fios por excesso de queratina e é preciso frequentar bons profissionais.

Os cabeleireiros hoje são estilistas. Eles imaginam o que fica bom para a freguesa e oferecem os serviços.

Não se deve aceitar nenhuma surpresa sem que a vontade de modificação seja expressa antes da modificação.

As oportunidades são muitas e, à medida que se experimenta, deve-se respeitar um prazo para a aplicação de outro produto em acordo com o que o profissional recomenda.

Nós, brasileiras, somos vaidosas. Esse é o perigo.

Uma moça contou que cortou o cabelo e ficou contente apenas uma semana. Na semana seguinte fez o chamado “mega-hair”. De tempos em tempos, ela tem que descolar todo o cabelo artificial e recolocar para manter os cabelos compridos e tratados.

O grande problema é ter que ficar muitas horas cuidando do cabelo e da boa aparência.

Presto homenagem com esse texto a todos os profissionais que têm uma imensa paciência para conosco, mulheres.

A beleza é uma metáfora que a mulher usa para expressar-se em sociedade. Mas, vamos com calma.

Hoje, descabelada e feliz. Por enquanto!

domingo, 23 de novembro de 2014

Difração Etérea

Difração Etérea.

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Em meio à escuridão,

Alguém O exaltava

E, em meio à multidão,

À Deus, se louvava.

 

Total gratidão

Que ao exemplo moldava,

Em plena oração

A luz se mostrava.

 

O Ser Redenção

A Si levantava,

Em luz, difração,

E etérea, vogava.

sábado, 22 de novembro de 2014

Das Soluções / Filosofando

clip_image001Das Soluções

A solução de qualquer problema depende do tempo e do espaço. Cronológico e geográfico. Porque é o que temos enquanto seres vivos em determinado tempo e espaço.

O mesmo espaço geográfico confere outra solução de acordo com as variáveis cronológicas do tempo.

Não existem dois seres humanos iguais, haverá sempre um distanciamento de conceitos entre os mais parecidos porque a percepção do ambiente é variável. A percepção física de uma situação seja ela boa ou ruim. Um ser humano de um metro e sessenta de altura tem a visão do mundo diferente daquele de um metro e oitenta de altura. A física reconhece que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. A visão conceitual da vida difere de pessoa a pessoa. A Bíblia diz que vemos em parte, todos são particularidades de Deus.

O tempo espiritual na solução de problemas é diferente do tempo cronológico, o tempo do relógio, das datas, dos costumes. O tempo cronológico é a realidade da vida enquanto fato material. O mundo, enquanto cronológico, oferece diferentes tecnologias ao ser vivente.

A possibilidade tecnológica varia ao espaço físico e ao tempo do seu desenvolvimento.

Não há duas soluções iguais com a interferência do tempo cronológico e o desenvolvimento de novas tecnologias, as quais estão presentes no mesmo espaço físico.

Essas deduções são puramente materialistas quando não se considera o Espírito de Deus como ser vivo em contínua atuação e desenvolvimento com o objetivo da perfeição universal.

Desde sempre o homem imagina uma viagem ao tempo. Mas, se tal viagem for possível, com o mesmo conceito e experiência de vida, naturalmente ele terá que se valer de outros recursos para a condução dos seus problemas. O tempo e o espaço físico serão outros enquanto o homem é o mesmo ser em desenvolvimento espiritual em contínua decadência no seu plano físico.

A essa altura, algum leitor amigo dirá: _Vire essa boca para lá!

Todas as coordenadas e variáveis rumam ao infinito, mas a solução será outra quando se leva em consideração as condições físicas do ser vivo.

A vida é o que interessa nesse plano físico em que, o ser que vive se encontra. Até mesmo as condições oferecidas pela natureza fazem com que as soluções sejam outras. As intempéries, as secas, e mesmo o clima faz com que outras soluções sejam buscadas.

Quando se supõe um ambiente semelhante para a condição da existência, geralmente pensado por cientistas, não se supõe que todas as reações dessa possível vida fora do laboratório reajam diferentemente se, o ser vivente, estiver em discordância do espaço físico e cronológico da sua condição natural.

Parece excipiente, mas é remédio. É resposta física, cronológica e natural à condição do ser vivo.

A solução de todo e qualquer problema existirá a partir da consideração dessas condições.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

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Quando os dias estão movimentados a gente muda de assunto rapidamente.

O céu escureceu e anunciou a chuva. Olho para cima e penso na chuva e nos pães para o lanche. Melhor não perder tempo e entrar no primeiro supermercado no meio do caminho.

Supermercado diferente e passeio rapidamente entre as fileiras antes de ir à padaria, a chuva era de pingos contados, não tardaria a cair.

Todos os caixas tinham filas e, logo entrei numa delas para me apressar.

À frente, no corredor de entrada, um jovem adulto perguntava às filas se queriam que ele cantasse.

Ele parecia um vagalume naqueles coletes na cor amarelo-ouro e de plástico.

Alguns fregueses se entreolharam, com receio, o que não deixa de ser uma pena da vida moderna.

De repente, o jovem adulto de coletes na cor amarelo-ouro de plástico soltou a voz numa moda sertaneja.

Que voz!

À minha frente havia um senhor grisalho que desconfiou ter ouvido aquela voz em algum lugar.

Os meus ouvidos estavam afinados e, embora eu não pudesse ver com exatidão a fisionomia do homem, os meus ouvidos me diziam da voz clara, limpa, sonora, afinada e talentosa.

Ele cantou um trecho de música sertaneja e caiu na risada.

Todas as filas olhavam para ele como que encantadas com a voz.

Aquela afinação própria das terças, perfeita para as músicas sertanejas, não enganava a ninguém. Era algum cantor incógnito a fim de zoar com os fregueses.

O que sei é que a se ver tão observado, ele saiu do supermercado.

Antes de sair disse num som audível a todas as filas que, se quisessem pedir que ele cantasse alguma canção que ficassem à vontade.

Todos o olhavam com admiração tentando adivinhar qual cantor sertanejo seria ele.

Ele sorriu à porta do supermercado e disse até breve.

Saiu calmamente cantando corredor afora até que não mais o pudéssemos ouvir.

Não sei quem era, ou, se realmente, era algum cantor conhecido. Talento tinha para dar e vender.

Entrei no supermercado pensando em chuva, pensei em música, ganhei o tempo, mas tomei chuva de granizo.

Conto a história da chuva.

_Granizo! E você na rua? Que susto!

Susto nada. Surpresa.

Moedas de emoção. Satisfação.

Nem sei como explicar...

Poema Empurrado

Poema Empurrado

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Empurra, oh! Minha vontade,

Todo canto de saudade,

Nem que seja c’oa barriga

Como esmola a quem mendiga.

 

E que vá junto, a verdade,

Que essa cruel curiosidade

Despertou em quem se abriga

A versar sobre o que a instiga.

 

Empurra, oh! Criatividade,

Em seu doer, a validade,

De vir ser nova cantiga

De ninar e, assim, bendiga.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O Ranário / Crônica do Cotidiano

O Ranário / Crônica do Cotidiano

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Certa época, alguns anos atrás, foi moda nos restaurantes da cidade servir carne de rã. Os cozinheiros a preparavam e ofereciam aos clientes para provar.

Edinei, conhecido da família, comprou terras numa cidade próxima ao litoral para montar o seu ranário. Despediu-se dos amigos e conhecidos e se mandou para a sua chácara localizada entre Morretes e Porto de Cima, no Paraná.

Os conhecidos perguntavam por ele aqui e acolá e ninguém tinha notícias. As ligações telefônicas caíam e, à medida da dificuldade, poucas notícias tinham de Edinei.

Passaram dois anos e eis que Edinei aparece na cidade, caminhando no centro da cidade à procura dos amigos.

Em Curitiba não tem erro: sobe a pé pela rua XV de Novembro e volta pela Av. Marechal Deodoro, e quem não encontrar um conhecido, deve duvidar que ainda esteja vivo.

Curitiba não é uma cidade violenta, mas costuma-se dizer que se está bem por enquanto, sempre “por enquanto”, para não contar com absolutamente nada como prognóstico de futuro.

Pouco se conversa, mas quando os conhecidos se encontram, logo perguntam:

_Há quanto tempo, esqueceu-se dos amigos? Outro dia perguntávamos sobre você e ninguém soube responder. E o ranário, como vai? Deu lucro?

Edinei, taciturno, contou aos amigos sobre o ranário.

_A chácara está lá e não faltam rãs. Rãs que ninguém compra porque ninguém come rãs. A moda passou seis meses após a montagem do ranário. Muita gente se tornou vegetariana após o nojo que sentiram pelo prato de rãs empanadas. Disseram que nunca serviram sapos para as suas visitas. Os donos de restaurantes deixaram de comprar. Parece que há ainda um ou dois ranários em funcionamento, mas produzem para a exportação e com mercado garantido. Perdi todo o investimento.

Um amigo, preocupado, perguntou se ele gostaria de vender a chácara, pois ele conhecia uma imobiliária de confiança.

_A chácara eu conservarei. Parece que há mercado para bananas. Estou aqui para aprender os processos de cultivo e fabricação de bananas-passas, doces e conservas à base de bananas.

O amigo se tranquilizou ao perceber que a situação do outro amigo não era tão caótica quanto dava a entender.

A chácara alimenta Edinei até hoje.

Foi uma moda. Não se sabe até hoje de onde veio à ideia da carne de rã como saudável. Grande parte da classe média curitibana teve o desprazer de ver chegar o prato de rãs à milanesa com pedaços de limão para acompanhar, além do arroz e das tradicionais batatas palito. A propaganda foi intensa e as emissoras de televisão filmavam as pessoas felizes se direcionando ao prato de rãs. Propaganda. Interesses outros para forçar o preço da carne bovina para baixo.

Vale a pena contar essa história. Edinei não tem volta.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Vez / Crônica do Cotidiano

A Vez

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Faz algum tempo. Fila de banco. Chegou um senhor de cabelos brancos. O caixa da frente ficou vago.

_A vez é sua, senhor.

Ele olhou para mim com ar de cavalheiro e disse para que eu passasse à frente dele.

_Senhor, eu sinto muito, mas são as regras. O senhor tem prioridade.

Para que foi que eu disse isso?

_Não senhora. Eu não tenho pressa para nada e não tenho mais obrigações a cumprir. Permita que eu me distraia e veja gente. A senhora pode ir ao caixa por primeiro.

Diante da zanga dele, eu fui.

Por sorte, um caixa ficou vago e ele foi ao caixa.

Terminei de pagar o que tinha para pagar e, antes de sair eu dei uma olhada nele.

Ele, com mais de setenta anos, me olhou com o canto dos olhos e resmungou:

_Hum! Ainda sei dar ordens!

Tenho certeza que ele sabe dar ordens e é um cavalheiro. Não disse mais nada.

Voltei feliz para casa.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

À Vontade

À Vontade

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Se, aqui vos dissesse,

O que rogo em prece,

Seria inconveniente;

Deus não dorme à mente.

 

Por mais que pudesse...

E, Deus me conhece,

Ele nunca é ausente

Ao tempo da gente.

 

A oração acontece,

À vontade do ES

Na paz conveniente;

Ele diz o ambiente.

domingo, 16 de novembro de 2014

Vasco da Gama

Vasco da Gama

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Ah! Esse meu coração sofrido,

É quase vascaíno, luso,

Com toda essa certeza, obtido,

Numa Palestra Itália: é obtuso.

 

Ah! Esse meu coração perdido

N’algum gol, por assim confuso,

Na voz rouca de um grito tido;

Valente torcedor iluso...

 

Agora comemora adido,

Agora não se sente intruso,

Agora é sentimento lido,

No campo, time e bola; incluso.

sábado, 15 de novembro de 2014

Amizade

Amizade

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Conhecemos ao decorrer da existência muitas pessoas boas e amigas.

Obviamente temos amigos que preservamos desde a infância, amigos dos bancos escolares e, novos amigos.

Quando se consegue manter o sentimento da amizade dentro de nós, nem tudo estará perdido. Oportunidades para novos amigos são portas que mantemos abertas dentro do espírito.

A vida é repleta de encontros e desencontros, mas é dentro de nós que estão as reais possibilidades de querermos bem e, de nos sentirmos bem quistos pelos outros.

A autenticidade não depende do outro, depende da disposição em continuar sendo autêntico (a), apesar de algumas decepções sofridas nos relacionamentos.

Amizade de infância existe. Coleguismo existe. Novos amigos também existem.

Aceitarmo-nos do jeito que somos e respeitarmos as individualidades dos outros é parte desse processo chamado amizade.

Acreditar-nos em outras pessoas é de certa forma, acreditar no Deus que é sempre um convite, nunca uma imposição.

Não existe jeito mais triste de encarar a realidade do que duvidar de tudo e de todos. Tudo pode dar errado do mesmo jeito. É mesmo querer martirizar-se procurar enganos e equívocos na vida do outro (a) que poderia vir a ser um bom amigo (a).

Não que não possamos nos enganar de novo, mas com certeza não nos enganaremos do mesmo modo que no passado.

Os jogos sociais, as convivências obrigatórias nos ambientes escolares e de trabalho, são necessários, mas não é bom viver em função desses jogos sociais que não passam de um cassino emocional. Os jogos sociais podem deixar alguém em frangalhos, tão pobre e miserável quanto os jogos ilegais.

Temos que lembrar que amigos não são gêmeos siameses, pois até os gêmeos siameses precisam se separados para sobreviverem. O amigo (a) tem suas peculiaridades de diferenças que nos fazem admirar, habilidades que não temos no nosso cotidiano.

Amigo não tem que ser obediente, tem que ser amigo. Muita gente confunde a noção de amizade com o profissionalismo. Não tem nada a ver, embora existam profissionais amigos como professores e médicos.

A amizade é um sentimento solto, difere do amor mesmo sendo uma forma de amor.

Qualquer pessoa pode experimentar uma nova amizade sem deixar as amizades antigas de lado. É preciso ter maturidade para ser amigo do outro (a), porque há que se deixar que o amigo (a) tenha as sua próprias experiências de amizades com outras pessoas, sem ciúmes.

A amizade é um sentimento complexo, que lapidado, é gratificante.

Nesses dias, as reflexões estão me pegando de surpresa.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Som da Cidade

O Som da Cidade

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Toda residência tem o seu som característico, o estalo da geladeira, o barulho das janelas com o vento, o ranger da madeira dos móveis.

São barulhos que, por vezes, nos fazem sentir aconchego numa tarde silenciosa e agradável.

Toda cidade é uma composição musical, com ruídos característicos vindos das ruas, dos pontos de ônibus, até mesmo o som da estação do metrô.

Nasce à canção procurada, que é simplesmente a vontade de ouvir o som de uma rua, um bairro, uma cidade.

Mesmo para quem aprimora os ouvidos ouvindo música várias horas ao dia, é difícil identificar essa canção. O ruído de uma rua, um bairro, uma cidade, são canções diversas que trazemos conosco e acumulamos numa estante invisível e indizível dos afetos perpetuados na alma.

Há meses procurava uma canção que me alimentasse ao espírito, que me dissesse a música que a alma reclamava por ouvir novamente.

Provavelmente todos alguma vez na vida mudaram o seletor de estações de um rádio e não gostaram de nenhuma música. Não é que não gostassem dessa ou daquela música, o espírito que habita tem fome do que é invisível. É como um bebê que chora e, a gente não sabe exatamente do que é que ele precisa.

Se fosse a tempos passados, seria impossível satisfazer essa fome do espírito. Hoje é possível encontrar a canção, o ruído, até mesmo as dificuldades e as alegrias ligadas a esse ruído.

Hoje, ao invés de se perguntar o que é que há de errado consigo, a gente corre para o computador e pesquisa.

Não é fácil adivinhar o que vai ao espírito que sente a falta daquilo que desconhece o consciente.

Um afazer que teve seu adiamento involuntário. O tempo vazio a ser preenchido, um estudo e, pronto.

O encontro à canção. Ao ouvi-la, sinto as pessoas encasacadas andando nas ruas, os táxis, a conversa dos teatros, a displicência responsável do lazer ao final do dia. O barulho da rua, a cidade que não dorme e o ar condicionado em todas as casas e apartamentos, o notebook debaixo do braço às onze horas da noite andando sem medo e cumprimentando os passantes, o café com leite da noite com a torta de queijo. A polícia incansável, bem humorada e disposta a garantir o lazer de quem sai à noite para caminhar, mas sempre séria na condução da segurança da cidade.

Fechei os olhos. Deixei que a minha alma dissesse da alegria de ouvir aquela canção.

Todos sentem essa sensação de vez em quando, a sensação de que está faltando algo na despensa e, quando olham, a despensa está completa dos mantimentos ao material de limpeza. Sentem a falta da canção que o espírito quer ouvir, mesmo que seja o ruído de uma rua, um bairro, uma cidade.

Pela primeira vez, senti algum valor espiritual na internet. Encontrei a canção que o a minha alma queria ouvir, num bem estar acima de qualquer descrição.

E não escrevo à toa: pesquise na internet até que o espírito se alimente. A fome espiritual existe e há alimento para todos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Solidão

Solidão

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Nesse saber o que é solidão,

Íntima amiga de toda sorte,

Surge talvez a autocompreensão,

Cândida insígnia; no peito um broche.

 

Vence o poder numa gratidão

Ao Homem que venceu a cruz da morte,

Vértice em manto e consagração;

Sente o que é se crer e ao que se move.

 

Só, é ao ser humano uma condição,

Única em busca do que o conforte,

Foto de espelho. Essa reflexão

Nada mais é do que a comunhão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dor de Mãe

Dor de Mãe

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Imaginar não é sentir

O sofrimento da dor

Lacrimejada fugir;

Mágoa de mãe não tem cor.

 

Dói mais que o próprio cingir

Obrigatório do amor

Ao ter a criança e parir;

Num indizível langor.

 

Estupidez é fingir

Que se conhece essa dor,

Dizê-lo é pior que mentir

E não tem Deus perdoador.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Clara Infância

Clara Infância

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Clara tinha medo do escuro. Um dia reclamou dos seus pais saírem e voltarem quando já tinha anoitecido.

Clara fez algo muito feio. Reclamou dos seus pais perto dos vizinhos.

O vizinho, que era pai da amiga da Clara, olhou para ela e disse que trabalhava no escuro.

_O senhor trabalha no escuro? Que perigo!

O vizinho olhou para o pai de Clara e sorriu, dirigindo-se à menina.

_Quando você vai ao cinema a luz fica acesa?

Clara disse que não.

_Por que é que a luz fica apagada?

Clara disse que era para poder assistir ao filme.

_Você tem medo de ir ao cinema?

Clara disse que não. Além do mais tinha pipoca e balas na frente do cinema.

O vizinho olhou para o pai da Clara e para ela e sorrindo contou do seu ofício.

_Eu chego por volta da uma da tarde ao cinema. Separo os rolos de filme pela ordem e as caixas onde serão guardados, também em ordem durante a exibição. A única luz que tenho é a luz do projetor direcionada para a tela. Entre a sessão das duas da tarde e a sessão das quatro da tarde eu mal tenho um tempo para tomar água. Separo a fita do jornal e a fita com os trailers dos filmes que serão exibidos depois que o filme sair de cartaz.

O pai de Clara perguntou se ele era cinegrafista.

_Não. Sou o responsável pela exibição, por enquanto. Eu sonho um dia ter um cinema, mas é sonho. Enquanto o público assiste ao filme eu observo as expressões fisionômicas. De certa maneira, eu sou também responsável pela diversão do público. O filme não pode descontinuar e, quando um rolo está no final, eu deixo no ponto o rolo seguinte. Ninguém percebe quando acaba um rolo ou começa outro.

O pai de Clara perguntou se nunca teve problema, pois quando era guri havia algazarra quando o filme era interrompido por minutos.

_Esse é o problema. Se a fita enrosca na máquina, o filme trava. Aí tenho que mandar acender as luzes e pedir ao público que aguarde porque o filme enroscou.

O pai de Clara, curioso como ele era, perguntou se valia a pena trabalhar no cinema.

_Sinceramente, eu ganho pouco. Sessão lotada é para o fim de semana. Eu preciso me virar nas horas de folga para sustentar a família. Mas, eu me sinto realizado trabalhando naquele lugar, uma sala pequena e escura com um projetor e várias caixas com rolo de filmes.

O vizinho, vendo que Calar estava com o olhar fixo para o que ele dizia, aproveitou a deixa e perguntou se ela ainda ficaria com medo de escuro.

Clara disse que não.

O vizinho foi para a casa dele e Clara e o pai foram para a casa deles.

_Mamãe. Hoje eu vou dormir com a luz apagada, mas eu posso te chamar se precisar?

O pai de Clara disse que haviam voltado do cinema ao que a mãe retrucou dizendo que ele não gostava de ir ao cinema e fazia tempo.

O pai da Clara disse que daquele filme que acabara de assistir ele havia gostado. E piscou.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

EU AMO GENTE!

EU AMO GENTE!

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Ainda fascinada pela manhã. Mandei a preguiça embora e saí.

Sentei-me para tratar de assuntos do meu interesse.

_A senhora limpa a sua casa?

A pergunta que poderia aborrecer a muitas mulheres, feita com muita doçura, me surpreendeu.

_Como é que você sabe?

Ela respondeu, sorrindo que ela faz de tudo para desaparecer diante do produto e que amou a cor das minhas unhas.

A moça analisa a mão das freguesas.

Em seguida, ela me disse:

_Olhe as minhas unhas.

As mãos dela estavam ajeitadas, como as minhas, mas sem esmalte.

_A diferença entre eu e a senhora é que eu escondo as minhas preferências estéticas, mas ambas cuidamos da casa.

Perguntei por que é que ela escondia as preferências estéticas dela.

_Porque eu lido com vendas e os clientes devem observar o produto e a sua qualidade, sem me notar.

Outros fregueses ou clientes chegaram e ela pediu-me que conhecesse a loja antes de me decidir a comprar.

E de valor em valor, ela me conquistou.

De fato, eram muitos valores iguais.

A foto do filho dela numa apresentação musical me fez pensar em quanta gentileza havia naquela senhora.

_A senhora gosta de música? Perguntou-me.

Contei uma história a ela. Disse que estava desistindo de fazer a tal compra, mas uma modificação nos planos do dia fez com que eu fosse até lá.

Eu não a conhecia, foi uma deliberação espontânea da manhã.

O produto, a compra e a loja não tem a menor importância à questão.

Eu, sem saber, fui à busca do que realmente precisava: conhecê-la. Conhecendo-a, soube de mim, do que penso e o que quero e, porque assim o quero.

Quando saí da loja observei o seu redor e constatei que problemas iguais levam às soluções semelhantes.

Hoje eu comprei algo que não se vende em loja alguma, comprei porções de espiritualidade.

No mínimo, um dia muito especial.

domingo, 9 de novembro de 2014

Castiçal

Castiçal

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Pela paz,

Não é demais,

Surpreender.

 

Ser capaz...

Castiçais

Do entender.

 

Aonde vais,

 

Sem saber?

sábado, 8 de novembro de 2014

Sem Jogo

clip_image001Sem Jogo

Florinda foi direto ao assunto:

_Eu não gosto dela. Eu não gosto do método.

Seca. Direta.

Glória disse que não a conhecia bem e perguntou o que havia de errado.

_Ela ensina a criança a se defender.

Glória disse que não havia entendido muito bem o assunto.

Florinda tinha um olhar duro ao responder:

_Como é que se deseja criar uma sociedade saudável quando a autodefesa fica acima dos valores de amor aos pais?

Glória perguntou se Florinda tinha certeza daquilo que dizia olhando profundamente para os olhos tesos de Florinda.

_Ela está impedindo que a criança descubra o mundo com os seus próprios olhos. Nada a ver com bom comportamento. O bom comportamento não impede e não conduz a uma visão única para a vida, antes propicia as pequenas descobertas com segurança. A segurança é obrigação adulta e a distração é o respeito à infância tal como ela deve ser.

Glória disse que não poderia opinar porque os seus filhos estavam crescidos.

_Os seus filhos estão crescidos e cheios de vivacidade e vontade. Entende?

Glória perguntou à Florinda se ela queria preveni-la de algo.

_Estou. Tanto eu quanto você, nós não gostamos de jogos. Pão-pão _queijo-queijo. O termo vocês se transforma em eles num piscar de olhos. É questão de valores pessoais. Os dela são diferentes dos nossos. Observe.

Glória disse que havia observado.

_Você quer dizer que, para nós, em primeiro lugar vem o valor de amor em família?

Florinda disse que sim.

_Combinado!

Florinda complementou:

_Somos todas boas pessoas, mas preservamos os nossos valores.

Glória concordou e ficaram de acordo.

Se forem infantis, é porque acreditam na vida. Toda criança deveria acreditar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Luz de Oração

Luz de Oração

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Nossas conversas,

Que de dispersas,

Nada tiveram.

Assim, nos reiteram.

 

São olhares persas

Presente em terças,

Que as proliferam.

O que fizeram?

 

Contas inversas

E vou até o Texas.

Mas, nos conservam,

E, até deliberam.

 

Dizem que versas;

Não desconversas.

Porque acenderam

Luzes e leram.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Índio Velho

Índio Velho

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Se for para não gostar,

Não faça, não crie, não vá,

Porque o que há é se levar

Ao jeito Tupinambá.

 

Que mora ao peito um pulsar

D’um índio Tibiriçá,

Que deixa se apaixonar,

Levando ao ombro um puçá.

 

Ouvindo o chão compassar,

Cantando o tico e o fubá,

Seguindo o som nesse andar;

Romântica tenda é Vivá.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Treinadora

A Treinadora

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São muitos os técnicos e muitos os treinamentos. Certo está o caboclo que diz que treino não ganha jogo.

_Por que a gente se afasta para bater o saque no vôlei?

_Para bater na bola.

Tem gente que se afasta para bater e não ganha o jogo.

_Como é que se ensina uma criança a nadar?

_Jogando a criança na água sem que ela espere.

Tem gente até hoje com medo de chuva.

_Como é que se aprende a dançar balé?

_Fazendo calo na ponta dos dedos dos pés.

Muitas meninas conseguem os calos e não conseguem o palco.

_Como é que se faz para deixar o colega que joga futebol no banco de reserva?

_Trata-se o jogador bem, depois o time levanta e derruba o banco onde o jogador está sentado para que ele se machuque e não possa jogar.

O jogador parte para o time adversário e acaba por fazer o gol da vitória contra o time que o derrubou.

_Como é que se faz para jogar basquete?

_Nascer com dois metros de altura.

Há bom time de basquete formado por baixinhos? Essa é uma dúvida.

_Como é que se faz novela?

_Será que teremos que requisitar alguma rede de televisão para o nosso nome?

Aí eu perguntei:

_Novela é esporte?

Sem treino ou jogo só pode ser novela.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Poema Humano

Poema Humano

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Canto o poema urbano,

De olhos contemplados;

Vias de mano a mano.

 

Descongestionados

Passos de cigano

Dobram quina em pano.

 

Feito do que é humano,

 

Sonhos reinventados.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Conceito de Vida e Fotografia / Crônica do Cotidiano

Conceito de Vida e Fotografia / Crônica do Cotidiano

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Aconteceu no sábado. As ruas lotadas com a população se preparando para o Dia de Finados.

Estava quente, por volta de trinta graus centígrados. A moça, atleta, subia a ladeira correndo. Trajava bermuda e, pasmem todos com a meia-calça grossa, daquelas de inverno, além da meia soquete e os tênis. A camiseta de mangas compridas completava o conjunto.

O celular estava em minhas mãos e a fotografia era possível.

A imagem, se fotografada, seria a de uma jovem de boa aparência praticando autoflagelação. Conceito meu.

Comentei com quem estava ao meu lado da possibilidade da fotografia e do mau exemplo da moça para quem visitasse o blog.

A moça corria sozinha, ladeira acima, na faixa para ônibus. Estava próxima à calçada, portanto, não corria risco se algum ônibus viesse. Detalhe: a via era de mão única e os ônibus que por ali passam, descem a ladeira.

Não tirei fotografia.

Quem estava ao meu lado perguntou-se se aquela atitude significava esforço para emagrecer ou esforço para sofrer.

Viemos embora sem tirar fotografia.

domingo, 2 de novembro de 2014

Pensamento









A homenagem ao Dia de Finados...



Pensamento

Penso à noite.
E, ao luar,
O cantar.

Dia é pernoite
A clarear;
Conjugar...

Abiscoite 

Esse pensar.






sábado, 1 de novembro de 2014

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

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Fomos à lanchonete. Eu pedi um hambúrguer de frango e a minha amiga um hambúrguer com queijo e carne.

Chegaram os hambúrgueres. Um com queijo e outro sem queijo. Peguei mo que estava sem queijo e, a minha amiga, o que estava com queijo.

Após a primeira dentada, verifiquei que o meu hambúrguer era de carne.

Perguntei à minha amiga se, por acaso, o dela era o de frango.

Os dois hambúrgueres eram de carne.

Ela me aconselhou a reclamar, mas o dia estava tão bom que deixei passar; o preço era o mesmo do hambúrguer de carne e eu não tive prejuízo.

Quando terminamos os lanches, a garçonete se aproximou.

_O seu hambúrguer era de carne?

Respondi que sim e que comi e que, por mim, estava tudo bem. Eu estava com fome e deixei para outro dia hambúrguer de frango.

A garçonete, séria, disse:

_ A senhora muito me ajudou e eu quero agradecer.

Se a garçonete estava me agradecendo por comer um hambúrguer de carne, eu tinha que prestar atenção. Não é comum garçonetes agradecerem por hambúrgueres de carne.

_Eu pedi um hambúrguer de frango e outro de carne com queijo na cozinha. A culpa pelo hambúrguer de carne que eu servi à senhora não é minha. Eu também não abri o sanduíche para verificar se era de carne ou frango. Se a senhora tivesse reclamado, como é direito seu, o pessoal da cozinha iria dizer que a culpa era minha.

Eu fiquei um tanto quanto sem graça, mas continuei a dar ouvidos à moça.

_Agora, depois que a senhora sair, eu posso conversar com o pessoal da cozinha e dizer que houve engano. Posso conversar com o gerente e contar da sua gentileza, apesar do erro. Eu quero agradecer porque a senhora me deixou com um problema a menos.

Eu, no fundo, estava cansada e com fome, sem disposição para reclamar, devolver o sanduíche mordido e exigir o sanduíche de frango.

Às vezes parece que tudo se ajeita para proteger quem nada deve. Se eu não estivesse cansada, tudo seria diferente.

As pessoas antigas aconselhavam aos mais novos para nunca reclamarem do cansaço, diziam que não ajudava em nada, ou pior, atrasava a vida de quem reclamava.

Eu também sei que o certo é reclamar quando a compra efetuada não corresponde ao pedido feito, mas eu estava cansada.

O meu cansaço ajudou a moça da lanchonete.

Uma crônica absurda e real.