Sol de Verão
Não me diga do que eu sei,
Mas, confie em mim; pois que sou,
Como o espelho que limpei.
Se me vir, fui eu que deixei.
Sigo claro nesse vou,
Dessa luz não me apaguei.
Sou benigno e me espelhei
Ao brilhar, retrovisor.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Sol de Verão
Não me diga do que eu sei,
Mas, confie em mim; pois que sou,
Como o espelho que limpei.
Se me vir, fui eu que deixei.
Sigo claro nesse vou,
Dessa luz não me apaguei.
Sou benigno e me espelhei
Ao brilhar, retrovisor.
Transliterado Indriso
Movimento elíptico de translação,
Questionando o umbigo em giro e rotação
Vem compor sistemas gravitacionais.
De tangente em gente, a transliteração;
Na Via Láctea em suave navegação,
Num quicar de bolas multinacionais.
Ao centrífugo onde está essa distração...
A centrípeta alma voga em devoção.
Bem-Me-Quer
Passo a roupa, passo à ferro;
Dê-me a pilha, dê-me e siga,
Seu caminho, que eu te espero;
Nesse passo, nessa lida.
Passo a roupa quando quero,
Essa milha é minha amiga;
Tanto passo até que zero,
Penso enquanto a roupa alisa.
Ferro quente, quero-quero,
Passo o tempo ao que me abriga;
Fique bem que te venero,
Abro o bolo margarida.
Nesse linho, goma e ferro,
Pego a saia toda franzida;
Nesse vinco que me esmero,
Fico e passo, canta a vida.
Espontânea / Crônica do Cotidiano
Finalmente refrescou, esse verão está abafado.
Vamos caminhar e observar qualquer coisa, para o curioso qualquer coisa é suficiente.
Aquele som dos pássaros, algum cachorro e a sua dona, gatos, não porque gatos não gostam de chuva, mesmo da miúda.
Estou no semáforo e aguardo a minha vez de atravessar a rua.
A senhora pedinte, com o papel plastificado nas mãos, a sua necessidade escrita e protegida da chuva, passa por três carros e pede o trocado.
Num dos carros, o que estava com as janelas fechadas e insufilm, a senhora faz gestos e pede para que a pedinte espere ela encontrar a moeda que estava por ali. Enquanto ela procura a moeda, o sinal abre e fecha.
Para que pressa no domingo? Aguardo.
A senhora achou a moeda, abriu uma fresta mínima e ofereceu a moeda à senhora pedinte.
Mais dois carros aguardam o semáforo.
Outra senhora, descontraída e com as janelas ligeiramente abertas diz que não tem moedas.
A pedinte se dirige ao carro da frente, no qual havia outra senhora.
A motorista ligou o esguicho do limpador dos para-brisas, apavorada. A pedinte tentou explicar que ela não queria nada além de uma moeda. A senhora, nervosa, deixou o esguicho ligado e a pedinte se afastou do automóvel.
A pedinte foi novamente ao carro com as janelas ligeiramente abertas.
A motorista avisou novamente que estava sem moedas.
A pedinte disse à motorista:
_Eu sou pedinte e a senhora está sem moedas, isso é normal. Mas que aquela motorista que ligou o esguicho é louca, ah! Isso é.
Valeu a caminhada!
Poema Dourado
Carruagem dourada,
Feita ao espelho da tarde,
Vem mostrar a verdade
Transparente e ondulada.
A verdade é uma fada
Que transpõe Sherazade,
Ao dizer da saudade,
A sonhar acordada.
A energia acumulada,
Feita em plasma se evade;
Vem à Terra e se alarde,
Sem deitar, luz clareada.
Ao calor é o seu nada
De magnético alarde;
Misteriosa acuidade
Visual flutuada.
O Calor é o Humor?
Nesses dias quentes parece que o humor muda, mesmo por aqui, onde grande parte das pessoas é sisuda.
Talvez seja porque a cidade esteja com turistas, o que também não é comum em Curitiba. Os shoppings estão com famílias inteiras olhando as vitrines com os comentários típicos de turistas observando o que é diferente da cidade de onde vieram.
Eu, conforme uma amiga me diz que gosto de jogar conversa fora, ou seja, mantenho esse blog inventando histórias, tenho me divertido com as tiradas de humor, difíceis de ver por aqui.
Se um fica sisudo, vem o outro e o corrige, dizendo que não é porque não se é da máfia que não se pode sorrir.
A outra disse que encomendaria bonecos de pano para fazer vodu com quem tirasse o seu bom humor.
Mais uma vem e diz para a gente sair de onde tem muitas mulheres de minissaias e homens de bermuda porque a confusão logo aparece.
Sei que as pessoas estão conversando e se divertindo. Eu também.
O interessante é que não estamos acostumados com humor na cidade, mas simplesmente está acontecendo.
Nem da política as gente escapa. Outra amiga me disse em quem votou nas eleições passadas. Pshhhhhhhhh (sinônimo de fique quieta). Ou eu fico quieta ou ela acaba a amizade. Mas foi ela que disse?! É gozação. Dela.
Tem a turma que não se empolga com a estação e não que saber de gozações. São os que ficam olhando como quem pergunta o que tem de bom para se divertir.
Quem não sabe jogar conversa fora, não sabe.
Talvez eu esteja conversando com quem precisa de pouco para se divertir.
Viajou? Sim. Quantos dias? Um final de semana ou apenas na passagem de ano, ou um final de semana com a família, ou ainda, tomou um banho de mangueira no quintal com os filhos.
Algo está diferente, sorridente.
Até a caixa do supermercado está de bom humor. Virou-se para a colega e disse que adivinha gravidez em qualquer mulher.
Estou com pressa. Bom dia.
Conversa Das Flores
Nem você, nem eu;
Ninguém foi, mas dizem.
A amizade se deu,
Foi raiz, foi origem.
Foi você e digo eu
Do querer que oprimem;
Que esse amor se leu
Nesse amor meu e seu.
O que o céu elegeu
Ao jardim não rimem,
Não se cria com breu
As estrelas. Cismem.
Ao dizer, penso eu,
Que o gostar que imprimem
Não foi meu, nem seu;
Que os jardins brilhem.