Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lua Arredia

Lua Arredia

clip_image002

Retrato e amor escondido

Servem ao amor de guarida;

Buscam calor, refletido,

Nessa emoção compartida.

 

Vale-se então de um mendigo

À última rua, perfídia,

Sôfrega, ao povo movido;

Rua de lua arredia.

 

Nesse visor comovido,

Certa é a afeição irreprimida;

Todo o buscado é perdido

Nesse roteiro de vida.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Indriso Enregelado

Indriso Enregelado

clip_image002

Recolho-me ante o clima esperado

E obtenho o pensamento esfriado

Na tarde que findou sem garoa.

 

Direta ao objetivo que ecoa

Às costas, me encolhendo à toa;

A manta permanece a meu lado.

 

Descanso a tricotar, mediadora,

 

Precisa, entre tais fios, com cuidado.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Festa

A Festa

clip_image002

Úrsula convidou todos os seus amigos para a festa de inauguração da loja, foram incansáveis esforços para conseguir montar e decorar o espaço dedicado aos presentes de várias faixas de preço.

A festa seria realizada às oito horas da noite com coquetel, salgados e doces.

Foram os amigos e conhecidos mais chegados a ela. Foi quem sabia que não teria que comprar nada e que a festa renderia agradáveis conversas.

Eram oito e meia da noite quando ela, pessoalmente, abriu as bebidas e as bandejas com salgados e doces.

_Fiquem à vontade e sirvam-se.

Entre dizer a frase e apagar a luz não se passaram dez segundos.

Ao apagar da luz alguns senhores foram aos seus carros e pegaram lanternas para ajudarem a dona da festa.

Conseguiram duas lanternas em bom estado de conservação e as colocaram ao lado das bandejas.

O ambiente ficou silencioso sem aquele ruído característico da cidade que indica televisores, rádios e chiados de computadores.

A conversa, aos poucos se direcionava para a voz calma e paciente de quem conta histórias.

Passam-se duas horas e a luz não volta. A rua não tem semáforos ligados. Todos perdem a pressa para irem embora.

Compartilhando aquela luz de candeeiro automotivo, a amizade ficou calorosa. As conversas eram intermeadas por algo parecido com as luzes de gato das estradas.

Mais divertido do que constrangedor, era um observando o olhar do outro, diante de uma fala ou uma resposta, todos estavam com óculos de gato naquele espaço de loja reduzido o suficiente para que algumas particularidades fossem confessas em olhos de gato.

Não havia olhar de cachorro, pois os cachorros da vizinhança latiam para a lua cheia naquele céu bordado de ouro.

Pouco se poderia esconder naquele espaço de 4x3 sem prateleiras e, com bandejas.

Todos observando todos, quando dois dos convidados da festa sentam-se lado a lado e caíram na gargalhada.

Outro convidado pergunta qual é a graça.

A situação era engraçada. As bandejas não foram tocadas, pois todos esperavam que a luz voltasse para se servirem.

Por volta das onze horas da noite a luz voltou.

Todos poderiam se servir dos quitutes e, alguns o fizeram.

Muitos estavam cansados e pegaram os seus carros, pontos de ônibus e caronas, e foram embora, não sem antes abraçar a dona da loja.

Fazia tempo que cada uma das pessoas convidadas não desfrutava de tamanha intimidade com os amigos, sabiam que apenas a infância permite tal desprendimento social numa festa.

Se a festa foi boa, há muito que se pensar.

sábado, 24 de agosto de 2013

Poema Hípico

Poema Hípico

clip_image002

Meu cavalo segue o trote

Sem chicote e sem arreio,

Dança a valsa e dança o xote;

Ensinado, vence o freio.

 

Assustado faz pinote,

Mas é doce o seu recreio

Nesse amor vindo a galope;

Aceitado o sal do meio.

 

No universo desse porte

Há bondade sem receio,

Bebedouro fresco à sorte

De um descanso no passeio.

 

Se montado, faz transporte,

Vem do sul e vai pro norte;

Nessa lida que o sacode,

Sem parar o cavaleiro.

 

Meu cavalo, às vezes foge;

Vem pastar ao devaneio,

Vem querer do que se pode,

Vem ganhar esse meneio.

 

Meu cavalo sempre dorme

Sem piscar ante o cocheiro;

Meu cavalo não tem nome,

Mas o dia é bom o dia inteiro.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Amarrada à Mesa / Crônica do Cotidiano

Amarrada à Mesa

clip_image002

Outro dia eu estava numa cafeteria fazendo um lanche e peguei o lanche e sentei-me com um amigo.

Na mesa ao lado havia uma moça com os seus pertences sobre a mesa. Como o local lotasse de gente, muitos perguntaram a ela sobre a possibilidade de sentarem à mesa onde ela estava para tomar o café sentado.

Ela respondeu que não, aguardava as amigas para tomarem lanche juntas. Ela tomava um suco de frutas enquanto esperava as amigas.

Na mesa onde eu estava a conversa era agradável, mas observávamos a situação da moça. Meu amigo dirigiu-se a ela e disse:

_Para você, a situação é difícil. Você está segurando a mesa enquanto elas não chegam, mas cada um sabe de si.

Ele disse isso a ela e voltamos a conversar, enquanto continuávamos a ouvir:

_Sinto muito, a mesa está ocupada. Aguardo as minhas amigas.

Ficamos curiosos. Ela dizia que a mesa estava ocupada e ninguém chegava. Ela não comia nada e tomava o suco vagarosamente, fazendo o tempo passar.

Pedimos mais cafés para vermos o fim do episódio.

Passou meia hora e chegou uma das amigas pedindo desculpas pelo atraso, mas ela não poderia deixar de ir ao banco naquele dia.

Dali a quinze minutos chegou outra amiga, também pedindo desculpas pelo atraso. Ela teve que encontrar-se com o marido para conversar algo urgente.

Somando mais quinze minutos e chegam as amigas restantes. Elas não tinham desculpas pelo atraso, haviam encontrado alguém que não viam há anos e pararam para matar as saudades.

Não seria melhor se elas não fossem assim unidas?

Garanto que o café tomado junto com o meu amigo estava mais gostoso do que o da moça amarrada à mesa.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fábula Citadina

Fábula Citadina

clip_image002clip_image004

Na cidade os bichos de estimação convivem com a poluição e com os humanos, o que é difícil para eles.

O pássaro chegou à janela para reclamar o poema, disse que era para ele. Saiu do parque e chegou ao quintal com ar sério, batendo o bico no chão, como se dissesse que não era para poetizá-lo, porque ele pertencia a outro lugar.

Ele não é pássaro de gaiola, mas teve que tomar cuidado com os gatos da redondeza.

O que o pássaro não sabe é que dois gatos se escondem pelas redondezas, e que esses gatos não jantam pássaros porque há muita sobra de ração para gatos nos lixos da cidade e, a eles, basta comer.

Os gatos se preocupam mesmo com os cachorros.

Um dia, um desses gatos, disse que ele era bom, e que o cachorro não prestava.

A garota, uma menina, que sai à janela para conversar com o gato que mia embaixo da sua janela, conversando com o gato, disse que as pessoas dizem que os cachorros são bons e que os gatos não são tão bons assim.

O gato se arrepiou e disse:

_Não é verdade, olhe com quem anda o cachorro e saberá o que ele faz.

A menina disse que a maioria das pessoas têm cachorros porque eles são confiáveis.

O gato, disse então:

_Não temos donos, temos casa e alimentos, mas somos carinhosos com quem nos trata bem.

A garota, que se chamava Margarida, disse a ele que os cachorros eram fiéis aos donos e não se importavam com a casa e com os alimentos.

_Os cachorros obedecem aos donos, quando os donos são maus, os cachorros fazem coisas erradas.

A menina disse ao gato que ele era preconceituoso.

_Nós bichos não temos preconceitos, temos natureza. Dizem que temos inteligência, mas não sobrevivemos dela, sobrevivemos pelo instinto.

A menina disse que ele dizia dos cachorros e pediu que ele concluísse o seu raciocínio:

_Sou parcial, sou gato e não gosto de cachorros, é a minha natureza. Sou bom porque extermino os ratos para que eles não mordam meninas educadas como você. Agora, quando os cachorros são maus, somos chamados para impedi-los de fazerem maldades. Enquanto os cachorros nos perseguem, as meninas que gostam dos gatos não têm problemas.

O pássaro estava no quintal, inteligente, ou não, comia as sementes que estavam nas gramíneas do chão. Fartava-se a rir da conversa da garota com o gato, enquanto o cachorro saía com a senhora, com charme e altivez.

Alimentava-se o pássaro livre de gatos e cachorros. Buscava a janela do olhar igual ao seu.