Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Universos Paralelos / Minicontos

Universos Paralelos / Minicontos

     1
  
     Entre ruínas e verdades, deslocados no tempo e no espaço, encontram-se dois personagens numa paisagem de paz.


     2

     Num momento musical perfeito, dois personagens, agradecem à contracena.

    
    3

     O dia a dia, não precisa ser mesquinho, mas uma ordem alheia ao caos.

     4

     A testemunha dos universos paralelos e os seus momentos de fé, tido como exemplo de alhures.

     5

     O inverossímil se faz realidade.

     
      De todos os minicontos, o mistério está nas ruínas da verdade e na paisagem de paz. 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Volta à Bíblia / Reflexão

Volta à Bíblia / Reflexão

     A Bíblia volta em flashes, algo normal, tendo em vista que a li inteira.
     Ler a Bíblia inteira não é um conselho, pois para o entendimento e um bom resumo de todos os livros, os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e até o surreal Apocalipse são suficientes.
     Quanto ao Apocalipse, fico com a frase de um livro que li,e este não guardei o nome, mas essa frase não é minha:
     "Quando forem ler, observem que ele já pode ter acontecido e ninguém percebeu."
     Levando-se em consideração tudo o que se vê nesse mundo, é bem capaz que já tenha acontecido e que agora não passe de uma peça de ficção científica."
     Antes de pensarem que a frase possa ser uma blasfêmia, a frase não é minha, mas é interessante.
     As diversas cartas aos povos são muito agradáveis de se ler.
     Tenho uma observação sobre o Novo Testamento:
     "Não faça nada que seja contra o que está escrito ali."
     No Novo Testamento encontra-se uma forma de pensar cheia de amor e sabedoria, com hipérboles e metáforas essenciais."
     Importante é comentar sobre a hipérbole. Porque o livro Atos dos Apóstolos complementa os Evangelhos.
     Para quem não sabe, e esse é o motivo pelo qual eu presenteei algumas pessoas com o livro O Evangelho Perdido, de Wilton Barnhardt, uma ficção fundamentada pela teologia, Paulo é considerado o décimo terceiro apóstolo.
     Depois que o apóstolo traidor morreu, para completar o número de apóstolos, a escolha ficou entre Matias e Paulo.
     Os apóstolos escolheram Paulo, ao verificar que Matias não dispunha de tempo integral para a causa cristã.
     Os evangelistas precisaram de Paulo.
     Muitos livros da literatura referem-se a textos bíblicos e se tornam muito melhores quando se sabe sobre o motivo ao qual se refere.
     Pode-se fazer uma síntese sobre o Novo Testamento:
     Não se arranja motivo para sofrer, porque a própria existência é repleta de desafios e superações dos sofrimentos não causados por ninguém, mas pela natureza da existência.
     As Cartas da Bíblia, inseridas no Novo Testamento, essas são fundamentais.
     Quanto ao Velho Testamento, os filmes é que são imperdíveis. Os títulos são óbvios, mas as visões diferem de cineasta a cineasta.
     Sugere-se A Arca de Noé, Jonas e a Baleia, Gênesis, e outras escolhas sob o critério do leitor.
     Com esse texto, o leitor escolhe o seu contato com a Bíblia.
     Deus não diferencia as pessoas boas, mas a Bíblia foi escrita para todos os que quiserem saber de Deus.
     Boa semana para todos.
      
     

domingo, 12 de julho de 2020

Repórter Edson Prado no Plantão de Polícia

Repórter Edson Prado no Plantão de Polícia

     Edson Prado é um repórter praticamente amigo do blog, já fez reportagens na Festa da Uva e é um personagem que aparece, principalmente quando acha necessário.
     Hoje é domingo, Edson Prado, não posso inventar nenhuma reportagem para você, mal saio de casa, olha a pandemia!
     Ele me disse que era cado de polícia.
     Perguntei o que foi que aconteceu.
     _O que foi que aconteceu? Uma mensagem por volta da meia noite. Enviando aplicativo falso de cartão de crédito.
     Disse a ele que bastava excluir a mensagem.
     _Pesquisei a origem do telefone.
     Acordei. Perguntei se ele conhecia o número.
     _Moça casada, filhos pequenos, profissional bem sucedida, e pessoa bastante séria.
     Pedi para que me dissesse mais sobre ela.
     _Pessoalmente, ela não fala. murmura.
      Disse a ele que , se ele tivesse acessado o link obviamente falso, ele teria perdido dinheiro. Teria que ir à polícia e denunciar a mensagem, e ao mostrar a mensagem com o número do telefone ela seria localizada.
     _É isso o que me intriga! E se ela estiver mandando uma mensagem de pedido de auxílio? Querendo ser encontrada pela polícia porque precisa de ajuda?
     Essa moça terá que encontrar outra maneira de pedir auxílio à polícia, foi o que eu disse. Basta a tentativa de golpe pelo celular e ela já cometeu o delito, mas se ela estiver sob a tutela de bandidos, e te conhecendo pessoalmente, os bandidos vem atrás de você, e se forem bandidos, estão ocultos. Se ela não pode ir à polícia para denunciar uma situação ruim, é porque a situação dela é grave. Você disse que ela tem filhos pequenos!
     _O problema é que ela mal conversa comigo. Disseram a ela que é feio mulher casada ficar conversando com amigos e que o marido poderia se sentir humilhado.
     Edson Prado, pediu para que escrevesse a situação dele.
     Concordei e abri esse espaço para o repórter.    
      

sábado, 11 de julho de 2020

Aromas Singelos

Aromas Singelos


Um bom dia está bem feito
Quando se tem proveito
Ao vê-lo terminado
Pronto e nele espelhado


Naquele som perfeito,
Num descansado jeito
Descolado a seu lado,
De ar aromatizado


À janela, sujeito
De oração por preceito
Inteiro e realizado
Com algum predicado. 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Rede de Peixe / Miniconto

Rede de Peixe / Miniconto

     Avistaram os pescadores trazendo a rede para a areia da praia.
     Karina olha esperançosa para a mãe:
     _Mãe, faz peixe frito hoje?
     A mãe, dizendo-se sem ter que se preocupar com o cheiro da fritura, e com disposição para, segundo ela, deixar a cozinha muito limpa  e com tempo para não deixar vestígio da fritura na casa, concordou.
     Esperaram os pescadores abrirem a rede e a mãe pediu peixe com poucos espinhos  porque era a menina quem mais gostava de peixe na casa.
     O pescador oferece do cação à tainha, sem escamas e se fosse o caso, cortado.
     Karina observa a rede, os peixes, e de repente, questiona:
     _Sr. pescador, o senhor pode me dizer se as sereias existem de verdade? Contam tantas histórias, mas eu não sei se é verdade?
     O pescador se espanta e se dirige à mãe da menina:
     _As sereias são perigosíssimas. Existem. A senhora permite que eu conte uma história?
     A mãe, sem graça, e com ar muito sério, disse que sim. Segurou a mão da filha com firmeza, e esperou a história.
     O pescador sorriu.
     _As sereias são nossas assassinas. É preciso saber lidar com elas. Elas não aparecem no mar. Até me faz bem contar essa história:
     "Eu sou pescador e faz tempo que sou pescador. Horário bom de pesca é de madrugada. Às quatro horas da manhã a rede pega os peixes. Foi em noite de lua nova, lua ruim de pescaria, mas é o meu ofício de pescador sair todos os dias para a pesca. Eu estava com a canoa em alto mar e não tinha outro barco próximo ao meu.
     De um nada, começou a cantaria. Música sem letra, num som mais doce que a flauta, feminino. No começo da cantoria, eu não liguei, mas quando eu ouvi a voz da mulher que cantava, eu me apavorei:
     _Hoje não é dia de peixe, Netuno não quer que os peixes saiam da água.
     Quando eu percebi, e não sei se foi cansaço ou solidão, eu respondi àquela voz:
     _Quem é você? Por que canta?
     A voz respondeu que era Netuno em forma de mulher e que me levaria para conhecer Netuno. Disse que eu precisava metgulhar para encontrá-la, pois fora da água, ela não poderia existir.
     E essa voz começou a cantar e repetir para que eu fosse com ela ao fundo do mar.
     Eu fiquei muito nervoso ao perceber que essa "coisa de sereia" existia e que teria que voltar para a praia. O mar começou a ondular de vazante, em direção ao alto e eu tive que remar contra a maré. Veio também o vento e com ele a voz dela a me buscar para Netuno.
     Eu remava e o mar puxava, eu remava e o mar puxava. Avistei a areia e fui em direção à praia.
     Cheguei à praia exausto e acabei adormecendo ali mesmo.
     Quando o sol apareceu, eu olhei em volta e não conhecia muito do lugar.
     Deixei o barco preso na areia e fui procurar a cidade.
     Encontrei a cidade. É uma cidade que dista cinquenta quilômetros daqui. E eu sem dinheiro para ligar para cá.
     Avistei uma mangueira numa praça e peguei algumas mangas, as quais descasquei com o meu canivete de pescador.
     Esperei a maré subir e, depois de algumas horas e à remo, cheguei de volta a essa praia.
     Ela não desapareceu. De vez em quando, quando saio para pescar ouço ela cantar. Quando começa aquele som doce e suave, eu volto à terra o mais depressa que consigo.
     Dizem, depois que eu contei essa história, que ela já levou alguns pescadores até Netuno.
     Não se pode ouvir esse canto. Aqui todos sabem que esse canto em forma de silvo é mortal."
     O pescador ainda lacrimejou e agradeceu por estar vivo para contar essa história.
     Karina ficou com os olhos arregalados e surpresos com o perigo.
     A mãe:
     _Obrigada pela história. Meio quilo de cação em postas.
     Lá se foram mãe e filha para casa, com peixe e história. 

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Mulher não Pesca / Miniconto

Mulher não Pesca / Miniconto

     Petúnia, moça-criança, foi com a família pescar.
     Quando voltaram do passeio a mulher do pescador chamou mãe e filha:
     _A senhora não venha pescar e não deixe a Petúnia vir, quando os homens forem pescar.
     A reação da mãe de Petúnia foi instintiva e disse que não havia nada de errado em ir pescar, quando a família sai para pescar.
     _Se não está errado, por que é que eu não devo e a Petúnia não pode pescar?
     A mulher do pescador sorriu como se visse alguém que nada sabe, e pediu calma e disse que iria contar a história.
     "Há muitos anos atrás foi que aconteceu o sucedido. Os jovens, os rapazes e as moças saiam para pescar. Eles pescavam em grupos, seguros de si, onde um cuidava do outro e eram todos de família de pescadores. Ninguém se preocupava porque, se precisassem, não faltaria um nadador para ir ajudar.
     Um dia, os jovens resolveram sair separados para pescar. Os rapazes queriam conversar entre eles e as moças queriam conversar entre ela. As moças até levaram toalhas e lanche. Cada grupo foi para uma ponta do mar para não atrapalhar o outro grupo.
     Entre linhas e carretéis de varas de pescaria, as moças pescavam, e a água parecia não cansar de lhes dar peixes. Elas zombariam dos rapazes depois, era o que combinavam.
     De repente, um anzol puxou a linha e parecia peixe grande. As moças todas se reuniram para puxar o peixe para fora da água.
     Com muito esforço foram andando para trás até que caíram no chão. Gritaram contente de que o peixe haveria de estar ali.
     Nesse momento avistaram um bonito jovem com a boca aberta e pedindo ajuda.
     As moças correram para ajudar o jovem.
     Ele tirou o anzol da boca e agradeceu a elas por terem o salvado.
     Todas as moças o ajudaram e deram a ele bochecho com água salgada para melhorar a dor do anzol. Depois, mesmo não o conhecendo, permitiram que el secasse ao sol, e depois ainda serviram o lanche que elas tinham levado para que ele se alimentasse.
     Perguntado sobre de onde vinha, ele respondeu que era de uma ilha um pouco distante dali, que havia saído para nadar, mas que estava na hora de voltar para a ilha.
     A moça que o havia pescado, sentindo-se culpada pela pesca, deu-lhe os peixes que havia pescado e os colocou numa sacola para que ele tivesse comida quando chegasse na ilha onde vivia.
     O moço, disse que traria para ela algumas pitangas da sua casa porque queria mostrar, que, ao invés de magoado, estava agradecido a ela.
     No dia seguinte, a pescadora foi até o lugar da pescaria e o avistou vindo à nado, e ele ergueu o braço e mostrou a sacola onde ela havia colocado os peixes.
     Ele saiu da água e ofereceu as pitangas para ela.
     A pescadora, contente, chegou à sua morada e dividiu as pitangas com as moças que foram pescar junto com ela.
     As moças perguntaram para a pescadora se por acaso ele voltaria ali.
     A pescadora não sabia se ele voltaria ou não, mas ela passearia por aquele lugar mais vezes e, se ele aparecesse, ela contaria.
     Passaram-se seis meses e ele não voltou e todas esqueceram do assunto. Quando todos esqueceram do assunto, a pescadora estava naquele lugar e avistou de longe, alguém entrando no mar, vindo da ilha.
     A pescadora ficou esperando ali e era o moço do anzol. Ele trazia mais pitangas para ela.
     Iam peixes e vinham pitangas. Todos sabiam e ficaram desconfiados do moço, pois não sabiam nada sobre ele.
     Até que um dia, ao invés de levar os peixes para a ilha, ele a convidou para nadar até a ilha.
     Ela foi avistada rindo e nadando ao lado dele.
     No lugar, sobraram os peixes.
     A pescadora não voltou.
     Os pescadores se reuniram e foram até a ilha procurar pela pescadora.
     Encontraram a pescadora e ela parecia feliz.
     Disse que a sua família, agora eram aqueles botos que pulavam sobre a água e que não mais voltaria ao lugar de onde viera.
     O final da história é que a pescadora viveu desse jeito até chegar ao fim dos seus dias, bastante idosa."
     Terminou a história e nunca mais Petúnia e sua mãe foram a uma pescaria.           

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O Senhor do Gelo / Conto

O Senhor do Gelo / Conto

     Abro a geladeira e o congelador, e da geladeira sai vapor, e do vapor da geladeira em dia frio, aparece o Senhor do Gelo.
     Ele é congelado e vive se derretendo em busca de calor.
     _Olá senhor do Gelo, sinto muito, mas eu preciso de uma bebida quente, seja café ou chocolate com canela e leite fervente.
     Ele responde:
     _Certamente, depois vai tomar água e eu nem preciso sair da geladeira para que você saiba de mim.
      Vou tomar o café.
      O senhor do gelo se diverte com alguma ironia:
     _Em causa pela pandemia, em casa pela saúde, com dentes sensíveis pela mistura de frio e quente, sem conversar, e temos isto, estou aqui.
     Desde quando gelo fala, devo estar precisando de café, pois até os meus neurônios estão congelando.
     O senhor do gelo toma forma e se transforma numa nuvem de vapor de geladeira, enquanto o vapor ao lado é do fogão, da água quente para passar café.
     _Quem pensa em voz alta, conversa sozinho, ou sozinha, mas por quê você está conversando sozinha quando estou aqui para te ouvir.
     Olhei em volta e perguntei ao senhor do Gelo:
     _Afinal, quem é você?
     Aconteceu que a neblina do congelador parece ter olhos, e pior, fala:
     _Eu sou algo, já que não sou ninguém, que te diz a verdade.
     Ora essa, que absurdo:
     _Que verdade, senhor do Gelo?
     Ele respondeu:
     _A verdade que a geladeira é uma realidade, e é boa, útil, aceita frutas, verduras, legumes, carnes, massas, ovos, doces e salgados para você comer no dia seguinte.
     Esse senhor do Gelo parece cínico, reflito.
     _Pareço sozinho, mas sempre tem alguém abrindo e fechando a porta da geladeira, por conseguinte, isto é uma afirmação falsa.
     O que mais o senhor tem para dizer, s-e-n-h-o-r do G-e-l-o, pergunto.
     _Que a senhora é burra e não mais poderei conversar com a senhora, porque a senhora é burra!
     Está certo, o meu tom de voz não tinha sido gentil. Fico aborrecida.
     _Ora, não fique triste! Eu gosto de gente burra, os inteligentes me menosprezam. Somente pessoas consideradas burras abrem e fecham a porta da geladeira muitas vezes ao dia.
     Sou obrigada a perguntar:
     _Senhor do Gelo, o senhor me considera "burra"?
     Pareceu esboçar um sorriso, mas humilde, respondeu:
     _Eu que vivo na geladeira e sei o que é uma geladeira, preciso de uma pizza a ser descongelada, gente de bom humor, boa fé e boa vontade.
     Com essa boa vontade por parte dele, perguntei o que poderia fazer por ele e ele pediu, com sinceridade, que eu mantivesse um ou duas pizzas a serem descongeladas, mas com boa fé e realmente pensando em comer uma pizza de vez em quando, não porque fosse desperdício, mas para sentir que existe lugares mais frios e menos habitáveis.
     Fechei a geladeira, mas para abrir de novo.