Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Diálogo com Zaqueu

Diálogo com Zaqueu

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_Tudo bem, Zaqueu? Posso te fazer uma pergunta?

_Pode.

_Eu sou publicana?

_É.

_Tenho que me portar como publicana? Assistir as pregações religiosas, mas não participar dessas questões, pelos mesmos motivos que você?

_Tem. É o melhor para você.

_Então eu errei e me envolvi demais onde não poderia?

_Quase. O Santo Espírito interviu.

_E agora, o que é que eu faço?

_Reconheça publicamente que você é publicana e, enquanto publicana, você nem deveria estar presente às reuniões. Mas as pode ir sem constrangimento.

_Mas, Zaqueu, parece que o Nosso Senhor concordou com a minha presença.

_Ele concordou, sim. Aqui estão os termos da aceitação: «Jesus, partindo dali, viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu. Estando ele à mesa em casa, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se com Jesus e com seus discípulos. Os fariseus, vendo isto, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo-o, disse: Os sãos não precisam de médico, mas sim os enfermos. Porém ide aprender o que significa: 'Quero misericórdia, e não sacrifícios, pois não vim chamar os justos, mas os pecadores! (Mateus 9:9-13).

_O que esse texto quer dizer exatamente?

_Que você não é hipócrita, não é fariseu, não é pecador e não é apóstolo.

_Bondade sua. Todos nós pecamos com algum quitute a mais. Mas ser publicana não é errado?

_Não, é uma categoria onde existem bons e maus, como em tantas outras categorias.

_Por favor, Zaqueu, seja claro.

_Assistir, sim, é bom. Participar, não. Há os escolhidos por Ele para essas funções. Você precisa dizer que os publicanos estão envolvidos com a coisa pública e quem está envolvido direta ou indiretamente com a coisa pública não deve se envolver pessoalmente com ações religiosas, coisa que toda a igreja sabe. É incompatibilidade que tem origem bíblica. Por que é que eu ficava em cima dos muros e das árvores para assistir ao mestre? Porque sou um publicano.

_Zaqueu, eu entendi. Grata pela explanação.

_Não fui eu, foi o Santo Espírito. Eu também agradeço a oportunidade de estar nesse barco.

_Bom amigo!

_Boa amiga!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sem Escolha

Sem Escolha

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Errou a sala. Com o livro na mão por acaso. Encontrou o professor de literatura.

_Estou contente em vê-lo.

Ele ficou satisfeito em rever o aluno.

Entre amenidades, lembrou que estava com um livro, cujo tema havia sido matéria de aula.

_O senhor lembra-se deste livro?

O professor olhou admirado para o livro:

_É o tema da aula de hoje. Os meus alunos atuais debaterão o livro hoje. Você quer assistir a aula conosco.

Bem que ele queria, mas tinha um compromisso dali a dez minutos.

_Se você não pode hoje, volte outro dia. Quero saber o que você pensa do livro hoje, agora que é adulto.

Ele agradeceu, olhou no relógio e saiu apressado. Teria pela frente uma discussão filosófica sobre escolhas.

A mestra começou o tema:

_Parte das coisas da vida você escolhe e parte lhes é impostas. Não digo das coisas óbvias tais como ambiente familiar e as relações interpessoais. Eu digo de propósitos interrompidos por fatores alheios e distintos daqueles óbvios com os quais todos convivem. Não sabemos a que propósitos tais coisas acontecem e a probabilidade de virmos saber se há propósito nisso é ínfima. Quando se consegue saber, muito tempo depois do acontecido é sorte, ou, melhor dizendo, esclarecimento do espírito.

A palestra foi muito interessante e prosseguiria em acordo com o cronograma pré-estabelecido.

Nesse interregno de tempo, enquanto trabalhava, chegou o comunicado da chefia:

”Em virtude das chuvas, aqueles cujas casas não foram atingidas pelos alagamentos, estão automaticamente escalados para o plantão. A empresa avisa que contatou com a seguradora e está providenciando o auxílio necessário de acordo com os contratos.”

Qual foi o tema da palestra? Perguntou-se, buscando uma resposta.

Não haverá nova palestra para ele. Tem muito a ser feito pela empresa e pelos colegas cujas casas foram alagadas.

A palestra foi uma preparação e, mesmo, compacta e por continuar, indicou a ele todo um questionamento, que deveria ser pensado em particular, por ele. Sem continuações, sem escolhas, a sós.

Por que e para que aconteceu a coincidência com ele?

No momento em que essas coisas acontecem, sobram perguntas, mas, depois da palestra, o ponto de vista dele estava modificado.

Aconteceu e seguiria sem questionar as suas novas tarefas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Relicário

Relicário

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Contem-me dos comentários,

Quando estiver distraída,

Digam nomes mui contrários,

Soprem do que é feita a vida.

 

Círculos certos dos átrios,

Raios que me partam, vindima;

Contem dos ódios lacaios,

Mágoa que não cicatriza.

 

Cuidam de mim outros vários,

Como se sabe à vindita;

Cuidam de mim relicários,

Gente que em mim acredita.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Lugar

Lugar

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Onde fica a sede

Da felicidade,

Rua, casa ou sebe,

Da docilidade?

 

Sem que de si arrede,

A causalidade

Que ao plano despede,

Tempo em brevidade?

 

Poema que se bebe

À genialidade,

Verso que intercede

Sem a que se enfade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Dívida / Conto

A Dívida

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Toca o telefone:

_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.

Giovane responde que ali não existe nenhuma Cristina Borges. Repete o número do telefone e diz que esse número jamais fora trocado.

Na semana seguinte toca o telefone:

_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.

Giovane repete a resposta. Hoje tinha compromissos.

Quando volta ao apartamento, na portaria do edifício, recebe o recado do porteiro:

_A loja de departamentos ligou e pediu para a dona Cristina Borges, moradora do apartamento 710 pagar a dívida até o dia doze, senão o título será protestado.

Giovane fica aborrecida com a situação. Liga para a loja de departamentos e pede para falar com o setor de cobrança. Explica que quem mora naquele endereço é ela e não houve outra moradora até então. Pede ao serviço de cobranças que procure pela lista telefônica o número de telefone e endereço corretos da dona Cristina Borges.

Passam-se mais alguns dias e a vizinha vem conversar com ela. Pergunta se, por acaso, ela conhece alguém com o nome de Cristina Borges. Ela diz que não.

Passam-se dois meses e, depois de muitos telefonemas à vizinhança, os boatos começam. Giovane protege uma cliente que não paga as suas dívidas.

Giovane, constrangida com a situação, pede ao porteiro para contar a situação a quem mais vier pedir informações. Ela não sabe quem é Cristina Borges.

Passam-se dois meses e os boatos não param e, com nome de Giovane envolvido nos boatos, começam a dizer que Cristina Borges não existe e que a devedora é mesmo Cristina Borges.

Certo dia, já com os nervos à flor da pele, Giovane se queixa para a sua prima, contando o mal estar.

_Aguente a fama, querida. Você poderia ter evitado a situação cortando o assunto logo no primeiro telefonema.

Além de ganhar a fama de não pagar as suas contas, conseguiu a fama de não ter iniciativa, de não saber se defender, de não possuir autoestima.

Diante de tamanho esforço empreendido pela comunidade à sua volta, Giovane chegou á conclusão de alguém devia alguma coisa e a dívida era com ela. Precisava descobrir algo sobre Cristina Borges.

Foi até a loja de departamentos, fez compra e cartão da loja com o intuito de descobrir algo sobre Cristina Borges.

_Tempos atrás, o setor de cobrança da loja ligou para o meu número atrás de tal de Cristina Borges, o senhor pode verificar no computador se há outra pessoa que tenha fornecido o meu endereço e telefone.

O atendente verificou e conferiu que ninguém além dela estava localizado no mesmo endereço e telefone.

_O senhor pode verificar se essa tal de Cristina Borges existe. Eu tive muitos aborrecimentos em consequência de alguém que eu não sei se existe.

O atendente verificou:

_Sim, aqui está. Cristina Borges compareceu à loja na semana passada, pagou a dívida e atualizou o endereço.

Virou a tela do computador para que Giovane pudesse constatar que as informações sobre Cristina Borges estavam ali conforme ele disse.

A gerente, sentada numa mesa ao fundo, pergunta ao funcionário:

_Cristina Borges, de novo?

Giovane, ao ouvir a pergunta da gerente, pede um favor.

_A senhora conhece Cristina Borges? Conte-me sobre ela, mas, se a vir, peça, por favor, que tome cuidado na hora em que fornecer endereço e telefone. Eu ainda me incomodo com o engano dela.

A gerente se levanta e vem até o balcão para conversar com Giovane.

Após as apresentações de nomes e funções, diz sobre Cristina Borges.

_Cristina Borges é alguém que não pode ter dívidas. Sempre que temos problemas nas cobranças sorteamos alguém para ser Cristina Borges. A senhora nos desculpe pelo transtorno. Eu também não sabia que ele tinha voltado com a Cristina Borges. Não me pergunte que é ele. Pedirei que tome cuidado porque algum dia Cristina Borges será descoberta. O departamento de cobranças não fica nessa cidade e, para entrar com pedido de reclamação, a questão ficará muito cara. Eu tenho um pedido a fazer para a senhora: mantenha o cartão da loja ativo, parcele algo que não custe mais do que cinquenta reais e, em seis meses o assunto estará esquecido na sua vizinhança e em meio aos seus contatos. Infelizmente, além de comerciantes, sabemos criar boatos. Esse boato eu apago.

Giovane olhou para a loja de departamentos. Ainda não tinha dado o dinheiro para o pagamento da sua compra.

_Parcele no cartão da loja.

A gerente sorriu dizendo que todos os problemas estavam resolvidos.

Essas foram as calças jeans mais cara da sua vida.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Negociação / Reflexão

Negociação

Capacidade de negociação não é corrupção e, muito menos, truculência.

Capacidade de negociação é o gerenciamento das diversas habilidades e interesses conflitantes entre si com o uso adequado das habilidades políticas.

Percebe-se que aos jovens faltam habilidades de negociação, até mesmo porque são jovens e procuram a sua identidade dentro de uma sociedade pluralista.

Faltam ensinamentos de negociação para os jovens, não se exclui a inabilidade de liderá-los nas boas negociações.

Existem boas negociações. Essas boas negociações são habilidades próprias, além do poder de influência dos empresários e das forças que mantém a ordem.

Quando se fala em negociações logo vêm à mente as palavras como mentiras, traições, pressões, central de boatos e, não é nada disso. Essas estratégias de negociações são falhas e não levam a bom termo.

Negociar é permitir ao outro que as suas habilidades estejam desenvolvidas sem prejuízo das habilidades diversas e até mesmo conflitantes nessa negociação.

Negociar é tarefa exaustiva, mas compensadora nos seus resultados.

A sociedade é composta por vários segmentos e interesses e a negociação, quando exercida com seriedade, significa a ausência de prejuízos para todos.

Minimizar os prejuízos e as consequências dos interesses contrários é talento político.

Está na hora de habilitarmos os jovens com talento para a negociação.

Habilitar jovens para negociar significa perceber quais são as lideranças que não se utilizam de maus argumentos para essa negociação. É necessário garantir que os jovens possam se expressar livremente e sem influências partidárias na origem. À medida que amadurecerem, eles naturalmente escolherão os seus caminhos. Permitir essa escolha é ajudar na organização de uma sociedade autossustentável.

É saber que, muitas vezes, pensamos que qualquer empresário, por ser bem sucedido nos negócios, sabe negociar, quando não é verdade. O empresário tem talento, e muita capacidade para gerir negócios, o que não se traduz em negociação política necessariamente. Saber ganhar dinheiro é diferente de saber dialogar fora do âmbito dos seus negócios.

A sociedade não é um balcão de negócios, é a conversa sem barganha, permitindo-se, a si mesmo e ao outro, ficarem parcialmente satisfeitos.

Quem não dialoga, respeitando as diversas correntes de opinião, incluindo no diálogo, as minorias e as suas necessidades específicas, é máfia e não interessa a origem dessa máfia.

Outro dia, numa simples demonstração de negociação, pela internet, observei boas ideias. Devemos aproveitar as melhores qualidades da cada pessoa, a pessoa satisfeita faz melhor porque dá o melhor de si.

Por outro lado, forçar relações interpessoais é o mesmo que incentivar a frustração, o recalque e a agressividade, não apenas aquela dos jornais policiais, mas aquela agressividade velada que se traduz como desleixo ou tristeza.

Equipes de trabalho com afinidades de valores trabalham bem. Equipes formadas pela necessidade de momento tendem a fracassar após determinado tempo.

Valores sociais são por demais importantes para serem menosprezados. Hábitos e costumes variam de uma região para outra e entre as diversas profissões que compõe as camadas sociais.

A negociação política é atenta a esses ambientes e consegue prever com certa antecipação o resultado a partir do estilo das lideranças.

Para uma segunda-feira, já pensei demais.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Maria Abençoada

Maria Abençoada

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Hoje, ao meu espaço de papel,

As flores raras, se contadas,

As cores cândidas do mel,

Desperdiçado em chuvas ralas.

 

Porque pintadas com pincel

Na cor dourada, refinadas,

Cingem o espírito ao léu;

Doces Marias homenageadas,

 

Que, do amor, fazem seu chapéu,

Com muitas rosas perfumadas

Em seu rendado menestrel.

A esse meu espaço, o chamo céu.