Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ponto Final / Realidade Fantástica

Ponto Final / Realidade Fantástica

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Ana Lúcia era filha de Cássia, babá do Joaquim. Cássia e Joaquim cresceram juntos e eram bons amigos.

Quando Cássia precisava de apoio, ele era o primeiro a dar as mãos. Quando ele estava inseguro, Cássia fazia companhia até que a insegurança desaparecesse.

Nunca namoraram, permanecendo essa amizade na inocência infantil. Cresceram e tiveram os seus namoros.

Joaquim não quis a amizade do namorado de Cássia e, Cássia pensou nas diferenças sociais que apareciam. O namorado dela era de origem humilde e a fazia feliz. Não que a amizade entre ela e Joaquim tivesse que acabar, mas ela queria seguir o rumo dela. Talvez, pensasse em se casar e trabalhar como babá numa casa de família.

A namorada do Joaquim, ao saber dessa amizade, fez questão de preservá-la. Não eram ciúmes, era um sentimento estranho que a incomodava. Precisava da amizade de Ana Lúcia para se sentir bem, sabia que era bobagem, mas não queria aquela moça longe do alcance da sua vista.

Joaquim namorava e, de vez em quando, saía com outras garotas. Ana Lúcia viu e disse para ele não se comportar dessa maneira. Ele não ligava o que ela dizia.

Joaquim se casou e continuou nesse comportamento. Ana Lúcia se casou e, realista, tinha a vida que esperava ter, uma família remediada financeiramente, mas harmoniosa.

Muito tempo se passou e Joaquim se separou, a mulher dele acabou por descobrir as aventuras.

Ana Lúcia enviuvou e morava com o filho ainda solteiro.

Nessas circunstâncias aconteceu deles se encontrarem.

Ana Lúcia, conformada. Joaquim, aventureiro. Conversaram e ficaram por conversar depois.

Como brincadeira e lembrando-se dos velhos tempos de infância, Joaquim a chamou de Cássia e ela não gostou.

_Joaquim, eu peço que não me chame pelo nome da minha mãe. Ela te queria bem e eu também te quero bem. Deixemos que a alma dela descanse em paz. Temos idade e não precisamos dessas brincadeiras, que são de mau gosto.

Parece que tanto fez o que a Ana Lúcia disse. Ele queria chamá-la pelo nome da falecida babá.

Ana Lúcia começou a se esquivar das conversas, que acabavam por se tornar desagradáveis. Lembrou o Joaquim da infância e não o reconheceu; ele estava mudado. Continuava com as aventuras, mas havia algo de diferente nele. Noutros tempos ele não a chamaria por outro nome, ainda mais de gente que tinha morrido.

Ana Lúcia era babá, com o mesmo carinho e dedicação com o quê a mãe dela havia sido, mas daí a ser babá de alguém da sua idade era fora de propósito. Não mais aceitou esse tipo de conversa e o evitou. Quem ele queria não estava por perto; seria bom que ele ficasse longe.

Joaquim, no entanto, telefonava e escrevia para Ana Lúcia, sempre a chamando pelo nome da outra. Não era engano, ele assumia que ele queria que ela fosse outra, a mãe dela, a babá dele.

Quando a Ana Lúcia percebeu que não era brincadeira, que o assunto poderia ficar a cada dia mais sério, tomou a decisão de não mais manter contato com Joaquim. Não era fácil, mas ela tinha que querer o seu próprio bem estar. Ele parecia estranho nesse comportamento, ele havia mudado. Teve que dizer adeus.

domingo, 13 de outubro de 2013

Encontros / Reflexão

Encontros / Reflexão

 

É interessante saber que a gente não sabe onde encontra os pensamentos semelhantes. Não se imagina a esquina onde tomaremos decisões fundamentais para todos os outros dias.

Penso que não se experimenta a energia comum ao acaso. É o conhecimento produzindo conclusões que pareciam estar na ponta da língua, mas precisavam de uma palestra que o antecedesse.

Uma palestra, um pensamento, uma conclusão e, pronto, modificamos o rumo que tínhamos até então.

Conheço muita gente que brinca com a expressão: “Foi intervenção divina”. Até que se viva uma experiência religiosa, até se ri da expressão, principalmente quando não vem das orações de pedidos de saúde; vem do cotidiano. Aparece a dúvida e, pronto, ela se faz certeza de um momento para o outro sem que tenhamos qualquer expectativa para o assunto determinado.

Tem gente que pede a Deus tudo o que precisa, tem gente que pede a Deus apenas em casos muito tristes.

Agora, quando o assunto é religioso e, a gente olha para cima dizendo:

_Senhor, se for da Sua vontade decida por mim, porque o assunto é optativo e eu o continuarei seguindo, seja do jeito que o Senhor desejar.

E, tudo muda, sem mais nem menos, num email inesperado e desconhecido, e o assunto é teológico, não tem como a gente não se sentir bem.

Parece que Deus envia brindes àqueles que Nele esperam.

Sei que começo a semana em rotina modificada, com alguns afazeres que eu não tinha na semana passada, e sei que Ele interviu na questão.

É nessas horas que me lembro da parábola do grão de mostarda. É preciso acreditar nessa energia divina em qualquer momento da vida. Eu gosto dessa parábola pelo seguinte: tanto faz você colocar um grão de mostarda ou uma pitada de grãos de mostarda ao fritar um bife, o sabor será acrescido de mostarda e o comportamento dos alimentos é diferente na sua cocção. Ele sabia o porquê de cada palavra que pronunciava.

Hoje foi um dia para agradecer e a semana para aceitar o convite de aprimorar conhecimentos. Um convite feito de coincidências, mas eu guardo o meu grão de mostarda para acreditar que, desta vez, não foi coincidência, foi interferência de uma fonte de Luz que não se apaga.

Uma excelente semana para todos!

sábado, 12 de outubro de 2013

Enigma do Trânsito

Enigma do Trânsito

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Cortei cinco minutos

Das minhas horas fúteis;

Ganhei quatro atributos

E, os cumpro em horas úteis.

 

São meus cinco minutos

De pontes entre túneis

E reta em resolutos

Espaços insolúveis.

 

Injustos são os minutos

A mais dentro dos túneis

Em horas. Tempos justos

E iguais, de asfaltos súteis.

 

Contados são absolutos

Relógios resolúveis;

Questões para os argutos

Do trânsito aos dias úteis.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Conversa Íntima

Conversa Íntima

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Lia chamou Nélia para conversar em particular.

Nélia ficou curiosa e aceitou o convite da amiga para estar na casa dela no dia seguinte.

Lia elogiou a aparência de Nélia e Nélia retribuiu a gentileza dizendo o quanto era agradável estar com ela.

Depois de uma breve conversa descontraída, Lia pediu à filha que pegasse o espelho da sua bolsa e o trouxesse até a sala.

A filha voltou desencantada:

_Mamãe, você comprou o espelho da bruxa da história da Branca de Neve.

Lia respondeu que foi absolutamente necessário. Mostrou o espelho para Nélia e pediu para que ela se mirasse nele.

A filha, aborrecida com a brincadeira, disse que a Nélia parecia uma boneca e não tinha nada de bruxa.

Lia interrompeu a filha e disse:

_Exatamente, minha filha. Eu não sou nenhuma bruxa e a minha amiga Nélia não tem sete anões.

Nélia ficou assustada com a conversa e disse:

_Como assim?

Lia respondeu:

_Pois é. É o que estão dizendo de você.

Nélia respondeu com outra pergunta?

_Como assim?

Lia respondeu, dizendo nas entrelinhas o que precisava ser dito:

Amiga, esse espelho foi comprado numa loja de R$1,99 - um real e noventa e nove centavos – explicitou. Essa bruxa enfim, é daquelas baratas e úteis. Você não merece isso.

Nélia exclamou:

_Não me diga! Eu não sabia dessa história.

Lia disse que alguém precisava avisar à amiga e disse:

_E, se de repente aparecem sete anões na sua vida? Eu não poderia deixar que isso acontecesse com você. Comprei o espelho.

Nélia, agora ficou mais que curiosa e perguntou para a amiga:

_Deixa-me ver se eu entendi. Você comprou o espelho, mas se o espelho for mágico, agora você está com poderes a mais. Estou me preocupando com essa história.

Lia a tranquilizou dizendo que ela não tinha vocação para ser má.

_Se o espelho for mágico, eu te darei um príncipe. Jamais te darei sete anões.

Nélia ficou atordoada com a conversa e disse:

_Príncipe! Por que é que eu gostaria que você me desse um príncipe?

Lia respondeu:

_Para te livrar dos sete anões.

Nélia perguntou quem seriam os sete anões:

_Qualquer um que ter ache elegante. A esse se somam mais seis e pronto, são sete. O feitiço estaria feito.

Nélia disse que na história infantil existe uma maçã envenenada.

Lia retrucou:

_Maçãs não faltam à mesa de pessoas elegantes como nós duas.

Nélia sentiu que a amiga tinha razão. Comia frutas todos os dias para manter a saúde e a elegância.

A tarde passou rapidamente e estava na hora de Nélia voltar para casa. Despediu-se de Lia dizendo:

_Amiga, seja príncipe, ou, seja anão, me avisa antes, que eu quero ter poder de opção.

Lia concordou com a amiga, mas a advertiu:

_Eu te conto tudo, mas preciso antes verificar se o espelho tem poderes para depois negociar com ele antes de te avisar. Peço que se cuide.

As duas se abraçaram como amigas íntimas que acabavam de se tornar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ouvindo Alunos / Crônica de Supermercado

Ouvindo Alunos / Crônica de Supermercado

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Ah! Esse supermercado, que eu amo e que me deixa mais sábia a cada dia que passa.

Hoje foi o dia dos alunos, encontrei alunos que estão pensando nas férias do final do ano. Não teve brincadeira, nem nada. Eles contavam dos seus professores pelo nome e descreviam o comportamento de cada um deles.

Teve uma moça que contou a sua história. Disse ela que a colega que senta no meio da sala é a protegida da professora. Ela é disposta a questionar as situações e chamou a professora para comer um sanduíche na hora do recreio.

Conversou sobre temas variados até chegar à pergunta, que, para ela, deveria ser feita.

_Professora, com todo o respeito que a senhora merece da minha parte e, agradecendo a sua boa vontade em estar aqui, eu preciso fazer uma pergunta. Por que a senhora protege a Clarissa?

A professora disse que não se lembrava de proteger a Clarissa.

A moça descreveu todas as situações nas quais ela via a Clarissa recebendo mais atenção do que ela.

A professora, segundo a moça da fila, então respondeu:

_Eu não havia percebido que paparicava a Clarissa, mas agora percebo que você tem razão.

A moça, pensando ser esperta, então perguntou o motivo da paparicação.

A professora respondeu:

_Eu a paparico porque gosto dela, do jeito como ela apresenta os trabalhos e as pesquisas, merece ser paparicada.

O amigo, que estava ao lado dela, disse que com ele a situação era o avesso da dela.

_O meu professor implica comigo. Eu fui reprovado por dois anos consecutivos e ele se negava a dar uma explicação. No segundo ano descobri as respostas ideais sob o ponto de vista dele, que se aproveitou dos temas discursivos para criar as complicações nas respostas. Eu descobri, decorei e passei.

A amiga, que gostava mesmo de questionar os outros, perguntou:

_E hoje, como você se sente em relação a ele?

Agora era a vez desse seu amigo de fila responder.

._Hoje eu me sinto muito bem em relação a ele, pois cada vez que algum outro professor menciona a matéria, as respostas vêm automaticamente, as respostas estão prontas como se fossem tabuadas na ponta da língua. Eu encontro e converso amigavelmente com ele. Eu tenho outros professores e estou bem nos estudos.

A moça ainda não entendia como poderia haver fatos tão diferentes na mesma escola.

Ele pegou umas garrafas de refrigerantes para estudarem juntos logo após a saída das compras.

Hoje os jovens estavam para a intelectualidade. Bom saber.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

História de Circo

História de Circo

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A menina Ana tinha onze anos e gostava de se equilibrar. Andava por sobre linhas nas calçadas e nos lugares onde era permitido; valiam galhos de árvore e cabos de vassouras velhas para as suas brincadeiras.

A mãe ralhava e de nada adiantava. Os vizinhos e os parentes a avisavam que ela poderia se machucar, não tinha treino para o que fazia; era espontânea. Na escola a colocaram para os primórdios da ginástica olímpica, ela gostou, mas a diretoria da escola extinguiu as aulas de equilíbrio pela falta de professores especializados.

Um amigo dela viu as belas demonstrações de equilíbrio pela vizinhança. O nome dele era Setembrino, que contava quinze anos.

Passados alguns dias ele pediu à mãe dele que fizesse um bolo e convidasse Ana e a mãe para comerem o bolo junto com eles.

Elas foram.

Setembrino, na frente da mãe e da amiga da mãe abriu um baralho e pediu para que Ana escolhesse uma carta que ele adivinharia a carta.

Ana escolheu e ele adivinhou a carta.

Depois pediu para que a Ana escolhesse cinco cartas para que ele adivinhasse quais cartas eram aquelas.

Ana escolheu e ele adivinhou.

Pediu para se ausentar por alguns instantes e voltou com um chapéu e pediu para que a Ana olhasse o chapéu.

Ela olhou o chapéu com atenção e o devolveu a ele.

Ele mexeu dentro do chapéu e tirou lenços coloridos de seda.

Ana disse a ele:

_Você está de truques para comigo. O lenço estava nas mangas da sua camiseta.

Setembrino riu a valer e perguntou:

_Ana, quer um coelho?

Ana o olhava de um modo surpreso. O que estaria ele querendo dizer com “um coelho”.

Ante o olhar de espanto da Ana, ele tirou o coelho do chapéu.

A mãe da Ana o observava com curiosidade e a mãe de Setembrino ria-se, divertindo-se com a situação.

A mãe dele piscou para a mãe dela.

Setembrino continuava a fazer Ana surpresa com truques e mais truques.

A mãe da Ana cansou-se de ver a filha sendo feita de expectadora e perguntou onde Setembrino queria chegar.

_Onde eu quero chegar, prezada mãe de minha amiga? Eu quero que ela pare de fazer números de equilibrismo e seja minha parceira nos truques de mágico.

Agora a senhora mãe da Ana ficou pasma e sem saber o que dizer.

A mãe do Setembrino perdeu o riso contido e agora gargalhava como não se tinha visto até aquele dia.

Ele, todo altivo, explicou a situação para a mãe da Ana:

_Eu fiz uns trocados fazendo pequenos serviços para a vizinhança. Busquei criança na escola, alimentei cães e gatos enquanto os donos foram passear, assinei o recebimento da correspondência registrada para alguns mais e, enfim, comprei a minha maleta de mágico.

Diante da explicação, a mãe da Ana o parabenizou pelo esforço.

_Todos os truques são de mentira e ilusão. Penso que a Ana possa ser a minha parceira. Nenhuma moça com idade de dezoito anos deseja ser minha parceira. Elas dizem que sou criança.

A mãe da Ana disse que a filha era uma criança e não poderia ajudá-lo e disse a ele com carinho e respeito:

_Se você e a minha filha correrem o mundo como mágicos, eu e a sua mãe teremos que deixar tudo para trás para cuidarmos de vocês. Não é justo para conosco. Acho que você será um mágico solitário por enquanto.

Ele ainda argumentou que a Ana estaria mais segura fazendo mágicas do que brincando de equilibrista.

A mãe dela disse que a filha não mais brincaria de equilibrista e Ana concordou.

Nunca mais ninguém viu Ana se equilibrando. A maleta de mágico acabou guardada como recordação da infância de Setembrino.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Poema Erudito

Poema Erudito

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Não pode ser ar,

Depois que recita,

A cantarolar

A nota inaudita.

 

Parece chegar,

Igual à visita,

De poema a versar,

Suave à desdita.

 

Transforma-se em ar,

Audível à escrita

Da vida a ecoar,

E, aos sonhos, incita.

 

De volta ao lugar

O som que te habita,

De novo a tocar

A estrela infinita.