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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Entre a Prata e o Ouro

Entre a Prata e o Ouro

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Há quem prefira a cor prata,

Há quem prefira a cor d’ouro;

Gosto de olhar a praça.

 

Crianças a brincar com graça,

Mãe caprichosa ao tesouro

Cuida a correr, quase grata...

 

Vibra à esperança que abraça,

 

Vibra no tempo vindouro.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Crônica Singela

Crônica Singela

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Era um casal. Ele malabarista. A respeito dela, eu não sei o nome da arte?!

Não sei o nome da arte, não é arte de Curitiba. Muito graciosa ela dançava sobre as pernas de pau, equilibrista. Delicada nos gestos, uma bailarina.

O vestido também não era daqui do país. Um vestido com corpete bordado e saia com rendas que chegavam aos pés das pernas de pau.

Entre as luzes do semáforo e ela, a jovem, todos nós que estávamos na esquina preferimos o bailado.

Quando o semáforo abriu para a travessia da faixa de pedestres e para os carros do outro lado da rua, ninguém teve pressa.

A moça dirigiu-se para a calçada e o seu parceiro pediu os trocados. Choveram trocados na esquina naquele momento.

Ninguém ao meu lado fotografou, não queríamos perder um momento daquilo que víamos.

A moça disse em voz alta:

“_Gracias, muchas gracias.”

Eu estava certa, a moça não era daqui.

De onde era também não sei. Nunca tinha visto algo semelhante por aqui.

As artes do seu parceiro, das argolas girando pelo ar, sim, são da arte circense.

Hoje voltei àquela esquina. Não havia casal nenhum. Justo hoje que eu fui até lá para tirar fotografias. Ontem não consegui tirar fotos, estava encantada.

Provavelmente são artistas itinerantes, desses que correm o mundo e ganham a vida se apresentando para quem os queira ver.

Momentos graciosos e encantados não marcam hora e local, não fazem parte da agenda e não se repetem.

No centro da cidade, em meio à gente ocupada, ao trânsito, absolutamente nada impede a graciosidade e o encantamento.

Bom seria sair ao cotidiano com uma máquina fotográfica pendurada junto a nós mesmos.

Mas como ninguém vai ao supermercado com uma máquina fotográfica pendurada a tiracolo, fica para a próxima vez.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Eufonia

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                  Eufonia

Ninguém substitui pai e mãe,

Educa quem gera e cria,

Em fotos, numa poesia.

 

A escola não é o que é pai e mãe

Na vida, nesse dia a dia;

Talvez, a sua eufonia.

 

Respeita a outra, esse ser mãe,

 

De toda a sabedoria.

Uma Canção





Depois da reflexão, uma canção em forma de oração para todas as famílias.



Um abraço, Yayá.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pós Milenismo / Reflexão

Pós Milenismo / Reflexão

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Tomei posição. Acredito no Pós Milenismo.

O chamado Pós Milenismo é uma doutrina referente ao Apocalipse, ou a grande tribulação que culmina com a volta de Jesus Cristo e o juízo final.

A questão é a chamada Nova Terra. Entendo a nova Terra sem poderes temporais, ou melhor, não entro nas questões humanas, mas nas questões celestes.

Os seres humanos que restarem sobre a Terra serão de diversas nacionalidades e origens culturais. Haverá novos conhecimentos e relacionamentos afetivos, haverá reencontros concedidos pela justiça divina. E, esses reencontros são para manter a luz do Espírito Santo sobre todos os homens, mulheres e crianças que nela habitarem após o fim do mundo.

Ninguém sabe quais serão os habitantes que habitarão o planeta e quais serão as suas ideias de vida ideal em consonância com a mesma vontade divina que os fará habitarem a Terra por longos dias.

Dizem que essa é a posição dos otimistas, então combina comigo.

Pensem comigo: ao orarmos, Deus nos escuta e, pela graça da fé somos salvos; há diálogo entre Deus e os homens. Haverá diálogo nesse Pós Milenismo.

Se Deus é amor, haverá amor na Terra.

O fim do mundo é que são elas, todos nós tentaremos adiar as tribulações, assim como até hoje as expectativas de fim de mundo foram frustradas, esperamos que seja adiado por tempo indefinido, o que é possível, pois o tempo de Deus é outro porque é infinito.

Às vezes penso que, ao escrever o Apocalipse, o Apóstolo João revelou os perigos e problemas que a humanidade pode vir a enfrentar caso não viva os mandamentos previstos na Bíblia. Bom, nesse caso, o fim do mundo é possível.

Conscientemente não podemos dizer nada sobre como será a vida na Terra, caso Deus conceda a existência da humanidade após o seu fim de mundo.

Muito interessante é o conceito de novo céu e de nova terra. Parece que será um só porque o erro não mais existirá.

Se Deus é uma trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, pelo menos três correntes de pensamentos, iguais e diferentes entre si, permanecerão.

Deus criou o mundo, certamente permitirá a criatividade, ele sabe que é uma boa atividade. Os filmes em 3D também.

Quanto às outras doutrinas a esse respeito, quem estuda Teologia, certamente as estudará.

Também a minha posição pode mudar, mas revisando as características da matéria estudada, adotei uma posição depois de refletir e, agora, compartilhar.

Cidadania é Voto

Cidadania é Voto

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Que digam o que disser eu acredito em eleições, no exercício da cidadania, em políticos com bons propósitos, na Justiça Eleitoral e nos mecanismos da cidadania e da democracia. Essa é a minha convicção.

As populações migram entre os bairros da cidade e mudam os endereços dos seus títulos eleitorais mudando os seus locais de votação.

Votando no mesmo lugar a trinta e poucos anos, posso tirar algumas conclusões.

Gosto do voto do jeito que ele é. O voto distrital pode se tornar voto de cabresto. Por quê? Tivemos no bairro um candidato muito bom, mas também muito forte. Ele ligou várias vezes para todos nós, moradores do bairro. Os cabos eleitorais, também do bairro. O candidato, no entanto, era muito coerente, e eu, diante da pressão para que se votasse nele, atendo ao telefonema de um parente dele e fui sincera:

_Eu votarei em você.

_E os seus familiares?

_Posso dizer que na urna eletrônica haverá um voto que não será para você. Daqui de casa. A urna é sua, todos os moradores votarão em você.

Dito e feito. Um voto não foi para ele e tivemos a certeza de que a urna eletrônica estava em perfeito funcionamento.

Certa vez, eu estava sem candidato e votei no candidato escolhido por um amigo meu. Ele obteve apenas um voto na minha urna. Ganhou as eleições e foi excelente legislador. Essas urnas eletrônicas funcionam mesmo.

Houve certa vez, que nas eleições majoritárias, houve um voto de eleições majoritárias para um partido nanico, o voto é livre, mas houve tentativa frustrada de convencimento ao contrário. Depois nos divertimos apontando para o único voto naquele candidato no bairro inteiro.

A cidadania é o livre exercício de escolher os nossos dirigentes. Penso que seja a criatividade uma das maneiras de verificarmos a lisura das eleições, porque ganhar e perder faz parte de toda a eleição. Todos os candidatos sabem disso e a população tem que saber também.

Ninguém é obrigado a votar no candidato do outro, a escolha é livre.

Em todas as eleições temos notícias de apreensões de pessoas que tentam substituir as urnas, ou que fazem a chamada boca de urna em local impróprio. A justiça eleitoral funciona e tem o apoio dos agentes públicos de segurança.

As dificuldades são aqueles que gostam de desacreditar a prática da cidadania, os desiludidos com os candidatos em que votaram nas eleições passadas. Quem não se arrependeu de algum voto que deu?

Não se preocupe, ano que vem tem mais. Essa era a frase que trocávamos entre amigos.

Outra de quando o dia das eleições era dia de festa: Alguém tem que mandar, mas tem que mandar acompanhado de outro alguém e eu tenho que escolher alguém para não ficar sem ninguém que eu conheça no meio daqueles que mandam.

Seja o seu próprio fiscal eleitoral, verifique se o seu voto está na urna em que você votou. Pode ser que você não tenha motivos para reclamar, mas não tente enganar, porque o sistema eleitoral descobre. Tem gente testando o sistema eleitoral na cidade toda, por amostragem e por meios outros como os votos em candidatos em regiões diferentes dos seus eleitores costumeiros.

O nosso país não é um país imaturo e tem muito a se desenvolver ainda.

Vamos às eleições.

domingo, 27 de julho de 2014

Poema Provençal

Poema Provençal

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Porque é bom, útil e agradável,

Nem todo o argumento convence.

Em sendo fraco, não é palpável;

Mas, sendo forte, às vezes, vence.

 

O barco precisa do amável

Esforço ao ritmo que o compense

Sobre a água a fim de ser estável,

Fraseado para que se pense.

 

Havendo ideias, há o desejável,

Possível, sem que se dispense,

Alguma meta indispensável;

Mantida a rima quanto à tense.

sábado, 26 de julho de 2014

Floreira

Floreira

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O vento frio, a janela aberta,

O sol que brilha protetor,

Vide esperança em hora incerta,

Todo o agasalho é cobertor.

 

D’uma palavra boa e certa

Acrescentar-se-á algum amor

Ao coração de alma deserta,

Posto que cega a branca cor.

 

Nessa invernada se desperta

À primavera, logo flor;

Toda estação vem numa oferta,

De Bem-te-vi e de multicor.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A poetisa Noris Roberts foi homenageada: sintam o clima!





Compartilho o vídeo acima, enviado pela poetisa embaixadora da paz, Noris Roberts para o compartilhamento. Ela foi homenageada por Victor D. Sandiego ("fundador y actual editor de Subprimal Poetry Art por haber contribuido a mi proyecto leyendo y musicalizando mi poema con su maravillosa voz, su interpretación y su muy original música", conforme descrição da poetisa).

Link: http://www.artvilla.com/noris-roberts-videos/



Agradeço o email e o compartilho com os blogueiros e o Google+1.



Um abraço, Yayá.

Escolhendo Não Ficar Chateado (a) / Reflexão

Escolhendo Não Ficar Chateado (a) / Reflexão

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Motivos não faltam a ninguém, todos têm problemas e cada um de nós lida com eles de maneira diferente.

As sugestões de comportamento são amplamente divulgadas, mas assumir um comportamento que não é o seu, certamente, trará a diminuição da autoestima. As padronizações comportamentais tiram o seu estilo, ou seja, ninguém se comporta exatamente como o seu pai e a sua mãe, quando eles mesmos ensinaram e ensinam os filhos a desenvolverem as suas habilidades conforme as suas características particulares, os seus dons.

Excluem-se do tema as obrigações individuais, as quais devem ser cumpridas. Ainda hoje, no supermercado, comentamos o porquê de algumas de nós, freguesas, não degustarmos vinhos. Obedecemos às normas de trânsito e ponto final no assunto.

Há aqueles que teatralizam comportamentos para serem agradáveis aos demais. Esses buscam a infelicidade e, o pior é que não descobrem motivo para ela.

Há os que buscam o comportamento da moda. Sem se ficar desatualizado, pode-se muito bem contornar um comportamento de época. A moda passa, seja nas vestimentas, seja no comportamento. Houve a época dos lanches entre as senhoras, a época dos chamados barzinhos para os jovens, enfim, poderia citar inúmeros modismos comportamentais que passaram. Quem gostava desses passeios em grupo, aproveitou, mas, passou. Quem gosta do café, aproveita até hoje, aí, me incluo. Simplesmente penso que é melhor não ir a algum lugar, sem que se esteja com vontade, é desperdício de algum outro lazer que seja do seu gosto.

Há os que se escondem; são pessoas que se escondem de si mesmas. Pouco importa se você é alto ou baixo, gordo ou magro, escrito no gênero masculino, mas válido para as mulheres. Quem gosta de você te aceita como você é e, quem não gosta procura a sua turma. Acreditem-me, existem pessoas que passam muitos anos convivendo com as mesmas pessoas sem se darem conta que tem gente boa por aí. Está certo que todos devem se cuidar, mas cuidar-se de se proteger do contato humano é uma distorção de comportamento.

Há a superexposição sem que signifique o exibicionista. A superexposição, para quem a adota, é geradora de consequências. Todos os líderes se expõem, são pessoas que lidam bem com o sucesso e o fracasso proveniente dessa exposição. Se você não é líder, evite o comportamento. Ou, se você é um líder, obtenha uma estrutura de proteção antes de se expor. Depois, de nada adiantará. Você se fizer sucesso, será consumido como se produto de consumo fosse; é a natureza do produto midiático.

Há aqueles que se comportam de maneira controladora. Não controlar a vida de quem você ama, valendo o inverso, de quem você não ama, ajuda você a viver melhor a sua vida. A manipulação controladora da vida do outro faz do outro alguém que não conseguirá gostar de você. Quem ama, conversa. Quem controla a vida de quem não gosta, consegue novos problemas gratuitamente sem a menor necessidade.

Um pensamento lido criou essa reflexão. Escrevam pensamentos!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Dulcineia

Dulcineia

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São momentos de suspense e surpresa

Na ilusão de um tempo quase esquecido,

Que os remetem à remota fineza

De lembrar que nenhum tempo é perdido.

 

As cadeiras ainda estão em volta à mesa,

Convergindo ao ponto cruz no tecido.

Com fios raros ao sonhar da presteza,

Presenciou-se um lar assim reconstruído.

 

Não pertence aos homens-deuses grandeza

Que o compense desse modo reerguido,

Cujo vento é um assoprar na areia acesa,

 

Pelo sol. Numa ampulheta, a nobreza,

O caráter, num olhar permitido,

Faz do amor a sua nobre princesa.

Reencontros





Porque reencontros são necessários, compartilho Caetano.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sensibilidade

Sensibilidade

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O técnico foi chamado. A geladeira e a borracha de vedação. Serviço simples, manutenção.

_A senhora me desculpe, mas eu já estive por aqui. Eu tenho a sensação de que está tudo mudado.

Célia sorriu como que concordando. Essas coisas acontecem. Chega-se num lugar e tem-se a sensação de lá ter estado anteriormente.

_Conte-me a sua história. Quem sabe é algum vizinho e, talvez, eu os conheça e tire essa sua impressão.

O técnico concordou. Contava enquanto trocava a borracha da geladeira.

_Eu não sei ao certo, mas a decoração era diferente. Quem me atendeu foi um casal. Ele era magro, quieto. A mulher dele era uma simpatia, falava o tempo todo, contava histórias. O marido a observava enquanto ela contava histórias. Parece que eu me sentia bem com a conversa dela e o jeito do marido. A senhora conhece algum casal assim por aqui?

Célia disse que conhecia vários casais no bairro. Poderia ser qualquer um deles.

_É tudo tão igual. Até me arrepia. Desculpe-me a fala, não o digo por mal.

Célia disse que o fato já acontecera com ela. Disse que não se incomodava ao ouvir a história dele.

_E a geladeira, tem jeito?

_Ficará nova. Dona Célia, por favor, me responda. Por acaso antes da senhora se mudar para este lugar, não havia um casal morando aqui.

Célia disse que não.

_Eu tenho uma estranha sensação que eles estão aqui, é uma sensação que chega a ser constrangedora para mim.

_Não, não tem um casal morando aqui.

O homem disse para que ela mantivesse a geladeira por mais alguns anos. Ele gostaria de voltar ao bairro para verificar se lembraria do lugar onde morava aquele casal.

_A senhora não imagina o quão bem me fez conversar com eles naquele dia.

Célia concordou.

A geladeira ficou arrumada, Célia pagou e o homem foi embora, ainda se desculpando pelo acontecido.

Célia sorriu, estava em dúvida se aceitava ou não o novo emprego.

Aquela conversa a deixou como se estivesse sendo protegida, alguma boa energia havia sido deixada por aquele homem. Aceitou.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Desapegado

Desapegado

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Espelho, espelho d’água,

Reflete o sol dourado,

Desfeito d’uma mágoa.

 

Acima do Aconcágua,

Além do imaginado,

Ao véu da branca anágua,

 

O céu num rio deságua,

De amor desapegado,

Bebendo o seu Mortágua.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Anjo da Guarda

Anjo da Guarda

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O primeiro protege o dono,

O segundo é do cozinheiro;

O terceiro é do convidado.

Há o quarto, do bem guardado.

 

Todo encanto é um abandono

Impedido pelo anjo ao inteiro,

Num cuidado, assim, redobrado,

Percorrendo ao todo em cuidado.

 

A bebida pertence ao gnomo,

O jogo come o seu dinheiro,

Todo samba requer gingado,

Desse seu anjo abençoado.

 

Nesse tema, de canto e abono,

Ao meu lado, o anjo alvissareiro,

Protegeu esse meu caminhado,

Anjo bom e descomplicado.

domingo, 20 de julho de 2014

Balneário Camboriú 50 anos

Feliz Aniversário

Balneário Camboriú 50 anos

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Esse olhar constante

Não ficou à memória,

Nem muito distante;

Faz parte da história.

 

O tempo passante

Nessa trajetória

Fez-se cativante,

Mas não provisória.

 

Nesse amor viajante,

De sorte aleatória,

Marca nesse instante

A dedicatória.

 

D’um mar fascinante

Fez-se a mãe acessória,

Aniversariante,

Rainha da Glória.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ao Ponto – Poema de Supermercado

Ao Ponto

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Moderno, eclético, conversador,

Entraves lúdicos e descolados

Da dor, sensível e não enganador,

Sincero e alegre em caminhos cruzados.

 

São dessas almas do todo o que é o amor,

Bondades. Métricos e idealizados,

Compondo rimas sem herói ou clamor,

Porque os caminhos seguem realizados.

 

Importa a boa vontade, ao dispor,

Do tempo ao modo dos atarefados.

De ideias, asseado, não reparador;

Romântico átrio dos supermercados.

O Lugar Como Fonte de Adaptação / Reflexão

O Lugar Como Fonte de Adaptação / Reflexão

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Numa cidade de porte médio ou grande, as cidades têm bairros. O bairro muda tudo, as suas peculiaridades de serviços e lojas. Essas diferenças fazem com que os seus moradores possuam tênues diferenças comportamentais. Quando se chega num bairro é curioso observar o jeito do povo.

As dificuldades e as facilidades mudam de região para a região.

As mulheres são mais sensíveis que os homens e logo se adaptam com roupas e modas do bairro onde estão.

Os homens, não. Eles vão aos bairros onde eles encontram o que desejam, é a natureza deles.

Se, as adaptações variam nos bairros da cidade, noutra cidade o habitante teria outro comportamento. Acredito que as mulheres se modificariam mais do que os homens.

Os homens, às vezes exageram. Mas é bom a gente rir com eles, nesse comportamento de adaptação.

Quando um homem comporta-se com maturidade, ou seja, responsabilidade, atenção e até mesmo demonstrando certo charme num determinado lugar e, noutro, como uma criança mimada, significa que ele não se adapta bem ao lugar onde está.

Até que ponto homens e mulheres são iguais, quando verificamos reações tão divergentes diante da mesma situação?

Informações precisas me atraem. Nós, brasileiros, poderíamos responder com maior exatidão aos turistas sobre os bons locais e os maus locais. Quando não criamos problemas aos outros, temos mais tempo para resolver os nossos problemas e tempo é dinheiro, conforme dizem os americanos.

Quando chegamos a outros lugares e as pessoas nos dão as informações precisas, a adaptação é imediata.

As relações sociais fluem bem. Com as informações precisas sobre um bairro, cidade ou país pode acontecer que as pessoas se encontrem e travem relacionamentos de amizade e a amizade é por si mesma, inimiga, da violência.

Há diferenças entre bairros pobres e bairros violentos. A pobreza não significa a violência. Os bairros violentos devem ser evitados pelos visitantes.

Nas cidades todos vivem juntos e misturados, respeitando as diferenças e adaptando-se a elas.

No dia em que virmos uma garota loura e gorducha paquerando com o garoto gorducho de olhos verdes, ambos felizes e gorduchos, bonitos e gorduchos, falantes e gorduchos, poderemos entender esse texto não discriminatório, de informações precisas, na ambientação ideal.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Amigo-livro

Amigo-livro

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Misturo palavras dispersas

Brincando com formas iguais

Das tantas queridas conversas,

O amigo é o seguro do cais.

 

Revejo tapetes, fios persas,

Ao tear e ao tecer sempre atuais,

Detalhes precisos, reversas,

Perfeitos em sonhos banais.

 

São dessas ideias tergiversas,

Ao todo evitadas, não usuais,

Que negam ser a desconversa

O rir, que constroem todo o mais.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

História Comum – narrada em primeira pessoa

História Comum

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A coisa mais triste que tem na cidade é ter que sair dela para poder estudar. Alguns pensam que a gente não gosta da cidade pequena onde a gente nasceu. Não é verdade.

Na cidade pequena o doutor é amigo, o pão é quentinho, o café sai na hora. Tem bolo.

Mas, se não sair da cidade pequena, vou ser o que nessa vida? Sem estudo, o emprego é duro e o salário é pouco.

Aí eu estudo feito louco e com o pouco que guardo, vou para a cidade e faço a faculdade.

Consigo ser doutor que nem o amigo da cidade onde nasci.

Quero voltar e ajudar toda aquela gente que bem conheci, mas não dá.

Não tem hospital para eu trabalhar, para ficar por lá tem que ser clínico geral, abrir consultório, viver no purgatório e mandar a gente para cá, para a cidade grande.

E o café fresco com pão e bolo eu como, quando a minha mãe vou visitar. E vejo a idade dela chegar e, eu, ainda sem ter como trazê-la para a cidade grande morar.

Monto o meu consultório, compro a minha casa, caso, tenho filhos e, o tempo, ah, deixa para lá.

Quando, depois de dez anos de profissão, junto dinheiro para comprar um apartamento para ela, ela não aceita. Onde é que ela encontrará pão fresquinho e tanto carinho, o qual não se pode pagar?

E não adianta falar. Não tem escola para estudar. Onde se viu escola de medicina no interior, ninguém quer ir estudar longe das facilidades da cidade grande.

Parece que o interior não interessa a ninguém. A população diminui, criam-se cidades fantasmas enquanto a cidade grande se torna fábrica de marginais.

Toda a gente de bem tem o seu jeito de ir ao interior. O miserável que sai de lá com uma mão na frente e outra atrás, não consegue voltar. O submundo fornece mais ao desprovido de estudo.

Quando, num dia de zanga eu digo do que é que adianta televisão se é por ela que eu sei do meu irmão.

Mágoa cabocla nunca é pouca, mas aquilo que chamam sertão também é meu chão e nunca me negou um pão.

Para consolo meu, eu atendo a toda a gente que vem de lá. Trato bem, eu indico a refeição e, quando posso, até mesmo um ganha-pão.

Não adianta se queixar, por lá o futuro e a profissão ficaram de lado. Importante na cidade é o prefeito, o juiz, o promotor, o médico e o religioso, além do comerciante da venda do armazém. Eles mesmos mandam os seus filhos para lugares com mais recursos.

Eu penso no futuro do interior e, às vezes penso que o futuro do interior é virar mato de novo. Depois, vêm novos imigrantes para desbravar a terra que teve dono, mas que se foi embora para a cidade grande.

Não é desesperança não. É que se eu não digo quem o dirá?

Eu, que nasci e me criei num bom lugar, vim para cá, me fiz, sou um bom cidadão. Diga lá, se eu não o disser quem o dirá?

É todo mundo espalhado como se fossem gato e cachorro em busca de um lugar que não existe mais. Mas não existe mais porque ninguém pensa nesse existir.

Todo mundo pensa no interior das ideias tacanhas e não desenvolvimentistas. Colocaram o interior num altar, quando tudo o que o ser humano quer é sentir que os pés podem estar no chão. Com calçados, roupas, estudos e civilização. Respeito de um pelo outro em qualquer lugar do mundo.

Mas, se a gente continuar a pensar assim, daqui a pouco a cidade grande se tornará insuportável, cheia de gente e sem espaço para a movimentação.

O sonho de voltar ao interior será impraticável porque terá gente de fora desbravando o que é da gente.

Não tenho vergonha de ser um homem do campo. É mentira, eu não sou do campo; sou de uma cidade pequena. Mas para o povo daqui é a mesma coisa. Nem adianta tentar contar da diferença entre o fazendeiro e o homem comum da cidade pequena. O povo pensa que a diferença está na riqueza do fazendeiro. Essa é a pobreza da cidade grande.

A minha mãe tem quase noventa anos, é viúva, e não quer saber de vir para cá ficar comigo. Eu dou razão a ela. Quando ela fica doente, eu a trago e ofereço o melhor hospital. Ela melhora e volta para lá. E cada vez que ela volta para lá, eu me acabo de saudade, na vontade de dizer que, se eu pudesse, seria lá que eu ficaria também.

Mas a quanta gente eu dou saúde, que amiúde agradece pelo meu dom que é de curar. Essa gente toda que também me faz feliz porque escapou por um triz de não ter mais como remediar.

Quem sabe alguém me escute e, perceba que, apesar de tudo é falando desse jeito que eu sou feliz.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ansiedade

Ansiedade

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Meio sede, meio copo d’água,

E com alguma razão,

Certo medo dessa mágoa;

Hipotética aflição.

 

O desconhecido é tábua

Rasa, fundamentação

Escassa da dor que salga

Todo o bem em confusão.

 

De um estranhíssimo amálgama

É a ansiedade ao coração,

Retesando toda a espádua,

Sendo às penas, ilusão.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mistério - inspiração musical







Mistério

O mistério da vida
É que o homem não a anuncia,
Nem explica o porquê.

E nenhum ser a cria
A partir da magia,
O divino do ser.

Misterioso é esse dia,



Do por que há o nascer.

domingo, 13 de julho de 2014

Conclusão

Conclusão

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Quando vencer é a questão,

Vence o cansaço de um mês;

Vigília, treino e oração,

Joelhos que dizem porquês.

 

Doura-se a taça em refrão,

Perde-se a febre da tez,

Lembra-se do ensaio em razão;

Joga esse prêmio ao talvez.

 

Ama com sua emoção;

Sente à melhor, sensatez.

Cuida minh’alma a noção

Que ela valeu no que fez.

sábado, 12 de julho de 2014

Coerência

Coerência

Inocente

Desta vez, suei frio,

E valeu a intenção.

À rede, um vazio,

Sobrou à seleção.

 

Pássaro sem pio,

Sem choro ou razão;

Não pego o desvio,

À apresentação.

 

Maracanã é Rio

De samba-canção;

O que foi eu avalio,

À imaginação.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sorte

Sorte

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Esperança é mais que medo;

Vou dizendo do que sinto

Apesar do labirinto,

Em meio à festa e do folguedo.

 

A autoestima é esse segredo

Que mantém o amor. Não minto

Aos amigos, nem requinto,

Com enfeite o desenredo.

 

Por vontade é que enveredo

Aos caminhos que repinto,

Cor verde essa com que pinto

Ao amarelo e cruzo ao dedo.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Futebol a Pedidos / Crônica de Supermercado

Futebol a Pedidos / Crônica de Supermercado

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Hoje a inspiração seria poética não fosse o futebol e a sugestão para que escrevesse sobre tudo o que ouvi a respeito durante a saída e as compras.

Pensei em escrever uma miniatura, mas blog não é Twitter e, por sorte caiu a minha conexão e não consegui postar do celular. Esperto é um conhecido do Facebook que posta como se fosse ao Twitter, ele diz que Twitter é para profissionais, não para amadores. Ninguém quer apupos nas sobras de jogo.

Esmero-me em não fazer da crônica apenas fofocas, mas atendo aos pedidos. Que honra receber um pedido que seja para que eu faça uma crônica!

Vamos ao futebol:

· Ouvi uma sugestão para que o Pelé entregue a Taça da Copa do Mundo ao time campeão. A FIFA, o Governo e o Pelé que se virem, porque eu anoto e não dou palpite.

· Ouvi sobre o Felipão. Bonito demais de se ouvir e transcrevo o que o garoto disse: “Eu queria dizer para o Felipão que a gente, o Brasil, deve muito a ele e que a gente não tira o mérito dele por todo o tempo que já trabalhou na Seleção. Depois do que aconteceu no jogo contra a Alemanha, no entanto, eu acho que ele terá que dar um tempo. Eu o abraçaria, com todo o respeito que tenho pelos mais velhos que eu, e diria que o amigo se aposentasse. Eu queria dizer para ele que eu gosto dele do mesmo jeito que antes. Eu gosto dele e não tenho vergonha de dizer que gosto dele”.

· Ouvi pedidos para que torçamos pela Argentina.

Tem gente, como eu, que aguarda a festa de encerramento, as atrações, os discursos e, ver pela televisão o que dirão. Os discursos de encerramento serão mais importantes do que os shows das cantoras.

Gostei imensamente de ir ao supermercado hoje. As pessoas querem saber o que as outras pessoas estão pensando sobre o futebol.

Por outro lado, as psicólogas queimaram o filme junto com os jogadores que perderam o jogo. Elas merecem consideração profissional e acredito que todos nós as respeitamos, mas dentro do campo de futebol, sinto muito por elas. Elas são torcedoras como todos nós e não podemos culpá-las pelo exagero da valorização da psicologia durante os jogos da Copa do Mundo. Mas é o que acontece.

Eu pensei que nada mais teria a escrever sobre o jogo passado, mas o freguês foi claro, dizendo que com um esforço, eu saberia o que escrever.

A pedidos, e com um carinho enorme por todas as inferências futebolísticas eu termino a crônica.

Fiquem bem.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Com Licença / Crônica do Cotidiano

Com Licença / Crônica do Cotidiano
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Centro da cidade. Curitiba. Os motivos para achar graça aparecem e eu não sei se sou eu ou se são as circunstâncias do café do meu dia.
Falei do jogo de ontem também responsabilizando o time da Colômbia. Ponto final de futebol por hoje.
Por acaso, passei perto do ponto de ônibus.
Um rapaz, jovem resmungou qualquer coisa para os demais. Entendi depois de ouvir a resposta:
“_I’m not from Guiana and I don’t speak French.”
Entendi e traduzo: “_Eu não sou da Guiana e não falo francês.”.
Olhei para quem respondeu e sorri. Ok, man.
Os jovens da Guiana riram do mal entendido do outro.
Fui ao café e me socorro do Google tradutor para a outra frase:
“_ S'il vous plaît salée avec mon café.” Por favor, o meu salgado com café.
A tradução da linha de cima é do Google, não tenho nada a ver com a gramática.
Eles pretendem ficar no Brasil até o dinheiro deles acabar. Vão passear, pegar ônibus e se divertir puxando papo.
Foi divertido ver a garçonete do centro da cidade olhando para ele apavorada sem entender nada,
O homem guianês com esforço apontou para o salgado escolhido e disse:
_ “Frrrango. Café.”
Frango e café eu entendi. Ela atendeu pegando o salgado rapidamente com os olhos voltados para onde o dedo afro-guiano apontava.
Tomei o meu café e saí para ouvir outras línguas. O centro da cidade estava repleto de estrangeiros.
Com o frio de Curitiba, todos se acostumam. Poliglota não sou.
Pegarei a próxima frase no Google tradutor:
“_Maestro, por favor, ver el siguiente juego. Los latinoamericanos son hermanos.”
Tradução: “_Professor, por favor, assista o próximo jogo. Nós, latino americanos somos irmãos.
O senhor, de terno e gravata, provavelmente um professor universitário, respondeu que não assistiria ao jogo hoje e nem sábado. Disse para a jovem senhora a seu lado que não insistisse.
A jovem senhora disse que era apenas futebol.
A feição dele se fez contrariada com a moça. Repetiu o não e pediu licença porque estava com pressa.
Moral da história: eles acham o país bonito e bom para se morar. Eu não sei bem se eles sabem o que estão falando.
Eu sei é que o palpite da jovem não consolava ninguém. O desejo dela é ver o Brasil jogando com a Argentina e a Alemanha jogando com a Bélgica, embora jogue com a Holanda.
Vim. Vim para casa porque tenho o que fazer.
Esse meu café é bom de papo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Racionalização

Racionalização

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Acabo de assistir o jogo Brasil1 X 7Alemanha.

Mesmo não sendo psicóloga e pouco entendendo de futebol, tiro as minhas conclusões, que pelos motivos expostos não deverão ser levados a sério.

Jogamos com nove jogadores enquanto que a Alemanha jogou com onze. O Neymar está se recuperando da fratura e o Thiago Silva, que ganhou o segundo cartão amarelo na partida contra a Colômbia não pode jogar.

A equipe foi constrangida com os desfalques para o jogo de hoje, dia 08 de julho de 2014. Não houve tempo de reorganizar uma segunda equipe campeã.

Comentei agora a pouco que, talvez fosse melhor colocar todo o time reserva em campo para poupar a equipe desfalcada. O Felipão (ainda merecedor do nosso respeito) assume a responsabilidade e o jogo da semifinal de sábado será diferente, o Thiago Silva volta ao time.

A equipe se acertou no final do jogo e fez um gol. É um começo e é preciso recomeçar como se fosse um jogo de eliminatórias para decidir quais times jogarão na Copa do Mundo.

Assisto aos jogos de casa, respeito as minhas emoções, e os comentários são particulares, mas hoje não consegui ficar sem trocar ideias com vocês. 7 x 1 dói.

Dói mais porque as circunstâncias foram modificadas da semana passada para essa semana.

Não se pode exigir que houvesse super-homens. Qualquer um sabe, através da sua experiência escolar de trabalhos em equipe que a nota mais baixa fica com a equipe que teve os seus integrantes trocados no curso das pesquisas e das anotações.

É desagradável, mas esse é o fato que temos hoje.

Se tivermos alguma certeza é de que a violência leva às injustiças.

A Alemanha ganhou porque estava com a equipe completa. Não se pretende dizer que, se a nossa equipe estivesse completa, ganharíamos o jogo. Mas não perderíamos de sete a um.

No próximo sábado teremos jogo e ainda não sabemos quem será o adversário da partida. Sabemos que o time estará melhor, mais entrosado.

Que ganhe o melhor time!

Desabafei e vou refrescar as ideias. Obrigada a quem tiver a boa vontade em ler este desabafo.

Boa Conta / Crônica de Supermercado

Boa Conta / Crônica de Supermercado

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Conto o milagre e não conto o santo, frase tipicamente brasileira.

Se não existisse papo furado no supermercado, não seria possível compartilhar essa experiência vinda de outra freguesa.

Sem sofisticação falava dos seus ganhos e do que, orgulhosamente, fazia pelo filho.

Vamos às contas expostas com alegria ao público circunvizinho:

_Eu ganho quatro mil reais por mês (R$4.000,00) e pago dois mil reais por mês (R$2.000,00) de mensalidade na faculdade do meu filho. Sou divorciada do meu marido e vivo com o meu filho. Almoço no emprego e ainda ganho vale-refeição para o lanche da tarde. Moramos numa cidade próxima, onde o custo de moradia é mais barato. Ligamos as luzes da casa entre às sete e meia e a apagamos às dez horas da noite. Lavo as roupas uma vez por semana e passo, igualmente, uma vez por semana. Com a boa utilização da energia elétrica, pago a tarifa mínima.

Perguntaram sobre os gastos do filho. O pai dele, certamente, o ajudava.

_O pai dele ganha igualmente quatro mil reais por mês R$4.000,00 e nós nos damos bem e fechamos um acordo para que ele possa levar a vida dele bem e ajudar o garoto. Ele dá para o filho quatrocentos reais por mês (R$400,00). Com o dinheiro que ele ganha do pai dele e o meu vale refeição não passamos necessidade. Ele compra marmita de uma conhecida que cobra dez reais a porção e ainda sobra dinheiro para que ele saia aos finais de semana com os amigos.

Na ponta do lápis é uma possibilidade matemática. Parabéns! Disse alguém.

_Não é somente na ponta do lápis, a sorte nos favorece porque não nos incomodamos de morar noutra cidade. O ônibus que pegamos tem poucas paradas e levamos quarenta minutos até a nossa casa. Se esse tempo for pensado em termos de cidade grande, é pouco. Nós acordamos descansados para o dia seguinte, o que para ele, que estuda, faz muita diferença. Ele consegue a qualidade nas condições físicas para estudar. Outros estudantes se preocupam com onde achar vagas para os seus carros e onde encontrarão um bom refeitório estudantil. O meu filho, não. Ele come um sanduíche no horário do almoço e janta à noite, comigo. É sorte encontrarmos todas as facilidades. O estudo foi em escola pública! O meu filho é o meu herói.

A mãe tinha motivos para estar orgulhosa do filho. Ela não percebeu a comodidade que ela deu ao filho e ao seu ex-marido ao fazer o acordo que facilitou a vida deles todos. Essa mulher soube lidar com a dificuldade da separação de uma maneira muito particular.

São histórias diferentes e curiosas as dela, porque a sorte realmente a ajuda.

À tarde tem jogo. Boa Sorte Brasil!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Poema Criança

Poema Criança

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Não, o motivo não é a chuva.

Ela é calma e descansa,

Por enquanto é miúda;

Céu de inverno de manta.

 

Nem tampouco uma dúvida,

A certeza vem criança.

Se chover, guarda-chuva;

Se cantar, contradança.

 

Da esperança se abusa

Num balanço que encanta,

Pois quem é que se acusa

De voltar a essa infância.

domingo, 6 de julho de 2014

Predição

Predição

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Arrepia a pressa que insiste

Em seguir sem se deixar

Sentir do que se consiste,

Sem sequer vaticinar.

 

Nem disfarce e nem despiste,

Toda rede a balançar

Na varanda se consiste

Com o vento, um murmurar.

 

Onde a pressa se faz diste,

Muito deixa a desejar;

Todo o tempo que persiste

É preguiça a desconfiar.

sábado, 5 de julho de 2014

Dimensões

Dimensões

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Que Deus abençoe

Vocês e os amigos,

Pelo dia de hoje;

Estamos unidos.

 

E o sonho que voe,

Solidários signos

De cores; insone,

São esses artifícios.

 

O apito que soe

Corretos desígnios;

Em forma de cone,

Deus e nós, contíguos.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Não Dá Tempo Para Paródias! Tem Jogo Pela frente...





Boa Recuperação, Neymar! Fique bem.

Desafogo

Desafogo

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Pensando bem,

Em dia de jogo,

Não tem ninguém;

Rotina é logro.

 

Quem sabe tem

Pinhão no fogo,

Julho é também

Um pedagogo.

 

Também sou alguém

Que assiste ao jogo.

Não fico aquém;

Ao desafogo!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Conto: A Ressurreição / Thriller de Enfermaria

Conto

A Ressurreição / Thriller de Enfermaria

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Essa é a história de Efigênio Silvas e Tiago Silvas, antes de tudo cúmplices nesse amor à Maria das Graças, mulher de Efigênio e mãe de Tiago.

Maria morreu, mas antes de partir pediu que o seu desejo de ter uma família unida fosse mantido.

_Meus queridos filho e marido, mantenham essa minha vontade por toda a vida de vocês.

Assim fizeram Efigênio e Tiago, os quais seguiam filosofias de vida diversas e se davam bem. Essa diferença de conceitos os unia, não faltava assunto; porém, quando concordavam numa questão, ninguém os mudava, fosse qual fosse o argumento.

_Hoje eu vou a pé e amanhã te levo visitar o José.

Efigênio dizia:

_Hoje almoçamos ovos fritos e amanhã você corta o seu cabelo, filho.

Havia um segundo motivo para se relacionarem bem, segundo a vizinha Ana:

_Em casa de pobre, que é pequena, você é obrigado a conversar e se entender, é a questão da economia. Esse negócio de cada qual ficar no seu canto, na sua poltrona com televisão acesa e notebook nas mãos, sem se falar, é coisa de rico. Bem melhor é que se entendam. Com tantas oportunidades para se fugir se um assunto, até me pergunto se rico conversa, essa questão dá samba.

Os anos passam e Efigênio apresentou os sintomas da doença ainda pouco conhecida e de tratamento restrito.

Estava com mais sessenta e cinco anos de idade, mas ainda mexia com construção civil. Efigênio esqueceu os óculos em casa e não viu a corda roída do elevador. Foi num acidente de trabalho, onde o elevador despencou do sexto andar, arrebentando-se no solo, que ele se machucou muito, pelo menos foi o que o plantonista da ambulância do Pronto Socorro da Santa Casa disse:

_Sangue pelas narinas, boca e desmaio. Observa-se que a cabeça está sem sangramento externo e ele está consciente, o que por si já é um milagre; talvez sobreviva.

Dentro da ambulância, acomodados corretamente pai e filho se olham. Passam-se alguns minutos e Efigênio diz ao filho:

_Acompanhe-me ao hospital, deixe-me morrer com dignidade. Nada de entubações além das necessárias.

Efigênio fica em observação e volta para casa com as mesmas funções física, de personalidade e de memória. Não quebrara nem um osso e estava bem.

Efigênio conversa com Tiago, seu filho:

_Tiago, saiba que morri. Conversei com Deus e voltei porque Deus não concordou com essa morte. Ele sabe muito mais que nós. Ficou decidido no céu que outra será a causa da minha morte.

Sem saber o que responder, Tiago ouviu o pai com atenção, sentando-se numa cadeira próxima a dele.

Efigênio continuou:

_Tiago, Deus determinou que você fosse o meu assessor que para este nosso último assunto e seguirá a Deus, conforme eu te contei. De agora em diante me dê todos os remédios dos tratamentos que os médicos me propuserem sem ler a bula.

Tiago disse que obedeceria aos médicos, mas sem ler a bula, não.

O pai perguntou por que não.

_Pai, se você soubesse das voltas que eu dou para te tratar. .Ah, pai. Com todo o respeito que eles me merecem, eles dizem que efeito colateral passa. E a bula de remédio que diz que o efeito colateral pode ser morte súbita? Eu precisaria ser um filho desnaturado para te dar isso.

Efigênio não se deu por vencido:

_Filho, Deus vai mudar a doença. Ele disse que aquela doença rara e cara não será o motivo do meu fim. Em Deus você acredita, assim espero. As regras de Deus são parecidas com a dos homens, mas muito superiores. Ele me dará uma nova doença e as regras valerão a partir da nova doença. Para a doença antiga, mantenha a leitura da bula. Não sou tão ignorante que não saiba que existem cobaias humanas nas doenças raras e desconhecidas em que o remédio vem de graça. Olha o perigo do remédio gratuito, preste atenção que o remédio gratuito nem sempre vem com bula; para essas doenças é um vale-tudo, vale até vela e galinha de angola. Deus me livre! Aliás, já me livrou. Trate-me conforme determinarem, este é o caminho determinado pelo Senhor para a minha morte definitiva. Quem não morre é Jesus Cristo, eu morro normalmente, de acordo com a natureza humana, não se preocupe.

O filho fez um questionamento ao pai sobre essa nova determinação de Deus:

_Por que Deus mudou tudo sem explicação. Explique-me, por favor.

O pai, com toda a autoconfiança e determinação possíveis, foi exato na resposta:

_Filho, Deus não explica, Ele é o criador, não tem porque dar explicações a ninguém. Mas ele deixou escapar o motivo em confiança. Ele confia em nós, mas você é crédulo, ajuda todo mundo e precisa aprender a pensar mais em você. Ele disse que depois da provação que ele agora nos envia, você não fará o que faz por mim a mais ninguém. O Filho Dele é Quem faz por todos, inclusive por nós dois.

Diante da vontade de Deus, Tiago, humilde e tristemente obedeceu.

Efigênio precisava fazer exames de sangue de rotina e Tiago o acompanhou até o laboratório. O pai aguardava a doença, o filho tinha esperança que fosse algum devaneio do pai aquela conversa do dia anterior.

O pai teve que aguardar meia hora para ser atendido e Tiago ficou angustiado com a demora vendo que outros pacientes passavam à frente do pai.

Apesar da demora, Efigênio esperou pacientemente a vez, mas ao sair perguntou se Tiago havia descoberto o motivo da demora. O laboratório era particular e não estava lotado, tudo aparentemente normal.

Tiago conta ao pai sobre a conversa com a enfermeira enquanto o pai era atendido na saleta própria:

_Pai, eu votei em nulo nas eleições passadas. Naquela eleição eu estava com tantas preocupações que não pude assistir ao horário eleitoral e me decidir, estava sem saber o nome dos candidatos a deputado. De consciência tranquila, eu não deveria votar em ninguém, essa foi a minha convicção. Da próxima vez, escolherei em quem votar, não deixarei passar em branco a data da eleição.

O pai respondeu que ele havia perguntado sobre a demora no atendimento e não sobre as eleições passadas. Ele não entendeu a resposta do filho, mas o filho disse o que não queria dizer:

_Pai, a enfermeira disse que todos os meus conhecidos sabiam que eu votei em nulo. Disse também que ela era cabo eleitoral de um deputado que perdeu a legislatura por dez votos. Ela disse que se eu não exerci a cidadania no dia das eleições, eu não deveria exigir nada, porque ela sabia que eu agira como alguém que não prezava a cidadania. Não cabe a nenhuma enfermeira questionar o meu voto. Nem ela e nem ninguém pode questionar a minha consciência na hora do voto.

Efigênio comentou o quanto Deus era maravilhoso:

_Agradeça a Deus, Tiago!

O filho disse que agradecia.

Vieram os resultados dos exames. O pai pergunta ao filho se tinha aparecido algo ruim. Tiago disse que sim, o sangue estava fino.

Efigênio perguntou se tinha a ver com a diarreia depois de almoçar batatas assadas. O filho baixou a cabeça e confirmou.

Efigênio, bastante sério, preparou o espírito de Tiago:

_Esteja preparado para as provações pelas quais iremos passar. Eu sofrerei fisicamente e você espiritualmente. Parece que a minha última missão nessa vida será te ensinar a ser duro com os outros depois que eu partir. Antes, não. Não sabemos o que Ele prepara para nós. Sejamos amigos íntimos nessa jornada. Seja meu confidente, serei o seu confessor; estaremos mais sensíveis e precisaremos um do outro com toda a bondade e amor que o Senhor nos permitir.

A doença segue o seu curso e a cirurgia é complicada. O corpo clínico decide tratar clinicamente.

Vendo que não iria conseguir conciliar a padaria com os cuidados m casa, Tiago chama uma auxiliar. Enfermeira formada. O filho exulta:

_Pai, consegui uma enfermeira para nos ajudar. Ela tem carteira profissional, será um sossego para nós.

A moça, realmente profissional e com família, séria e responsável.

Juraci atendeu com zelo profissional e exigia do filho assepsia de hospital. Sem dinheiro para contratar uma zeladora de hospital, o filho, à noite, antes de deitar-se limpava o ambiente com os produtos necessários.

A moça chegava antes de Tiago ir à padaria para vender os pães. Ela fazia muitas perguntas, mas ele, de boa vontade, respondia a todas elas.

Um dia, com os pães e a panificadora em ordem, a moça pede para sair mais cedo para resolver um problema. O filho pergunta ao pai se ela é boa para com ele.

_Comigo ela é boa. Com você, não. Filho, a moça é policial e está fazendo todas aquelas perguntas para conhecer o seu caráter. São muitas perguntas, entristecem-me. Às vezes tenho vontade de dizer a ela que não criei meu filho para bandido, e para policial ele não serve. Filho, você é bom. Não se meta a ser policial. Eles têm malícia, você não. Dói a qualquer pai ver o filho ser interrogado dentro de casa, sem advogado ou defesa concebível, principalmente quando se está doente e sem condições de responder. Mas ela é correta, é melhor aguentarmos. Antes seja polícia do que ladra. Você precisa dela porque você precisa continuar vivo depois que eu me for. Não fosse assim e Deus o colocaria no elevador da construção junto comigo e resolveria o nosso destino; seríamos almas gêmeas. Trágico demais para panificadores. Eu é que não devia ter arranjado aquele bico para conseguir algo além da minha aposentadoria.

O filho respondeu que, de qualquer forma, com a doença do pai, os seus conceitos estavam se modificando. De qualquer forma ele seguiria a vontade do Deus revelado ao pai.

Foi num domingo, onde a enfermeira enviou a sua substituta, que a mágoa fez a tatuagem na alma. Tiago bebia uma taça de vinho tinto durante o almoço quando ouviu o sermão para deixar a bebida de lado.

Sem a menor consideração pelos meses nos quais a enfermeira o conheceu, a moça foi dizendo que atrás do álcool, vinham drogas pesadas e que não tardaria a necessidade de internamento para ele. Foi assim que Tiago descobriu o motivo da folga da enfermeira, mais uma investigação.

Não foi o vinho, foi o peito quem disse o que disse:

_Minha amiga, eu preciso de ajuda. Eu não as chamei para mim e sim porque tenho alguém muito doente junto a mim. Ele precisa dos seus cuidados, da sua atenção. Respeite o doente, que também tomou a sua taça de vinho aos domingos até a pouco tempo. Somos uma família, não somos qualquer morador de rua carente, sem instrução, desvalido na sorte, bêbado ou drogado. Não se engane, não é esse o nosso caso.

Depois que ela se desculpou e o dia passou, o pai interveio no assunto:

_Gostei de ver e ouvir o que você disse a ela. Precisamos, mas pagamos pelos serviços prestados nessa casa. É preciso impor respeito e limites.

Tiago disse que pediria á enfermeira “policial” que não mais enviasse a moça quando não pudesse vir.

_Como foi que você soube a respeito de sexo, Tiago? Perguntou a enfermeira.

Tiago respondeu que papai e mamãe o haviam ensinado.

_O seu pai era um homem violento?

Tiago respondeu que não era homossexual, que não precisava fazer nenhuma outra pergunta se a intenção era sexual. Ele havia tido namorada e gostado da experiência. Essa é a resposta clássica para qualquer psicólogo: pai violento, filho homossexual. Que pergunta abjeta.

Efigênio esperou ela sair:

_Tiago, cuidado com ela. Não se engane, não é sexo o que ela quer com você, ela quer os seus bens, saber dos seus gostos e fantasias. Observa que ela procura algo do que você possa se recriminar. Ela rouba, sendo policial e não segue os ensinamentos legais. Lembre-se de conversar sobre isso com o contador da padaria, pois ele cursou Direito e pode te orientar. A velha história de gatos e ratos aborrecida.

Tiago contrata outra enfermeira. Essa não pergunta. Essa fala pelos cotovelos e pergunta alguma coisa enquanto fala: aguarda respostas conceituais. A vida dela é complicada e ela não esconde as suas dificuldades, muito simpática e até mesmo, querida.

Efigênio espera o homem, existem enfermeiras mais fortes e corajosas que muitos homens: enfermeiras e enfermeiros não têm sexo perante os seus pacientes, sair e diz:

_Esse é aquele cuja oração é inútil. Tivesse ele alguma fé e perceberia que caminho na direção dela, pela vontade de Deus, a quem me submeto nessa jornada. Perde o tempo e contraria Deus aquele que deseja a morte do seu semelhante. Eu já morri e ele não viu a benignidade do senhor em me trazer ao convívio de você para que a vontade Dele fosse feita; não a minha, não a daqueles que me amam e me querem como semente eterna ao lado deles.

Efigênio está doente, agora do fígado e Tiago conta a ele.

_Morrer do fígado é a escolha do Senhor Deus. Procure tratamento constantemente até que eu me vá para o céu.

Tiago ficou triste e pediu a Efigênio que não falasse daquela maneira, mas Efigênio retrucou:

_Todos morrem, prezado Tiago. Daqui a algum tempo todos nos veremos, é nesse Jesus que acreditamos, a Vida Eterna é para todos, mas no meu caso Deus quer que eu deixe aquelas pessoas que veem a morte como castigo, com a lembrança de que a morte é causa e efeito da natureza humana, não castigo. Como poderia se configurar um castigo sentar-se ao lado de Deus quando se observou todos os mandamentos dele em vida?

Conversar sobre a morte diariamente aborrecia Tiago. De tanto conversarem, Efigênio se apercebeu da contrariedade de Tiago e disse:

_Ânimo, homem! Estamos seguindo um dos muitos projetos divinos, reconhecemos a ressurreição com fator modificador da vida. Ambos conhecemos pessoas novas, filosofias novas, a ausência da filosofia de vida como fator disponível e, ao nosso alcance. Perceba a maravilha de tudo isso!

Tiago foi humilde perante esse Deus que norteava o pensamento de Efigênio.

Certa vez, cansado e distraído ao receber uma visita, Tiago perguntou se não encontraria outro enfermeiro para substituir o enfermeiro temporário, que era empregado daquele enfermeiro que seria aquele que se recusam a deixar os seus bens, metáforas de poder, para seguir Cristo. O visitante disse que conhecia e que ele iria ver Efigênio sem falta.

De fato, o enfermeiro foi e prometeu voltar no dia seguinte.

No entanto, sábado à noite, bateu à porta de Efigênio e Tiago:

_Preste atenção Tiago: trouxe um perito a fim de verificar no que te posso acusar.

Tiago jamais imaginou que existisse adversário tão inescrupuloso e impulsivo, a ponto de mandar um seu criado. Efigênio interveio na conversa:

_Verifique o que você desejar e maldito seja o seu caminho se nada encontrar.

Os homens fizeram a vasculha e se foram, nada encontrando que o acusasse.

Efigênio concluiu:

_Esses são aqueles que não verão as graças do Senhor. Viverão para testemunhar que nada de mal encontraram nessa casa de cristãos.

O tempo passa e Efigênio conversa em particular com Tiago:

_Tiago, o meu estado de saúde se agrava, mal posso levantar.

Tiago se emociona e fica triste.

_Não é para ficar triste Tiago. A sua função perante Deus é estar ao meu lado e ser o meu confidente. A quem mais eu poderia confidenciar este milagre de morrer duas vezes? O nosso amado Jesus, morreu e nos ressuscitará uma única vez, embora não saibamos disso ainda. Você é a testemunha de que o fato é possível físico e espiritualmente. Eu serei o abençoado, aquele a quem Deus deu a chance de prosear sobre Ele mais de uma vez. Peço a você que não se entristeça e muito menos, se queixe quando a segunda morte chegar. Lembre-se de mim como a experiência religiosa que a Providência Divina te ofertou como conhecimento sobre a vontade de Deus, soberana sobre todos os viventes.

Tiago dirige-se a Efigênio:

_Acredito na sua versão, Efigênio, mas sinto a sua falta desde agora.

Efigênio, orador responde:

_Como é que você poderá sentir saudades da doença? Quando você se lembrar de mim, lembra-se das tertúlias com o Mestre em minha casa, lembra que vivi bem até a hora da partida inevitável, mas não única. Lembre-se de você ao se divertir e viver dias largos e folgados como os meus, e nem por isso deixará de seguir, ouvir e brindar com Jesus, como eu fiz e vivi.

Tiago perguntou a Efigênio como haveria de agir nos momentos sérios que viriam a seguir.

_Quando eu estiver bastante fraco, você me levará aos doutores médicos. Enquanto eles me tratam, você virá com alegria para me ver. Quero levar a sua doce companhia, a sua cumplicidade nessa graça divina.

Tiago obedeceu a esse Efigênio terminal e estava ao lado dele, junto aos doutores, quando ele pediu que vestisse a sua melhor roupa antes de voltar a vê-lo.

Tiago, apavorado diante da gravidade da questão divina na qual estava participando, saiu e se arrumou para mostrar a Efigênio que todos os seus desejos seriam atendidos.

Quando se arrumou, bate à porta um mensageiro a avisar que Efigênio havia partido para a outra vida, a vida prometida por Cristo.

Tiago comparece ao funeral com a sua melhor roupa, tendo a certeza de que fazia Efigênio feliz de alguma maneira.

A verdade estava ao lado de Efigênio, Tiago era a testemunha cúmplice nessa história entre Efigênio e Deus.

Carta do Tempo para uma Jovem

Carta do Tempo para uma Jovem

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Curitiba, três de julho de 2014

Senhorita,

Você escreve uma carta pedindo-me respostas para tudo o que não sabe. Eu sei que você a escreveu e rasgou desejando que ninguém a lesse, mas eu sou o Tempo e estava com você, junto ao seu tempo enquanto você a escrevia.

Para você, talvez essa carta seja extemporânea, apenas demorei-me a responder para que ela chegasse no tempo do seu entendimento.

São respostas sensíveis, como não poderiam deixar de ser, pois ao tempo da escrita a jovem olhava a tudo e a todos com a admiração de quem percebe a estação das flores, tudo é novo e as perguntas são curiosas e cheias de disposição, também ingênuas.

Não consegue ser amigo quem trai, então, sou seu amigo porque a ti não trai, contando da carta sobre o futuro e a respondo como sendo segredo nosso.

Amor não é bobagem da juventude, é conduta de vida, o amor tem qualidades de vida inexoráveis e eternas, conduzir a vida com o amor implica em atitudes que produzem o entendimento.

Não consegue falar de amor quem só te previne a respeito dele e, mesmo os médicos, ao prevenirem qualquer doença, amam o que fazem, sentem imenso prazer ao te perceberem sã.

Somente eu, o Tempo, na terceira pessoa do tempo de um verbo, pode dizer que tudo o que te furtam é o que te sobrará dali a pouco. O Tempo devolve todas as condições espirituais furtadas, mas das quais, você precisa usufruir sem se importar com o que foi desviado de ti.

O perdão do Tempo é esse, não vive com mágoa, aquele que, através do Tempo, compreende a distância no espaço necessário e benigno para que o amor seja realidade.

Ao tempo desta carta você estava distante de todo e qualquer relacionamento anterior com o amor passado, mas agora você tem todo o tempo passado unido ao tempo afastado, como se jamais tivesse havido a descontinuidade que houve, porque não existe descontinuidade do tempo em que se quer e deseja o bem.

Ao contrário, para o mal, existe a descontinuidade necessária para terminar um sofrimento. Essa descontinuidade pode ser abrupta e inesperada, mas sendo boa, acrescenta novos entendimentos de amor.

Para o Tempo, não importa onde, quando e como, importa é você saber que alguém percebeu que você amou com sinceridade. O quem, menos ainda. No dia em que alguém virar-se para você e dizer que viu, em várias ocasiões, você amando desinteressadamente, esse é o dia do meu presente.

Pode parecer estranho o Tempo, nesse espaço, falando tanto de amor. É que o Tempo é eterno e nenhuma outra experimentação dura para sempre, apenas o amor é presente ao espaço do Tempo indefinidamente.

Não são respostas juvenis, mas conservam o frescor da expectativa. Uma das qualidades do tempo é preservar a expectativa do amor por tempo indeterminado. Ene é igual ao infinito (N=00). Nem a matemática contesta o Tempo nesse seu tempo.

Nem todas as respostas estão dadas, haverá perguntas e haverá respostas, haverá entendimento a ser acrescido para sempre. Esse é o mistério do Tempo.

Por enquanto, são essas as respostas. Podem existir outras, mas essa carta está respondida.

Peço-te, no entanto, um favor. Não jogue fora as cartas de amor. Porque eu te respondo, mas você não pode ler novamente o que rasgou.

Todo tempo é tempo de amor.

Cordialmente e, a seu dispor

Tempo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Anima a ânima





Compartilho o som do vinil, ideia brilhante!

Bom, Nesse Caso Eu Não Sei / Crônica de Supermercado

Bom, Nesse Caso, Não Sei / Crônica de Supermercado

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As mulheres com os maridos ou pais ou filhos, no supermercado. Algumas tentam acalmar dizendo que logo tudo volta ao normal, outras atiçam e incentivam para que digam o que lhes passar pela cabeça.

Sobram palavras para toda a família, inclusive para os parentes que não estão ouvindo a conversa.

O absurdo é que o que está faltando para eles, é o futebol. Nesse momento todos os estados estão sem campeonatos estaduais e torneios municipais, falta até o esporte dos amadores.

Com todo o respeito, é hilário ver o jeito de homem que quer ver homem para dizer bobagem.

Nessa ida ao supermercado, lembrei-me do pai de uma colega, num dia em que estávamos reunidas. Ele tinha sete filhas mulheres e um filho homem. Estávamos em mais de dez garotas, fora a manicure, que a filha mais velha pediu para que fosse até a casa dela para fazer as unhas das mãos.

O pai delas, num determinado momento, se levantou e disse:

_Vou sair e não se preocupem comigo. Vou ao Coritiba assistir um jogo de futebol. Preciso ver homem!

Ele saiu e todas nós, garotas, rimos.

Enquanto todas as mulheres se preocupam com os petiscos para sexta-feira, eles estão com aquele jeito de meninos bem comportados. Ainda bem que estão bem comportados!

Nem Coritiba, nem Atlético e, muito menos o Paraná Clube se manifestam. Podiam dar uma chance para eles e fazer uma matéria publicitária sobre os times de futebol.

É que, para nós, mulheres, os momentos de folga servem para verificar se aquele creme antirrugas funciona ou é somente propaganda. Para nós não falta distração.

Eles estão reclamando porque os jogos da Copa do Mundo acabaram aqui em Curitiba, as rodas de bate-papo estão à míngua e eles gostam de trocar ideias.

E, a origem da crônica veio de uma conversa na qual o marido dizia estar com vontade de dizer umas verdades para alguém que o tinha incomodado com um esbarrão nos pés dele com um carrinho de compras.

A esposa disse para que ele não levasse nenhuma contrariedade para casa e que deveria ter dito o que realmente penso na hora em que o carrinho de compras passou por cima do pé.

Ao invés dele concordar com ela, ele respondeu que ela não o entendia. Não mais se queixaria dentro do supermercado. Cabe um elogio à educação dele. Ele se queixava, mas não queria reclamar e deixou claro o objetivo do comentário.

Seguiram ambos olhando na mesma direção, coisa de casal que se entende.

A Copa do Mundo está sendo um período bom para todos nós, mas não precisamos falar apenas de futebol.

Bom, nesse caso, eu não sei. Sexta-feira tem jogo e pipoca, de pipoca eu sei.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Poemix

Poemix

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A pé, a sós, em ouvidos,

Sutis, sentindo os sentidos,

Do tempo, e, a geada que o diga.

Em verbos, que se prossiga...

 

A voz, gogós remexidos,

Em gol, torcendo bramidos?

Rissoles, casa de amiga;

Café com pão que me abriga.

 

O sol não prova sonidos,

Sugere em fás sustenidos

Que segue em tom a cantiga

De espaços mudos em liga.