Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Não é Problema Meu / Minirônica de Supermercado

Não é Problema Meu / Minirônica de Supermercado


     Estava eu com o roteiro do supermercado, pães e adjacências, quando parei para olhar um produto, enquanto as repositoras colocavam mais na prateleira, e enquanto isso, conversavam e faziam planos.

     Planos de beleza, preenchimento facial.

     Mostravam uma e outra as fotos de preenchimentos com aparência natural.

     Conversavam sobre o preço do preenchimento facial com o conteúdo de um mililitro do famoso botox, mas esse prometia durar dez anos, ou seja, até os trinta e cinco ou quarenta anos elas ficariam do jeito que imaginavam.

     O preço seria parcelado, porque elas não tinham disponibilidade financeira para pagamento à vista.

     Escutei toda a conversa, pois elas olhavam para o celular com as fotos, e eu aguardava a liberação da prateleira para pegar o que precisava comprar.

     Aproveitei para pensar. Sei que fiquei com vontade de conversar, mas não era problema meu.

     Uma série de questões vieram na minha cabeça, como por exemplo, a de uma conhecida que fez plástica pós-parto para ficar com a barriga de solteira. Naquela época, há quarenta anos atrás, fazer plástica significava fazer dieta, pois se ganhasse peso após a plástica abdominal, os pontos ficariam abertos e haveria cicatriz feia naquela barriga linda. Na época, não disse nada.

     Desconheço a necessidade de  cuidados pós preenchimento facial em clínicas de estética.

     Difícil não dizer nada.

     Estamos num tempo em que a imagem pessoal é bem vista na internet, é uma nova realidade.

     Comecei a repetir para mim mesma diversas vezes que o problema não era meu, que qualquer imprevisto o problema seria delas.

     Foi auto-sugestão, não convicção.

     O problema está na sociedade e na imagem que fazemos dela todos os dias através das inúmeras fotos que carregamos no celular, nas redes sociais, na consideração que se tem pela estética da tecnologia.

     O problema não é meu, mas o pensamento é.

     Grata pela leitura. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Manhãs Mornas

Manhãs Mornas


Sem espaço

De cansaço,

Madrugar


Nesse passo,

Num mormaço

Caminhar,


Passo a passo

Devagar,

 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Turista


Turista


Espero que exista,

Tenha quem insista

E leia devagar,


E ao tempo persista,

Mas depois invista

No seu divagar


Livro é ser turista

Sem sair do lugar. 

sábado, 26 de setembro de 2026

Relevante

Relevante


Cada caminho,

Se edificado,

Vai celebrado


Num pergaminho

Bem conservado

E bem guardado


Num escaninho

Desconcertado.

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Edição

Edição


Esta folha amarelada,

Pelo tempo desgastada,

Traz a luz certo saber,


Numa capa encadernada,

D'uma edição que é esgotada,

Se folheada, há o que ler;


Nesta edição já esgotada,

O poeta mostra seu ser.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Realidade

Realidade


Humana, a mente possível

Que está a racionalizar

O necessário e o visível,

Gostar de raciocinar;


Existe o que é verossímil,

Não precisa equalizar

Todo o som, ser audível

E real, sem o imaginar,


E a realidade não é incrível,

Basta ser, e vivenciar

O que existe, o que é factível,

Exatidão a constatar.  

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

De Vez em Quando, Polêmica / Comentário

 De Vez em Quando, Polêmica / Comentário


     Mudando de assunto, um contrassenso observo no noticiário.

     Há um projeto de lei obrigando a construção dos chamados telhados verdes, ou seja um jardim no telhado dos edifícios de utilidade pública.

     Não gosto de entrar nesse meio político quando escrevo, mas moramos num país em que não faltam insetos e outros bichos, que entram e convivem erroneamente nas cidades.

     Onde resido, Curitiba, tem um parque onde as capivaras passeiam livremente, e os pedestres admiram e tiram fotos, mas elas não são tão mansas assim, e é preciso manter uma certa distância. Quando aparecem jacarés, dizem que foram colocados no parque. Já pensaram em alguém capaz de capturar um jacaré, trazer para a capital e colocá-lo numa lagoa? Eu não sou crédula.

     Temos gambás e sapos nas estradas, e de vez em quando, assustam motoristas.

     Áreas verdes não nos faltam, mas critico telhados e cercas verdes, criadouros de insetos.

     Este posicionamento não significa ser contrária a preservação ambiental, mas tato ao saber que áreas verdes precisam ser cuidadas por especialistas.

     Fato é que ao residir próxima a um parque, verifico o cuidado das autoridades locais no controle das pragas urbanas, e admiro o pessoal que retira os ninhos de cupim, e controlam os insetos, posto que muita gente leva os seus animais de estimação ao parque disciplinadamente, como por exemplo: para a chuva, eles levam os animais para tomar o ar do parque.

     Tudo tem o seu lugar, a natureza também.

     Podemos conviver em paz com a natureza, respeitando os limites, respeitando as crianças tanto quanto o fabricante de inseticida respeita.

     Nenhuma cidade resiste sem ter natureza por perto, o que não significa fazer uma horta num apartamento, que mesmo com cuidados, atraem insetos de toda espécie.

     Natureza é ao natural, como o ser humano é para a civilidade.

     Respeitar o espaço do outro é fundamental, mesmo quando falamos de espécies.

     Por aqui, temos águias e falcões, pássaros de todo tipo, vários parques bonitos e bem cuidados, e quando digo bem cuidados, significa que as árvores são podadas regularmente, a grama aparada e os insetos controlados.

     Já houve a época do exagero, em que éramos obrigadas a comprar inseticidas, e vestir máscara para atacá-los.

     Já houve época de poluição extrema, com uma fábrica de velas queimando os seus produtos e fumaceando toda a vizinhança, a ponto das cortinas ficarem sujas de fuligem.

     Estamos numa época em que se defende o verde, mas a natureza, sob o meu ponto de vista, não pode ser uma ideologia impositiva, posto que não é difícil encontrar animais silvestres nessa terra tão privilegiada pela natureza.

     Assunto para ser discutido por todos, não para ser uma nota do jornal A Voz do Brasil, que pouca gente escuta, embora muito seja dito, em suas notícias curtas.

     Grata pela leitura.