Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Amigo-livro

Amigo-livro

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Misturo palavras dispersas

Brincando com formas iguais

Das tantas queridas conversas,

O amigo é o seguro do cais.

 

Revejo tapetes, fios persas,

Ao tear e ao tecer sempre atuais,

Detalhes precisos, reversas,

Perfeitos em sonhos banais.

 

São dessas ideias tergiversas,

Ao todo evitadas, não usuais,

Que negam ser a desconversa

O rir, que constroem todo o mais.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

História Comum – narrada em primeira pessoa

História Comum

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A coisa mais triste que tem na cidade é ter que sair dela para poder estudar. Alguns pensam que a gente não gosta da cidade pequena onde a gente nasceu. Não é verdade.

Na cidade pequena o doutor é amigo, o pão é quentinho, o café sai na hora. Tem bolo.

Mas, se não sair da cidade pequena, vou ser o que nessa vida? Sem estudo, o emprego é duro e o salário é pouco.

Aí eu estudo feito louco e com o pouco que guardo, vou para a cidade e faço a faculdade.

Consigo ser doutor que nem o amigo da cidade onde nasci.

Quero voltar e ajudar toda aquela gente que bem conheci, mas não dá.

Não tem hospital para eu trabalhar, para ficar por lá tem que ser clínico geral, abrir consultório, viver no purgatório e mandar a gente para cá, para a cidade grande.

E o café fresco com pão e bolo eu como, quando a minha mãe vou visitar. E vejo a idade dela chegar e, eu, ainda sem ter como trazê-la para a cidade grande morar.

Monto o meu consultório, compro a minha casa, caso, tenho filhos e, o tempo, ah, deixa para lá.

Quando, depois de dez anos de profissão, junto dinheiro para comprar um apartamento para ela, ela não aceita. Onde é que ela encontrará pão fresquinho e tanto carinho, o qual não se pode pagar?

E não adianta falar. Não tem escola para estudar. Onde se viu escola de medicina no interior, ninguém quer ir estudar longe das facilidades da cidade grande.

Parece que o interior não interessa a ninguém. A população diminui, criam-se cidades fantasmas enquanto a cidade grande se torna fábrica de marginais.

Toda a gente de bem tem o seu jeito de ir ao interior. O miserável que sai de lá com uma mão na frente e outra atrás, não consegue voltar. O submundo fornece mais ao desprovido de estudo.

Quando, num dia de zanga eu digo do que é que adianta televisão se é por ela que eu sei do meu irmão.

Mágoa cabocla nunca é pouca, mas aquilo que chamam sertão também é meu chão e nunca me negou um pão.

Para consolo meu, eu atendo a toda a gente que vem de lá. Trato bem, eu indico a refeição e, quando posso, até mesmo um ganha-pão.

Não adianta se queixar, por lá o futuro e a profissão ficaram de lado. Importante na cidade é o prefeito, o juiz, o promotor, o médico e o religioso, além do comerciante da venda do armazém. Eles mesmos mandam os seus filhos para lugares com mais recursos.

Eu penso no futuro do interior e, às vezes penso que o futuro do interior é virar mato de novo. Depois, vêm novos imigrantes para desbravar a terra que teve dono, mas que se foi embora para a cidade grande.

Não é desesperança não. É que se eu não digo quem o dirá?

Eu, que nasci e me criei num bom lugar, vim para cá, me fiz, sou um bom cidadão. Diga lá, se eu não o disser quem o dirá?

É todo mundo espalhado como se fossem gato e cachorro em busca de um lugar que não existe mais. Mas não existe mais porque ninguém pensa nesse existir.

Todo mundo pensa no interior das ideias tacanhas e não desenvolvimentistas. Colocaram o interior num altar, quando tudo o que o ser humano quer é sentir que os pés podem estar no chão. Com calçados, roupas, estudos e civilização. Respeito de um pelo outro em qualquer lugar do mundo.

Mas, se a gente continuar a pensar assim, daqui a pouco a cidade grande se tornará insuportável, cheia de gente e sem espaço para a movimentação.

O sonho de voltar ao interior será impraticável porque terá gente de fora desbravando o que é da gente.

Não tenho vergonha de ser um homem do campo. É mentira, eu não sou do campo; sou de uma cidade pequena. Mas para o povo daqui é a mesma coisa. Nem adianta tentar contar da diferença entre o fazendeiro e o homem comum da cidade pequena. O povo pensa que a diferença está na riqueza do fazendeiro. Essa é a pobreza da cidade grande.

A minha mãe tem quase noventa anos, é viúva, e não quer saber de vir para cá ficar comigo. Eu dou razão a ela. Quando ela fica doente, eu a trago e ofereço o melhor hospital. Ela melhora e volta para lá. E cada vez que ela volta para lá, eu me acabo de saudade, na vontade de dizer que, se eu pudesse, seria lá que eu ficaria também.

Mas a quanta gente eu dou saúde, que amiúde agradece pelo meu dom que é de curar. Essa gente toda que também me faz feliz porque escapou por um triz de não ter mais como remediar.

Quem sabe alguém me escute e, perceba que, apesar de tudo é falando desse jeito que eu sou feliz.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ansiedade

Ansiedade

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Meio sede, meio copo d’água,

E com alguma razão,

Certo medo dessa mágoa;

Hipotética aflição.

 

O desconhecido é tábua

Rasa, fundamentação

Escassa da dor que salga

Todo o bem em confusão.

 

De um estranhíssimo amálgama

É a ansiedade ao coração,

Retesando toda a espádua,

Sendo às penas, ilusão.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mistério - inspiração musical







Mistério

O mistério da vida
É que o homem não a anuncia,
Nem explica o porquê.

E nenhum ser a cria
A partir da magia,
O divino do ser.

Misterioso é esse dia,



Do por que há o nascer.

domingo, 13 de julho de 2014

Conclusão

Conclusão

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Quando vencer é a questão,

Vence o cansaço de um mês;

Vigília, treino e oração,

Joelhos que dizem porquês.

 

Doura-se a taça em refrão,

Perde-se a febre da tez,

Lembra-se do ensaio em razão;

Joga esse prêmio ao talvez.

 

Ama com sua emoção;

Sente à melhor, sensatez.

Cuida minh’alma a noção

Que ela valeu no que fez.

sábado, 12 de julho de 2014

Coerência

Coerência

Inocente

Desta vez, suei frio,

E valeu a intenção.

À rede, um vazio,

Sobrou à seleção.

 

Pássaro sem pio,

Sem choro ou razão;

Não pego o desvio,

À apresentação.

 

Maracanã é Rio

De samba-canção;

O que foi eu avalio,

À imaginação.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sorte

Sorte

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Esperança é mais que medo;

Vou dizendo do que sinto

Apesar do labirinto,

Em meio à festa e do folguedo.

 

A autoestima é esse segredo

Que mantém o amor. Não minto

Aos amigos, nem requinto,

Com enfeite o desenredo.

 

Por vontade é que enveredo

Aos caminhos que repinto,

Cor verde essa com que pinto

Ao amarelo e cruzo ao dedo.