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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Diálogo, o Papagaio

Diálogo, o Papagaio

Uma senhora, Joana, mudou-se para um apartamento com terraço e levou o seu papagaio de estimação. O papagaio se transformou no seu marqueteiro pessoal tornando-a conhecida e bem quista pelos vizinhos.
Diálogo, o papagaio, falava as mesmas frases e as repetia diversas vezes ao dia. Ao amanhecer ele diz:
_ ACORDA MARIA QUE ESTOU COM FOME DE GATO.
Na hora do almoço ele resume:
_ESTOU COM FOME DE GATO.
Enquanto o papagaio se repetia, no apartamento onde moravam os adolescentes Raul e Rogério, de 12 e 14 anos respectivamente, a mãe ralha:
_ Na idade de vocês eu levantava cedo, arrumava a minha cama e aproveitava a mocidade. Vocês ficam no computador e perdem a noite e de dia estão preguiçosos. Não que mais esse comportamento dentro da nossa casa!
A mãe repete todos os dias até que os filhos levantam dormem e levantam cedo para evitar a reprise do sermão. Ufa!
O papagaio continua a rotina e na hora do almoço diz:
_ESTOU COM FOME DE GATO.
Enquanto Diálogo papagaiava, um homem desempregado dizia à mulher:
_Daqui a pouco vamos passar necessidades. Estamos desempregados e não conseguiremos o mesmo salário de antes porque passamos dos quarenta anos. Quer saber? Eu vou procurar um emprego em uma empresa com refeitório e almoço incluído e não terei que pagar almoço em restaurante. Compensarei o salário menor com a alimentação inclusa e mantenho o padrão de vida. Pense nisso, Cláudia. Pode ser uma ótima saída para a nossa situação.
E o casal conversou e conversou e se ajustou de um jeito diferente. Fizeram adaptações e se adaptaram aos 40.
À noite, Joana ensinava uma nova frase ao papagaio, inserindo palavras novas àquelas frases que ele dizia com convicção:
_BOA NOITE, MARIA, QUE EU QUERO DORMIR COMO UM GATO ESTIMADO.
Enquanto isso, Silmara pensava no marido e no jogo de sinuca duas vezes por semana que atiçava o seu ciúme. Orlando não era de se jogar fora, ela tinha certeza. Ao ouvir o Diálogo, ela toma a iniciativa e se enfeita, pega o carro, abre a janela do automóvel em frente ao bar de sinuca e pergunta pelo marido.
_Aconteceu alguma tragédia, Silmara? Pergunta o marido em tom de ironia e entra no veículo.
Silmara o leva para jantar, dançar e matar a sua fome de gata.
Diálogo era amado naquele local onde os moradores deixavam o mais importante para depois. Diálogo não era cobrança e nem obrigação, era conversa sem ter um por que e surgia espontaneamente.

8 comentários:

MARILENE disse...

Retratou a importância do diálogo em um conto interessante, onde a espontaneidade surge em cada canto.

Bjs.

Débora Andrade disse...

O diálogo já não é preservado, nem estimado, tampouco falado.

Luís Coelho disse...

Uma conversa sem programa no programa do papagaio.

As conclusões nós até sabemos...

Tonha_farias disse...

Olá,muito bom dia!Agradeço pela visita e comentário.Prazer em conhecê-la.Abraço e felicidades.
Tonha.

Lena disse...

Oi, minha flor
Excelente o texto: um tributo ao diálogo que está cada vez mais em processo de extinção. Bjkas com muito carinho!

Lilian disse...

Se esta perdiendo mi querida Yaya ... y pensar que
es el principio de todo entendimiento .
Siempre reflexivas e interesantes tus entradas !!!
Besitos .

Bela disse...

Olá, Yayá! Obrigada pela visita ao meu cantinho!
O seu também é todo especial! Voltarei sempre que puder e você seja sempre bem vinda a meu blog!
Uma ótima semana!
Beijos,
Bela.

R.B.Côvo disse...

Às vezes falta diálogo. Obrigado por ter aceite o desafio lá no mundo suspenso. Abraço.