A Interrupção / Reflexão
O inesperado existe, e aquele plano feito tem que pausar, nada demais, são coisas que vêm, lotam a agenda, e o que estava programado muda de rumo.
Interessante, porque estava planejando uma pizza, e a pizza terá que esperar, e as obrigações têm prioridade.
Dizem que essas coisas acontecem para o bem da gente, e que é para se dar conta de que precisamos de tais momentos inesperados para nos sentirmos humanos, não máquinas de um cronograma inventado por nós mesmos, os nossos planos bem planejados.
Aconteceu que estava trovejando e ventando, e com rapidez corri para fechar as janelas. Fechei a janela sem tirar o dedo e fraturei uma unha, o que significa nada, ou deveria significar.
Com todos os meus planos em desenvolvimento, parei e fiquei uma hora e meia cuidando das unhas, coisa que mulher entende, é que há a recomendação de tirar as cutículas devagar e com cuidado, para não machucar as mãos.
Perfeito, mas essa uma hora e meia teria outro endereço. A caixa de luvas culinárias é uma parte engraçada da história, comprei numa loja de confeiteiros, com todos os utensílios culinários.
Como é que um acontecimento banal muda a rotina sem me fazer mal algum, mas tive que procurar o correto atendimento para evitar inflamação, e agora, observo com bem estar, que o buraco na unha saiu da cutícula.
O detalhe é que não se pode fazer distinção, e é necessário manter as mãos feitas e arrumadas, hidratadas e tratadas e secas, para uma recuperação adequada.
Esta única unha me obriga a redirecionar os planos.
Fala sério, dá para imaginar uma coisa dessas?
As prioridades ficam mantidas, mas o tempo, não.
Está dando certo, e embora com a unha fraturada todas as atividades manuais estão mantidas.
O pedaço de unha arrancado pela janela ficava junto à cutícula.
Sei que, agora que está crescendo, começo a ver o resultado positivo, e alguns planos anteriores, deixados de lado como se não tivessem importância.
Essas coisas que são nada, se atendidas corretamente, são motivo e inspiração do texto, posto que causam a interrupção dos planos, não das atividades.
Este texto também é um alerta para não se desconsiderar "essas coisas" corriqueiras, e eu que nem sabia que um machucado na janela molhada de chuva precisava de atendimento médico, e precisava, e o meu tempo é outro, obrigatoriamente outro.
Uma infecção que não aconteceu porque o local ficou sensível demais e o remédio veio a tempo.
Esquece a pizza que estou bem do mesmo jeito.
A unha não precisou ser arrancada, é o que basta para achar graça da situação.
Ninguém em sã consciência faz um plano desses, mas o inesperado faz, pois o inesperado faz com que se modifique a rotina para que a consciência se expanda para outros conhecimentos.
Assim o inesperado e a consciência são um tema a ser discutido, porque somos insconscientes do que se passa a nossa volta até quando somos obrigados a essa consciência por motivos diversos, e para tanto é preciso que a mente esteja livre para isso.
Com a mente desobrigada da atenção das tarefas cotidianas, como nessa hora e meia, é que se expande para conhecimentos aleatórios e fundamentais para o crescimento do saber.
Surpreenderam-me os diversos conhecimentos devido a essa interrupção do tempo planejado, desde as luvas culinárias até observações abstratas que trouxeram os diálogos necessários nesse meio tempo.
Grata pela leitura.

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