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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Dívida / Conto

A Dívida

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Toca o telefone:

_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.

Giovane responde que ali não existe nenhuma Cristina Borges. Repete o número do telefone e diz que esse número jamais fora trocado.

Na semana seguinte toca o telefone:

_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.

Giovane repete a resposta. Hoje tinha compromissos.

Quando volta ao apartamento, na portaria do edifício, recebe o recado do porteiro:

_A loja de departamentos ligou e pediu para a dona Cristina Borges, moradora do apartamento 710 pagar a dívida até o dia doze, senão o título será protestado.

Giovane fica aborrecida com a situação. Liga para a loja de departamentos e pede para falar com o setor de cobrança. Explica que quem mora naquele endereço é ela e não houve outra moradora até então. Pede ao serviço de cobranças que procure pela lista telefônica o número de telefone e endereço corretos da dona Cristina Borges.

Passam-se mais alguns dias e a vizinha vem conversar com ela. Pergunta se, por acaso, ela conhece alguém com o nome de Cristina Borges. Ela diz que não.

Passam-se dois meses e, depois de muitos telefonemas à vizinhança, os boatos começam. Giovane protege uma cliente que não paga as suas dívidas.

Giovane, constrangida com a situação, pede ao porteiro para contar a situação a quem mais vier pedir informações. Ela não sabe quem é Cristina Borges.

Passam-se dois meses e os boatos não param e, com nome de Giovane envolvido nos boatos, começam a dizer que Cristina Borges não existe e que a devedora é mesmo Cristina Borges.

Certo dia, já com os nervos à flor da pele, Giovane se queixa para a sua prima, contando o mal estar.

_Aguente a fama, querida. Você poderia ter evitado a situação cortando o assunto logo no primeiro telefonema.

Além de ganhar a fama de não pagar as suas contas, conseguiu a fama de não ter iniciativa, de não saber se defender, de não possuir autoestima.

Diante de tamanho esforço empreendido pela comunidade à sua volta, Giovane chegou á conclusão de alguém devia alguma coisa e a dívida era com ela. Precisava descobrir algo sobre Cristina Borges.

Foi até a loja de departamentos, fez compra e cartão da loja com o intuito de descobrir algo sobre Cristina Borges.

_Tempos atrás, o setor de cobrança da loja ligou para o meu número atrás de tal de Cristina Borges, o senhor pode verificar no computador se há outra pessoa que tenha fornecido o meu endereço e telefone.

O atendente verificou e conferiu que ninguém além dela estava localizado no mesmo endereço e telefone.

_O senhor pode verificar se essa tal de Cristina Borges existe. Eu tive muitos aborrecimentos em consequência de alguém que eu não sei se existe.

O atendente verificou:

_Sim, aqui está. Cristina Borges compareceu à loja na semana passada, pagou a dívida e atualizou o endereço.

Virou a tela do computador para que Giovane pudesse constatar que as informações sobre Cristina Borges estavam ali conforme ele disse.

A gerente, sentada numa mesa ao fundo, pergunta ao funcionário:

_Cristina Borges, de novo?

Giovane, ao ouvir a pergunta da gerente, pede um favor.

_A senhora conhece Cristina Borges? Conte-me sobre ela, mas, se a vir, peça, por favor, que tome cuidado na hora em que fornecer endereço e telefone. Eu ainda me incomodo com o engano dela.

A gerente se levanta e vem até o balcão para conversar com Giovane.

Após as apresentações de nomes e funções, diz sobre Cristina Borges.

_Cristina Borges é alguém que não pode ter dívidas. Sempre que temos problemas nas cobranças sorteamos alguém para ser Cristina Borges. A senhora nos desculpe pelo transtorno. Eu também não sabia que ele tinha voltado com a Cristina Borges. Não me pergunte que é ele. Pedirei que tome cuidado porque algum dia Cristina Borges será descoberta. O departamento de cobranças não fica nessa cidade e, para entrar com pedido de reclamação, a questão ficará muito cara. Eu tenho um pedido a fazer para a senhora: mantenha o cartão da loja ativo, parcele algo que não custe mais do que cinquenta reais e, em seis meses o assunto estará esquecido na sua vizinhança e em meio aos seus contatos. Infelizmente, além de comerciantes, sabemos criar boatos. Esse boato eu apago.

Giovane olhou para a loja de departamentos. Ainda não tinha dado o dinheiro para o pagamento da sua compra.

_Parcele no cartão da loja.

A gerente sorriu dizendo que todos os problemas estavam resolvidos.

Essas foram as calças jeans mais cara da sua vida.

2 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Mas que grande confusão...
Havia necessidade?

XicoAlmeida disse...

QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO...
Beijo, Yaya.