Novelo
São tantos gatos,
Que me acostumo;
São tantos fiapos,
Fiapos sem prumo.
Fiada de trapos,
Gatos eu arrumo;
Desembaraço-os,
Sigo o meu rumo.
Fios de embaraços,
Vejo e não assumo.
Cobram-se laços,
Lã que eu não durmo.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Novelo
São tantos gatos,
Que me acostumo;
São tantos fiapos,
Fiapos sem prumo.
Fiada de trapos,
Gatos eu arrumo;
Desembaraço-os,
Sigo o meu rumo.
Fios de embaraços,
Vejo e não assumo.
Cobram-se laços,
Lã que eu não durmo.
Refazer a Vida
Todos os seres humanos estão sujeitos a se verem sozinhos. Às vezes por perdas de familiares, às vezes por separações, às vezes por opção e, às vezes pela imposição das necessidades de sobrevivência.
|São momentos significativos e, é preciso coragem. Atalhos não faltam para se trilhar um círculo vicioso, deixando a condição de se estar só para depois. Pergunta-se: depois é quando?
Esse momento tem a sua magia, é o momento de se redescobrir em defeitos e em alegrias. Acredito que as pessoas devem se permitir refazer e perceber com quais amigos ela têm afinidades, quais são os tipos de lazer que a agradam, quais são os afazeres que a deixam mais aborrecida. Cabem à pessoa essas descobertas a respeito de si próprias e as tomadas de decisão consequentes.
Talvez, nem tudo o que for planejado dê certo e, certamente todos têm as seus desencantos; mesmo aqueles que não estão na condição de recomeçar a vida.
O que a pessoa não se deve permitir é continuar os problemas que, na verdade, são desnecessários ao recomeço, como relacionamentos desgastados com pessoas boas, mas de pensamento completamente diferente do seu. As afinidades são estímulos para qualquer começo. Os empresários não abrem sociedade com pessoas antagônicas ao seu modo de ser. Por que é que alguma pessoa deverá procurar a convivência com aqueles que têm objetivos diferentes na vida?
Penso que pronto e perfeito, é Deus e mais ninguém.
Também sou contra se refazer às pressas, a não ser em caso de necessidades urgentes, mas, normalmente, podem-se escolher as calçadas por onde se deseja caminhar. A afetividade é complicada e precisa do interessado em descomplicá-la. A pessoa pode se ajudar e precisa de força de vontade para recomeçar após perdas e fracassos emocionais.
Para recomeçar e se refazer é preciso maturidade e não se deixar conduzir pela primeira pessoa que aparece. Não que o outro não queira ajudar, mas ele também erra, também tem defeitos e qualidades. Nessas horas, vale o ditado: muito ajuda quem não atrapalha.
Embora haja discernimento do que se quer, é bom não se perder em obsoletismos tais como se incomodar muito com assuntos que não interessam ao momento. É preciso pensar naquilo que se quer e ir em frente com paciência e determinação.
Paciência, porque existe a demora em se refazer e é preciso se determinar em quais passos são os prioritários.
Depois, descansar ao lazer e, recomeçar.
Se o lazer for adequado ao jeito de pensar da pessoa, vem a preguiça de continuar o que se faz até terminar o que foi começado. É aí que entra a determinação. Sem determinação, a pessoa fica a precisar fazer algo mais e esse algo mais fará falta na sua vida.
Terminadas as etapas iniciais, a vida segue bem. Sozinho, mas com o conforto necessário para se prosseguir. Aos mais afoitos, digo que esse conforto vem de sentar-se na sua cadeira e sentir-se de bem consigo mesmo.
Agora, sim, o depois fica para depois, porque o importante foi feito.
Cuida-Te, que o Enem está Chegando / Crônica do Cotidiano.
Duas adolescentes conversavam sobre as provas, pensando no Enem.
Conferiram as respostas do teste de literatura e os de matemáticas.
Uma delas disse que a prova difícil seria a de biologia.
A outra respondeu que provavelmente iriam perguntar sobre Che Guevara. Ele deveria ser tema para uma pergunta discursiva sobre biologia.
_Por quê?
_Estão chegando médicos cubanos ao país. Medicina e biologia tem tudo a ver.
A outra ficou preocupada e pediu à amiga que contasse sobre o Che, que depois ela pesquisaria na internet.
_Che foi um médico que não cobrava consultas. Atendia toda a população sem cobrar um centavo no país dele. Eu não sei se esses médicos que vêm ao Brasil cobrarão pelas consultas, mas nunca é demais se precaver.
A outra pediu para que ela contasse tudo sobre ele, pois talvez não tivesse tempo de realizar a pesquisa.
_Che foi um cara que praticava a medicina gratuitamente. Teve problemas quando resolveu ir para outros países e tratar as pessoas gratuitamente. Provavelmente, os médicos não gostaram da concorrência. Tenho quase certeza desse fato.
A outra perguntou:
_O que foi que aconteceu com ele?
A resposta foi essa:
_Foi assassinado na Bolívia e ninguém achou o criminoso até hoje.
A outra disse:
_Que horror! Um médico que não cobrava nada foi assassinado. Se por acaso eu decidir fazer o vestibular para o curso de medicina, saberei mais sobre biologia. E, se eu passar no vestibular, cobrarei as consultas de todos os meus pacientes. Não quero represálias.
A amiga a apoiou.
Saíram para fazer lanche noutra lanchonete. Iriam comer nada muito saudável. Ainda não tinham passado no curso de medicina e estavam a mais de oito horas de jejum para comer quantos sanduíches acompanhados de batatas fritas quisessem.
A história pertence aos jovens.
Dia Seguinte
Deixa o vento secar as roupas
De ontem, de hoje e, as que estão lavadas.
Abre a casa de meias e toucas,
Passa o dia em se fazer calçadas.
Passa o tempo e a rotina às poucas,
Ferro quente em toalhas dadas,
Limpas e úmidas. Guarda as roupas;
Passa agora a mover passadas;
Dias seguintes são meias e toucas,
Frio e calor ao suor e meadas,
Saído à chuva das vozes roucas;
Horas secas às mãos cansadas.
Filosofia para As Festas / Crônica de Supermercado
Estava eu na fila do caixa para pagar os pães, muito mais preocupada com os comentários sobre alimentos saudáveis atrás da minha cesta com tipos variados de pães (eu exagerei nos pães), quando a risada foi geral.
O senhor que estava dez pessoas atrás de mim e estava conversando com um amigo que encontrou enquanto estava no fim da fila, se despediu do amigo desejando a ele Boas Festas e Feliz Ano Novo.
A senhora que estava próxima a ele perguntou se ele não estava adiantado para as festas de final de ano, estamos em outubro e faltam mais de dois meses para a data.
_Não estou adiantado, é a minha filosofia de vida. Se o sujeito for enfadonho, ao ouvir as felicitações, poupa-me de felicitá-lo enquanto eu aproveito a festa. Se for alguém que eu quero bem, mas não faz parte dos meus círculos pessoais, satisfaço a minha intenção de dizer o quanto ele ou ela são importantes para mim. Se acontecer alguma fatalidade e, que eu fique doente, não terei me esquecido de ninguém e todos lembrarão o quanto fui generoso, um Papai Noel de supermercado. Se eu estiver aborrecido ou zangado durante as festas, fico no meu canto e não incomodo ninguém, coisa que geralmente acontece no dia seguinte, quando vejo o que gastei no peru. Além do mais, faço um favor a todos os demais, lembrando que, se todos estiverem bem, eles terão festas pela frente. No mês que vem, compro os cartões e começo a enviar àqueles que não me esquecem, é uma obrigação social lembrando o quanto é bom ter sobrevivido mais um ano; é a boa vontade manuscrita Depois, acontece dezembro, onde as religiões lembram que o consumismo não leva ao crescimento individual, mas é a hora de comprar o saco para os presentes. Onde se viu não trocar presentes? Pelo menos de um amigo secreto eu participarei e receberei livros e CDs que não escutarei porque não são do meu estilo; eu gosto de esportes e uma camisa do time da Portuguesa de Desportos seria bem vinda (publicidade não paga). Depois existem aqueles presentes para trocar com aqueles dos quais não se esperam gentilezas, são os chocolates da reserva que nos salvam das situações delicadas causadas pelas visitas inesperadas.
Ele digeriu o peru inteiro e papou a fila.
A senhora que ensinava à filha como não comer errado entrou no caixa ao lado e eu pedi gentilmente à caixa para falarmos baixinho porque ela tinha me perturbado enquanto observava os meus pães. A moça, sempre gentil, sussurrou o preço dos pães como se estivéssemos sob a mira daquela esfomeada. Se ela não estivesse com fome, por que ficaria de olho na minha cesta de pães?
Soneto Iluminado
A verdade casada com a humildade
Vem singela, donzela de castos sinos,
Acobreados, de pêndulos à saudade,
Sem pudor transformando-os sons desses signos
Pensamentos são abrigos dessa bondade
Que ressoam na cidade como desígnios,
Encontrados ilesos nessa igualdade
De destinos tangentes e retilíneos.
Quem escolhe, se perde nessa vontade,
Ao perfeito querer em sua amizade;
Imperfeitas são as coisas aos desatinos.
Que sejamos ao mundo todo benignos,
Na consciência de o ser como prioridade
Necessária da luz e da humanidade.