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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Dia Casual / Crônica do Cotidiano

Dia Casual / Crônica do Cotidiano

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A moça aparentava vinte e oito anos. Estava se queixando sem reclamar.

_Você sabe como é que é seis anos de casada não é fácil. O casamento é extenuante após certo tempo. Trabalho, casa e marido, filhos. Horário para acordar, para arrumar a casa, para trabalhar, para me arrumar e ficar bonita para ele. Estou cansada, não tenho tempo para mim.

A amiga disse que era a alimentação, confirmou a ideia dizendo que quando não comia certos legumes e cereais, sentia-se fraca e sem vontade de fazer nada. Sentia-se como que arrastada para o dia a dia no emprego.

Eu e a moça do caixa olhamos para elas.

As moças estavam com problemas.

Mas, pensando bem, o tipo de vida que levamos atualmente é extenuante.

Vim embora pensando no Dia casual, aquele dia que algumas empresas convidam os funcionários a se vestirem de maneira informal, que aqui no Brasil não funciona muito, mas penso que o Dia Casual poderia existir dentro da casa, nas famílias sem problemas sérios, como um desafogo do cotidiano.

Pensei numa conhecida que, logo após se separou do marido disse que a sua maior alegria em meio à tristeza da separação, era poder, de vez em quando, deixar a xícara do café da manhã para lavar à noite, quando chegasse do escritório, sem se preocupar em fazer a depilação para estar impecável na cama junto ao marido.

Pensei noutra conhecida que propôs fazer uma peixada para a família desde que todos ajudassem a arrumar a cozinha depois do almoço e da sobremesa. Divertiram-se à tarde toda.

Será que as pessoas estão criando regras e ritos excessivos para se sentirem felizes?

Conheço famílias que compram um frango assado e maionese, alguns pães, frutas, bolos e saem para fazer piquenique nos arredores da cidade. Sem dia marcado e ao sabor do tempo e da disposição. O marido dorme numa toalha sobre a grama após o almoço, a mulher lê um livro, as crianças brincam com uma bola. Precisa mais?

O Dia Casual é por aí, nada obrigatório, desde que cada um aja em acordo com a sua disposição para algum divertimento.

Muitos questionam a validade do Dia Casual porque cada um se diverte à sua maneira.

O Dia Casual é para ser negociado, num dia de folga faz-se um piquenique e noutro vão todos ao teatro assistir algo que não contrarie muito o gosto dos outros.

Todas as queixas têm fundamento, a falta do exercício de lazer dentro do espaço necessário à individualidade realmente machuca.

O Dia casual é uma boa prática do espírito de equipe. Toda família é uma equipe.

Por outro lado não sei dizer se é individualismo ou insegurança o que faz alguém pensar que precisa estar ou perfeito para que haja diversão. Desde quando a diversão exige que os seus participantes tenham feito um desjejum à base de cereais ou estejam com a melhor aparência possível? Cobranças excessivas não são as melhores amigas da diversão.

Tem muita gente cobrando demais de si mesma fora do expediente, em casa. De onde vieram essas cobranças se não vieram de médicos? Sim, não vieram dos médicos.

O ambiente de casa é um vínculo afetivo, a sua dinâmica é diferente. Concordo que não se pode construir uma rotina baseada em dias casuais, mas eles são necessários.

A moça, que se queixava, daqui a pouco estará se separando do marido. Culpa de ninguém, será o cansaço e as exigências que ela mesma faz a si mesmo. Ser “antenada” (gíria da mocidade), estar em acordo com o tempo dela, é ótimo, mas ela pode se descansar um pouco.

Quanto à outra, é preciso perguntar se ela está bem de saúde para que ela verifique se os legumes e cereais são uma necessidade do organismo dela ou uma mania criada para disfarçar a ausência de distração.

Tem dias que gosto de ter mais idade e observar os adultos mais jovens. Posso dar palpites, afinal, a gente vivia bem sem nada disso e estamos bem até hoje.

É uma boa justificativa.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Ser simples e casual o mais possível é questão de inteligência emocional... Todos merecem!
Abraço.