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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Forrobodó / Conto de Humor Negro

Forrobodó / Conto de Humor Negro

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O Sr. José Querêncio faleceu aos 96 anos de idade.

A filha dele, Rosana, realizaria as cerimônias religiosas com missa. Além de pensar com tristeza na morte do pai, pensou na solteirice do filho, que gostava de viajar, tinha namoradas, mas casamento e netos não lhe davam.

Rosana pensou na missa e em quem iria à missa. Uma amiga sua havia enviuvado e tinha uma filha solteira. A moça tinha um gênio difícil e não havia quem a suportasse por mais de algumas horas. Pensou no filho e na possibilidade da filha da amiga conseguir fazer com que ele mudasse de opinião com relação ao casamento. Quem saberia se os dois poderiam se entender se eles não se encontrassem.

Rosana convidou todas as amigas para a missa fúnebre e pediu a uma amiga comum que se encarregasse de convencer a Francisca de ir com a sua mãe até a igreja.

O Januário, filho da Rosana descobriu o plano da mãe e pediu ajuda ao primo.

A Francisca desconfiou do plano e pediu à mãe que não a obrigasse a namorar ninguém.

Foram todos à missa, o Sr. José recebeu as devidas homenagens e orações sinceras. Ele não tinha nada a ver com aquele forrobodó.

Um bêbado mendigo entrou na igreja na hora do ofertório e começou a confusão:

_Seu padre, eu vim aqui para pedir sopa para o jantar.

O padre o ignorou e continuou a missa.

A cesta de ofertas passava de mão em mão pelas filas dos bancos da igreja.

O bêbado passava por entre as filas e observava as doações.

_Ah, então é assim. Para o padre vocês dão dinheiro e para um homem necessitado que queira um prato de sopa vocês não dão nada!

Algumas pessoas ficaram constrangidas com a situação, mas o Januário e a Francisca estavam temerosos do enfrentamento que teriam pela frente, ao final da missa.

O bêbado foi recolhido à sacristia e a missa terminou conforme deveria terminar, com as condolências.

Antes de saírem da igreja a mãe da Francisca determinou à filha que cumprimentasse o Januário e sorrisse cordialmente, nem menos e nem mais porque elas iriam embora em seguida e tudo não passaria de um aperto de mãos, se ela assim desejasse.

Chegaram todos à porta da igreja, Rosana e a família, as amigas e a Francisca.

Para vergonha de todos os presentes, Januário se escondeu atrás do primo e não cumprimentou a moça com um aperto de mãos. Ao contrário, quem a cumprimentou foi o primo dele, casado e com filho, e começou a falar sem parar para que o primo Januário não precisasse abrir a boca.

A mãe dele agradeceu a presença de todos, sinceramente aborrecida com a atitude do filho que parecia ter medo de apertar as mãos da Francisca. Não se conteve e disse em voz baixa, mas o suficiente para que todos a ouvissem:

_Depois, quando as pessoas vêm falar dele para mim, eu tenho que o defender. Que vergonha esse tipo de atitude.

Saíram da igreja as amigas, sendo que a mãe da Francisca e a amiga comum deram-se os braços para se divertirem em cochichos, pois a ocasião não permitia brincadeiras.

Caminharam duas quadras assim e se despediram. Foi nesse momento que o antigo namorado da Francisca apareceu, pois o plano foi tão comentado que até o antigo namorado, sabendo da possibilidade real de não mais ver a Francisca solteira, foi certificar-se de que a megera ainda estava livre.

A mãe da Francisca pediu para que ninguém dirigisse a palavra a ela até o dia seguinte, quando ela teria respostas o bastante para todos os presentes e ausentes que quisessem comentar sobre a missa.

Ninguém saiu sem sorrir naquele dia e Rosana soube mais sobre o filho, deixando-o viver conforme quisesse.

2 comentários:

XicoAlmeida disse...

Curioso como o sr. Querêncio, com a sua morte deixou no final da missa todos em paz e a sorrir.
Como eu.
Abraço.

Maria Alice Cerqueira disse...

Querida amiga
Vim agradecer a sua carinhosa visita ao meu cantinho!
Que Deus abençoe e guarde hoje e sempre!
Com carinho
Abraço amigo e muito obrigada pelo carinho de sua amizade!
Maria Alice