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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Almoçando com o Dunga / Crônica do Cotidiano

Almoçando com o Dunga / Crônica do Cotidiano

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Não somos Brancas de Neve, mas, de vez em quando, pegamos marmita para ter folga na cozinha.

A televisão do local estava ligada, olhamos para ela quando ouvimos a voz contundente:

_Não quero namoro aqui dentro. Quem quiser namorar que arranje um lugar para isso porque aqui não é lugar de namoro.

As mulheres compravam marmita e dirigiram o olhar para a tela da televisão. Quem estava lá? O Dunga, novo técnico da seleção brasileira, que fará um jogo amistoso com o Chile. Espero ter lido corretamente o letreiro entre uma salada e outra.

Continuamos a fazer uma marmita saudável e distraímo-nos a atenção, quando a voz, de novo, superou as expectativas:

_Aqui dentro ninguém fala em religião. Não permitiremos conversas nesse sentido. Cada um na sua e ponto final.

Parecia que o Dunga gritava.

Paramos para observar o que acontecia na telinha e observamos que as perguntas eram inaudíveis e as respostas acima do volume normal da televisão. Como diria o Maxwell Smart (não sei se é assim que se escreve e não fui pesquisar, deixo a pesquisa para os agentes secretos interessados nela), o agente secreto dos anos sessenta:

_Esse é o velho truque de focar a atenção da plateia diferenciando o volume entre o ponto que interessa e o que não interessa.

Dessa maneira a comida ficava menos apetitosa, com muitas regras a seguir:

_Teremos disciplina na concentração, horários e exercícios predeterminados. Teremos uma sala distante para as poucas visitas permitidas na área de treinamento. Os atletas receberam instrução para não conversarem com estranhos, pois todos podem querer algum tipo de favor e é o tipo da coisa que não interessa pra nenhum jogador.

Os meus autógrafos são de cantores e cantoras, pedidos em hora própria após o show na hora em que os mesmos se dispunham a dar autógrafos. O mundo da música é diferente do mundo do futebol, pensei. As outras mulheres fizeram pouco caso da recomendação.

Enquanto, nós, mulheres, nos fazíamos de surdas, o Dunga explicitava o regulamento da concentração antes da convocação dos jogadores para os jogos da seleção brasileira.

_É a seleção que estará em campo, tenho que manter a disciplina rígida.

Deixamos o Dunga na televisão porque surgiu pressa e todas nós viemos embora, Brancas de Neve, pelo menos hoje, nos sentimos assim... Se havia repórteres para fazer perguntas não sabemos por que as outras vozes se misturavam com o barulho das marmitas e dos talheres para acondicionar o “jabá” nas mesmas.

Voltei dando valor aos regulamentos da minha casa, feitos por mim, inclusive ao dia em que providencio a marmita, o meu Dia da Marmita.

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