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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sutilezas Infantis / Crônica do Cotidiano

Sutilezas Infantis / Crônica do Cotidiano

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Estava numa loja querendo comprar presentes, mas na minha frente havia famílias inteiras que estão passando alguns dias por aqui, Curitiba.

Sem pressa esperei a minha vez. Os primeiros foram atendidos e avó, filho e netos saíram contentes.

Enquanto eles eram atendidos, fiquei eu, uma senhora e a filha brincando no seu tablet. Sem querer, eu e ela acompanhávamos a menina e o seu tablet.

A mãe, percebendo que eu observava o jogo e a jogadora mirim, tentou ajudar a filha a ganhar a partida.

_Filha, por que você não pega a água do riacho e dá água aos animais?

A resposta foi surpreendente e encantadora:

_Não posso. O riacho congelou. O pior é que este é o riacho do Ipiranga e ali todo dia é 7 de Setembro. Não sei quando irá descongelar.

A mãe, participando da criatividade da filha, perguntou:

_Minha filha, e, se por acaso, esta senhora que está ao nosso lado quiser atravessar o riacho, o que é que faremos?

Eu entrei na brincadeira, percebi desde então.

_Ela terá que comprar patins e passar por cima, deslizando sobre ele.

Eu? Eu sempre quis andar de patins? Quem sabe?

A mãe olhava com carinho para os desenhos do tablet. Os animais, tão bem ilustrados. Foi aí que fez a segunda pergunta:

_Filha, por que você não alimenta as ovelhas?

A menina olhou para a mãe como se ela estivesse dizendo algo sem sentido e respondeu:

_Mamãe: eu alimento as ovelhas na mesma hora em que você me alimenta. Não está na hora do jantar ainda. Eu não posso deixar as minhas ovelhas acostumadas com os horários errados de refeição.

A mãe, desta vez querendo jogar, avisava à filha que o apito avisava que assim ela perdia a partida e teria que recomeçar.

A menina não titubeou:

_Mamãe, o que importa perder a partida quando se sabe que o riacho está congelado e que não está na hora de alimentar as ovelhas? O importante é que eu sigo o que é certo.

Eu não tinha ouvido até agora uma explicação melhor para dizer que os meios não justificam a finalidade.

Tínhamos um jogo, tínhamos mãe e filha para ajudarem o tempo da espera passar. O que eu precisava não tinha mais a importância de quando eu entrei na loja.

A vendedora atendeu as duas e elas compraram o que queriam; pareceu-me que a menina tinha derrubado algo e quebrado, sem querer. As duas ficaram contentes e se foram.

A próxima a ser atendida era eu.

_O que a senhora deseja? Perguntou-me a vendedora.

Eu ia dizer o que queria quando mãe e filha voltaram e sentaram-se numa cadeira.

A vendedora perguntou se havia algo errado com a compra.

_Não há nada de errado com a compra. O problema é comigo. Esse jogo me distraiu. Eu tenho que fechar o tablet e guardá-lo na bolsa; se sairmos com ele aberto eu posso me distrair e isso seria um perigo para nós.

O tablet deve ser mais perigoso do que falar com o telefone celular, pensei. Mas os ensinamentos estavam agradáveis, tanto os que vinham da filha como os que vinham da mãe.

Comprei a lembrança quase feliz, quase querendo que ninguém mais sofra e que todos possam aprender as lições da vida dessa maneira suave.

4 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Existem hoje jogos muito criativos e educativos para as crianças.
Jogos em que os adultos também podem participar.
Tem riscos como todos os jogos mas também aí podemos ser cuidadosos e fazer o jogo conveniente e sem maldade.

Célia Rangel disse...

Conviver com a criança e dela absorver seus ensinamentos poéticos é a grande sabedoria do adulto! Feliz aquele que tem tal consciência!
Bj. Célia.

XicoAlmeida disse...

Por vezes falta a humildade de aproveitar as simples lições de vida, como tão bem descreve nesta crónica.
Continue encantando com o que escuta, e observa.
Abrço Yayá.

Jorge disse...

Mais uma bela crónica. Eu gosto muito daquilo que as crianças nos ensinam!
Um abrç.