Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 7 de março de 2015

Coisa de Mulher / Crônica do Cotidiano

Coisa de Mulher / Crônica do Cotidiano

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Este ano, pelo menos nos lugares aonde vou, o Dia Internacional da Mulher está atípico.

Resolvi arrumar o cabelo, cortar e deixa um pouco diferente. O que aconteceu? Fila. Entrei na fila e, para um dos melhores anos do Dia Internacional da Mulher para a cabeleireira, seis cortes de cabelo no período. Durante o dia inteiro, provavelmente, a quota de cortes de cabelo seria maior.

Rimos e alguém perguntou, com gaiatice, se o Dia da Mulher era o dia da mulher cortar o cabelo?

Estávamos rindo quando o cabeleireiro disse que ele, apesar de lidar com a estética feminina, pensava em assuntos mais sérios naquele momento. Nenhuma mulher continuou a conversa e continuamos a festejar o Dia da Mulher em meio aos xampus e cremes condicionadores.

Parecendo um movimento representativo da antítese dos direitos da mulher, conversamos sobre cozinha e alimentos, a marca de arroz preferida e o jeito de cozer, seja no fogão convencional ou no forno de micro-ondas.

Outras histórias:

Estava olhando vitrine quando entraram mãe e filha desesperadas para trocar o vestido por um número menor. O detalhe divertido eram as horas: três horas da tarde. O casamento seria às cinco horas da tarde. Houve um corre-corre na loja e, trocaram o vestido na hora. De cabelos e unhas feitas, faltava um vestido e as maquiagens. Se bem que elas chegaram à loja com a base, o pó e o blush faltavam sombras, rímel, lápis e o batom. Não era desculpa para não irem ao casamento, ao contrário, tinham muita pressa.

Eu, que não queria comprar nada, me divertia com a pressa das duas.

Ainda observando as duas, a vendedora pergunta se eu quero algo. Fui objetiva, estava olhando os preços da liquidação e vendo se, realmente, algum produto poderia vir a me interessar.

_Olhe com carinho, alguma boa oferta, por certo, a senhora encontrará. Eu já volto aqui para mostrar as melhores peças em oferta. Estou atendendo àquelas senhoras.

Aquelas senhoras eram uma brasileira e outra europeia.

A senhora estrangeira disse que não sabia que no Brasil havia produtos de qualidade. Estava admirada com a qualidade do produto e iria levar algumas peças de vestuário e calçado para mostrar que, afinal, não somos tão subdesenvolvidos quanto ela esperava. Tenho que admitir que ela não errou uma palavra em português.

Subdesenvolvidos? A vendedora teve um chilique educado. Contou dos nossos produtos e disse que o único produto que ela considera inferior é o café industrializado e embalado. Nascida, segundo ela, na terra do café, disse que subdesenvolvido é o café de pacote embalado à vácuo. Na terra dela o café é moído e torrado na hora e tem um sabor inigualável ao café industrializado.

Enquanto as senhoras brasileira e europeia finalizavam as compras delas, eu desisti das minhas compras.

Preparei-me para sair e ela perguntou se eu não aguardaria mais um pouco.

Não era hora para compras. Somos todas especiais. Volto outro dia.

sexta-feira, 6 de março de 2015

A Toda Mulher

A Toda Mulher

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Eu vejo as tramas da renda fina

E os arremates da costureira,

Nessas madeixas de Carolina

Que se renova, em uva e parreira.

 

E, nessa prenda, o que determina,

É o seu cacheado de tanta e inteira

Dedicação, num amor que ensina.

Vê-se menina a amiga faceira.

 

Toda mulher sente a luz divina,

Pois, nasceu mãe, quisesse ou ainda queira,

Em delicada manta de sina,

Nesse bordado de cristaleira.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Olhar à Frente

Olhar à Frente
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O segredo d’uma pedra de sal
É não olhar aquilo que te faz mal,
Ao contrário, não saiba o que corrói.

Que ninguém queira a dor de ser igual,
Qual perfídia ao pesadelo surreal;
Sofrimento inútil não se constrói.

Ao capricho de um olhar desigual,

O perder-se o ser em sal que se mói.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Canção ao Mar

Canção ao Mar

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Toda vida, toda vida arrumo,

A medida, a janela e a saída,

Sei do mar, da vela e, então, me aprumo;

Na fadiga de um remo, a guarida.

 

E se canso, mas não me acostumo,

É porque esse remar marca a lida.

Nesse ritmo do íntimo, o resumo,

D’uma lira; a toada atrevida.

 

Encoraja como suprassumo,

Quando o seu ânimo ao senso convida,

Que o sentido escute todo o rumo

Da rotina à canção enaltecida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Estandartes

Estandartes

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Tantos cordéis,

Distintas artes,

São carrosséis;

Destarte, em partes.

 

São menestréis

Em contrapartes

Tantos pincéis

Que leem Descartes,

 

Mas são os farnéis

De som e apartes

Que entoam corcéis,

Meus estandartes.

segunda-feira, 2 de março de 2015

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

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Vamos às filas. Estava no supermercado, noutro supermercado, mas na fila.

Três jovens em início de carreira comentavam as suas vidas.

Quando alguém faz algo diferente, é difícil não prestar atenção.

Uma das moças contou dos seus estudos de pós-graduação no exterior, elogiou a confiança que a família teve nela, pois quando viajou tinha vinte e um anos. Arrumou emprego lá fora, estudou. Comportou-se como pessoa mais madura e enfim, a história estava boa até quando ela disse que amou voltar ao Brasil e reencontrar as amigas, sair aos finais de semana e, admirem-se: ler.

As outras moças ouviam atentas todas as experiências de morar sozinha no exterior.

Exaltando o Brasil, ela disse que agora consegui ler três livros por mês.

Eu ouvindo e pensando na boa ideia da moça quando ela contou que leu o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo numa noite só. Começou a ler às oito horas da noite e terminou a leitura às três horas da manhã.

Uma das moças mudou de assunto. Perguntou à outra moça se ela tinha algum dia morado fora.

_Morei na praia com alguns parentes.

Quando ela mencionou o nome da praia, eu não me contive. Pedindo desculpas antecipadas, porque conheço o lugar, perguntei:

_O que é que tem de bom por lá?

Ela respondeu com olhar direto dizendo que era a qualidade de vida.

Perguntei novamente. Eu sabia as respostas, mas perguntei.

_O que é que tem de bom por aqui?

_Negócios!

Ela me entendeu. Não precisei dizer mais nada.

As moças que estavam com ela olharam, quase que com vontade de me chamar de intrometida. Elas tinham razão, a conversa era entre elas. Fingi não perceber.

Na saída, distraída, esqueci o pão pensando na conversa e, tive que voltar ao caixa.

Peguei-as conversando a meu respeito.

A moça que morou na praia disse que gostou do que ouviu de mim. As outras ficaram aborrecidas.

Olhei para ela e disse que tínhamos, tanto ela quanto eu que conciliar e saber diferenciar a vida na cidade e a vida na praia. Desejei um bom dia a todas elas e saí.

Saí pensando comigo mesma: intrometida? Alguém que leu Os Miseráveis, de Victor Hugo, em sete horas, não merece confiança! Foi uma boa ação.

domingo, 1 de março de 2015

De Fácil Entendimento / Reflexão

De Fácil Entendimento / Reflexão

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Os pastores pregam o temor a Deus e os padres dizem que Deus castiga quem age mal.

Com tanto sofrimento na terra, alguém busca um Deus que existe para castigar? O sofrimento deste mundo pode ser visível como àquele que passa fome, mas também pode ser invisível como é o caso do rapaz que acompanhou a namorada que dizia estar gravemente doente e, ao final de nove meses, ela deu à luz ao filho dele (não me pediram discrição quanto a essa história).

A pregação de temor é de fácil entendimento aos simples: “Não faça mal para ninguém”.

Esse temor a Deus não é ameaçador, ele é a previsão de que o mal que se faz termina mal para quem o faz, provando que Deus é amor e dirige esse amor a todos.

O conceito de temor, em muitos casos, é conduzido como superstição e amuleto porque existem pessoas que gostam de superstições e amuletos. Nem por estarem sujeitas a tais condições estariam afastadas de Dele, o Todo Poderoso.

O temor é menos eficiente que o amor. Restritivo e impositivo conduz ao bem por outro caminho, o caminho do medo daquilo que a prática do mal pode causar.

O amor exige outra condição que é a de ter boa vontade para com todos, não se esquecendo, porém, do afastamento de tudo o que é mal.

Esse afastamento do mal, aquele mal claro e óbvio que todos conhecem e está presente nos dez mandamentos, é obrigatório a quem quer amar.

Enquanto que fazer o bem por temor implica em não querer amar, o amor implica em não precisar do medo, porque é bom de origem.

Existe uma teoria de que existem pessoas que sofrem menos que as outras. Não conhecemos, porém, o sofrimento invisível, aquele que não é palpável, tais como a fome e a doença. Nenhum de nós pode afirmar que o outro não sofre apenas pelo aspecto exterior da sua condição de existência.

Com toda a certeza, porém, podemos afirmar que o amor te livra de muitos males, sejam visíveis ou invisíveis.

Outra história, também sem pedido de discrição, conta da história de um atraso, também contada sem pedido de discrição. Por causa de uma discussão familiar, o homem se atrasou para o trabalho. Ouviram-se sirenes e as ignoraram, pois o homem não sairia para trabalhar antes que a família estivesse em paz e harmonizada. A situação foi harmonizada e o homem saiu para o trabalho depois que as sirenes tinham parado de soar. Quando saiu de casa constatou que na rua onde morava havia mortos e feridos, numa perseguição policial os bandidos perderam o controle do veículo em que estavam, bateram, atiraram contra os policiais e no revide, a polícia matou os assaltantes. No final do dia, ao voltar para casa, o homem agradeceu pela discussão familiar e a família agradeceu a Deus por estarem todos vivos. Entenda-se discussão familiar por diálogos fortes, nunca violência doméstica. Ajustes familiares entre aqueles que se amam são necessários, com respeito e à vontade.

São duas maneiras de bem conviver com Deus: o temor e o amor. As duas maneiras de se ver as coisas do espírito produzem o bem.

O temor evita que se faça o mal.

O amor promove o bem e evita algum sofrimento.

A opção é de cada um.