Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Tentando Explicar / Miniconto

Tentando Explicar / Miniconto

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Comportamentos e reflexões, sentimentos, emoções e conclusões excelentes.

Vânia encontrou Victória, amigas que fazem críticas muito semelhantes de si mesmas e dos outros. A autocrítica, quando excessiva consigo mesmo, leva a outras críticas.

E jogaram fora algum amargor falando mal, em particular, não das pessoas, mas dos comportamentos.

_Estamos em plena época de festas. Custaria muito mandar a sacoleira se comportar melhor? O que é que ela tem a ver com o pijama de bolinhas coloridas que o vizinho usa. O vizinho não compra artigos importados porque não têm assistência técnica. Mas é de uma maldade imensa contar do pijama de bolinhas coloridas!

Vânia vira-se para a amiga e diz que ela não deveria se preocupar com o vizinho e sim com a fiscalização da quota de compras.

_O pijama de bolinhas coloridas não tem nada a ver com a fiscalização.

As duas riram.

A amiga Victória também tinha a sua história para contar.

_A merendeira da escola onde eu trabalho ajuda alguns investigadores da polícia. A escola vê e finge que não vê, porque para nós é auxílio. Outro dia, porém, eu comprei um batom rosa choque e ela viu. Eu estava tão feliz com o batom novo. Ela foi até a direção da escola e disse que o batom daquela cor incomodaria o serviço dela. Conseguiu apoio e, a direção proibiu o uso de batom na escola para alunas e professoras. Professoras!

Vânia exclamou:

_Existem outros comportamentos diferentes, eu prefiro os outros comportamentos.

Victória concordou:

_Eu sei o que você sente.

Vânia disse que quando quer comprar algum produto de sacoleira, procura outro tipo de comportamento. Ela não gosta desse tipo de pressão para vender. Ninguém é obrigado a comprar produto de sacoleira.

Victória concordou:

_Eu prefiro outro tipo de auxiliar de investigação policial. Levo o meu lanche de casa. Não é o meu trabalho e, eu não entendo, mas houve abuso. O meu batom rosa choque perdeu a cor e a alegria de tê-lo comprado. Eu me afastei das compras na cantina da escola. Sento-me com as colegas e converso com elas, agora com outro comportamento. O pior é que eu não vendo os cosméticos e, os cosméticos continuam a ser vendidos através das revistas durante o recreio e na cantina. Não era os cosméticos o motivo da implicância, mas a cor do batom que comprei.

Vânia, após ouvir a queixa da Victória, contou das aulas na faculdade onde a filha estudava.

_A professora de pedagogia disse que tem gente que sofre menos porque se defende mais. Disse que quem pode mais chora menos e essa é a regra da vida prática.

Victória continuou a conversa:

_Nem todos pensam assim. Converse com qualquer advogado e ele te explicará a “mais valia” e as suas consequências.

Vânia disse que sabia.

_A nossa sociedade anda tão violenta que ninguém quer discutir assunto de bagatela. Consideram assunto de menor importância, porque é facilmente superável.

Victória complementou:

_É uma questão de civilidade. Se aceita esse padrão de comportamento como normal. E não é normal. Nós sabemos que pode ser diferente.

Vânia disse que se havia um padrão aceito como normal e, elas sabiam que o padrão pode ser outro porque conheciam o outro padrão, elas é que estavam fora do padrão de civilidade do local.

_E daí? O que é que nós podemos fazer a respeito? Perguntou Victória.

Vânia disse que nada além de manter contato com pessoas de padrão semelhante ao delas.

_É uma questão de logística. Nós não podemos mudar o comportamento dos outros. São mudanças que exigem recursos financeiros porque para vivermos o padrão de civilidade que queremos, precisamos levar conosco aqueles que amamos.

_E como somos contra a mais valia não usamos de subterfúgios para convencer e submeter aqueles a quem amamos às nossas próprias vontades.

Vânia e Victória sabiam que teriam que a prender a conviver com o conflito íntimo.

_Conviver com o conflito não significa ceder às pressões.

_Conviver significa nos permitirmos conviver com o que aceitamos como sendo civilidade. A vontade não pode simplesmente ser suprimida, precisamos ao menos visitar o que consideramos certo.

Vânia disse à Victória que talvez essa fosse à solução.

Victória disse à Vânia que estudaria uma maneira de possibilitar a convivência com aquela outra espécie de civilidade.

_Porque, eles, não mudarão os seus comportamentos.

_Porque, nós, não mudaremos os nossos sentimentos em relação a essas coisas.

Abraçaram-se e seguiram com vontade de fazer planos.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Explicar "convivência" é uma árdua tarefa... Depende muito da nossa disponibilidade e aceitação!
Abraço.